A fase de ouro do jornalismo brasileiro

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O jornal mais importante do Brasil.

 

 

 

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É emocionante ver como o Brasil teve bons jornais e a informação era tratada com carinho.

 

Jornal do Brasil História e Memória, 404 pg, Record, 2015, o livro de Belisa Ribeiro sobre o melhor jornal que já se editou no país, só não é ainda melhor porque faltou apuração.

 

A primeira regra de quem se mete com história oral é desconfiar da memória do entrevistado. Caso contrário, aparece o Alberto Dines lembrando que “o governo do Getúlio Vargas, através da Legião Brasileira da Boa Vontade criou a Horta da Vitória”. Faltou um apurador para abrir o relatório do governo e corrigir: o entrevistado estava falando da Legião Brasileira de Assistência.

 

Dói ler mais adiante que o mesmo Dines, trabalhando para a revista Visão em São Paulo, cobriu o auge do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) “de Cacilda Becker, Sergio Porto, Paulo Autran”. Não será Sergio Britto? Ou talvez Sergio Cardoso? Os dois são citados na Enciclopédia Itau Cultural e em outras fontes.

 

Essas pequenas falhas devem ser relevadas pelo leitor – haverá talvez uma segunda edição – porque nunca foi tão necessário falar de jornalismo de boa qualidade e da época em que grandes jornais concorriam no mercado da informação.

 

As narrativas de editores e repórteres mostram que mesmo em episódios como o golpe de estado que derrubou João Goulart em 1964 ou a promulgação do AI-5, que endureceu ainda mais o regime, o JB se comportou bastante bem. Driblou a censura como pode e guardou para a História episódios como o do jornalista Luis Edgar de Andrade. Preso sem culpa passou três dias no Batalhão de Polícia do Exército em pé, nu em uma sala gelada, sob sons altíssimos. No terceiro dia um dos algozes informou ao libertá-lo: “Não era com você!”

 

Está registrado. Aconteceu e pode acontecer de novo. É preciso ficar atento em defesa da democracia.

 

A proprietária do JB, condessa Pereira Carneiro, e o presidente Nascimento Brito deram carta branca aos jornalistas, dentro da linha que a autora chama “democrática-liberal”. Havia grande liberdade para investir em cultura. O Caderno B e o Suplemento Dominical foram praticamente os responsáveis pela chegada da poesia concreta ao Brasil, com Reynaldo Jardim, Mauro Faustino, Oliveira Bastos e Ferreira Gullar. E também Carlinhos de Oliveira, Nelson Pereira dos Santos, Helio Polvora.

 

O chefe da redação de 1978, Luis Orlando Carneiro, informa: “Houve um momento em que essas pessoas, esses corações e mentes de juntaram e fizeram do Jornal do Brasil o jornal de referência nacional e internacional. Nós passamos a ser o The New York Times do Brasil. Lá fora, quando eu viajava, os telegramas da Associated Press, quando queriam falar sobre a situação do Brasil, informavam: “O influente Jornal do Brasil, em editorial hoje…” Eu nunca vi um telegrama dizer assim: “O influente O Globo…”

 

Hoje, leio no Independent: “Brazil’s political process ‘damaged by partisan press’ claim journalists”. No site belga La Libre está:”Brésil: les médias en campagne contre Dilma Rousseff.” A imprensa virou partido político. A melhor maneira de saber o que acontece no Brasil é ler um jornal da Inglaterra, diz a BBC.

 

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O Jornal do Brasil, de Belisa Ribeiro, vem se somar a outros livros sobre o grande matutino carioca. Entre eles deve-se destacar a biografia de Odylo Costa, filho, de Cecilia Costa. (Coleção Perfis do Rio, 200 pg, Editora Relume Dumerá, 2000). O sobrenome não é coincidência – Cecília é sobrinha de Odylo Costa, filho.

 

Esse efe em letra minúscula é testemunho do respeito que o proprietário tinha pelo vernáculo.

 

Odylo chegou em 1956, quando o jornal ainda era escrito à mão e ostentava anúncios classificados na maior parte da primeira página. Os redatores enchiam suas canetas tinteiro e punham-se a trabalhar em aparas de papel, que depois eram decifradas na oficina por experientes linotipistas.

 

Grande renovador do JB e provavelmente do jornalismo brasileiro, Odylo Costa, filho levou para o jornal uma equipe do Diario Carioca  – o jornal que iniciou a revolução formal da imprensa. Valorizou a fotografia, que antes era na base da lâmpada de magnésio estourada na cara dos personagens. Criou o copy desk para acabar com os textos barrocos, o abuso de adjetivos e advérbios, as redundâncias e imprecisões.

 

O jornalismo brasileiro continua cheio de imprecisões e vieses. Só acabaram as redundâncias.

 

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Caminhos da Seda

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Colonos holandeses na Índia. (New York Review)

 

 

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The Silk Road, a New History of the World, de Peter Francopan, (Ejd. Knopf, 645 pag, US$30,00, ou US$17,44 na Amazon) – considerado o melhor livro de história de 2015 – ainda não foi traduzido. Mas quem quiser aventurar-se na versão inglesa vai sair na frente naquilo que parece urgente para os sulamericanos  – confirmar que o mundo não nasceu eurocêntrico, nem o eurocentrismo com a sua variante anglo-norteamericana é o único farol a nos guiar.

 

O objetivo escancarado de Francopan, historiador da Universidade de Oxford, onde dirige o Oxford Centre for Byzantine Research, é virar os refletores que hoje iluminam a Europa para o Iran e os stãos da Asia Central, até mesmo o Afganistão. Essas regiões, segundo ele, foram os verdadeiros motores do mundo.

 

Em vez da China, com a promessa de quadruplicação da demanda de bens de luxo nos próximos dez anos, ou da India, onde mais gente tem acesso ao telefone celular do que ao aparelho sanitário, convém olhar para a região situada entre o Leste e o Oeste, ligando a Europa ao Oceano Pacífico. “Foi nesse eixo que o mundo evoluiu”, escreve o autor.

 

Silk Road, lembra Collin Thubron, da New York Review, não é uma designação muito antiga. O termo Seidenstrasse foi cunhado em 1877 pelo geógrafo alemão Ferdinand von Tichthofen para descrever, geralmente no plural, o emaranhado de caminhos do comércio entre a China e o Mediterrêneo. Essas vias foram usadas pelos romanos para negociar com a grande dinastia Han, em 207 Antes de Cristo. Ou quando as invasões mongóis foram consolidadas na Pax Mongolica no coração da Asia.

 

Dois mil anos atrás, diz Frankopan, sedas chinesas eram usadas pela elite de Cartago, ricos iranianos possuiam cerâmica Provençal, enquanto especiarias da India seguiam para cozinhas de Roma e do Afganistão. Mas se o comércio, a promessa de ganhos, foi o motor que levou as pessoas ao longo dos caminhos da seda, outras coisas seguiram junto. As campanhas militares de Alexandre o Grande levaram a cultura grega ao Vale do Indo – um dos locais onde nasceu a civilização –  e um dos resultados foi que o deus Buda ganhou forma e o budismo tornou-se popular. O cristianismo espalhou-se ao longo das estradas da seda. Avanços científicos, ideias filosóficas e muitos mais resultados dessa fertilização cruzada que expos o Ocidente ao Oriente.

 

 

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Para o Brasil, o desafio consiste em esquecer um pouco Vasco da Gama, Cristovão Colombo e Pedro Alvares Cabral e pensar nos caminhos pioneiros que levararam para oeste do meridiano de Tordesilhas. Está ai, desconhecida da maioria, a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana, (IIRSA), programa conjunto dos governos dos 12 países para estimular a integração política, econômica e sociocultural da América do Sul.

Há um grande mercado interno a ser expandido. E há o nosso Caminho da Seda, a ferrovia Brasil-Bolívia-Peru, que pode reduzir a US$30 o frete da tonelada de soja importada pela China.

 

 

 

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224 anos depois

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“Eu não fiz nada!”

 

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Não é grande novidade, mas não custa repetir que o brasileiro desconhece sua história.

 

O aniversário da morte por enforcamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, podia ser mais bem lembrado. Na praça Tiradentes, nove entre dez passantes não sabiam o motivo do feriado nacional.

 

Só passavam distraídos.

 

Aí, uma senhora gritou. Segundo ela, um rapaz  (“bandidinho!”) supostamente tentou arrancar o smartphone das mãos dela. Houve gritaria, ele fugiu pela Candido Lopes. Voava com seu tênis Nike azul novíssimo. Subiu a rampa para se esconder na Biblioteca Pública – estava fechada. Foi alcançado por dois motociclistas da Guarda Municipal.

 

Levou uma sacudidas, ganhou algemas. Indagado sobre o alegado malfeito, fez como os conjurados de Vila Rica: negou o suposto crime.

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Não precisa reforma eleitoral – o Brasil é binário

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Para entender o espetáculo de domingo na Câmara dos Deputados é preciso conhecer o Brasil Profundo, o Brasil Binário. Aqui já existe o voto distrital. Os sufrágios são disputados por dois grupos com muita ganância, intriga, briga de família, compromisso desonrado,  vingança cumprida.

 

É o país de José (Zezinho) Bonifácio de Andrada (1904 – 1986), o doutor Zezinho, eleito cinco vezes deputado pela antiga UDN e três pela Arena. Presidiu a Câmara entre 1968 e 1970 – quando foi decretado o Ato Institucional nº5 e começou a fase plumbea da ditadura. Era  especialista em Brasil Profundo e amigo de generais. De vez em quando advertia os colegas.

 

“Vocês dizem o que querem que aconteça; eu digo o que vai acontecer!”

 

Zezinho Bonifácio era de Barbacena, território de duas poderosas famílias, os Bias Fortes e os Bonifácio Andrade, que dividiam o terreno de forma simples: os Bias Fortes mandavam no município e os Andrade elegiam deputados e senadores.

 

Zezinho e Barbacena inspiraram Fernando Sabino a escrever O Grande Mentecapto, uma espécie de romance de cavalaria que virou filme dirigido por Oswaldo Caldeira, com um enorme elenco onde se destacavam Diogo Vilela, Luiz Fernando Guimarães, Osmar Prado, Debora Bloch e Regina Casé.

 

Um diálogo entre o Mentecapto e um morador da cidade esclarece o que estou dizendo.

 

– Você é bíista ou bonifacista?

 

– Fascista nunca fui, não sou e jamais serei – respondeu Viramundo, melindrado.

 

– Sou liberal-democrata, monarquista e parlamentarista.

 

– Você não me entendeu – tornou o outro, impaciente.

 

– Quem é que falou em fascista? Eu falei em bonifacista.

 

– Que vem a ser isso?

 

– E quem apóia os bonifácios.

 

– Sei lá quem são os bonifácios! – respondeu o mentecapto, já por conta do Bonifácio.

 

– São os inimigos dos bias – informou Barbeca.

 

– Quem são os bias?

 

– São os inimigos dos bonifácios. E ficariam nisso, se Barbeca não insistisse:

 

– Aqui em Barbacena a gente tem de ser bíista ou bonifacista.

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A arte de armar

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Armaram para ele também. (Da IJG JPEG Library)

 

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O dia começou com uma rápida aula de inglês.

 

“The system is rigged”,  reclamava Bernie Sanders no Guardian. To rig é um verbo familiar para quem veleja. Significa subir a vela no mastro e ajustar os cabos para iniciar uma regata ou apenas sair por ai feliz, sem rumo, as velas lindamente enfunadas. “Vamos armar o barco”, dizem os velejadores.

 

Em política o verbo tem sentido mais sinistro.

 

Descreve situações em que vantagens indevidas são dadas a um dos lados de uma disputa. Como esta que foi outorgada por forças poderosas aos adversários de Dilma Roussef, ameaçada de impeachment sem ter cometido crime por uma Câmara Federal comandada por um deputado que responde a 22 processos e, entre eles, três inquéritos que apuram possíveis crimes.

 

Armaram contra a Dilma. Não é novidade, estava escrito que seria assim.

 

O Veríssimo explicou hoje: “Foi o fim da ilusão que qualquer governo com pretensões sociais poderia conviver, em qualquer lugar do mundo, com os donos do dinheiro e uma plutocracia conservadora, sem que cedo ou tarde houvesse um conflito, e uma tentativa de aniquilamento da discrepância.”

 

Esse “em qualquer lugar do mundo” inclui dos Estados Unidos, onde a campanha de Bernie Sanders chega ao fim com a evidência de que os superdelegados do Partido Democrático vão votar como sempre votaram – em favor da candidata do sistema.

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Se voto mudasse alguma coisa seria declarado ilegal

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Deputados-delegados em sessão.

 

 

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Ouço um cidadão indignado com seu deputado: “Ele não me representa!”

 

Verdade. Somos mal representados. Aquela lenda dos 300 picaretas está ficando cada vez mais real. Por que?

 

  1. Porque o eleitor não votou naquele deputado malandro. Votou em um que não se elegeu. Pelo sistema de voto proporcional em vigor no Brasil, só 10% dos deputados são eleitos diretamente. O resto ganha a cadeira na Câmara com as sobras.

 

  1. Porque, com 40 partidos, a chapa partidária não reflete uma ideia, um programa, uma alternativa. É montada pelo cacique regional do partido, que chama sua turma e mais alguns otários.

 

3.Porque, o candidato mudou de opinião depois que chegou lá. Era “socialista”, agora é “neoliberal”, seja lá o que isso signifique.

 

  1. Porque o sistema eleitoral não tem com a representação popular o mesmo compromisso que, por exemplo, o Labour Party inglês ou a democracia cristã alemã. Na Inglaterra e na Alemanha seria impensável essa janela de infidelidade que o Brasil inventou.

 

A democracia brasileira não é representativa, é delegativa, ensina Guillermo O’Donnell, cientista político argentino, professor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade de Notre Dame. (Em http://www.plataformademocratica.org/Publicacoes/11566.pdf).

 

Democracia delegativa é democracia porque tem legitimidade de origem, nasce de eleições limpas. É democrática porque mantem certas liberdades públicas, como o direito de opinião, de associação, de reunião. Mas é uma democracia menos republicana que a democracia representativa, principalmente porque tende a não reconhecer os limites constitucionais e legais dos poderes do Estado. De <http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-142412-2010-03-21.html>

 

Outra coisa que ouço há muito tempo: “O Brasil com um pouco mais de democracia podia ser um Uruguai”.

 

Se o Brasil fosse um Uruguai, não estariamos hoje ameaçados com novo “pacote de estabilização”, como esse que o senador José Serra defende para um eventual governo Temer.  Não defende apenas – é um dos autores do documento intitulado “Uma Ponte para o Futuro” (*), que o vice presidente apresentou como seu programa de governo. A proposta resume a agenda de reformas do PSDB: redução dos impostos empresariais, encolhimento dos direitos sociais, aumento da idade mínima para aposentadoria, “flexibilização” dos direitos trabalhistas da CLT, e o pior: “acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, como no caso dos gastos com saúde e com educação”.

e <http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-golpe-contra-a-democracia-e-o-limite-da-divida-publica/4/35890>

 

No Uruguai, um pacotaço como esse Serra/Temer encontraria no Congresso um obstáculo. Não há a fartura de partidos que vemos no Brasil. Os deputados, 90% deles, são blancos ou colorados, comprometidos com seus eleitores e com outros interesses organizados. Os uruguaios não estão “condenados” ao desenvolvimento e ao superavit primário. O governo limita-se a metas de desempenho mais modestas de bem estar social. Ao observar o Uruguai, e mais recentemente o Chile, se aprende como é bom contar com uma rede de poderes institucionalizados que dá consistência ao processo de elaboração de políticas. Eis a diferença entre a democracia representativa e a democracia delegativa.

 

 

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(*) – Essa história de Ponte para o Futuro lembra o chefão soviético Nikita Khrushchev, que disse: “Políticos são iguais em toda parte. Eles prometem construir uma ponte onde não há sequer um rio.”

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O Bandoneon Imaginário

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Encontrei numa gaveta ignota a fita cassete do Bandoneon Imaginário. A vida inteligente de Curitiba sente muita falta do Mercer.

 

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Mi Buenos Aires querido,

Cuando yo te vuelva a ver

No habrá más penas ni olvidos

El farolito de la calle en que nací

Fue centinela de mis promesas de amor;

 

          

O tango, principalmente do início do século, era um mergulho de cabeça na vida dos vizinhos do Prata e no machismo latino-americano. Há quem diga, que para os compositores da década de 1920 só existiam dois tipos de mulheres na Argentina: as mães e as prostitutas.(*) (Tango: Uma Possibilidade Infinita. Hélio de Almeida Fernandes, Editora Bom Texto, 2000).      

Tudo era dor, angústia, gigolôs e marafonas, amores frustrados, ciúmes, bebedeiras, jogo e crimes passionais. Malvisto pela sociedade tradicional curitibana e  muito amado pelos moradores da noite, o tango se instalou na boate do Hotel Mariluz, na La Ronde, na boate Manhattan, onde todo fim de noite Ema Taylor, atendendo a pedidos, cantava Garufa, que bem mais tarde ganhou versão satírica, o Siritango.

 

Siritango

Versão de Sérgio Mercer, Solda, Chico Branco e Ernani Buchmann, em portunhol de Curitiba, para o tango Garufa, de Enrique Discepolo.

 

Fue en la Farmácia Minerva

No me atendieron

Pedi un Sal de Andrews

O sonrisal

Tomé un Calcigenol

Irradiado

Por la Radio Belgrano

Fenomenal

Una Emulsion de Scott

Sin bacallao

E un pastel de carne

Del Oriental

Comi un cachorro quiente

Mas mucho quiente

Quemé toda mi boca

Quedé piantao

Sinuca 

Porque me puse a jugar

Peruca

Pelado voy a quedar

De porradas

Sé que me quieres

Cubrir

So porque la otra noche

Yo fuí

(A la donde?)

A el Bar Rei do Siri

 

 

Obs: após um entrevero com o dono do Bar Rei do Siri, por alguma questão noturna, os autores resolveram transformar a última frase do tango em “En el Parque Barigui“. Assim, com o nome de Bariguitango, é que ele foi gravado, em 1993, por Marinho Galera, para o CD Sérgio Mercer e seu bandoneón imaginário, do qual o m edico Carlos Alberto Mercer, o doutor Nene, ainda possui alguns exemplares, segundo Ernani Buchmann.

 

Mas o templo do tango, mesmo, ficava na rua José Loureiro, 17. Esse era o endereço do Cadiz Club inaugurado em julho de 1956. A história da casa começa um pouco antes, com a chegada a Curitiba de um grupo de boleristas, Los Halcones Negros. O sucesso junto ao público foi tanto que animou um deles, o cantor uruguaio Élvio Justo Menendez a ficar por aqui.

 

 

O que não faltava na cidade era músico latino-americano. Menendez logo conheceu outro uruguaio, Encitro Pellejero, ás do bandoneón, e juntos abriram o Cadiz Club.

A casa era pequena e vivia lotada.  Ali que se celebrava o jogo de sedução proposto pelo tango. Era complicado aprender a linguagem de dois corpos que se entrelaçam na coreografia definida na Argentina a partir do ritmo africano.

Um dos charmes do Cadiz Club era um programa de rádio de grande e fiel audiência: O Tango abraça o Samba, criado e dirigido por Menendez,  e apresentado por Getulio Curi. Com o sucesso, ganhou transmmissão ao vivo, da meia-noite a uma da manhã, pela Rádio Tingui.

Ritual de desejo, jogo, amores proibidos. Para donzelas, nem pensar. Para cavalheiros, o Cadiz Club. Para lá que se dirigiam os amantes da música de Gardel, como os estudantes de Engenharia, Jamil Mattar, mais conhecido como Zeca, O Maluco do Teclado, (irmão do tambem pianista Paulinho Mattar), e Edmond Fatuch.

O primeiro largou o curso e profissionalizou-se músico. O segundo, ao formar-se deixou a música. Mas antes, junto com Zeca, levou o tango para um ambiente mais familiar.(*) (As noites de bandoneon, argentinas e muito tango. Aramis Millarch, Tablóide Digital, 18.08.89).

Na Sociedade Duque de Caxias, enquanto Genésio descansava, Fatuch, voz, e Zeca ao piano, apresentavam tangos aos freqüentadores das domingueiras dos Chás de Engenharia.

                         E foi no Chá de Engenharia que brilhou, no início dos anos 1950, o maior nome do tango que passou por Curitiba: o maestro e compositor Francisco Canaro. Ele já tinha vindo uma vez, por volta de 1940, e retornava agora, com sua orquestra de 30 músicos (*) (As noites de bandoneon, argentinas e muito tango. Aramis Millarch, Tablóide Digital, 18.08.89)

Dançarino de tango?   Um, inesquecível, o Renato Bom Cabelo. Já de ouvintes de tango, a lista era infindável.  O tango, assim como o bolero, fornecia conteudo filosófico para os poetas boemios. Transbordamento e emoção.  Um mergulho na gíria rioplatense.

O termo Garufa, por exemplo, foi incorporado ao vocabulário curitibano. Sinônimo de boemia, malandragem. Um boêmio que ao dançar, tirava a roupa, para se mostrar desprovido de preconceito. Fazer garufa era fazer farra a qualquer custo, ainda que ao voltar pra casa, ao garufa só restasse comer bananas, nada mais (*) (Miguel Angel Gutierrez).

Este, porém, não era o único termo do lunfardo, a gíria portenha incorporada ao nosso dia-a-dia. Curitibano que gostava de tango sabia até traduzir do espanhol para o espanhol; gambas, eram piernas; globear era mentir; bate era delata e dar dique: engañar com falsas aparencias.  

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(Trecho de Curitiba Jazz Band, logo nas livrarias)

 

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Grampos

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Os autores da Constituição cuidaram de assegurar condições favoráveis à busca da felicidade. Procuraram proteger os cidadãos em suas crenças, suas emoções e suas sensações. Conferiram, mesmo contra o Governo, o direito à privacidade – o mais amplo dos direitos e o direito mais valorizado pelo homem civilizado. Para proteger esse direito, toda intrusão injustificável do governo sobre a privacidade do individuo, qualquer que seja o meio empregado, deve ser considerada uma violação à Constituição.

 

As afirmações acima são do justice Brandeis, da Suprema Corte dos EUA, argumentando contra a admissibilidade de grampos secretos em julgamentos criminais. (Olmstead v. United States, 1928).

Brandeis nasceu em 1848, no Kentucki, filho de imigrantes judeus vindos da Boemia. Estudou na escola de direito da Universidade de Harvard, onde formou com as melhores notas jamais obtidas por um aluno. Montou escritório em Boston e publicou em 1890 o famoso artigo sobre o direito à privacidade. O grande scholar Roscoe Pound escreveu que Brandeis havia “acrescentado um capítulo à nossa lei”.

Garantir o direito à privacidade – inclusive à privacidade ampliada pelos recursos eletrônicos de comunicação pessoal – é tão importante como garantir a segurança pessoal.

Brandeis também escreveu um livro intitulado Others People’s Money and How the Bankers Use It, sobre a oligarquia financeira que domina o pais. Está na Internet.

Devia ser obrigatoriamente estudado em todas as escolas de Direito, que ensinam Ricardo, Marx e  Adam Smith e esquecem dele.

O Brasil faz muito bem em combater a corrupção institucionalizada. Precisa também lutar contra a sonegação institucionalizada e proibir a sonegação seletiva, aquele que é patrocinada pelo Estado através da renúncia fiscal. Abrir mão do IPI em favor da indústria automobilística causou a) Engarrafamentos monstros; b) Falta de recursos para investimentos. A grande sonegação, aquela do 1% e das corporações multinacionais, tira mais dinheiro do caixa do Tesouro do que qualquer outro malfeito.

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Eleito o Presidente Nenhumdeles

Está na Folha de S. Paulo, coluna da Monica Bergamo:
O instituto Ideia Inteligência fez pesquisa telefônica com 10 mil eleitores do país perguntando em quem, entre quatro nomes, votariam para presidente. Aécio Neves (PSDB-MG) ficou com 24%, seguido de Lula, com 21%, e Marina Silva, com 18%.

O juiz Sergio Moro ficou com 9% da preferência.

Ganhou a resposta “nenhum deles”, escolhida por 25%

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Uma concertacion à brasileira

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Paulista ontem. O povão não veio.

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77% dos manifestantes de domingo na Paulista tinham curso superior, revela o Datafolha; 63% ganham mais de cinco salários mínimos e destes 37% ganham mais de 10 SM; a idade média era de 45 anos e 11% dos manifestantes declararam-se empresarios. Está na Folha de S. Paulo de hoje.

Os blogs que apoiam Dilma comemoraram: os atos continuam elitizados e elite sozinha não muda governo.

Então, temos que procurar outra saida para a crise.

 

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O professor Clinton Rossiter, um craque em história e constituição norte-americana, deu aula até 1970 na Universidade de Cornell. Em artigo publicado no New York Times ele ensinou:

 

“Nenhum americano pode contemplar a presidência da República sem um sentimento de solenidade e humildade. Solenidade face à concentração de poder única na história da humanidade. Humildade ao pensar que ele ajudou a escolher a pessoa que carregaria tanto poder e gozaria tanto prestígio.”

 

Estudiosos da política sugerem a releitura de Rossiter à luz dos recentes acontecimentos políticos brasileiros. Seja quem for que ocupe a presidência da República, dentro do modelo constitucional americano que o Brasil imitou a partir da constituição de 1891, deve despertar nos cidadãos o mesmo sentimento de solenidade e humildade.

 

Vale notar que, mesmo após um cruel bombardeio da oposição e da grande midia, mais de 70% dos eleitores de Dilma e, anteriormente, de Lula, conservam a identidade com eles, e lembram que ajudaram a colocá-los no poder, na mais radical reorientação política, economica e social da República. Isso foi constatado em pesquisa do Instituto Vox Populi e comentado pelo diretor Marcos Coimbra.

 

Lula, apesar da incessante campanha para desmoralizá-lo, continua a merecer o respeito e o carinho de uma parcela da sociedade maior que qualquer político jamais teve em nossa história. Atacá-lo é atacar esses milhões de pessoas.”

 

De <http://www.cartacapital.com.br/revista/891/hora-de-decidir>

 

Não é possível trocar de presidente sem ofender os direitos desses milhões que votaram em Dilma e Lula. A idéia da substituição “judicial” sem que o pais sofra consequências é no mínimo ingênua. Mas é possível renegociar com a nação regras constitucionais que viabilizem o bom funcionamento do Estado em benefício dos interesses do Brasil.

 

Na França, em 1958, antes de ser nomeado presidente do conselho, em 1° de Junho de 1958, o general de Gaulle encarregou um grupo conduzido por Michel Debré (futuro primeiro-ministro) para preparar um projeto de constituição, aprovado pelo referendum (80% a favor) em 28 de Setembro de 1958, tornando-se a constituição de 4 de Outubro de 1958, designada por Constituição da Quinta República. (Wikipedia, em “República Francesa”.)

 

Não há exemplos de reforma constitucional democrática sem o concurso da opinião pública através da eleição de uma Assembléia Constituinte ou do referendo a um projeto aprovado pelo Parlamento.

 

Existem caminhos para a solução dos problemas nacionais que são ignorados em favor do flaflu das ruas e das midias sociais. Bem ou mal, o Congresso Nacional está funcionando. Há inteligencia nas universidades e nas empresas. Ainda somos donos do pre-sal. Somos um pais-continente.

 

Então, é procurar os pontos de convergência, as identidades, a concertacion, como fizeram os espanhois em 1982, com a vitória do PSOE – Partido Socialista Obrero Espanhol.

 

Houve o saneamento da economia e a consolidação do estado de bem estar social. Felipe Gonzales foi eleito quatro vezes, as três primeiras por maioria absoluta. Depois descolou-se da esquerda clássica, brigou com os sindicatos e caiu. Mas a democracia espanhola continuou funcionando bem.

 

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Não há República sem democracia, nem democracia sem política, nem política sem partidos, nem partidos sem negociação e moderação.

 

Clinton Rossiter

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