Reflexão sufragista

Lendo algumas pesquisas que estão nos jornais, nos sites e nas rádios, lembro uma observação de Chistopher Hitchens.

Q uando descobriram que o presidente Ronald Reagan tinha câncer de cólon, um grande jornal decidiu fazer uma enquete entre seus leitores. Eles foram solenemente indagados se, na opinião deles, o câncer seria a) curado; b) teria uma recidiva: c) entraria em remissão.

Vamos combinar, gente: nem os entusiastas da ultrademocracia defenderiam a ideia de que existe algum interesse público no estado das coisas no traseiro presidencial.

Mas esse, na opinião do dono do jornal, era o dever da imprensa. Oferecer a algumas pessoas a democrática ilusão ou o simulacro de terem sido consultadas.

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Tuta não era um goleador; era um craque da comunicação

FOTO-ANTONIO COSTA/Tribuna do Paraná

Naquele fim de tarde do dia 18 de abril de 2004 o vestiário da Baixada era o lugar mais desconfortável de Curitiba.

Como todo vestiário da época era apertado, úmido, abafado, fedia a urina, Zig e creolina. Mas ali, naquele momento, tornara-se assustador porque reverberavam pelas paredes de cerâmica e concreto os gritos que vinham de fora, onde dois mil torcedores enfurecidos ameaçavam os jogadores do Coritiba, em particular o centro avante Tuta, autor de dois gols naquela 3 a 3 que dava o título paranaense ao alviverde.

Do lado de fora e nos corredores de acesso estava a Polícia Militar de escudo, cassetete e pistolas de gás (que não precisou usar). Não foi fácil conter aquela multidão cega de ódio que tentava pegar o Tuta. Durante três horas, jogadores e diretores do Coritiba comemoraram o título com um olho na cerveja, outro na porta. Alguns dispensaram a comemoração a apenas oraram como cristãos nas catacumbas.

Só lá pelas 9 da noite foram liberados para o ônibus que os levaria ao Alto da Glória. E apenas então, baixada a adrenalina, avaliaram o risco que aquele vestiário representava.

A explosão de raiva começou após o segundo gol de Tuta, de cabeça, aos 31’ do segundo tempo, que selava o empate de 3 a 3 e dava o campeonato ao Coxa. O centro-avante, que tinha sido artilheiro rubro negro no campeonato de 1998, correu até a torcida do antigo clube e mandou aquele povo todo calar, com o dedo indicador na boca. A galera devolveu com palavrões, alguns tentaram escalar o alambrado.

“Eu estava mordido com a ingratidão deles”, explicou Tuta.

Na verdade, uma dupla ingratidão: tinha sido xingado o jogo inteiro e, pior, fora apagado da história do Atlético. Seu nome e biografia não constavam no site que registrava os jogos, os gols e homenageava os campeões de 1998. Para um veterano camisa 9 que vive de gols o esquecimento é pior do que a morte.

A mágoa de Tuta com os cartolas rubro negros foi explorada durante a preleção de Antônio Lopes. O técnico entendia a alma humana desde o tempo de delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro. “O que fizeram com Tuta podem fazer com um de vocês”. Convocou os jogadores a vingar Tuta, o craque esquecido, apagado e humilhado pelo Mario Celso Petralha no site oficial do clube.

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Após a vitória, os jogadores e o árbitro Marcos Tadeu da Silva Mafra (antigo jogador do Avai de Florianópolis) correram para o vestiário.

A volta olímpica ficou para outro dia.

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Era inacreditável o poder de comunicação no camisa 9 coritibano.

Na segunda-feira,todos jornais abriram a primeira página para a desafiadora foto de Tuta diante da torcida adversária e a manchete: “Silêncio na Baixada”. Analistas dividiam-se entre criticar a provocação, e considera-la parte do jogo. “A provocação, o sarro, o deboche são o combustível do futebol”. Todos reconheciam que Tuta foi hostilizado desde o primeiro minuto do primeiro jogo (2 a 1 para o Coritiba) e elogiavam o oportunismo do centro-avante (que vinha de campanhas vitoriosas no Flamengo e no Palmeiras). Alguns advertiam: isso vai terminar mal. Aquele clima de altíssima tensão que rodeava o clássico podia degenerar em violência incontrolável.

Era um bicampeonato merecido. O presidente Giovani Gionedis conseguiu reunir o melhor grupo de jogadores em duas décadas. Não era pouco, por exemplo, ter na zaga Reginaldo Nascimento, Miranda e Adriano.

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Nascimento, o “capitão” Nascimento, 338 jogos pelo Coxa, é um exemplo de liderança usado pela diretoria – primeiro do clube, agora da SAF – para coordenar as coisas entre o time de cima e as divisões de base.

Mas é também um pretexto para falar na fábrica de craques instalada pela família Matsubara em Cambará, no Norte do Paraná. Imagine, leitor, o surgimento no meio daquelas plantações de algodão, de uma Vila Olímpica modelo. Cinco campos de futebol com dimensões FIFA, ginásio bem equipado, piscinas regenerativas, Foi o primeiro a usar scout para identificar talentos em todo Brasil. Oferecia quase tudo que existe hoje – departamento médico e odontológico, nutricionista, fisioterapeuta, hotelaria, escola a cerca de 100 garotos peneirados em vários estados.

E possuía uma capacidade que poucos clubes hoje possuem – a de pensar no médio e no longo prazo. Outro dia, ouvi de novo uma entrevista do craque Alex no podcast Carneiro & Mafuz, em que ele define a decisão mais difícil dos executivos do futebol. “Você tem um garoto de 16 anos, com tudo para ser craque. E você pode optar em investir nele para compor um elenco que vai conquistar campeonatos e taças para o clube; ou você, diferentemente, trabalhar o garoto para se tornar um produto na prateleira e ser vendido com lucro dali a um ano. O Mateus Cunha, hoje no Manchester United, é um exemplo da segunda visão: veio para o Coritiba em 2014, morou três anos nos alojamentos do Estádio Couto Pereira, fez sucesso na Copa São Paulo e foi vendido para o Sion, da Suiça, por 700 mil reais. O United pagou por ele 74 milhões de euros.

Os donos do Matsubara tinham visão de longo prazo. Mantiveram o mesmo Diretor Esportivo Luis Carlos de Oliveira, o Bolão, durante 13 anos. E a mesma equipe de apoio. E produziram, além de Reginaldo Nascimento e Miranda, craques como Nilmar (Internacional), Carlos Alberto Dias (Botafogo, Vasco e Coritiba), Toninho Carlos (Santos dos anos 1980).

Pena que o Matsubara não era uma empresa esportiva. Desintegrou-se com a doença do algodão. As plantas eram destruídas por uma praga do besouro chamado Bicudo. O patriarca,  Sueo Matsubara teve que desistir do futebol. Os campos de treinamento abandonados viraram capinzais. Os edifício sem manutenção estão em ruinas. Só sobrou, em mau estado, o Estádio Regional Vicente de Carvalho, onde o Matsubara mandava seus jogos profissionais, construído pela comunidade de Cambará. O espaço recebe alguma manutenção da prefeitura e de antigos funcionários do clube para acolher jogos de equipes amadoras e eventos locais.,

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Miranda era o zagueiro alto e ágil, firme e frio, com técnica para dominar uma bola na área e em vez do chutão, livrar-se do adversário com um drible seco e avançar para o meio do campo encaminhando a transição. Depois do Coritiba, foi tricampeão pelo São Paulo e supercraque do Atlético de Madri.

Gosto muito da carreira de Adriano, zagueiro e ala moderno que começou no futsal (AABB), formou-se no Paraná Clube, veio para o Coritiba com 17 anos. Era admirado por Pep Guardiola, que foi busca-lo no Sevilha para viver seis anos de ouro no Barcelona. Saiu de lá com duas Ligas dos Campeões, dois Mundiais de Clubes e quatro títulos da La Liga.

Aquele Coritiba de 2004 tinha quatro operários no meio campo: Ataliba, Márcio Egídio, Capixaba e Luis Mário. No ataque, o craque Aristizabal, maior artilheiro do futebol colombiano e peça fundamental da Tríplice Coroa conquistada pelo Cruzeiro em 2003.

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Tuta não jogava sozinho.

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Ciclistas no MON

Edward Hopper, se viesse a Curitiba, acabaria no MON. Depois de um cafezinho, iria passear no gramadão dos fundos, povoado de cachorros e jovens. Como gostava de bicicletas, não é improvável que produzisse algo assim:

Intervenção da IA do Google sobre uma foto com iPhone 14. Original abaixo.
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O jogadores do Passeio Público

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a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte numa cela.

Carlos Drummond de Andrade

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P.S. – Foto do meu iPhone 14. Ficou meio impressionista. Perguntei para a IA se podia acentuar o estilo. Ficou assim, um pouco Pissarro, um pouco Monet.

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Um carioca no comando

Faltam 9 minutos para acabar o jogo da Copa Sul-Minas em Vila Capanema. Luciano entra na área e faz mais um gol, o sexto do Paraná contra apenas um do Coritiba. Estamos no dia 6 de abril de 2002, o técnico do Coxa é Joel Santana e a torcida paranista pede, entusiasmada: ”Fica, Joel! Fica, Joel!”

A maior goleada de um Paratiba, que era o apelido do clássico. Agravada pela circunstância de o Paraná jogar com um time misto, preocupado com a disputa da Copa do Brasil dali a alguns dias. Ia enfrentar o Corinthians pelas quartas de final.

O primeiro tempo até que estava equilibrado, mas aos 40 e 43 minutos, Adriano Chuva, um gaúcho grandão (1m86) marcou dois gols – o segundo aproveitando a defesa desarvorada do Coritiba.

Na volta do intervalo, um fio de esperança: Lima foi lá e fez 2 a 1.

Mas em seguida, no intervalo de cinco minutos, Luciano, Leandro Alves e Marquinhos marcaram para o Paraná.

“Fica, Joel! Fica, Joel!”

Ficha Técnica

Paraná 6 x 1 Coritiba
06/04/2002
Copa Sul-Minas
Vila Capanema

Paraná: Neneca; Fabinho, Xandão e Ageu; Luís Paulo (Marcelo Santos), Leandro Alves, Marquinhos (Junior), César Romero e Naílton; Adriano Chuva (Valdir) e Luciano. Técnico: Paulo Bonamigo.

Coritiba: Wellerson; Tiago, Allan e Márcio Costa; Reginaldo Araújo, Reginaldo Nascimento, Sérgio Manoel, Evair (Lima) e Badé; Liédson e Da Silva. Técnico: Joel Santana

A torcida volta a pé para o centro, camisas do Paraná e do Coritiba misturam-se na Rua João Negrão. Um tempo bom, em que não há necessidade de decidir na porrada qualquer jogo de futebol. Nem mesmo em caso de goleada, uma vez que os adversários respeitosamente comentam trivialidades futebolística.

O sábado negro demora para passar. Na manhã do domingo, a diretoria se reune e demite Joel Santana. Tinha comandado o time em 16 partidas com 6 vitórias, 2 empates e 8 derrotas. Paulo Bonamigo, técnico do Paraná, aceita sem piscar o convite para substituir Joel.

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Vamos voltar para 19 de dezembro do ano anterior. Está desembarcando no aeroporto Afonso Pena Joel Natalino Santana. “Eu e o Coritiba estamos no maior amor”, disse ao repórter Caio Castro Lima, da Gazeta do Povo. “É o início de um amor eterno”.

A ideia do amor eterno entre um clube e seu técnico era no mínimo discutível. Joel chegava para ser o 121º treinador do Coxa, um clube de 82 anos. Um técnico a cada oito meses.

Domingos Moura, secretário do Conselho Administrativo, que foi receber Joel no aeroporto, explicou à imprensa que ele, o Papai Joel, é assim mesmo: muito amor por todos, elogios em massa, até para o Atlético.

O Natalino está no registro de nascimento porque ele vai completar 53 anos no dia 25. Nasceu no dia de Natal, como o ator Humphey Bogart, aquele de Casablanca. Como o craque Jairzinho, o furacão da Copa do México, dois anos mais velho. E como sir Isaac Newton, aquele que ensinou: “Para cada ação há sempre uma reação igual e em sentido contrário”.  

Dentro do gramado fez história. Cracão do Vasco da Gama, Joel Santana comandava a defesa pensando na terceira Lei de Newton um pouco simplificada: bateu, levou. E algumas vezes nem bateu, mas levou assim mesmo para não se meter a entrar na área do Gigante da Colina. Vai armar no meio campo, malandrinho.

Joel era o dono da área desde o início da carreira no Olaria. Muito pobre, sem dinheiro para comprar chuteiras, foi fazer a peneira descalço. Tinha 1m85, muita impulsão. Passou, entrou no time e chamou atenção dos grandes clubes. Em 1969 estava no Vasco junto com Miguel, também de Olaria. Inquietante dupla de zaga.

Durante quatro anos foi o dono da área do Vasco da Gama, culminando a carreira de jogador em São Januário em um inesquecível Vasco 2 X Santos 1 em que marcou Pelé. A Rei fez um gol, e só. “Fui muito bem marcado”. Em 1974 o Vasco da Gama, azarão entre os quatro finalistas – os outros eram Cruzeiro, Santos e Internacional – conquistou seu primeiro título brasileiro.

Numa época de boemia, Joel se cuidava. Pensava no futuro. Enquanto titular do Vasco passou no vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) onde obteve diploma em Educação Física. Depois foi jogar no América de Natal. Os companheiros diziam que ele era um técnico dentro do campo.

Aposentou-se e iniciou uma carreira vitoriosa nos Emiratos Árabes Unidos. Tricampeonato pelo Al Wasl (1982, 1983 e 1985), campeão saudita pelo Al-Hital (1987-1990). Na década de 90, um feito histórico: Joel Santana conseguiu ser campeão carioca por três grandes clubes.

No Vasco, conquistou o bicampeonato carioca (1992 e 1993) e a Copa Ouro da CONMEBOL (1993). No Fluminense foi campeão de 1995, com o famoso gol de barriga de Renato Gaucho no Fla-Flu decisivo. No Flamengo, faturou o Campeonato de 1996. Invicto. No Botafogo, campeão carioca de 1997. Em 2000, de novo no Vasco, campeão brasileiro e vencedor da Copa Mercosul, em virada histórica de 4 a 3 em cima do Palmeiras.

Ganhou um novo apelido: Rei do Rio. O Coritiba não estava contratando qualquer um.

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Aqui um parêntese para contar de amigo chamado, vamos dizer, Natálio.

Tinha casado três vezes, estava solteiro de novo. As tias diziam: “O Tatá não tem sorte no casamento”.

Não que o Tatá fosse pobre. Tinha um belo emprego e administrava bem o que herdara da tia rica. Não era burro, não tinha mau hálito. Sabia dançar, andava de moto, ia aos bares da moda, saia com garotas bonitas, casava e não dava certo.

Por que?

Uma terapeuta mandou Tatá focar em si mesmo. Sugeriu livros, palestras, grupos de conversa. Num desses grupos apareceu a Armadilha da Desconfiança.

Ah, mas eu não sou desconfiado, reclamou com a terapauta.

Pense. A Armadilha da Desconfiança já pegou muitos amigos seus – é uma ferida emocional. Você acredita que outros vão lhe causar dor, traição ou abuso.

Nunca desconfiei delas.

Pense de novo. Isso começa na infância por abuso, por ver os pais brigarem. Aí o cara fica hiper vigilante, vive testando o parceiro, sem querer sabota o relacionamento.

Entendi.

Tatá não casou de novo.  Mas namorou a terapeuta e teve uma bela relação amorosa com ela. Longa e equilibrada.

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Tatá não era muito coxa, nem gostava muito de futebol, estava mais para games e cinema de arte. Entra na história para explicar a psicologia da torcida. Sua persona resumia a massa alviverde em 2000, traída por técnicos que assinavam por uma fortuna e bastava ganhar três em seguida para correrem atrás de convite de clubes do Rio, de São Paulo, de Minas ou do Rio Grande do Sul.

Joel Santana chegou e começou uma série invicta. Cinco jogos. Então perdeu a primeira. E a segunda.

Na social, um conselheiro desconfiou.

-Tá querendo ser mandado embora.

Outro concordou.

-Conversou ontem com o empresário. Acho que mandou sinalizar que vai estar livre.

Era a Armadilha da Desconfiança. Pegou forte entre diretores, conselheiros e torcedores do Coritiba por causa do Ivo Wortmann.

Ah, o Ivo Wortmann…Todos se lembravam da cachorrada (o termo ouvi na arquibancada) de Wortmann no ano anterior.

Aos fatos. Era um técnico de pouca expressão até chegar ao Coritiba aos 40 anos e pouca experiência em times da primeira divisão.

Tinha a seu favor um título mundial obtido com a seleção sub-16 da Arábia Saudita, que venceu a Escócia na final. E, em desfavor, as denúncias jamais comprovadas de que aquele time estava cheio de gatos. Grandalhões barbudos, com corpo de 20 anos, passavam por garotos de 16 graças a certidões de idade fornecidas pelo estado árabe.

Mas fez um excelente trabalho no Coritiba. Levou a equipe às semifinais da Copa do Brasil, implantou um esquema 3-5-2 elogiado pela crítica esportiva e disputava o Brasileiro, quando recebeu uma proposta do Cruzeiro. Nem piscou. Como no samba antigo, foi embora sem dizer adeus, deixou a diretoria do Coxa abandonada. A torcida não teve dúvida: traidor, rasgou o contrato.

No Cruzeiro, as coisas não correram bem e, no final de 2001, eis o Ivo Wortmann pedindo para voltar. A diretoria do Coritiba o acolhe. Caminham felizes até o final d a temporada, começam o planejamento do ano seguinte quando chega um convite do Internacional. O jaguara não teve dúvida: mandou-se para Porto Alegre.

A dupla traição de Wortmann doeu. Instalou na alma dos coxas a Armadilha da Desconfiança.

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As derrotas que o Joel Santana estava sofrendo eram o gatilho (o Google terapeuta me explicou o que é gatilho) para nova crise de desconfiança. O surto incontrolável começou na diretoria, espalhou-se pela social, contaminou a arquibancada, a Curva do Amendoim e o bar do esquenta, na Rua Amâncio Moro.

Adeus, Joel.

Joel foi para o Vitória, onde ganhou o Campeonato Baiano de 2002.

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P.S. – Do livro COXA – Desde que a Bola é Bola, em construção.

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O Pasmado está cada vez melhor

Dê uma olhada em https://pasmado.substack.com/

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A crise atual e “uma certa ideia” de Brasil

As crises ocorrem de maneira organizada. Seguem um rito, cumprem etapas. Foi assim no Brasil de 1930 (que começou com os tenentes de 22), na redemocratização de 1945, no suicídio de Getúlio Vargas e consequente golpe de Estado preventivo do general Henrique Lott, na queda de Jango e na chamada redemocratização de 1985, que deve ser vista em conjunto com a Constituinte de 1988. Será assim agora, com a crise de governabilidade.

O cientista político Sérgio Fausto.

As crises, como os furacões, têm um centro. Quem descobrir antes onde está o olho da crise atual tem chance de salvar a República. É uma corrida. Um grupo de pensadores políticos ligados ao Instituto FHC aparentemente está na frente. Marcaram posição na edição 239 da revista Piauí com um artigo de Sergio Fausto: A Reconquista do Futuro. A necessidade de líderes com “uma certa ideia de Brasil”.

Sergio Fausto é um pensador importante. Como se fosse pouco ser filho de Boris Fausto, nosso grande historiador, Sergio atuou em vários governos nas áreas da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio. Conhece o núcleo duro da administração pública. Dali viu o Brasil se desenvolver com estabilidade econômica. Dali percebeu a mobilidade social ascendente. E dali observou um progressivo aperfeiçoamento institucional.

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Então veio 2013 com uma reversão anárquica de rumo, as pautas-bomba de Eduardo Cunha, o impeachment de Dilma, as reformas que desregularam o mercado de trabalho, achataram o salário e estimularam o rentismo da classe média alta.

A análise de Sergio Fausto chega aos dias atuais para constatar que “o Congresso abocanhou uma fatia crescente do Orçamento do país e ganhou poderes sem o correspondente acréscimo em sua cota de responsabilidade sobre os efeitos de suas decisões”. E, pior, o processo deliberativo dentro do Parlamento foi alterado com o esvaziamento das comissões e a concentração de poder nas presidências das Casas.

Fausto traz à cena a figura do general De Gaulle em 1958, na crise que se seguiu à derrota na Guerra da Argélia – um momento em que a República passa a viver uma crise existencial, “em que as instituições e o estado de Direito são colocados em xeque pela corrupção moral, pela perda das virtudes políticas e pelo espectro da desordem”. O Brasil não chegou a essa situação-limite, mas está a caminho, caso o Congresso continue legislando e administrando o Orçamento com a irresponsabilidade que é confirmada quase todo dia pelas investigações da Polícia Federal.

Na França, a ameaça foi superada com a convocação de uma Constituinte e um reajusta na distribuição de poderes, que agora são divididos entre o Presidente e o Primeiro-Ministro.

No Brasil isso não pode ser feito agora, na reta final de uma eleição geral. Muito menos deve ser feito ante a ameaça de reeleição de Lula, que Fausto classifica de dono de “uma trajetória política extraordinária, que tem a meu ver até aqui um saldo líquido positivo para o país”.

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A comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro é impossível. Flávio é o representante de forças antidemocráticas que atentam contra o Estado democrático de direito.

Lula, nas palavras de Sergio Fausto, “é uma estrela em extinção que ainda emite muita luz pelo tamanho de sua liderança e pelo vigor de sua forma física e mental”. Ele não tem dúvidas sobre a escolha a fazer. Mas prevê anos complicados no próximo mandato presidencial, caso o Brasil não consiga renovar o quadro de lideranças, articular novas agendas e superar a polarização destrutiva que compromete as chances de reconquistar o futuro.

No fundo, a discussão gira em torno de dinheiro e passa pela gestão do Orçamento.  Se Lula chegar forte ao quarto mandato poderá negociar com o Congresso as regras do jogo. Conseguirá, talvez, que Projetos de lei voltem a ser discutidos primeiro nas Comissões Temáticas – o Brasil acompanhando o debate pela TV Câmara e TV Senado – e que a votação se dê em sessões ordinárias e não extraordinariamente, na calada da noite.

Obterá apoio para aperfeiçoar mecanismos de controle de transparência e amarrar fatias do Orçamento a planos plurianuais de desenvolvimento e infraestrutura – e transferir um pedaço da autoridade presidencial ao Conselho da República reduzindo o caráter pessoal das grandes decisões.

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O que Sergio Fausto está dizendo a Lula, em nome da elite intelectual do país? Você precisa governar com “grandeur” – aquela virtude do general De Gaulle que salvou a França em 1958.

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P.S. – Foto: Fundação FHC

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O nome é crew cut. Ou buzz cut. Vai provocar uma corrida de boleiros ao hairstylist

A rodada foi de jogos medíocres, aqui e lá fora.

A principal notícia do futebol mundial foi o novo corte de cabelo de Haaland, o craque do Manchester City que ajudou a Noruega a mandar o Brasil de volta para casa.

A foto que corre o mundo – com as explicações, análises, críticas e elogios – teve 31 milhões de visualizações nas primeiras 12 horas.

Ao lado do craque, o italiano Enzo Maresca, que assumiu o lugar de Pep Guardiola.

O City venceu o Bournemouth por um magro 2 a 1.

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P.S. – Esta foto saiu no Guardian. É de Dave Thompson/AP

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Crônicas da cidade autoritária

Remansos de calçada como esse aí são destinados a vagas de curta duração.

O carro da fiscalização do trânsito foi deixado aí por várias horas. Impediu o desembarque tranquilo de vários moradores e de pelo menos uma camioneta de entregas.

Um morador comentou desolado:

-É. Em Curitiba, quem pode, pode.

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Lula monta o Panaministério

Continuando as articulações, informa Tutty Vasquez em O Pasmado, Lula conseguiu atrair mais dois nomes importantes para o possível ministério.

Na foto, os futuros titulares da Aeronautica e da Indústria e Comércio.

Confira em: https://pasmado.substack.com/

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