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Nesta altura dos acontecimentos políticos, quando os jornais começam a especular quem ocupará os cargos mais importantes no futuro governo, ocorre-me uma fábula, que vem muito a propósito: houve, certa ocasião, uma eleição para ver quem seria o rei dos animais. Concorriam ao cargo o tigre e o leão, dois candidatos fortes que dividiam o eleitorado.
O ratinho ficou do lado do leão. Devia-lhe alguns favores e confiava mais nele que no tigre, bicho astuto, matreiro, de quem não se sabia, com certeza, o que esperar. Por isso esmerou-se nas suas tarefas. Contactou com todos os bichos. Formou dlretórios e obteve até um voto que parecia impossível, o do bicho preguiça que no dia da eleição compareceu para votar, para espanto de todos.
O leão ganhou por larga margem de votos e, um dia antes da posse, chamou o ratinho:
-O que é que você quer ser no meu governo?”
-Nada. Desejo apenas ter entrada livre no palácio e falar com vossa majestade na hora que quiser.
O leão concordou e foi trabalhar de monarca. Na primeira audiência pública o ratinho entrou no salão, aproximou-se do trono e sussurrou no ouvido real:
-Vossa Majestade está precisando de alguma coisa?
O leão agradeceu.
-Nada, obrigado.
O ratinho foi embora. No dia seguinte, só se falava uma coisa na floresta: “O ratinho é que está com a força. 0 rei nada faz sem consultá-lo”.
Moral: as vezes é melhor ser amigo do rei do que ter as atribulações dos altos cargos.
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(Fábula contada pelo Nireu Teixeira no velho Correio de Notícias)
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