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Senti um choquinho no joelho mas fui em frente na tentativa de completar 7 mil passos, número cabalístico que afasta você do infarto.
Adiante, outro choquinho, agora acompanhado de um falseio. Vou cair. Não cai, com cuidado completei o percurso.
O Google diz que choquinho é encrenca porque o joelho é complicado. Parece que o Criador, na ânsia de evitar tombos, caprichou demais. Construiu o joelho com um emaranhado de ossos, cartilagens, ligamentos (cruzados e laterais), tendões, músculos – tudo banhado por um tal de líquido sinovial.
Para consertar joelho só médico muito bom. E muito raro. E muito caro.
Não pise errado para não se endividar.
Mas não pisar errado como? As calçadas de Curitiba estão entre as piores do mundo. (Parece que em segundo lugar, perdemos para Bangladesh). Há buracos, pedras saltadas, o petit pavê é uma fábrica de tendinites, sem falar na LCA, a Lesão do Ligamento Cruzado.
No governo Mauricio Fruet a prefeitura tinha um programa chamado Vamos Caminhar Melhor. Pensava nos velhinhos que arrastam o sapato e nas senhoras com salto alto. “Vamos Caminhar Melhor” recuperou em 1984 mais de 12 mil metros quadrados de calçadas na área central da cidade.
Os prefeitos que vieram depois nada fizeram pelas calçadas de Curitiba. Quando você reclama dizem que calçada, por lei, é responsabilidade do proprietário.
Quer ver mudaram a lei? Proponho uma campanha: Prefeito Sem Carro. Pra ter mais resultado, tira-se o carro do Secretário de Urbanismo, do Secretário de Obras, do Secretário da Saúde, do presidente do IPPUC, que costuma desenhar as calçadas.
Se o prefeito e sua turma forem obrigados a andar a pé pela cidade – sugiro começar pela Travessa José do Patrocínio, aquela das raizes obcenas e buracos pornográficos – vamos caminhar melhor.
Viva o Maurício!