
Enzo Maresca, o técnico que ganhou a Copa Mundial de Clubes de 2025 para o Chelsea, acaba de ser demitido. Motivo alegado: venceu apenas um dos últimos sete jogos. Motivo verdadeiro: lealmente informou à diretoria do clube uma sondagem do Manchester City para substituir Pep Guardiola no fim do ano.
-É malandragem dele – berrou um diretor do Chelsea. –Está querendo aumento!
Parece que não. Parece que Maresca estava simplesmente sendo honesto com o clube, jogando limpo. Uma atitude tão estranha num mundo de ardis, espertezas e malandragens que ele perdeu o emprego.
O novo técnico já sabe: para sobreviver terá que ser maquiavélico. Fingir admiração pelo diretor que se acha um estrategista. Escalar aquele cabeça de bagre comprado a peso de ouro. Entender que o futebol é torto como as pernas do Garrincha. Em resumo: não resistir.
Ou resistir.
Esquecer os 800 mil dólares por mês e botar a boca no trombone.
Por isso, proponho que o ano de 2026 seja dedicado à defesa dos honestos.
Eles estão em número cada vez menor e isso é grave.
Mesmo em minoria, são essenciais para o equilíbrio do ecossistema político-esportivo-econômico do planeta.
Resistir como o João Saldanha, técnico da seleção no auge da ditadura. Quando o general Médici manifestou sua preferência por Dadá Maravilha para centro avante. Ele reagiu:
-O general não deve escalar a seleção, assim como eu não devo escalar o ministério.
Foi demitido e João Havelange correu a Brasília prestar contas ao coronel Jarbas Passarinho, ministro da Educação. No dia seguinte, perguntaram ao Saldanha porque ele saiu.
-Por que eu saí é fácil de entender. Difícil é explicar porque eu entrei.