O que fazer hoje em Londres

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Lá é austeridade; aqui é arrocho.

 

 

 

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Esqueça a Dilma, o PT, o PMDB, a matilha de corruptos que tomou conta do Congresso.

 

O monstro que causa desemprego, corta verba do SUS, paga miséria para o professor no Brasil e boa parte do mundo é um animal muito distante das questões políticas e morais.

 

O nome dele ganância, mas alguns espertos o chamam de austeridade.

 

Sua espinha dorsal são políticas destinadas a reduzir os gastos do Estado. De engessar despesas com saude e educação, como proposto no Plano Temer. De não tocar na alentada parcela da receita destinada ao pagamento da dívida pública.

 

Os títulos do Tesouro, remunerados a 14,25% ao ano, enriquecem ainda mais o 1% de superbilionários.

 

A má notícia é a seguinte: a agenda da austeridade está dando certo. O neoliberalismo não morreu. Na América do Sul está acumulando vitórias na Argentina, Uruguai, Brasil (onde o jogo será decidido no Senado ao votar o impeachment), Paraguai.

 

Ah, mas sem austeridade não vamos solucionar nossos problemas econômicos.

 

Não é verdade.

 

Antonio Gramsci chama a atenção para o fato de que “a tradicional classe dominante”, e não seus adversários dos partidos de esquerda, é a mais bem posicionada para assumir o comando na crise.

 

Tem controle das instituições que realmente interessam – os bancos, o mercado, a grande midia, os formadores de opinião.

 

Desses promontórios, é fácil dirigir a agenda política.

 

O que sobra para o povo em geral? Organizar-se em torno de ideias.

 

Fora austeridade!

 

Uma boa ideia

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Novas palavras

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Jojo Moyes, 47 anos, nasceu em Londres, estudou jornalismo na City University e até 2002 trabalhava no The Independent. Então decidiu dedicar-se em tempo integral à literatura e explodiu nas vendas. Como Eu Era Antes de Você está nas livrarias, com suas 320 páginas, em tradução de Beatriz Horta. Editora Intrinseca.

 

 

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Confirmando que cinema é cultura, aprendi uma nova palavra ao ler a crítica sobre Me Before You  (Como Eu Era Antes de Você), filme grudento de tão sentimentaloide, que estreia hoje em vários cinemas de Curitiba.

 

A palavra é schmaltzy, vem do iidiche, e significa exatamente isso – um filme enjoado devido ao excesso de sentimentalismo.

 

A crítica Julia Cooper, do Globe & Mail, garante que a película (*) é uma espécie de refilmagem de A Bela e a Fera, com Luiza (Emilia Clarke) fazendo a bela em confronto com Will (Sam Claflin), um quadriplégico rico, revoltado, quase intratável, a quem deve, por profissão, atender e confortar. Boa vida vítima de um acidente, o paciente tem óbvia dificuldade para conviver com a nova realidade.

 

A produção custou 20 milhões de dólares. É adaptação de um best seller de Jojo Moyes, jornalista e romancista inglesa que já ganhou duas vezes o prêmio pelo melhor romance romântico do ano. Com perdão da redundância.

 

 

A história parece ter sido escrita com o objetivo de transformar cada mulher da audiência em uma cachoeira de lágrimas. Mas tem um happy end, que a autora inventou sabe Deus como.

 

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(*)  Lembra do tempo em que se chamava filme de película ou até celuloide? Era aquele tempo em que a gente emendava filme na moviola. Não me conformo com a nova realidade: agora vem tudo, inclusive os trailers, no hard drive.

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Fogo no circo, colossal

 

 

 

 

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Sensacional.

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O Elio Gaspari compara o pedido de prisão de Renan, Cunha, Jucá e Sarney ao ato de atear fogo no circo.

O Congresso, afinal, é o grande circo nacional.

E lembra Fernando Henrique Cardoso, em seu Diário, relatando tentativa anterior de autoria de Paul Maluf. Ameaçado de prisão, ele enunciou sua intenção incendiária.

Bernardo Mello Franco compara o atual pedido de prisão a um terremoto que vai abalar o alicerce do governo precário e interino de Temer.

Mas terremoto geralmente tem fogo, de modo que permanece a ideia do incêndio. Na Roma em chamas, 64 anos depois de Cristo, um senador da República comentou com Nero:

“A História não precisa dizer que o incêndio de Roma foi bom, mas deve dizer que foi colossal!”

Quem tiver tempo deve assistir de novo ao filme Quo Vadis. A fala é de Leo Genn. Peter Ustinov interpreta Nero.

É  bom  refletir sobre o que aconteceu depois do incêndio: Nero botou a culpa nos cristãos e iniciou uma das perseguições mais crueis da história.

 

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Quase parando

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O subway de Nova York é feio, um pouco sujo e está no limite. Transportou 1.6 bilhão de pessoas em 2011. O número de passageiros continua aumentando, assim como os atrasos e acidentes. E olha que a população da cidade cresceu apenas 17% em 25 anos.

 

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O Congresso visto de fora para dentro: sanctuary for scoundrels (*)

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Imagem ruim.

 

 

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O Brasil continua sub judice na imprensa internacional

 

Na New Yorker, Jon Lee Anderson faz uma análise pessimista sobre nosso futuro sob Temer, Meireles, Jucá e Sarney. É um jornalista da pesada, que ganhou o Prêmio Maria Moors Cabot pela qualidade de suas reportagens sobre a América Latina e Caribe e o prêmio do Overseas Press Club por matérias sobre o Afganistão. (Dar uma olhada em “The Lion’s Grave: Dispatches from Afghanistan”)

 

Anderson critica a virada política do presidente interino, que trocou um ministério de meia esquerda por um de direita. A política de aproximação com os BRICS e com a União Europeia por um pacto comercial com os Estados Unidos e os paises do Pacífico. A nomeação de Blairo Maggy, magnata rural acusado de devastar a Amazonia, para o Ministério da Agricultura. E  a presença no governo de vários ministros envolvidos com as acusações de corrupção, entre eles Fabiano Silveira, ministro da Transparência, isto é, ministro anti-corrupção, que foi apanhado numa gravação discutindo com outros políticos do grupo meios de parar a Operação Lava Jato.

 

Diz Anderson:

 

“Trinta e um anos depois da restauração da democracia, após duas décadas de dtadura militar, o Brasil  vacila na beira do desastre. Para restabelecer a ordem, bem como a confiança pública, a investigação sobre a corrupção oficial deveria ser ampliada para incluir as provas que emergiram sugerindo que o impeachment de Rousseff pode ter sido montado, em alguma medida, para interromper a investigações sobre corrupção como a Lava Jato.”

 

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(*) – Anderson finaliza com uma crítica à blindagem jurídica dos deputados, ministros e senadores:

 

“Para restaurar a saúde da democracia brasileira é preciso que os cargos públicos eletivos deixem de ser um santuário para patifes.”

 

 

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Estoy en Central Park, mamita!

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Entre o fausto e a decadência

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No Central Park sobrevivem velhinhas elegantes. Talvez lendo Jane Austin no celular.

 

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Nova York está acabando.

Mas, com a mais absoluta dignidade.

O primeiro sinal veio há uns dez anos, quando problemas de caixa, mais Amazon, obrigaram Barnes & Noble  a vender a enorme livraria que mantinha na rua 66, ao lado do Lincoln Center.

Quem comprou foi a Century 21, uma loja de departamentos cujo forte são roupas de carregação. Em lugar dos antigos leitores, que passavam horas no café do quarto andar com seus livros e revistas, chegou a horda de turistas baratos – os brasileiros em destaque porque o dólar estava 2 e qualquer coisa.

Outro sinal de decadência foi o fechamento do Plaza Hotel, onde uma vez vi Fernando Henrique Cardoso entrar com uma pasta provavelmente cheia de documentos importantes.

Metade dos quartos – aqueles do lado nobre, que dá vista para o Central Park – foram transformados em kitinettes e vendidos a preços que começavam em um milhão e meio de dólares. O que sobrou reabriu sem muita glória, porque esqueceu as tradições do hotel, entre elas o elogiado brunch dos domingos, que tinha champagne, hadoc e chás de todos os lugares do mundo.

Fechou também o Hotel Pierre.

E agora não há mais FAO Schwarz, fundada em 1862 por Frederick August Otto Schwarz, que vendia com exclusividade trens elétricos feitos na Alemanha para milionários árabes, chineses e – claro –  brasileiros. Muita propina de empreiteira pode ter sido transformada em bonecas de porcelana com cabelos naturais. Ou em drones de 1,5 mil dólares. A PF não deve deixar de investigar isso.

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A Argosy resiste com seus seis andares na rua 59 East. Oferece primeiras edições e raridades como um documento autografado pelo xerife James Warren. Por 1.100 dólares.

 

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Temer e os trabalhadores do Brasil

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Tremi ao ler o aviso do vice-presidente no exercício da presidência. Ele ordena, no imperativo: “Não pense em crise. Trabalhe. Michel Temer”.

 

Toda vez que mandam o povo trabalhar, um esperto inventa truque para ganhar mais com o trabalho do povo.

 

Agora, por exemplo, está circulando o estudo elaborado por Roberto Brand, ex-ministro da Previdência de FHC, com as propostas de reforma previdenciária e trabalhista.

 

Brand recomenda que os projetos da reforma trabalhista e da previdência sejam enviados ao Congresso nas primeiras semanas de governo, depois os deputados ficam mais exigentes nas relações com o Planalto.

 

A principal maldade é criar a idade minima de 65 anos para aposentadoria de ambos os sexos. (Provavelmente haverá uma lei de transição). Hoje, a regra é de 85-95 para mulheres e homens. O novo cálculo teria sido feito feito considerando o aumento da expectativa de vida dos brasileiros. Mas ignorou que a expectativa de vida entre as classes ricas é muito mais alta do que entre os mais pobres.

 

O governo interino quer também mudar o cálculo do reajusta do salário mínimo. Hoje há ganho real: é o crescimento da economia mais a inflação. O projeto quer que o ganho real seja apenas para quem está ativo. Os aposentados ficam só com a inflação, corrigida sabe-se lá como.

 

A mesma maldade será, segundo o projeto, aplicada aos benefícios.

 

Por último, a flexibilização das relações do trabalho, permitindo às empresas fechar acordos em separado com o sindicato da categoria. Significa que sindicatos fortes, como o dos bancários, têm mais chances de defender os salários e vantagens de seus associados do que sindicatos fracos, como os trabalhadores da construção civil.

 

Para se garantir contra as mesmas maldades, trabalhadores gregos estão mobilizados brigando nas ruas.  Na França, em 2006, um terço do país parou contra a malandragem chamada “contrato do primeiro emprego” (contrat de première embauche).

 

 

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Tchaikovski e a carne de vaca

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Orchestra dell’Accademia Nazionale di Santa Cecilia, domingo, na Sala São Paulo. Mais sobre ela em www.santacecilia.it

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O português é cheio de mistérios. De onde, por exemplo, vem a expressão carne-de-vaca, para designar uma coisa muito comum, que tem em toda esquina, que até aborrece de tanto que existe?

 

De Portugal? (*) De lá veio “voltar à vaca fria”.

 

Entre as carnes-de-vaca da música erudita está o concerto nº 1 de Tchaikovski para piano e orquestra. Composto em 1875, foi revisado duas vezes depois de receber críticas de Nikolai Rubinstein, o pianista escolhido por Tchaikovski.

 

E virou um sucesso. Foi gravado por Sviatoslav Richter em 1962 com Herbert von Karajan e a Sinfonica de Viena. É muito citada a gravação de Fritz Reiner com a Sinfônica de Chicago (1955). O grande Claudio Arrau fez duas gravações, a mais notável com Sir Colin Davis e a Sinfônica de Boston. Achei todas no YouTube.

 

Em 1958, no auge da guerra fria, Van Cliburn executou o concerto em Moscou e venceu a 1a. Competição Internacional de Tchaikovski. Em seguida, a gravação de Kirill Kondrashin foi o primeiro clássico a ganhar o Disco de Platina.

 

Outro momento notável:  Vladimir Horowitz executando a obra como parte do concerto para levantar fundos para a 2a Guerra Mundian, sob a regência de seu sogro Arturo Toscanini.Martha Argerich gravou o concerto em 1980 com Kirill Kondrashin regendo e mais tarde com Claudio Abbado e a Filarmonica de Berlin.

 

Mas a gravação que tenho na memória é de Oscar Levant – um pianista que não ocupa o primeiro lugar numa seleção mundial, mas que fez sucesso em filmes musicais da Metro. No filme The Barkleys of Broadway (Ciume, Sinal de Amor, MGM, 1949) ele executa o primeiro movimento do concerto e contracena com Fred Astaire e Ginger Rogers. Ao final, sob aplausos, ele diz: “Obrigado, obrigado, estou emocionado. O piano está emocionado. Tchaikovski está emocionado!”

 

Aqui em Curitiba, o concerto foi usado como prefixo musical de programas de música clássica da Guairacá e provavelmente da B-2. Aluizio Finzetto o diretor da rádio, mais tarde fundou a Rádio Estadual, que também rodava muito disco de Tchaikovski e marcou o momento mais inteligente do rádio paranaense.

 

Tudo isso para dizer que é preciso coragem para programar um concerto carne-de-vaca para o público da Sala São Paulo, como fez a Orquestra da Academia Nacional de Santa Cecília, regida por sir Antonio Pappano. A solista Beatrice Rana foi menina prodígio, mas se livrou do rótulo após tocar com maestros como Yannick-Nezel-Seguin, Fabio Luisi, Susanna Malkki nas melhores salas de concerto do mundo. Vai melhorar ainda mais, estudando com Arie Vardi.

 

O público aplaudiu de pé, por mais de dez minutos. Eu fiquei emocionado. O piano ficou emocionado. Tchaikovski ficou emocionado.

 

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(*) Está nas Dicas do G1:

Voltar à vaca fria

É retomar um assunto.

A peça de teatro “A Farsa do Advogado Pathelin” apareceu no teatro francês do século XV. Dela virou bordão muito popular uma expressão usada por um dos personagens, um juiz, quando, no julgamento de um roubo de carneiros, o advogado de um ladrão começava a fazer longas digressões. Dizia o juiz: “Sus! Revenons à ces moutons!” (Vamos! Retornemos a esses carneiros!).

A expressão veio parar em Portugal e foi adaptada ao então costume lusitano de servir, antes dos pratos quentes, uma entrada de carne de vaca fria, à qual ninguém voltava.

 

 

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Síndrome do pequeno poder

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O Museu d’Orsay em São Paulo. Às segundas, de graça. O Centro Cultural do Banco do Brasil preserva o Palacete Alvares Penteado, uma mistura de arquitetura neoclássica com art nouveau no centro financeiro de São Paulo.

 

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Hard times. Ficou difícil tomar decisões fáceis e fácil tomar decisões burras.

 

Confirmei isso – de novo – segunda-feira no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, que exibe a mostra O Triunfo da Cor, com uma síntese do pós-impressionismo. São 75 obras de 32 artistas como Van Gogh, Gauguin, Seurat e Matisse. Uma sala particularmente interessante exibe os nabis, que o curador da mostra denomina “profetas de uma nova arte”.

 

Quem tem pouco contato com Edouard Vuillard, Maurice Denis, Pierra Bonnard, Aristide Millol, Paul Serusier e Felix Vallotton pode discutir a importância desses artistas numa visita guiada. E quem procura aonde ir na segunda-feira, quando MASP e Museu de Arte Moderna estão fechadas, tem até direito a ingresso grátis no CCBB.

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Os quadros pertencem, na maioria, ao Museu d’Orsay onde podem ser visitados e até fotografados, desde que não se use flash. Em São Paulo funciona a antiga regra da proibição de qualquer tipo de fotografia.

 

Por que? Perguntei, ninguém soube explicar. Principalmente depois que uma equipe de televisão foi autorizada a gravar imagens e até jogar um spotlight nos quadros.

 

Talvez seja mais uma manifestação da Síndrome do Pequeno Poder descrita nos livros de psicologia. Ela assola o Brasil porque o grande poder está enfraquecido.

 

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 Uns podem, outros não. Um pequeno burocrata decide.

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