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O MEC ACABA DE CRIAR NOVA TITULAÇÃO: DOUTOR HONORIS QUASE

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O problema do Ministério da Educação parecia resolvido há cinco dias. (Reprodução Facebook).

 

 

“Eu sou o técnico, escalo a equipe”, disse o presidente Bolsonaro apontando os “êxitos” do Ministério e pedindo palmas. Aquela declaração, feita em entrevista coletiva, no começo da pandemia, ficou nos arquivos.

Agora, os jornalistas estão puxando o registro da coletiva para cobrar do técnico esta terceira derrota. Primeiro, aquele colombiano que dava aula em Londrina, depois o Abraham, agora o pós-doutor.

O MEC está uma bagunça.

O meme está nas redes. “Doutor Honoris Quase”. Foi usado hoje pelo sub-procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Rocha Furtado, para cobrar a conta das trapalhadas. Quanto custa ficar dez dias sem Ministro da Educação em tempo de pandemia?

 

 

 

Posted on 30th junho 2020 in Sem categoria  •  No comments yet
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Tomara que em dezembro haja verão

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Parati, janeiro de 2012. Calor e preguiça.

 

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A brisa da manhã na praça. O sol, a flor do estio. Para a alegria completa basta a cerveja do isopor ter-se mantido estupidamente gelada.

Daqui do isolamento, invejo pessoas que cultivam a arte de se espreguiçar. Elas ocupam praças, praias e parques de países como a Alemanha, Portugal, Nova Zelândia e Paraguai. Aproveitam até o último gomo seu direito de ir e vir – e não ferem o direito à saúde porque lá o governo reconheceu a pandemia fez o que devia fazer.

Não advogo mas lutarei até a morte para garantir-lhes a livre locomoção – principalmente para invadir o paraíso dos bacanas. A praia é do povo como o céu é das gaivotas e das fragatas. Castro Alves em Pontal do Sul, já pensou? O vate cantaria o prazer de sentar na divisa da areia com o mar, naquele exato ponto onde chegam a onda e seu orvalho.

Abaixo a elegância. Bonito é sem maquiagem, é não combinar a parte de cima com a parte de baixo, nem ostentar abdome sarado. Aquela gordurinha, então, é felicidade em estado puríssimo. Tudo madona de Rubens, meu nobre, lacrando na festa pós-covid. Só acha suas coxas anacrônicas quem não entende de mulher.

Belas sobreviventes da peste, anunciam um novo mundo. Os vírus estão pacificados; os vermes finalmente voltaram para onde vieram.

 

 

Posted on 30th junho 2020 in Sem categoria  •  No comments yet
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Se continuar assim, podem morrer mais 100 mil brasileiros até agosto, diz Universidade de Washington

 

O mundo vê alarmado a pandemia explodir no Brasil, onde há mais mortes por 100 mil habitantes do que nos outros países.O Guardian ouviu o doutor Drauzio Varela para confirmar a falta de juizo do governo brasileiro. “Estamos sem rumo”, explicou nosso médico e lider. Quando os líderes eleitos não lideram, surgem lideranças pro tempore.

A Universidade de Washington fez uma projeção indicando que mais 100 mil brasileiros podem morrer antes de agosto, possivelmente colocando o país à frente dos EUA como o lugar onde a doença produziu mais vítimas. O Guardian chama o governo Bolsonaro de “confuso” e “disfuncional”.

O presidente faz o que o primeiro ministro Boris Johnson tentou fazer na Inglaterra – deixar o povo na rua para que adquirisse “imunidade de rebanho”, situação em que morre muita gente mas os sobreviventes ficam imunes à doença. O Imperial College apresentou uma estimativa de quantos ingleses iam morrer e Johnson desistiu do plano macabro. Aqui, Bolsonaro continua incentivando a volta ao trabalho.

O paralelo entre o que acontece agora e a Gripe Espanhola é inevitável. Em 1918 as estatísticas eram pobres mas estima-se que morreram entre 35.000 e 100.000 pessoas. Claudio Bertolli Filho, autor de livro sobre a pandemia de 1918 conta que os líderes da época não deram importância à gripe que começava a matar gente – igualzinho ao Bolsonaro. Mas não tentaram, como o Ministério da Saúde tentou agora, manipular os números.

 

 

Posted on 14th junho 2020 in Sem categoria  •  No comments yet
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Nei & Toninho: um roteiro para depois da pandemia

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gghghg O milagre cubano agora no Japão. (Foto Radio Havana)

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Imagine um imenso naufrágio. Entre os escombros, boia uma garrafa. Dentro dela a rota para uma ilha onde há água fresca da fonte, fruta-pão e sol.

Agora corte para a maltratada cidade de Havana na virada do milênio. De uma viela surgem “habaneros” famintos de dólares. “Puros? Chicas? PPG?” – sussurram no ouvido do turista.

Novo corte. Paisagem da pandemia do coronavirus. Das sombras emergem famílias divididas pelo Fla-Flu da baixa política, burocratas exibindo curvas de contaminação e casais a procura de advogado: descobriram no confinamento o quanto são inviáveis.

Pensei nesse roteiro de rotas e remédios para a pós-pandemia ao ler velha crônica do jornalista Nei Sroulevich em homenagem a Antonio Carlos Valente – meu primo empresário do setor turístico que inventou as Rotas da Reconciliação e foi dos primeiros a reconhecer os poderes do PPG vendido em Cuba.

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Antes de prosseguir, devo explicar que os dois, o Sroulevich, morto prematuramente em 2004, e o Valente, vivíssimo em seu isolamento no Rio de Janeiro, são essenciais para o momento que o Brasil vive.

Nei Sroulevich, jornalista e produtor de cinema no exílio, membro do Partidão e diretor da revista Manchete em Paris dos anos 1960. Um cara que parecia conhecer todo mundo e ajudava quem precisava. (O futuro diretor Cacá Diegues, estudante de cinema sem dinheiro, dormia clandestinamente no quarto dele no Hotel du Levant, no Quartier Latin. No chão, enrolado no edredon e no lençol extra).

Nei e outros refugiados ilustres (Fernando Henrique Cardoso, Darcy Ribeiro, Max da Costa Santos, Violeta Arraes, irmã de Miguel Arraes, Luiz Felipe Alencastro) se encontravam em certo restaurante do Marais para jantar e dividir um vinho. Por que a comida era sensacional? Não, porque era barata.

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Ao voltar, em 1974, dedicou muita energia ao Cinema Novo, onde sobravam projetos brilhantes e faltava dinheiro até para alugar uma câmera Arriflex de segunda mão e algumas horas de edição na moviola da produtora Lider.

Sroulevich foi o perfeito middleman, o cara que faz acontecer, o meio de campo capaz de sentar na frente do grande banqueiro – digamos José Luiz Magalhães Lins, o chefão do Banco Nacional de Minas Gerais – e convencê-lo das vantagens de financiar a juros de amigo a produção de A Queda (Rui Guerra, 1978), Getulio Vargas (Ana Carolina, 1974), Um Homem Célebre (Miguel Faria Jr, 1974) e Se Segura Malandro (Hugo Carvana, 1978). E de convencer Pierre Cardin a copatrocinar Joanna Francesa (1973), com Jeanne Moreau, direção de Cacá Diegues, música de Chico Buarque de Holanda e Roberto Menescal.

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Um dia, Nei se encontra com o empresário de turismo Antonio Carlos Valente e admira a nonchalance com que este fuma seu Cohiba Lancero (R$6,5 mil a caixa) e prescreve PPG aos que tentam baixar o colesterol e elevar a atividade sexual. O que impressiona no novo amigo é seu bem sucedido projeto das Rotas de Reconciliação, desenhadas sob medida – uma viagem inesquecível para cada casal à beira da separação.

Toninho é um harmonizador. Reaproxima os que se afastaram pela política. Viaja muito. De cada país traz uma experiência boa para ensinar. Viajar coloca as coisas em perspectiva. Nei pensa diferente: vê o mundo dominado pelos fazedores de guerra. “Querem nos suicidar”, adverte, invocando o embaixador Jório Dauster, maravilhoso papo, tradutor de J.D. Salinger e Nabokov.

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A Rota da Reconciliação não é remédio apenas para casais em crise. É uma poderosa metáfora da vida. Vale para grupos sociais, organizações políticas, para os que temem a Deus e para os que debocham da ciência; para os suicidas, para os que se vestem no Harrods, os veganos, os ensandecidos, bem como para os torcedores do Combate Barreirinha.

Imagino que para todos o Turismo Valente, passada a peste, será capaz de inventar rotas, sentidos para a vida, até refazer elos rompidos.

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O recado de Nei e Toninho é simples. Primeiro, é preciso entender esse terror. Uma tragédia cujos atores são o vírus mortífero, o empresário cúpido e o governo cúmplice. Segundo, reconhecer que a catástrofe sanitária, social e econômica vai destruir nosso modo de vida. Se um novo mundo for construído com sabedoria teremos a libertação do homem da idade do ouro que, segundo Octávio Paz, dorme em cada um de nós e só espera um sinal para despertar – o sinal do amor.

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P.S. – O site da Rádio Havana informa:

A partir de setembro, o medicamento cubano PPG – Policonasol será fabricado no Japão com matéria-prima procedente de Cuba. O remédio é utilizado para tratar doenças cerebrovasculares isquêmicas.

O produto tem como base a cera da cana-de-açúcar. Diminui o índice de colesterol ruim e tem um efeito antiagregante plaquetário e antioxidante. Além disso, é um suplemento que melhora a qualidade de vida dos idosos.

 

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Dinheiro fácil

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jjkjk Plataforma da Petrobras.

 

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Em 19 de fevereiro, a ação ordinária da Petrobrás (PETR3) valia 32,57 reais.

No dia 18 de março, com a pandemia, a PETR3 desabou para 11,05 reais.

Agora se recupera: subiu para 19,29 na manhã de hoje, 8 de maio.

Será que volta para os 32 ou o mundo nunca será o mesmo depois do Covid-19?

 

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Pouso temerário em CWB, a capital mais acromática do Brasil

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hjhjhjh Cabina do Douglas DC 3

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Que voar é (era?) elegante ninguém discute.

Que a cor cinza é elegante ninguém duvida.

E ninguém questiona que o curitibano dos anos 1950 era um cara alinhado. Para marcar sua imagem, vestia cinza clássico, terno cortado no Paulo Japonês.

Usava paletó dois botões, sapato de cadarço e meias pretas, no bolso do paletó lenço azul marinho de poá.  E gravata de jacquard preta sobre aquela camisa azul acinzentado, comprada em Roma,mas não em qualquer lojinha de Roma, na Via Condotti. Discretamente permitia que as pessoas soubessem de sua passagem pelo Caffé Grecco onde confirmara a soberba qualidade do cannolo siciliano. Era esnobe, um bestalhão? Não, apenas um curitibano tentando vencer no mundo.

Por isso, voava, ao contrário dos mais velhos, que preferiam cruzeiros em navios de luxo. Ou do Janio Quadros, que viajava na cabina de um cargueiro italiano.

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Curitiba sempre foi cinza e elegante. Muita gente daqui conhecia o sabor inigualável do cannolo do Caffé Grecco. Capital mais acromática do Brasil, disputava a liderança mundial da categoria com Edimburgo e Boston. Em cidades como a nossa, jamais alguém foi sensorialmente agredido por um por do sol vermelho amaranto, tipo Caribe; muito menos pelo amarelo intenso de certa lua cheia. Os stratus nos protegeram dessa beleza viciante. E foram responsáveis pela palidez sensual de belas moças de saia plissada. Stratus e também nimbustratus defenderam o curitibano do carcinoma basocelular, filtraram a luz e salpicaram de garoa as rosas verdes que Emiliano Perneta plantava na rua Aquidaban.  Até hoje, quando cai a tarde, as pedras da São Francisco cintilam na neblina como o olho azul da poeta Helena Kolody, um brilho tão bonito que toda a tristeza se evanesce.

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Voar – é preciso insistir – era chic. Gente bonita, mala de grife, brinde de boas vindas com champanhe. Menos na noite cinza chumbo de Curitiba, a chuva e o vento, quando o ronco rouco do Douglas DC3 avisou que tentaria o impossível – aterrissar no Afonso Pena naquelas condições. Esse Douglas DC-3 foi o burro de carga da aviação comercial brasileira. Dez milhões transportou de um campo de aviação a outro, pista de cascalho, de grama, de lama, óleo pingando do cárter, rolo de arame para reforçar a porta que teimava de abrir em pleno voo. O avião do curitibano de terno cinza,  com 21 passageiros a bordo, era da Transportes Aéreos Limitada – TAL, fundada em 1947 que logo teve seu nome mudado para TAC, Transportes Aéreos Catarinenses. Porque não era a tal.

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No meio da cerração o milagre: o piloto viu as luzinhas e as faixas brancas largas e paralelas – a cabeceira da pista! Com muita convicção gingou prá cá, gingou prá lá, foi perdendo altitude e tocou o solo. Horas depois, no quentinho do apartamento do Hotel Mariluz, chorava como criança entre os seios da aeromoça.

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A arte do encarcerado

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Os Estados Unidos guardam em suas prisões 2,3 milhões de pessoas. O confinamento em massa gerou manifestações artísticas.

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O blog da New York Review of Books conta o que aconteceu com o projeto Marking Time: Art in the Age of Mass Incarceration (Contando o tempo: Arte na Era do Encarceramento em Massa), do Museu de Arte Moderna de NYC: a pandemia do COVID-19 colocou em prisão domiciliar a população e os curadores da mostra, transferida para o segundo semestre.

A autora Nicole Fleetwood é professora de Estudos Americanos e História da Arte na Universidade Rutgers. Seu livro nasceu como pesquisa acadêmica sobre o encarceramento em massa nos Estados Unidos. Um trabalho de nove anos que resultou em depoimentos, fotos, desenhos e aquarelas, além de relatos como a vergonha e a dificuldade de falar sobre as experiências prisionais em público.

Foi um jeito, ela explica, de lidar com a tristeza de ver tantos parentes,vizinhos e amigos de infância confinados em prisões por anos, muitos pela vida inteira.

A cidade em que Nicole cresceu dependia de tecelagens que ofereciam empregos aos trabalhadores da baixa classe média negra. Crises fecharam as fábricas e inviabilizaram os sindicatos. Nas décadas de 1980 e início de 1990, ela testemunhou jovens negros, e também mulheres e homens idosos, sendo embarcados para a prisão com tanta frequência que tornou-se corriqueiro o súbito desaparecimento e a longa ausência deles.

O livro e a exposição postergada devido ao Covid-19 denunciam o que a autora chama de Estado-Carcereiro, que nasceu da necessidade de esmagar os movimentos radicais dos anos 1960 e 1970, da Guerra às Drogas, das consequências adversas da Guerra à Pobreza, Guerra ao Terror, desindustrialização, políticas neoliberais, educação pública segregadora e punitiva, políticas de austeridade e permanente discriminação contra não-brancos, gays e outros grupos.

Uma iconografia nasceu da violência contra esses grupos minoritários. Posters de “Procura-se”, imagens de negros algemados, revistados, subjugados, fotos de identificação policial (mug shots) frequentavam os tabloides locais e nacionais e fortaleciam a imagem do “negro perigoso”, ladrão, assassino ou traficante de crack. Esse material foi reprocessado nas celas sob a ótica do encarcerado.

gghghghg Os negros são perigosos – as “mug shots” dos jornais confirmavam.

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Texto completo (em inglês) aqui

https://www.nybooks.com/daily/2020/04/28/creation-in-confinement-art-in-the-age-of-mass-incarceration/

 

 

Posted on 29th abril 2020 in Sem categoria  •  No comments yet