logo
Governo e política, crime e segurança, arte, escola, dinheiro e principalmente gente da cidade sem portas
post

Pesquisas, fatos e artefatos criados pela técnica de convencer

.

 

 

 

 

hjhjhjh Entrevistados em pesquisas de opinião pública frequentemente respondem questões sobre assuntos que eles conhecem muito pouco ou nada. Concorda com esta afirmação?

 

.

Há brasileiros descontentes com a Constituição de 1988? Representam a maioria da população? Está na hora de escrever uma nova Carta Magna?

As dúvidas são plantadas todos os dias na grande mídia que publica em manchete e sem filtros os resultados das pesquisas de opinião pública. Agora, por exemplo, parece que a maioria do pais parece achar que a Carta oferece um excesso de garantias aos brasileiros. Há quem considere um exagero esperar o trânsito em julgado (art. 5º, inciso 57), para trancar o réu numa cela. É o que informa o repórter Felipe Bächtold, na Folha de S.Paulo.

“A maior parte dos brasileiros apoia a prisão de réus condenados em segunda instância, de acordo com pesquisa do Datafolha. (…) Pesquisa feita pelo instituto dos dias 11 a 13 deste mês mostra que 57% dos entrevistados consideram justo que um acusado seja detido após ter sua condenação confirmada em segundo grau, ainda que possa recorrer a instâncias superiores.” A pergunta não é boa. Para ser boa deveria ser antecedida de uma pergunta-filtro: “Você sabe o que é uma condenação em segundo grau?”

O professor George F. Bishop, autor de “A Ilusão da Opinião Pública: Fato e Artefato em Pesquisas de Opinião”, diz que pesquisas, da maneira como são feitas, constituem fatos ou artefatos ilusórios porque o público é mal informado.

Um caso típico aparece em pesquisa do Instituto Gallup: “Você concorda com o uso de forças terrestres norte-americanas em ações na Libéria?” Na hora, o entrevistado pensa no filho que pode ser enviado à Libéria, aquele lugar quente e poeirento, onde a água de torneira causa cólicas intestinais e o inimigo de turbante branco empunha uma carabina no telhado das casas. E responde não.

Bishop e outros especialistas chamam atenção para o jeito de perguntar (wording). Quem pergunta: “Acha justa a prisão após a condenação em segunda instância?” vai receber uma maioria de respostas afirmativas, até porque grande parte dos entrevistados não sabe o que é segunda instância. Se perguntar “É injusta a prisão antes de o acusado ter direito à ampla defesa?” vai descobrir que o público está favor do artigo 5º, inciso 57, da Constituição.

A forma de perguntar altera a resposta. Quer prova? Saia do ambiente jurídico e entre no supermercado. Note que o caixa, ao receber seu cartão, pergunta: “No débito?” A maioria dos clientes diz sim e paga no cartão de débito, que não oferece milhas de bônus ao usuário mas em compensação cobra ao supermercado uma taxa pequenininha. Se a pergunta fosse outra: “No crédito?” o supermercado pagaria ao cartão Visa cerca de 4% do valor da compra, mas o cliente acumularia 2,2 milhas por dólar gasto.

Por enquanto, a manipulação das pesquisas não afeta o quadro eleitoral. Pesquisa do Instituto Vox Populi, realizada entre os dias 11 e 15 de abril, mostra que o ex-presidente Lula, mesmo depois de ter sido preso, mantém a liderança e até ampliou a vantagem sobre os demais candidatos às eleições de outubro.

Segundo a pesquisa, 41% dos brasileiros consideram que Lula foi condenado sem provas, 44% consideram que a prisão de Lula foi injusta e 58% acham que ele tem o direito de ser candidato novamente à presidência da República, mesmo depois da prisão.

Ah, mas o Vox Populi pergunta de um jeito e o DataFolha de outro…Não sei, ninguém sabe. As pesquisas não são divulgadas na íntegra. Não há como verificar o jeito de perguntar, a ordem das questões, os temas que deixaram de ser apresentados, os artefatos criados em nome da técnica de convencer.

***

P.S. – Artefato é algo inventado pelo homem para fins econômicos, culturais ou políticos. A moralidade, que começa a substituir a legalidade, é um artefato de cultura humana, concebido para ajudar na negociação das relações sociais.

 

Posted on 17th Abril 2018 in Sem categoria  •  No comments yet
post

Cinquent’anos da parceria de Paulo Vítola e Marinho Galera no Conservatório de MPB

.

gghghghg No Conservatório de MPB, sábado, Lais Mann e Angela Molteni, Paulo Vítola, Carlos Freitas e Anadir Salles.

 

 

Havia a do Manoel Bandeira. Agora temos a nossa Lira dos Cinquent’anos, curitibana como a sopa de pinhão com vinawurst.

Meio século de canções resumido em “Nós de Pinho e Outras Estórias”, caderno de partituras da obra de Marinho Galera e Paulo Vítola, organizado pela historiadora Elizabeth Amorim de Castro. As partituras foram revisadas por Norton Morozowicz e Davi Sartori

Um digesto da alma curitibana, que atravessa o período glorioso da Cidade da Gente – começou no final da década de 1960 e chegou aqui com fulgores de metrópole e alguns solavancos urbanísticos.

Como diz a organizadora, é só o primeiro volume de partituras do extenso cancioneiro de Galera e Vítola e outros virão para preencher, com originalidade e refinamento criativo, o seu espaço no mapa da Música Popular Brasileira.

Lembra a Cascata da Sereia? Nela o mundo é uma aldeia que não abre os olhos pro mar.

O cancioneiro trata disso – do complexo da gente do planalto, cuja geografia vai à Bica do Campó ao norte, à Rua da Carioca ao leste, à Rua da Ladeira no oeste. E nada mais.

Mas é a Cidade da Gente, do homem de cabelo branco no banco da praça, da senhora que passa com tantas histórias pra me viajar, e a menina mais linda do mundo, dançando na dela.

Versos de cinquent’anos sobre a cidade que não tem mar, mas tem o Caminho Velho Itupava fim de linha.

E a memória da neve – tão leve eu não vi.

***

Sobre o título do livro de partituras:

“A voz que vós ouvis

Nós de pinho

Chiando no fogão

Somos nós

A voz do violão

No chorinho

É pinho araucária

Cheinho de nós.”

.

 

 

Posted on 15th Abril 2018 in Sem categoria  •  No comments yet
post

Está no Guardian: “Como a captura de 50 milhões de perfis do Facebook influiu na manipulação de mais de 200 eleições pelo mundo”

.

 

gghghghg Cris Wylie, um whitleblower, denunciou esquema de manipulação política da opinião pública que atuou em 200 campanhas em todos os continentes. (A foto é do Guardian)

.

O nome do jogo é domínio informacional. Envolveu a captura de 50 milhões de perfis do Facebook. E o uso das informações para construir um algorítmo capaz de analisar características culturais, econômicas, de gênero e raça de cada usuário e influenciar seu comportamento eleitoral.

 

Os detalhes foram revelados pelo delator (whistleblower) Chistopher Wylie, cientista digital que ajudou a criar a ferramenta e a operar com ela no contexto de muitas eleições democráticas. Uma entrevista com ele aqui.

A Cambridge Analytica é ligada à Universidade de Cambridge, e tem como grande investidor Robert Mercer, um dos apoiadores de Donald Trump. Até “likes” do Facebook foram transformados por ela em ferramenta política. Muito lucrativa, vendeu serviços em mais de 200 eleições e campanhas de formação de opinião pública no mundo inteiro.

A denúncia está no The Guardian e interessa ao Brasil, onde a rede social é usada para alimentar as campanhas de ódio que racharam a sociedade ao meio nos últimos anos. A Cambridge Analitica está no Brasil desde dezembro do ano passado e anunciou a intenção de participar da campanha presidencial de 2018.

Interessa à Nigéria, onde em 2007 uma campanha de boatos influenciou a eleição presidencial.

Interessa à Inglaterra, onde a Cambridge Analytica e o Facebook são investigados pelo British Information Commissioner’s Office sobre a atuação que tiveram na votação do Brexit. E onde a Comissão Eleitoral também investiga o papel desempenhado pela Cambridge Analytica no referendo que decidiu pela saída da União Europeia.

E interessa muito aos Estados Unidos, porque a empresa aliou-se a Steve Bannon, o marqueteiro de Donald Trump, e trabalhou na eleição do atual presidente. Pior ainda: o trabalho foi executado após o contato com a gigante petrolífera russa Lukoil, que pertence a um magnata estreitamente ligado ao presidente Putin.

A matéria completa está em www.theguardian.com/news/2018/mar/17/cambridge-analytica-facebook-influence-us-election

 

Posted on 19th Março 2018 in Sem categoria  •  No comments yet
post

Chega (de novo) o ônibus movido a gás metano

Saiu na Gazeta do Povo:

A Scania deu início a uma fase de demonstrações nacionais de um ônibus movido a biometano, gás natural veicular (GNV) ou uma combinação dos dois.

Uma novidade bem velhinha.

Na década de 1980, a Sanepar e a Cidade de Curitiba criaram a primeira linha de ônibus movidos a gás metano. Os ônibus seguiam pelo Contorno Oeste, atendendo o pública da CIC e outros bairros até chegar em São Braz.

O metano vinha do tratamento de esgotos nos equipamentos RALF (Reator Anaeróbico de Lodo Fluidizado) e era distribuído em vários postos de reabastecimento ao longo do itinerário. A experiência teve sucesso. Não foi ampliada um pouco por falta de dinheiro e muito por falta de vontade política.

Mas era o futuro.

Posted on 10th Março 2018 in Sem categoria  •  No comments yet
post

Para os menos desenvolvidos Washington receita continuar com ônibus a diesel e adotar FSSM (Faecal sludge sanitation machine)

.

jjkjkjkj

Mais ônibus a diesel vão cruzar a praça.

.

 

Os velhos ônibus de Curitiba passavam barulhentos pela República Argentina com seus 30 passageiros e enchiam o ar de NO2, dióxido de nitrogênio. Um nojo.

Agora, passageiros vão andar nos modernos biarticulados que passarão barulhentos pela João Gualberto, rumo a Santa Candida, enchendo o ar de NO2. Mais nojo. A agressão aos pulmões aumentará dez vezes.

Toda grande cidade – aquela que passou de um milhão de habitantes – sofre de congestionamento e só consegue ter um ar saudável com o uso de trilhos (metrô subterrâneo ou de superfície, bonde, VLT) e ônibus elétrico. Como diz a Volvo em sua página em inglês: “The future is electric”.

Mas isso é caro. A última conta feita no tempo do Gustavo Fruet, chegava a cinco bilhões de reais, um bilhão e meio de dólares.

Como estamos em crise, derrubaram a presidente da República, que oferecia o dinheiro através do BNDES, e encomendaram mais ônibus biarticulados. Países “em desenvolvimento” como o Brasil estão condenados à poluição dos pneus velhos e dos motores diesel.

Arrisco prognosticar que logo chegará ao país outra ideia “inovadora” inspirada por Washington:  máquinas para processar massa fecal.

Muitos leitores já ouviram falar na eficiência das fábricas de fertilizantes que os consultores do Banco Mundial constroem na Africa para resolver o problema do saneamento básico em países carentes. O engenhoso dispositivo permite conectar a produção de fezes humanas à produção de grãos e assim baratear o custo dos alimentos.

No site allafrica.com achei a matéria intitulada “South Africa: Turning Human Waste into Fertilizer Pellet by Pellet”, em tradução livre: “Africa do Sul: Transformando Dejeto Humano em Fertilizante, Pelota por Pelota”.

A repórter Julie Frederikse informa que “a municipalidade de eThekwini, em Durban, usa um inovativo processo que busca maximizar o reuso de dejetos sólidos. Em parceria com o Grupo de Pesquisa sobre Poluição da Universidade de In KwaZulu Natal (UKZN), a cidade desenvolveu a Máquina de Sanear Massa Fecal (Faecal Sludge Sanitation Machine).”

O funcionamento é simples e barato. “Após ser removida das 30 mil fossas que existem na cidade, a massa fecal segue para a máquina cujos fornos estão regulados em 500 graus Celsius para matar todas as bactérias patogênicas. Após o processo de pasteurização e secagem, o produto é embalado em sacos de 20 quilos, que podem ser usados com segurança como fertilizante nas lavouras”.

.

hjhjhjh Campo experimental na Africa do Sul.

 

*

 

P.S. – Já imaginou como aumentará o poder de competição da soja brasileira quando o produtores substituírem fertilizantes químicos caros por Faecal Sludge Fertilizer Machine?

 

.

Posted on 10th Março 2018 in Sem categoria  •  No comments yet
post

Black Panther, uma nova forma de pensar o colonialismo

.

 

jkjkjkj O Pantera Negra.

 

.

 

Black Panther não é um filme qualquer. É um monumento. Um imenso paradoxo econômico. Como pode um blockbuster da Marvel, Estúdios Disney, com orçamento de 200 milhões de dólares, que em quatro semanas de exibição faturou 435 milhões, ser inteligente e politicamente alerta?

 

Muitos críticos estão convencidos de que este é um ponto de inflexão da história do cinema. Merece uma grande discussão entre estudantes, professores e gente interessada em cinema, o que significa todos nós – quem não tem vontade de debater um filme que subverte as velhas regras de Hollywood?

Filmes sobre negros sempre foram feitos por brancos. Sidney Poitier, o primeiro negro a ganhar um Oscar, fez o papel de operário braçal em “Uma Voz nas Sombras”, de 1963, dirigido por Ralph Nelson, branco, nova-iorquino, que havia servido com destaque na Força Aérea durante a guerra.

Denzel Washington ganhou em 1989 o Oscar de melhor ator coadjuvante como soldado do Exército da União sob o comando do branco Matthew Broderick (que faz a voz de Simba em Rei Leão) e dirigido pelo branco, nascido em Chicago, Edward Zwick.

Agora, são negros o diretor e roteirista Ryan Coogler, que acaba de dizer a uma plateia em Nova York: “Eu tenho muita dor dentro de mim.”, o co-roteirista Joe Robert Cole, os produtores e os atores Chadwick Boseman (T’Challa/Pantera Negra), Michael B. Jordan (Erik Killmonger), Lupita Nyong’o (Nakia), Danai Gurira (Okoye), Daniel Kaluuya (W’Kabi). Apenas Martin Freeman (agente da CIA Everett K. Ross) é branco entre os atores principais.

Assistir a “Black Panther” não é apenas divertido – é essencial. O filme vira o jogo e inverte o discurso, que agora é contra o imperialismo e a escravidão e a pós-escravidão de hoje. Contra o sistema que mantém milhões de negros em penitenciárias e oferece saídas acordos de leniência aos autores de crimes financeiros.

No meio da Africa, Wakanda não é um país do terceiro mundo. Consegue ser tecnologicamente superior às grandes potências graças às reservas de vibranium, metal raríssimo que salva vidas e ganha batalhas.

O vilão não é o traficante de armas branco Ulisses Klane, mas Killmonger, primo irmão do rei da Wakanda, perfeita personificação da política doméstica e internacional dos EUA.

O tema da maldição dos recursos minerais escassos é conhecido dos brasileiros. Países do terceiro mundo são vítimas de predadores internacionais e condenados à servidão de eternos fornecedores de matérias primas para os desenvolvidos. É a desgraça de ter petróleo, o infortúnio de possuir metais raros usados na indústria de alta tecnologia. O filme de Ryan Coogler propõe ao público de milhões de jovens que assiste a Black Panther igualdade e solidariedade internacionais. Não fosse a eloquência do rei de Wakanda, esses temas tediosos não sairiam do plenário meio vazio da Organização das Nações Unidas.

Este não é mais um blockbuster barulhento de mocinhos contra o Império do Mal. Mas também é isso – porque o Império do Mal é presidido por um comedor de McDonald’s machista e de língua solta, que chama imigrantes de estupradores e traficantes.

.

P.S. – Se tiver tempo, leia a crítica de Helen Lewis no New Statesman.

Posted on 5th Março 2018 in Sem categoria  •  No comments yet
post

Sem “Pedro Páramo” não haveria “Cem Anos de Solidão”

jkjkj Capa da edição mexicana.

.

 

hhjhjh O mexicano Juan Rulfo, centenário e esquecido, escreveu: “Todo autor é um mentiroso; a literatura é uma mentira, mas dessa mentira nasce uma recriação da realidade.”

 

.

 

TUDO QUE COMEÇA BEM TERMINA BEM. Estou falando de obras primas da literatura. Confira a “pegada” de quatro mestres – três famosos, um que poucos conhecem.

 

*

 

 

Ele era um velho sozinho que pescava em um pequeno barco na Corrente do Golfo e fazia agora oitenta e quatro dias que ele não pegava um peixe.

(Ernest Hemingway, “O Velho e o Mar”, na edição em inglês de 1952, da Alden Press. Em outra versão está a frase famosa omitida na versão de Alden: “O nome dele era Santiago”. A livro ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1954.)

*

 

Sobranceiro, fornido, Buck Mulligan vinha do alto da escada, com um vaso de barbear, sobre o qual se cruzavam um espelho e uma navalha. Seu roupão amarelo, desatado, se enfunava por trás à doce brisa da manhã. Elevou o vaso e entoou:

  -Introito ad altare Dei.

(James Joyce, “Ulisses”, na tradução de Antonio Huaiss, questionada por causa dos neologismos huaissianos.)

 

*

 

Estou vivendo na Villa Borghese. Não há um resquício de sujeira em parte alguma, nem uma cadeira fora do lugar. Estamos completamente sozinhos aqui e estamos mortos.

(Henry Miller, “Trópico de Câncer”, tradução de Aydano Arruda. No prefácio, Anais Nin diz: “Este livro traz consigo um vento que derruba com seu sopro as árvores mortas e ocas cujas raízes estão secas e perdidas no solo estéril do nosso tempo. Este livro vai até as raízes e escava por baixo, escava à procura de fontes subterrâneas.”)

 

*

 

Vim a Comala porque me disseram que aqui vivia meu pai, um tal Pedro Páramo. Minha mãe me disse. E eu prometi para ela que viria vê-lo quando ela estava morrendo.

Juan Rulfo, “Pedro Páramo”.

O início do romance de Rulfo é aqui citado ao lado de outros monumentos literários porque “Pedro Páramo” é também uma obra prima, daquelas que se conhece pela primeira frase. Originou toda a rica literatura latino-americana, com destaque para a obra de Gabriel Garcia Marques. Sem “Pedro Páramo”, não existiria “Cem Anos de Solidão”. Quem escreve isso, na New York Review of Books, é Ariel Dorfman, professor emérito de literatura na Duke University.

O centenário de Juan Rulfo (1917-1986) foi solenemente ignorado no ano passado. Ele é considerado um dos mais influentes escritores de todos os tempos. Na New York Times Book Review ele foi aclamado como um dos “imortais” citados no início. Susan Sontag chamou-o “master storyteller”, responsável por uma das obras primas da literatura mundial do século vinte.

A obra prima está à disposição do leitor em https://vivelatinoamerica.files.wordpress.com/2014/05/pedro-pc3a1rramo-de-juan-rulfo.pdf

 

.

 

.

 

Posted on 26th Fevereiro 2018 in Sem categoria  •  No comments yet
post

Tem gente que não entende porque é preciso acabar com o cachorro de rua. Tudo bem. O cachorro entende

.

 

jkjkjkj Quem ama não alimenta – recolhe. (A foto não é minha. Mas eu assinaria com prazer.)

.

 

Está na Folha, blog Bom Pra Cachorro:

 

“Tutores na cidade de Chiavari, no norte da Itália, agora devem levar uma garrafinha de água sempre que saírem de casa com seus cães. Isso porque medida implantada pela administração municipal obriga o responsável a limpar qualquer resíduo de xixi do animal pelas ruas.”

Outras cidades, na Itália e no resto do mundo, adotam medidas semelhantes para que os donos/tutores assumam a responsabilidade pelos seus cães.

Curitiba não. Curitiba não é a cidade ideal do cachorro. Aboliu a carrocinha que recolhia os cães de rua ao canil municipal. Acabou com o canil municipal. Muito caro. Seu cuidado, cachorro de rua pode transmitir a raiva, porque o vírus foi encontrado em morcegos capturados recentemente.

O cão sem dono anda por ai. Abandonado. Degradado. Em canzoada, que é o coletivo de cães. Não costuma ser vacinado. É odiado pelos ciclistas, porque às vezes resolve correr atrás da bike e morder o tornozelo deles. De vez em quando é morto por algum desconhecido. Outro dia um cão de rua foi incendiado no Pilarzinho. Mundo de bárbaros.

Muito cão sem dono, que nunca viu vacina, instala-se em frente à casa de alguma senhora caridosa, que todo dia coloca resto de comida num prato de alumínio.

Ela diz que ama os animais e alimentá-los é dever humanitário. Está enganada. A senhora só está se livrando das sobras de comida e aplacando a consciência. Humanitário é tornar-se a tutora dele. Recolhê-lo. Instalá-lo na área de serviço ou no quintal. Vaciná-lo. Se possível comprar uma coleira bonita para ele.

Feito o investimento, a senhora vai derreter de felicidade toda vez que ele lhe fizer uma graça.

*

P.S. – Saiu na Gazeta, seção Viver Bem. “Uma mulher de Recife, dona de um pet shop, morreu no início de julho por infecção do vírus da raiva. Ela foi mordida por um gato de rua que havia sido contaminado por um morcego.”  Em Curitiba foram identificados seis casos de morcegos com o vírus da raiva. Morcego que morde gato, morde cachorro, que morde gente.

Posted on 19th Fevereiro 2018 in Sem categoria  •  No comments yet
post

O GRANDE FEDOR

.

ESGOTO

Cano de esgoto no Belém

.

Curitiba cheira mal.

No calorão, sem chuva, com severa estiagem, Curitiba fede. O mau cheiro se espalha pelas proximidades dos rios Passauna, Barigui, Belém, Atuba e de seus afluentes como o Bacacheri e o Juvevê.

Culpa dos moradores, da Prefeitura, de quem? Ficou famoso o encontro do prefeito Rafael Greca com duas senhoras, durante a primeira administração dele. Elas reclamaram indignadas do mau cheiro do rio e Rafael respondeu: “Rio não caga, minhas senhoras. Quem cagam são vocês que despejam o esgoto no rio!”

Era assunto sério, virou humor curitibano.

Mas verdade seja dita. Nossos riozinhos, reduzidos a canais de escoamento de esgotos, não contaminam a água de beber. A Sanepar trata bem da água vendida ao consumidor final. Um gosto de cloro mais forte é a prova do cuidado em matar as bactérias patogênicas, pseudomonas fluorescens, serratia marcescens, proteus, (que ocorrem na matéria orgânica em putrefação) os bacillus subtiüs e os vários coccus, como a escherichia, o aerobacter e o terrível streptococcus faecalis

Nossos velhos conhecidos do exame de fezes.

A pergunta que deve ser feita é outra: Se a empresa de saneamento é competente, capaz de nos livrar de todos esses bichos de nome assustador, por que o rio cheira mal?

Melhor resposta: porque é difusa a responsabilidade pela despoluição da água. Há um cipoal de leis municipais, estaduais e federais. Todo mundo é responsável; logo ninguém é responsável.

Outro motivo: a Sanepar é uma poderosa companhia de economia mista de capital aberto, vende ações no mercado. Acompanhe o valor da ação preferencial SAPR4. Em 12 meses ele caiu de 14,84 para 10,26, pela cotação de ontem, dia 16 de fevereiro. Isso é mau. Acionista quer dividendo, quanto mais melhor. Ele não mora aqui e muitos nem são brasileiros. Nem são gente, apenas fundos de pensões do Canadá ou dos Estados Unidos. Os experts da Bolsa aconselham: “Compre, o Brasil está barato.”

E agora? Vai  contentar o acionista ou satisfazer o consumidor? Ah, entre les deux mon coeur balance.

 

***

the great stink

 

Charge publicada em jornal londrino. A  morte remava no Tamisa.

 

Em 1858 Londres era a maior cidade do mundo, mas seus 2,5 milhões de habitantes não tinham um sistema de tratamento dos esgotos. Nos anos 1840, houve algumas tentativas de sanear as 200 mil fossas, que frequentemente transbordavam. O conteúdo, retirado manualmente, era transportado para o campo e vendido como fertilizante. Um processo complicado, que não melhorou muito com a solução encontrada por Edwin Chadwick, em 1842, quando os efluentes passaram a ser lançados na rede de escoamento de águas pluviais que terminava no Rio Tamisa e afluentes. A água bebida pelos londrinos era contaminada por fezes.

As consequências desse processo ficaram evidentes no verão de 1858, quando um calor sem precedentes cozinhou no rio um caldo de fedor tão intenso que interrompeu quase toda atividade humana. No dia 16 de junho, a temperatura de Londres alcançou inéditos 35 graus centígrados à sombra, levou um advogado que trabalhava no Riverside Temple Bar a escrever: “O fedor é doentio e nauseante ao extremo…estou sendo assassinado aos poucos.”

Era o Grande Fedor (The Great Stink). Veio depois de três graves epidemias de cólera, na primeira metade do século 19, que mataram dezenas de milhares de londrinos.

O ar estava péssimo no Parlamento, construído na margem do rio. Muitos de seus membros fugiram para o campo. Os servidores menos afortunados afastavam-se do plenário com lenços protegendo os narizes.

Benjamin Disraeli, então com 53 anos, presidente da Câmara dos Comuns e chanceler do Tesouro, conseguiu a aprovação da Thames Purification Bill, uma lei que reunia todas a atividades de saneamento, em todos os níveis da administração pública, sob uma única jurisdição. É o contrário – é bom repetir  – do que acontece no Brasil, onde normas de saneamento ambiental  são produzidas pelos governos federal, estadual e municipal e muitas vezes há conflito entre elas.

Vamos reformar a Constituição para resolver isso? Com esse Congresso não.

 

 

SERVIÇO

 

One Hot Summer:

Dickens, Darwin, Disraeli

And the Great Stink of 1858

Autora: Rosematy Ashton

Yale University Press, 338 páginas.

 

 

Posted on 17th Fevereiro 2018 in Sem categoria  •  No comments yet