O propinoduto chegou à Argentina; a cúpula do governo balança

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O amigo de Macri.

 

 

 

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Quem vai ouvir tango ouve mais histórias de corrupção. Nas rádios, TVs e jornais.

Denúncias dos doleiros Alberto Yousseff e Leonardo Meirelles às autoridades do Brasil e dos Estados Unidos ocupam as manchetes. Os dois delataram que o chefe da polícia federal da Argentina, Gustavo Arribas, recebeu 600 mil dólares de propina para reativar o contrato de construção de uma obra ferroviária. O dinheiro, segundo o jornal La Nacion, foi depositado numa conta na Suiça entre 25 e 27 de setembro de 2013, proveniente de uma conta bancária em Hong Kong da empresa RFY Import & Export Limited.

O Chefe da Agencia Federal de Inteligência reconheceu apenas uma transferência, de 70 mil dólares, que seria proveniente da venda de imóvel de propriedade dele em São Paulo. Arribas morou na capital paulista durante dez anos, atuando como intermediário na exportação de craques de futebol. A negociação mais notória foi a transferência de Tevez e Mascherano para o Corintians em 2008.

Arribas não é um empresário qualquer. É amigo pessoal do presidente Macri e detentor de cargo de alta confiança no governo. Transformou-se na coisa mais parecida com o pavio que pode explodir o segundo maior esquema de corrupção da America Latina.

Ontem, informa o jornal Pagina12, deputados da Frente para la Victoria, FPC, oposicionista, requereram a convocação de Arribas para depor na comissão bicameral que investiga outro escândalo do governo Macri.

O esquema político de Macri reagiu.

Horacio Rodrigues Larreta, prefeito de Buenos Aires e principal aliado, questionou o valor das informações contidas na delação premiada de Yousseff. Recordou, para o jornal La Nacion, que “na Argentina se respeita o princípio da presunção de inocência. Neste pais somos todos inocentes até que se demonstre o contrário. É nosso direito constitucional.”

Larreta cometeu um “furcio” ao lembrar coisa tão evidente. Um ato falho. Uma deselegância com a Justiça brasileira. Na verdade, o prefeito e amigo do presidente Macri quis dizer que, em seu país, qualquer cidadão é considerado inocente até que “se demonstre” sua culpabilidade em processo judicial.

 

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O Capitão Fantástico e a nossa educação pública irreal

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O professor.

 

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A comédia de Matt Ross discute a utopia.

 

Um pai (Ben, interpretado por Viggo Mortensen) que vive nas florestas do noroeste americano, no estado de Washington, dá aos seis filhos uma educação integral, que inclui filosofia, línguas, ciências. É um professor eficiente. Uma prova: as crianças conversam em esperanto quando o assunto é particular.

 

A esposa Leslie (Trin Miller) vai para um hospital na capital tratar grave depressão. O tratamento não tem êxito e ela se suicida. A família deixa o paraíso da mata para o funeral.

 

Ao confrontarem-se com a civilização urbana surgem problemas com os filhos do casal. Eles sabem tudo que está nos livros, pouco para a vida diária. A questão é decidir o que vale mais: operar um videogame ou conhecer os direitos fundamentais inscritos na Constituição?

 

O filme tem boas situações, como quando os filhos de Ben, repletos de informação política e científica, encontram os primos da cidade, que sabem tudo sobre games.

 

É possível passar uma noite tomando cerveja e discutindo as questões éticas e sociais que o filme levanta. Ou, como sugere Claudia Costin, consultora do Banco Mundial e ex-ministra de Estado, levar à sala de aula a conversa de boteco.

 

Diz a professora: “A conversa deveria ser coletiva na escola: em grupos e, depois, de maneira centralizada. A dinâmica da aulas deveria lembrar mais nossas rodas de conversa do que uma palestra. Nada é mais contrário à nossa cultura fora dos muros da escola do que a forma como damos aula hoje.”

 

Há uma experiência bem sucedida no Rio de Janeiro. A escola ao lado da sede do maior bloco carnavalesco funciona na base da discussão de temas que estão nas mesas de todos os botequins do Brasil – impeachment, lei Maria da Penha, descriminalização da maconha. Adianta? Do jeito que está funciona? Por que o sistema eleitoral brasileiro não dá certo? Por que a saúde pública anda mal?

 

No contraturno os alunos aprendem a afinar tamborim, acertar a virada da bateria, compor samba enredo. E ainda sobra tempo para bater bola no pátio.

 

Quando o Jaime Lerner foi prefeito pela primeira vez, em 1988, surgiu a ideia de fazer uma escola com contraturno esperto no antigo campo do Britânia, então Colorado, hoje Paraná. Os futuros alunos estavam ali, do outro lado da Avenida das Torres, na Vila Pinto.

 

Se desse certo a escola seria mais um ícone de Curitiba. Como a Opera de Arame ou a estufa do Jardim Botânico. Talvez mais, porque educação andava na moda, com o Jaime no PDT do Brizola e o Darci Ribeiro batendo ponto quase todo mês.

 

Por que não deu certo? Porque os cartolas não entenderam o alcance do projeto. Apenas comemoraram o fim de seus problemas financeiros. E pediram de aluguel o suficiente para contratar o Zico.

 

 

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Fumas?

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Podes derrubar um avião.

 

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Está no Aviation Herald, guru de encrencas aéreas:

Um MD-82 da American Airlines, que viajava de Dallas para Indianópolis, teve que fazer aterrissagem forçada em Little Rock por causa de um e-cigarrete, cigarro eletrônico que aquececeu demais e começou a soltar fumaça. Um passageiro fumava o cigarro falso no banheiro.

O regulamento da IATA diz que e-cigarretes só podem ser transportados na bagagem de mão se a bateria estiver desligada.

 

 

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Em As Confissões há protestos e um conselho de São Francisco

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Toni Servillio e Daniel Auteuil ganharam duas vezes o prêmio de melhor ator do cinema europeu, o EFA – European Film Award.

 

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A bem da verdade, devemos admitir que nem todos os projetores do Shopping Novo Batel estão ferrados. O da Sala 2 funciona bem, imagem clara, som de qualidade.

Assisti com certo conforto As Confissões, de Roberto Andó, que também dirigiu Viva a Liberdade e outros filmes políticos.

O filme deve ser visto como um dos resultados da crise de 2008. O mundo sofreu com a constatação de que a lei internacional é para todos, menos para a alta finança. As regras de austeridade nada têm a ver com o que acontece nos gabinetes dos grandes bancos, onde quem não é bilionário é multimilionário porque os bonus de produtividade continuam a ser distribuídos com generosidade.

O ex-ministro grego das Finanças Yanis Varoufakis chama a isso centralização sem representação.

A história começa com uma câmera aérea acompanhando um carro que chega ao hotel de luxo na costa da Alemanha, no Mar Báltico, onde se realiza um encontro do G8, o grupo de dirigentes das sete maiores economias do mundo mais a Rússia, que não está mais entre as maiores economias, mas possui grande arsenal nuclear.

Chega o misterioso monge Roberto Salus (Toni Servillio) convidado pelo presidente do Fundo Monetário Internacional, Daniel Roché (Daniel Auteuil). Ele pede ao monge para ouvi-lo em confissão. No dia seguinte é encontrado morto, asfixiado em um saco plástico – o mesmo que o monge usava para guardar um gravador de voz.

Instala-se a suspeita. Foi suicídio? Assassinato? A confissão foi gravada? Com tantas câmeras vigiando o local, alguma ajudaria a solucionar o mistério?

O filme foi em parte inspirado por um episódio real. Entre 6 e 8 de junho de 2007, o Grand Hotel de Heiligendamm, no norte da Alemanha, sediou a reunião de cúpula do G8. Como resultado 25 mil ativistas anticapitalistas bloquearam as estradas de acesso. Os dirigentes foram transportados em helicópteros, daí talvez a câmera aérea do início da história.

Houve embates violentos entre manifestantes e polícia na cidade de Rostock. Der Spiegel reportou que 146 policiais saíram feridos, 25 seriamente, e 49 pessoas foram presas acusadas de violência. A polícia usou, além de cassetetes, canhões de água e bombas de gás. Longas filas de ambulâncias se formaram para atender os feridos.

Os alemães protestavam contra uma ditadura do sistema financeiro internacional sobre os governos e as nações. A globalização seria a causa de desemprego e pobreza e resultaria na depressão de 2008 – a mais severa crise financeira do século, cujos efeitos persistem até hoje.

Em As Confissões, são convidados também para a reunião uma escritora infantil (Connie Nielsen, belíssima aos 51, lembre-se dela em Gladiador) e um músico (Johan Heldenbergh). Darão uma certa ternura às decisões do G8, principalmente no caso da Grécia, ameaçada por uma dívida externa que as regras do FMI tornaram impagável.

Problema do roteiro, também de Roberto Andó: há excesso de diálogos. Ficariam bem no teatro, são maus para o desenvolvimento da história, que têm elementos de thriller. Mas o resultado final é agradável e ficamos sabendo que uma das fórmulas para superar os problemas do mundo é seguir o ensinamento de São Francisco – “é dando que se recebe, é perdoando que se ganha o perdão”.

Não parece Renan, STF, Temer, o Brasil?

 

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Cuidado com as compras

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O que sobrou do celular

 

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Para quem pensa em dar (ou dar-se) um celular novo neste Natal, The Aviation Herald conta mais uma história de telefone que esquentou e soltou fumaça durante o vôo.

Aconteceu na China Airlines. O Boeing 737-800, registro B-18605, cumpria o vôo CI-27 de Koror (Palau) a Taipé (Taiwan). Sobre o Mar das Filipinas, o celular de um passageiro aqueceu e começou a emitir fumaça. A tripulação ficou com o aparelho, que foi provavelmente jogado na água gelada. O avião chegou a Taipé quatro horas depois.

A Chine Airlines confirmou o incidente e informou que o aparelho era um Samsung Galaxy S6.

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A voz do dono

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Ao centro o general Gustavo Vargas. A entrevista torna clara a responsabilidade civil e penal da LaMia no acidente. (Foto jornal El Tiempo)

 

 

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Quem manda é o dono.

O dono da LaMia estava no comando ao Avro85. Ele decidiu seguir direto de Santa Cruz de la Sierra até Medellin, sem reabastecer a aeronave.

A informação é do diretor da LaMia, general Gustavo Vargas. Todos os fundadores da empresa são militares reformados.

Trecho da entrevista do general ao jornal colombiano El Tiempo:

 

¿Pero en ningún momento este vuelo tenía proyectado llegar a reabastecerse a Bogotá?

De Santa Cruz tenía que ir a Cobija, que es en Bolivia. De Cobija tenía que ir a Medellín. Pero ellos se fueron directo hasta Bogotá, y de ahí tenía que ver la posibilidad de seguir o aterrizar en Bogotá. Era de noche. Y por esa negación de Brasil se complicó un poco. Pero por lo visto, si el piloto ha continuado es porque sí podía. Ha continuado y ha pasado esta catástrofe que nos hace mucho daño.

¿Cuando el avión llegó a Medellín ya no tenía el combustible suficiente para poder aterrizar?

Estamos viendo eso, esperando la información de la investigación. Pero si él consideraba que no tenía combustible, tenía que entrar a Bogotá a reabastecer. El aeropuerto de Bogotá, según el plan de vuelo, era el alterno para cualquier cosa. Antes de pasar Bogotá tenía que tomar la decisión; si estaba con buen combustible tenía que seguir, pero si alguna cosa pasaba con el combustible, debió entrar.

¿Quién era el piloto?

La versión del combustible es muy difícil. Era un piloto muy experimentado en todo. El piloto, Miguel Alejandro Quiroga Murakami, era el dueño de la compañía. Él fundó la compañía junto con un coronel que no estaba en este vuelo.

 

A íntegra da entrevista aqui.

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Faltou combustível. Ponto final

Jornais, sites, radios e TVs passaram o dia desenvolvendo a história.

Mas foi Tom Phelps no The Aviation Herald que melhor sintetizou a tragédia. Cinco palavras:

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By Tom Phelps on Tuesday, Nov 29th 2016 23:35Z
No fuel. End of story.
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Agora é só descobrir:
1) quem aprovou o plano de voo maluco, que ultrapassava o alcance máximo de vôo do Avro85.
2) quem contratou o voo charter;
3) quem vai investigar e denunciar o crime – porque não há outra palavra para definir o que causou a morte dos jogadores, dirigentes, jornalistas e pessoal de bordo.
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A tragédia da Chapecoense exige uma explicação

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Registro de manutenção em 2015.

 

 

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Após um acidente aéreo surge a indiscutível informação: o transporte aéreo é o mais seguro do mundo.

Se tiver de viajar com segurança procure uma das 60 empresas aéreas com melhor histórico de acidentes, listadas pela http://www.jacdec.de/airline-safety-ranking-2016/

No ano passado havia duas brasileiras no Top60, a Tam e a Gol. A Tam fez fusão com a Lan Chile, que tinha números até melhores.

Então, se eu necessitasse viajar de São Paulo para Medellin, compraria passagem na Latam. Sairia de São Paulo às 15h50, chegaria em Bogotá às 19h14. Decolaria novamente às 20h59, aterrissando em Medellin às 21h58.

Solicitaria também um orçamento da Gol e outro da Avianca, que é colombiana e também pertence ao Top60. O preço seria muito parecido.

Viajaria em aviões Boeing 767 e AirBus319, o mesmo modelo que nos leva frequentemente de Curitiba para São Paulo.

Ninguém me convenceria a apanhar um voo charter de uma companhia aérea chamada Lamia, que era venezuelana e transferiu-se para a Bolívia.

Ela não está no Top60. Pior: está no index de aeronautas. Dela diz o site especializado http://www.aeropuertosarg.com.ar/losforos/index.php?topic=24096.0:

Re:LAMIA Bolivia

« Respuesta #1 : 09 de septiembre de 2015, 18:53:02 »

BAe Avro    RJ85    2348        CP-2933    LaMiA Bolivia    ferried 05-08sep15 CBB-CIJ-…-FLL-YOW-YYT-TER-VGO on delivery to?

WTF?

Pero que misterio esa linea fantasma con sus aviones que cambian de matricula y de pais cada rato!!!!!!!!!!!!!

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Mais adiante, é discutida a origem da empresa:

« Respuesta #6 : 26 de noviembre de 2015, 11:54:03 »

Que perlita esto de LAMIA, ya o recuerdo en que hilo MEX me recalamaba mi visión fatalista sobre estos negocios sucios de líneas fantasmas en Venezuela, ahora LAMIA que fue usada para campaña política del estado Mérida aparece en Bolivia

 

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Por que, meu Deus, escolheram voar da Lamia, em vez de Latam, Gol ou Avianca?

Porque, aos modernos aviões das grandes empresas, escolheram embarcar em um Avro RJ85, que está fora de produção desde 2002?

Que foi devolvido pela empresa regional Taba por alegadamente não funcionar bem em condições de calor e umidade? www.airway.uol.com.br

 

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O filme é belo, a imagem do cinema um lixo

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Isabelle Huppert faz o papel de Michelle.

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Elle, com Isabelle Huppert, um dos melhores filmes do ano, está na sala 4 do Shopping Novo Batel, um dos piores cinemas que Curitiba já conheceu, aqui incluídos os falecidos cinemas Broadway e Odeon, dos anos 1950.

Antes de comentar a imensa qualidade artística do filme do holandês Paul Verhoeven (Basic Instinct, Instinto Selvagem) é urgente lamentar que não exista um serviço de fiscalização capaz de impedir que alguém exiba um filme sem o equipamento adequado. A tela está escura, a imagem é péssima. O velho Odeon, onde passavam os faroestes de Randolph Scott, da Republic, era bem melhor.

Um filme chocante. Começa com Michelle, proprietária de produtora de vídeo games de sucesso, sendo violentada sob o olhar curioso de seu gato. O violador usa roupa preta de ninja e foge após o crime, que não é comunicado à polícia. A heroína limita-se a revelar casualmente o fato a amigos durante um jantar em restaurante fino – o garçon quase derruba a garrafa magnun de champagne.

A história é amoral. Não é juízo de valor, é constatação. Os personagens atuam na fronteira entre o aceitável e o indecente, do ponto de vista ético e também da legislação em vigor. Convicções da chamada sociedade burguesa são docemente contestadas.

Elle foi sucesso no Festival de Cannes. É indicado oficialmente para representar a França no Oscar de 2017. Recebeu comentários entusiasmados de críticos como A.O. Scott, do New York Times. “Paul Verhoeven conduz o público através de um labirinto de ambiguidades meticulosamente construido. Mistura nossas crenças e expectativas a cada mudança de rumo da história.(…) Você pode ter suas dúvidas sobre Elle, mas não pode evitar de acreditar na força do filme.”

Xan Brooks, no Guardian, concorda: Elle, é uma brilhante comédia de humor negro que ofende padrões de decência. Jamais seria norte-americano. O papel de Michelle, que Isabelle Huppert desempenha com brilho, não foi aceito por Nicole Kidman, Julianne Moore, Cate Blanchet e Kate Winslet. Por isso o cinema europeu é importante. Conserva a capacidade de propor questões que o cinema de mercado finge desconhecer.

Deveríamos ter o direito de ver e discutir essa obra polêmica de alto valor artístico. Mas qualquer avaliação é prejudicada pelo equipamento de projeção velho e sem manutenção. Se um açougueiro vende carne estragada é punido pela Vigilância Sanitária e pelo Procon. Contra imagem podre não há quem nos socorra.

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Está em “Verissimas!” o novo livro do Luis Fernando Veríssimo. Aliás, Ver!ssimas.

“Corrupção, você talvez se interesse em saber, vem do latim rumpere ou romper, quebrar. Corrumpere quer dizer quebrar completamente, inclusive moralmente, o que significa que quem foi corrompido não tem mais conserto, não importa o que diga sua assessoria de imprensa.”

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