Brizola e a arte da repetição

.

ghghg

Se a Rede Globo for a favor, somos contra: se for contra, somos a favor.”  

.

Por que alguns discursos soam melhor do que outros? Porque usam com mais habilidade as ferramentas da retórica. Uma das melhores é a repetição.

“A guerra só será abolida através da guerra.” (Mao Tse-tung)

“Só se acaba com a violência com violência maior.” (Jair Bolsonaro)

Cada um deles produziu a sua anadiplose, instrumento de persuasão que se forma quando a mesma palavra está no começo e no fim da frase.

A anadiplose, como outras figuras de retórica, vive da boa memória e do senso de oportunidade do orador. Aquele “canalhas! canalhas! canalhas!” do Requião é uma epizeuxe, prima irmã da anadiplose. Saiu bonita da tribuna do Senado. Achei outro exemplo de epizeuxe, menos belicoso: “…e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo …”
(Machado de Assis. Histórias sem Data, p.6)

Repetições fizeram a fama também de Winston Churchill: “Nunca ceda, nunca ceda, nunca, nunca, nunca – em nada, grande ou pequeno, maiúsculo ou insignificante – nunca ceda exceto para as afirmações de honra e bom senso.”

Em matéria de persuasão ninguém foi melhor nem é mais atual do que Leonel Brizola: ““Nós queremos um regime que não seja apenas da raposa, queremos um regime da raposa e da galinha, onde existam espaços para os dois.”

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Aonde a violência nos leva

“Receio as agressões físicas. Já pensou surgir um cadáver?

“A história revela que quando um cadáver surge a coisa degringola”, disse em março de 2016 o ministro Marco Aurélio de Mello. 

Na época ele se preocupava com as manifestações da militância do PT, que reagia à condução coercitiva de Lula pela Polícia Federal.

Cuidado em dobro deve-se ter agora, após o atentado contra Jair Bolsonaro, escreve Carla Jimenez em El País. “Para que o candidato continue competitivo na disputa  será preciso ponderar bem o eixo que se vai adotar. Ainda que a exposição deste momento o favoreça, as provocações que o candidato protagoniza não vão desaparecer da mente de quem já o rejeitava.”

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

SUS SALVA BOLSONARO POR R$ 367,06

Quando as equipes do Sirio Libanês e do Albert Einstein chegaram a Juiz de Fora para disputar a honra de salvar Bolsonado, ele já estava salvo.

Foi atendido pela equipe da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. O cirurgião vascular Paulo Gonçalves de Oliveira Junior localizou e estancou a hemorragia. Vai receber do SUS R$367 pelo trabalho.

 

 

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

O atentado

“O Brasil, de certa forma, é o Museu Nacional. E Bolsonaro é o incêndio.”

Nada supera, no meu entender, a análise feita pelo Fernando de Barros e Silva na revista Piaui. O atentado divide a campanha presidencial em dois momentos – antes e depois de Juiz de Fora.

O autor teme de a violência aumente. Existe “perspectiva de que a agressão ao presidenciável venha desencadear manifestações assemelhadas.”

 

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Casada, adúltera e violenta

.

hhkhkh

Quem apanha não esquece.

 

.

Dia 7 de outubro tem eleição, uma eleição casada. Serão escolhidos presidente da República, governador do Estado, senadores, deputados. Em 1994, quando Fernando Henrique derrotou Lula pela segunda vez, o senador Pedro Simon avaliou: “Não foram eleições casadas; foram eleições adúlteras – as mais adúlteras da história!”

A traição foi geral. Fernando Henrique venceu onde o candidato do PSDB a governador perdeu. Lula perdeu onde o candidato do PT venceu.

A eleição tinha sido federalizada. A maior parte do dinheiro estava nas campanhas presidenciais. Os candidatos ao governo e ao congresso trataram de fazer suas próprias alianças. Era o descasamento.

*

Na eleição de 2018, além da federalização, há o efeito Lula.

Isolado em seus 15 metros quadrados da Polícia Federal, martirizado pelo Judiciário e pela grande mídia, o ex-presidente padece as pequenas maldades da juíza Lebbos, enquanto Aécio Neves e outros acusados disputam vagas ao Senado e à Câmara. O martírio, sabem todos, é o melhor atalho para a santidade. Lula poderá repetir  Getúlio Vargas, em 1946.

Do exílio de São Borja, o presidente deposto pediu ao eleitor para eleger o general Eurico Dutra, do PSD, contra o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN. O general era um poste. Tinha alguma experiência de caserna e nenhuma de palanque. Além disso dizia “voxeis” em vez de vocês. Conseguiu 55% dos votos contra 34% do adversário. Getúlio voltou e o resto está na história.

*

Existe ainda a questão da violência contra os professores. Saiu até no New York Times. Você não lembra em quem bate, mas quem apanha não esquece o agressor. Naquela tarde rude e perigosa subiram no palanque dos professores Gleise Hoffman, Roberto Requião e a vice-prefeita Miriam Gonçalves. Não se sabe em que medida a memória da batalha do Centro Cívico beneficiará os três.

Ou, pensando no outro lado, ninguém avalia quanto as fotos prejudicarão as candidaturas de Beto Richa, Cida Borghetti, Fernando Francischini. E talvez de Ratinho Júnior, que era secretário de Beto e ficou na dele. Um pedido de demissão naquela hora valeria hoje uns cem mil votos.

O eleitor talvez não lembre outros personagens agora candidatos. Michelle Caputo era Secretário da Saúde, Flavio Arns, Assessor de Assuntos Estratégicos e Silvio Magalhães Barros, Secretário de Planejamento.

.

hhkhkhkh

O MP abriu inquérito. Sobrou para o comandante da PM, que se demitiu.

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Sobre duas rodas é melhor.

.

hjhjhjh

Obras por toda a parte. É a super highway das bicicletas. (As fotos são do autor.)

 

.

Cycles Super-highways são rotas ciclísticas que correm da periferia para o centro de Londres. As bicicletas seguem em canaletas próprias, separadas dos automóveis e caminhões,  cortando toda a cidade. Um caminho seguro e mais rápido para chegar ao trabalho.

O prefeito trabalhista Sadiq Khan está investindo 770 milhões de libras, mais de quatro bilhões de reais, para melhorar a vida dos ciclistas. Quer transformar a bicicleta em meio de transporte “óbvio” para todos os londrinos.

A primeira parte, a Cycle Super Highway 5, está concluída.

Apesar disso, Rowan Moore, do Guardian, escreve que o projeto ainda é “uma supertarefa”.  As super-highways têm o potencial de mudar o espírito e o caráter da capital e de outras cidades que seguirem o mesmo caminho, bem como tornar o sistema de transporte delas mais limpo, mais saudável, mais seguro e capaz de lidar com a crescente pressão do número de passageiros.

Podem também – conclui Moore – provar que o antigo prefeito conservador Boris Johnson “foi capaz de fazer ao menos uma coisa certa.”

*

Johnson é ciclista, pertence à subcategoria dos que gostam da emoção. Enfrente carros e caminhões no tráfego pesado do centro sem capacete. Se adotasse a proteção, explicou ao Economist, “seria denunciado como medroso, um vendido ao lobby da segurança.”

O antigo e o atual prefeitos sabem que o problema está nos velhos ônibus vermelhos de dois andares e nos taxis. São 8.300 veículos antigos espalhando dióxido de nitrogênio pela cidade. E 32 mil taxis também com motores diesel.

As bicicletas entram em cena 1) para acelerar a transformação das frotas poluentes por veículos elétricos e para descongestionar as ruas; e 2) para provocar brigas no trânsito porque as obras atravancam as ruas e retardam os automóveis.

.

gghghghg

Trânsito lento irrita os motoristas.

 

 

 

 

.

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Hora de tomar uma

.

jjkjkj

Coquetal no terraço do Tate Modern.

 

 

.

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

O parque é do bairro. Fecha na hora que a gente quiser

hhjhjhjh

Salvando o verde do centro da cidade.

.

EC1 significa  Easter Central post code área. (Há também EC2, EC# e EC4). Engloba Inslington e  bairros de classe média no norte de Londres. É central mas longe do centrão, aquelas ruas superpovoadas por multidões de turistas.

Fortune Street Park faz parte de uma dezena de parques semi-públicos administrados pelos moradores do bairro. São mantidos por instituições de caridade e pelo City Bridge Trust – braço bondoso da City, que é o centro da maior rede de paraísos fiscais do mundo.

O parque é semi-público porque, quando termina o movimento, um funcionário da instituição de caridade que o administra fecha os portões. A hora varia. Pode ser às seis da tarde no inverno ou às dez da noite no verão.

Fica ao lado do centro cultural Barbican, que todos admiram. Por perto há mercados, muito comércio de rua. Da EC1 é possível chegar à pé aos hotspots. E também há ônibus, underground, ciclovia.

Viver aqui não é barato, também não é caro. Os alugueis estão 10% mais altos que a média de Londres.

Os brinquedos são simples, atraentes, engenhosos. Adultos estão por perto. Conversam nas mesas de madeira rústica, abastecida de sucos, café e granola.

.

gghghghg

Os pássaros mais comuns por aqui são o rouxinol, o coleirinho e o picapau.

 

 

.

jjkjkjkj

Para o morador daquela casa ali, o parque é também quintal. O nome nasceu com o Fortune Theatre, do século 16. Contemporâneo do Globe Theatre, de Shakespeare.

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

A moda é ser paleo

.

gghghghg

Corredores largos, pé direito altíssimo..

 

Descobri que sou paleo no Whole Foods.

Paleo vem de paleolítico, gente que procura comer como o homem das cavernas – raizes, carne, peixe, nozes, castanhas e frutas.

O mercadão norte-americano invadiu a Europa e faz sucesso também entre veganos e onívoros.

Sete enormes espaços em Londres.

gghghghg

Gostei dos sofás.

,

 

 

 

,

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Um ano de amor e tragédia à beira do Tâmisa

.

 

gghghghg

“Le Reve” (O Sonho) foi escolhido para turbinar a publicidade da exposição. Nos anos 1930, jornais publicaram críticas que consideravam o quadro priápico e inaceitável. O tempo passou. “Le Reve” continua priápico, mas deixou de ser inaceitável.

 

.

Para a maioria dos artistas plásticos, um ano de trabalho fornece material para povoar uma sala de exposição. No maximo.

Picasso foi uma exceção a essa regra. Há mais de 100 pinturas, esculturas e desenhos em sua exposição “Picasso 1932 Amor, Fama e Tragédia”, que atrai grande público ao Tate Modern, à beira do Tamisa. (tate.org.uk).

O material exposto é só uma fração do que foi produzido naqueles 12 meses e vem acompanhado de farto arquivo de documentos – uma conta do açougueiro, foto do algum de família, um manuscrito de Andre Breton.

A superprodutividade de Picasso em 1932 foi atribuída à sua paixão. O affair com Marie-Thérèse Walter – ele 50, ela 22 anos –  exacerbou a criatividade e instigou novas investigações formais.

Laura Cummings, do Guardian, avalia que a atividade intensa, que resultava em até três óleos no mesmo dia, imagem dando origem à nova imagem, é uma revelação sobre o método criativo do espanhol. Suor e inspiração, “o pincel movendo-se em torno do corpo da amante como uma língua ou mão.” Quem tiver um tempinho deve ler o texto dela. É afiado, mistura de bom jornalismo e crítica aguçada.

Tudo mudou depois do ano de 1932. O fascismo dominou a Europa. Marie-Therèse adoeceu gravemente depois de nadar na água contaminada do rio Marne. Um outro Picasso nasceria da tragédia.

*

A exposição foi primeiro apresentada no belo Museu Nacional Picasso de Paris  (5, rue de Thorigny). Circula pela Inglaterra, talvez vá aos EUA. Um dia chegará aqui.

.

 

hhjhjh

Picasso aos 50 anos declara: “Jamais farei arte para servir interesses políticos, religiosos ou militares”.

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário