“Pensem nas nossas crianças”

O carro de som está sem serviço para segunda-feira. Terminou a greve das educadoras.

Corajosas, suportaram a chuva, aceitaram sem reclamar a longa fila do xixi. Havia apenas seis banheiros químicos.

Algumas dormiram em barraca, outras trocaram o almoço por um pão de queijo no Shopping Mueller. Mas três dias de greve foram a conta para a maioria. Na hora de decidir uma moça pediu o microfone.

-Gente, agora eles já sabem do que a gente é capaz. Agora, por favor, vamos votar pensando nas nossas crianças, que ficaram em casa sem mãe esses dias.

Suspensa a greve, as crianças vão passar o domingo com as mães.

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Olho em volta, leio o jornal, sinto o perigo: A indignação do povo é aquela mesma de 1989

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Collor e lula, os cavaleiros brancos de 1989

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O personagem do momento poderia ser o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato como responsável pela lavagem de 10 bilhões de dólares. É o mesmo do Escândalo do Banestado, de 2005.

Ou Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Ele foi preso em casa na manhã de quinta-feira por ocultar provas da Justiça e também deve ser investigado por corrupção passiva.

Ou o diretor internacional da estatal Nestor Cerveró, autor do resumo técnico que orientou o Conselho na compra da refinaria de Pasadena. (US$800 milhões de prejuízo para a Petrobrás).

Ou a própria Presidenta Dilma Rousseff, que admitiu ter decidido o negócio baseada em documento falho – e chamou para si os holofotes da mídia indignada.

Ou – olhando para o outro lado – os governadores Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, que administraram o estado mais rico do país e compraram trens de metrô superfaturados da alemã Siemens, que denunciou a maracutaia em troca de tratamento diferenciado pela justiça brasileira.

Ou o governador Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, que vai entregar o Estádio Mane Garrincha ao custo de 1,6 bilhão (mais de 22 mil reais por assento), quando o orçamento original era de 700 milhões e o TCU já achou 498,7 milhões de superfaturamento.

Ou o ex-governador Eduardo Azeredo, de Minas Gerais, acusado de peculato e lavagem de dinheiro para ganhar a eleição de 1998.

Ou a governadora Roseana Sarney, responsável no mínimo por omissão pelo massacre no Complexo de Pedrinhas, onde presos foram decapitados em motim e forneceram ao mundo a imagem dos criminosos jogando futebol com suas cabeças.

É muito vilão para nossa pobre dramaturgia política.

Pior, os escândalos se repetem há décadas.

Lembra do caso da Ferrovia Norte-Sul, no governo Sarney? A licitação ia ser fraudada, conforme denunciou Janio de Freitas na Folha de S. Paulo, através de um anunciou classificado cifrado.

A concorrência foi suspensa, e os responsáveis nunca foram punidos, como não foram para a cadeia os culpados pelo Caso Banespa, ocorrido pouco antes. Em 1988, o Brasil indignou-se porque o presidente José Sarney escapou do impeachment e de nove acusações feitas pela CPI da Corrupção.

Meses depois, o Instituto Vox Populi faz uma pesquisa nacional que permitiu ao sociólogo Marcos Coimbra informar a seu primo Fernando Collor que, sim, havia lugar para ele entre os candidatos à Presidência da República.

A opinião pública elegera a corrupção como o problema nacional mais grave. Os eleitores estavam dispostos a votar em alguém realmente revoltado com os malfeitos. (Pois existem pulhas moderadamente revoltados). O jornalista Mario Sergio Conti, em seu livro “Notícias do Planalto” escreve:

“Dois terços dos eleitores queriam alguém indignado com a roubalheira. Que tivesse ímpeto e energia para tirar o Brasil do subdesenvolvimento. Que fosse corajoso e não entrasse no jogo tradicional da política. Não pertencesse ao esquema de poder e tivesse um passado limpo.”

Deu Collor na eleição de 1989. Como poderia ter dado Lula, também visto como honesto e corajoso. E até Afif Domingos, se não perdesse o discurso (e ficasse sem dinheiro) no meio da campanha.

O drama da política brasileira é exatamente esse. Os enredos se repetem. O eleitor, tonto de tanta corrupção, vota errado de novo.

Eis o caveat: há no imaginário popular espaço para um novo herói em seu cavalo branco, que jure acabar com os malfeitores.

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O Prefeito Sumiu

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Não teve acerto. Mais uma noite no acampamento.

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Às 19h14min o site do Sismuc publicou uma nota com esse título: “O prefeito sumiu”

“O prefeito Gustavo Fruet não apareceu a mesa de negociação convocada hoje. Desde as 15 horas dentro da Prefeitura, a comissão não foi recebida pelo governante. Em virtude disso, a greve segue mantida. A continuidade foi aprovada por unanimidade.

Uma nova assembleia extraordinária ocorre amanhã, a partir das 15 horas, em frente à Prefeitura de Curitiba.”

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Também às 19h14min, o site da Prefeitura publica a “Carta aos Educadores”. Nela, a Prefeitura diz que é impossível reduzir a jornada de trabalho deles de 40 para 30 horas.

” Em uma conta rápida, com os salários atuais, isso representaria cerca de R$ 200 milhões por ano, sem considerar os demais reflexos financeiros. Ou seja, seria criado um gasto extra de aproximadamente 20% do orçamento da educação.”

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As amarelinhas cercam Fruet

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Não vai parar!, gritam as educadoras

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Se for verdade o que diz a Prefeitura, a greve das educadoras vai parar. Dos 199 CMEIs de Curitiba, apenas 16 (8% do total) permaneceram fechados na tarde dequinta-feira. As 1.936 grevistas (no total são 5 mil funcionários) terão que fechar o acampamento em frente da Prefeitura e voltar para seus CMEIs. Lá continuarão cumprindo 40 horas semanais em troca de um salário desse tamanhinho.
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Greve, turno da noite.


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E dai? Dai a vida continua. Haverá epidemias de pediculose e escabiose, invasão de escorpiões, falta dágua. Como de costume. Mães reclamarão que os filhos não foram bem cuidados.

Mas, se for verdade o que diz o Sindicato dos Servidores da Prefeitura, a greve não vai parar. Gustavo Fruet e o governo municipal continuarão cercados pelas amarelinhas, lideradas pelo carro de som da CUT. Os sindicalistas garantem que o movimento é um sucesso e vai continuar porque é garantida pela súmula 316 do Supremo Tribunal Federal.

O Sindicato diz que a Prefeitura não cumpriu o compromisso de corrigir distorções salariais, o pagamento da hora-atividade de 33%, a jornada de trabalho e investimentos na formação do educador.

E os dois lados continuarão ignorando a necessidade de planejar a educação a partir da criança e não a partir dos próprios umbigos. A fila de espera por uma vaga nas creches de Curitiba hoje é de dez mil crianças. Tem que ser atendida, isso é primário. Mas também devem ser atendidas as exigências de qualidade no cuidado e no ensino.

Devíamos estar tratando disso desde 1977, quando foram criadas as quatro primeiras creches municipais em Curitiba, na Vila Camargo, Vila Hauer, Xaxim e Jardim Paranaense.

Os funcionários eram contratados pelo regime da CLT. Só em 1985 houve concurso público para funcionários com atuação nas creches. Nesses 30 anos Curitiba discutiu regime de trabalho, salário, garantias e ignorou as urgências da educação infantil.

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Curitiba tem novos módulos móveis da Guarda Municipal

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A Prefeitura está investindo em publicidade.

Para avisar os curitibanos sobre isso que está ai acima: Curitiba tem novos módulos móveis da Guarda Municipal.

Não sei exatamente a importância do aviso. Ou se módulo móvel é a mesma coisa que aqueles carrinhos com dois guardas dentro.

Para descobrir não adianta ler o anúncio de página inteira veiculado no jornal.

Ele diz: “Saiba tudo o que está acontecendo com a nossa cidade. Acesse facebook.com/PrefeituraMunicipaldeCuritiba.

E o site curitiba.pr.gov.br/curitibaagora.

Ah, bom. É só entrar no site.

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Elas voltaram

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Prefeito, a culpa é tua

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As crianças estão sem aula. As professoras gritam na passeata: “Prefeito, a culpa é tua!”

Antes de dar palpite sobre a nova greve dos professores, convém dar uma lida sobre o que se escreveu a respeito da responsabilidade do Estado com o ensino. Agora e no passado.

Em 1898, o escritor de Boston Thomas Wentworth Higginson publicou um livro de memórias intitulado Cheerful Yesterdays. Clique aqui para ler. Uma das lembranças que valorizou mais foi de estar deitado de bruços enquanto sua mãe lia para ele em voz alta. Para “as crianças de hoje que não têm esse privilégio”, escreveu, “devemos olhar com piedade”.

Esta parece ser uma das chaves do problema educacional – a pouca atenção que a família dedica hoje às crianças. No tempo de Higginson, a educação pública norte-americana não tinha o tamanho de hoje. O ensino dependia em larga escala de escolas paroquiais e das famílias.

Agora que a responsabilidade passou para os governos, é bom avaliar se as lições do passado podem ser ainda usadas. Há um livro da educadora Michelle Rhee Radical, Fighting to Put Students First que merece uma olhada. Vale US$21 na Amazon.

Filha de imigrantes coreanos, Rhee estudou em escola pública em Toledo, Ohio, durante breve tempo. Quando tinha nove anos, os pais a despacharam de volta para a Coreia, onde existe uma cultura de valorizar os bons e dar duro para que os maus alunos recuperem o interesse nas aulas.

Os estudantes coreanos são mensalmente avaliados e seus resultados, bons ou maus, expostos ao universo escolar. Lembra um pouco o sistema do velho Colégio Santa Maria, que classificava mensalmente os alunos, do primeiro ao último colocado de cada sala. Com o caderno escolar no bolso, o aluno de nota ruim seguia para casa, onde o aguardavam os comentários dos pais e às vezes dos irmãos mais velhos.

O sistema trazido pelos maristas é bom. Propõe colaboração entre a escola e a família. Pede que os pais procurem interessar os filhos na leitura, cobrem deles duas horas de estudo antes da TV e dos videogames.

Mas isso é assunto para a classe média. Os pobres não tem Google, têm mãe que trabalha e nem sempre sabe ler direito. Dependem de uma escola pública com biblioteca, computador, turno e contra-turno.

Como prometem os candidatos a cada eleição.

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Duas aulas de fotografia. A nossa ficou anônima

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Uma foto e um editorial.

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Os jornais costumavam dar crédito a repórteres e fotógrafos. Os editores se escondiam para não ofuscar o diretor-presidente da empresa e o chefe de redação, cujos nomes apareciam em um quadradinho de duas colunas na página 2. Agora, vejo no alto de cada caderno os nomes do editor executivo e do editor responsável, mas não acho o nome do autor da bela fotografia do jogo Paraná e Atlético, que a Gazeta publica na capa do caderno de esportes.

É uma foto e um editorial. Mostra no primeiro plano desfocado jogadores que disputam a bola, dando a entender que foi um joguinho; no segundo plano, o skyline do bairro Champagnat, antigo Bigorrilho; e no terceiro plano, absolutamente em foco, a fantástica lua cheia de domingo. Lua gorda, amarelada pelo filtro de poluição urbana, ampliada pela refração – uma aula de fotografia, de ótica e de ecologia. O professor ficou no anonimato.

O contrário aconteceu com o grande câmera americano Greg Toland, fotógrafo de Cidadão Kane. Antes de iniciar a filmagem, Orson Welles convidou Toland para passar um fim de semana em sua casa. Foram três dias em que o fotógrafo transmitiu ao diretor tudo sobre lentes e enquadramentos – inclusive o famoso plano picado que entrou na história do cinema. Outra informação valiosa, o deep focus, foco profundo. É uma invenção da escola realista de cinema. Os três planos ficam claros, focados, à disposição do espectador.

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A atenção da audiência é dirigida para a mãe. Ela assina documento em que abre mão do direito sobre o jovem Kane, que aparece do lado de fora, arremessando bolas de neve. Greg Toland era um gênio.

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Greg Toland recebeu todas as honras que merecia pela fotografia de Cidadão Kane. Ganhou o Oscar de 1941 – que em 2012 foi leiloado por 226 mil dólares. “Foi o melhor cameraman com quem jamais trabalhei”, Welles dizia sempre, “e também o mais rápido”.

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O suspeito

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A democracia está morta.

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A suspeita de que o comandante , Zaharie Ahmad Shah, sequestrou o Boeing 777 da Malaysian Airlines é fortalecida pela foto publicada hoje no Mail on Sunday.

Ele aparece com a camiseta onde está escrito Democracy is Dead.

O jornal inglês diz que Zaharie é um apoiador fanático do lider da oposição na Malásia, Anwar Ibrahim, preso por homossexualidade horas antes do desaparecimento do jato com 239 passageiros. A polícia revelou também que a mulher e os três filhos de Zaharie mudaram de casa um dia antes do vôo.

Um dia, o jornalismo vai reconhecer o muito que deve aos tabloides ingleses.

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As moças ao norte do Paço

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Em forma sem ir ao parque nem gastar com academia

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Keep fitted..

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Vou começar o Método BBC de manter a forma. Reune exercícios esquecidos, simples e criativos. (Parece que é o favorito da princesa Kate). É indicado em várias situações

a) em dia de chuva;

b) em dia sem chuva, mas com preguiça de sair;

c) quando a academia subir de preço

d) para vagabundos em geral.

Exercício 1 – Suba e desça a escada do prédio cinco vezes. Exercício bom não precisa tomar uma hora. Atividades curtas podem ser benéficas. A guru inglesa de fitness garante que subir escada por 15 minutos é bom. “É de graça, fácil e em pouco tempo a gente sente o pulmão e o coração trabalhando forte”.

Exercício 2 – Faça prancha. Olhando para baixo, braços dobrados em L, pernas retas, bunda alinhada com o resto do corpo. Por 30 segundos, três vezes por semana, vai dar um resultado fantástico para a musculatura do abdomem. Os ingleses chamam a região de “core”, o centro de tudo. Compreende todos os músculos profundos que conectam a parte de baixo com a parte de cima do corpo. O benefício inclui estômago sarado, melhor postura e fortalecimento da musculatura que sustenta a coluna.
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Só 30 segundos.


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Exercício 3 – Pegue o aspirador e limpe a casa. É exercício pesado de alta qualidade. Queima calorias e faz suar. Lavar o carro tem efeito parecido. Cortar a grama também. Essas atividades elevam o batimento cardíaco. A NHS, serviço nacional de saúde da Inglaterra, aconselha 150 minutos por semana.

Exercício 4 – Escreva o alfabeto com a perna. Sente na beira de uma cadeira e desenhe o alfabeto com seu pé, de A a Z. Primeiro a perna direita, depois a esquerda. Para fazer esse exercício não precisa nem desligar a televisão.

Exercício 5 – Crie um alarme antisedentarismo. Marque no relógio vários momentos do dia em que você vai se levantar e caminhar por cinco minutos. A dra. Lauren Sherar, especialista em atividade física e saúde pública na Loughborough University, adverte: ficar muito tempo sentado encurta a vida. “Levantar-se a cada 30 minutos é um objetivo fácil de atingir”.

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