Noite de gala pelos 30 anos da Sinfônica

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As casacas completaram o clima de festa pela volta dos concertos noturnos ao Guaira.

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O Guairão lotou para ouvir a Orquestra Sinfônica do Paraná nesta noite de quinta-feira.

E aplaudiu em pé a Sinfonia nº 1 de Jean Sibelius e o Concerto para Oboé e Pequena Orquestra, de Richard Strauss.

Por sinal, aplaudiu Sibelius mesmo nos intervalos entre os movimentos, sem constrangimento e sem culpa.

Um ou outro olhar de censura dos mais velhos foi solenemente ignorado, o que acho certo. Não há Glorinha Kalil para música. Consumir Strauss não é consumir escargot manejando aquele talher indecifrável. Se o coro da 9a. Sinfônia de Beethoven provoca entusiasmo na Ode à Alegria, por favor, batam palmas como em um show de Lady Gaga.

O grande crítico Alex Ross defendeu essa nova atitude do público em artigo para a revista New Yorker. Por que tanta seriedade? questiona ele.

Não é só pop star que nos emociona e lota o teatro. Há um público para música clássica, cultivado timidamente nas matinadas de domingo. Herdeiro daquele que frequentava o Teatro Hauer e o velho Guaira, na Doutor Muricy.

O segredo do sucesso é simples: bastante divulgação e a presença de duas estrelas da música erudita – o maestro José Maria Florêncio, regente da Orquestra Capella Bydgostientis, da Polônia, e o oboísta Alex Klein, que foi solista das orquestras Sinfônica de Chicago de Filadélfia.
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A gripe divide os brasileiros. Quem tem dinheiro, toma a vacina tetra. A maioria fica com a humilde tríplice

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Duas cepas tipo A, duas cepas tipo B. Você é um privilegiado brasileiro tetra.


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Feita na Alemanha.


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Pois é, você saiu feliz da enfermaria depois de receber sua dose de vacina contra a gripe. Então, leu os avisos da Organização Mundial de Saúde. Você perdeu 40% a 60% da felicidade, que é o grau de eficiência da vacina.

Apesar de vacinado, sua chance de pegar uma gripe ainda é alta.

Tudo bem, ninguém queria mesmo uma vacina 100% eficiente com todos esses vírus mutantes vagando por ai. Mas pelo menos o risco devia ser igual para todos. E não é.

A vacina que você tomou, a Fluarix Tetra, protege contra quatro cepas de vírus. Pena que só exista em clínicas particulares, a um custo que varia entre 60 e 100 reais por ela.

No posto de saúde, de graça, os brasileiros recebem a vacina tríplice.

Um pequeno consolo é saber que nos paises ricos tambem há injustiça. Os Estados Unidos estão vacinando este ano 150 milhões de pessoas – 77 milhões com a vacina tetra, ao “outros” com a tríplice. Meio a meio.

A chance dos “outros” contraírem gripe é teoricamente o dobro da sua. Mas isso não quer dizer nada – os “outros” andam por ai, dividem com você os elevadores e ônibus, as salas de cinema, as praças de alimentação.

É impossível separar os brasileiros padrão tetra, que são minoria, da massa de cidadãos tríplices. É evidente que, para diminuir o risco geral, todos precisam ser tetra.

Esses vírus H1N1 e H3N2 são justiceiros. Espalham-se pelo ar em toda parte, talvez para avisar que a grande solução para os problemas do Brasil é uma vacina contra a desigualdade.

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De noite, o freio na venda de ações. Que tal vender a dívida ativa?

Está no site da Gazeta do Povo:

“Richa desautoriza Costa e descarta venda de ações da Sanepar e Copel.

Secretário da Fazenda havia proposto negociar papéis das estatais para fazer caixa. Governador disse que não
fará isso”.

Engraçado que, com toda essa falta de dinheiro, o Secretário da Fazenda ainda não sugeriu a venda da dívida ativa, como fizeram outros Estados e municípios.

O Luis Nassif, no GGN, fez o levantamento de quem usa esse recurso para ajudar o caixa magro.

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Tudo por dinheiro

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O governo do Paraná tem 58% das ações nominativas, com direito a voto. Ainda dá para vender alguma coisinha.


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O governo do Paraná estuda vender parte das ações que possui na Copel e na Sanepar. A informação é do secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Machado da Costa.

As da Copel são mais valorizadas porque dificilmente desapontam na hora de distribuir dividendos.

A ordinária nominativa (CPLE3), que dá direito a voto, não está cara.

Valia 38,49 no pico de agosto de 2012.

Ontem, estava por 24,45.

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Livro celebra o trato digestivo. E é um sucesso

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Giulia Enders. Por enquanto, só em alemão.

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Giulia Enders, guarde esse nome. Você ainda vai ouvir falar muito sobre ela. Jovem (24 anos), faz doutorado na Universidade Goethe, de Frankfurt. Acaba de lançar o best seller Darm mit Charme, que pode ser traduzido como Charmosos Intestinos, e vendeu 200 mil exemplares em oito semanas.

No Guardian, o resenhista Philip Oltermann recomenda não classificar a obra como “livro para ler no banheiro”, principalmente porque não se deve ler livros no banheiro.

A autora discute o ato de defecar, a prisão-de-ventre e outros problemas do intestino, mas a mensagem é otimista. O trato gastrointestinal não é apenas o mais injustiçado órgão do corpo humano, mas “o mais importante conselheiro do cérebro”.

Giulia Enders lamenta que nós tenhamos tanto orgulho das complexas atividades do cérebro e do coração e consideremos o intestino como pouco mais do que um tubo vergonhoso que produz “pequenas coisas marrons e ruidos”.

Poucos sabem que só a última parte dos oito metros de intestino lida com fezes, que ele produz mais de vinte tipos de hormônio, contém mais de mil espécies de bactérias e é controlado por um sistema nervoso que só perde em complexidade para o cérebro. Os cientistas começam a explorar uma interessante hipótese: a saúde dos intestinos tem influência direta em nosso bem-estar, na motivação, na memória e no senso de moralidade. Mais do que o próprio DNA.

Abri um vídeo dela explicando essas coisas. Não sei uma palavra de alemão, além de Danke, mas entendi a mensagem. Essa Giulia é uma tremenda comunicadora.

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Na terra do não pode

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Receita para afugentar turista. Proiba tudo.

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Apareceu uma nova proibição no Bosque do Papa.

Agora não pode fotografar a casa de polaco que o Jaime Lerner deixou lá em homenagem aos bravos colonos que vieram para cá na segunda metade do século 19.

Não pode por que?

A Prefeitura quer ver as fotos nas redes sociais, compartilhadas no mundo inteiro.

Então, é ideia de quem?

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Sinal amarelo para o comércio. Hora de aparecer

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Vendas em baixa? Mexa-se. No Barigui, a loja Carmen Steffens contratou modelos para inspirar as clientes.


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Está no site da Associação Comercial do Paraná: “Número de lojistas cai pela primeira vez em dez anos”.

A queda nas vendas do comércio varejista, setor que exibiu taxas vigorosas de crescimento até pouco tempo atrás, está levando empresas a fecharem as portas. Pela primeira vez em dez anos, o número de companhias do varejo informantes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) diminuiu nos últimos 12 meses até março. Segundo cálculos da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a retração foi de 2,6%. No mesmo período, o volume de vendas do varejo ampliado – que inclui veículos e materiais de construção – recuou 3,4%.

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A Generoso, de novo

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Lojinhas.

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Falta alguém descobrir a praça Generoso Marques. Descobrir de verdade. Contar seus mascates, ouvir as histórias dos carrinheiros, registrar a vida difícil das putas – 18 horas de trottoir às vezes não chega para pagar a pensão e o restaurante de quilo.
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O pombo e a carrinheira

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Laurentino Gomes inicia uma trilogia da escravidão no Brasil

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A história completa da escravidão no Brasil, uma tarefa que Laurentino começa agora. e só vai concluir a partir de 2021.


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“A escravidão é proibida em todos os países, mas isso não significa que não exista mais. Hoje, cerca de 27 milhões de pessoas sofrem formas de tratamento que merecem a classificação de “escravidão” – tanto quando aqueles seres comprados e vendidos há 200 anos pelo comércio transatlântico de escravos. Muitas vítimas da escravidão contemporânea são jovens – da mesma idade dos alunos de escolas na Inglaterra e no País de Gales.”

As modernas formas de escravidão são destaque no Museu Internacional da Escravidão de Liverpool. É para isso que serve a História – para não se repetir hoje os erros do passado. No site, que faz parte do currículo das escolas inglesas e galesas, os alunos são estimulados a discutir porque direitos humanos fundamentais – incluindo aqueles das crianças e jovens – são diariamente desrespeitados por empresas e governos pelo mundo.

Por isso é bem-vindo o novo trabalho de Laurentino Gomes, jornalista, escritor e campeão de vendas: uma trilogia sobre a escravidão.

É bom que a escravidão seja definitivamente passada a limpo, para todo mundo entender; esmiuçada como foi a vinda de D. João VI ao Brasil, a independência e a república na trilogia anterior.

Basta digitar “escravidão no Brasil” para o Google informar que há uma abundante bibliografia sobre o assunto, que começa lá pelo século 16, quando o padre Antonio Vieira escreveu: “Sem negros não há Pernambuco” – e ganha cada dia maior importância.

Por que as estatísticas mostram que há doze negros presos para cada branco? E por que a TV noticia toda noite mortes de negros em “confronto” com a polícia?

Por que há tantos negros no chão-de-fábrica e tantos descendentes de europeus e asiáticos no andar da diretoria?

Parece que entender a escravidão é pré-requisito para compreender o que está acontecendo hoje no Brasil que ainda mantém salões e senzalas. E onde o Ministério Público do Trabalho vive denunciando casos de trabalhadores submetidos a regime semelhante à escravidão.

A divisão desigual da renda nacional e o Brasil-que-não-tem-mesmo-jeito resultam em boa parte do não pagamento da divida social com os descendentes dos escravos.

Pena que o trabalho de Laurentino não é para o mês que vem. Ele prevê os primeiros resultados lá por 2021.

Então, saúde!

P.S. – E o Brasil, quando vai fazer o seu Museu da Escravidão?

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Uber. Se eu fosse dono de uma frota de taxis teria muito medo dele

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Uber Taxi App In MadridNo começo era Uber Cab, o supertaxi, talvez para lembrar Ubermensch, o Super Homem de Nietzsche. Agora é só Uber, Em Nova York, Londres, Shangai ou aqui em Madri..

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A sigla amedronta os proprietários de taxis em muitos países.No Brasil, sindicatos e associações tentam na Justiça colocar o aplicativo fora da lei. Mas estrangeiro que chega a São Paulo ou ao Rio não quer outra coisa, até porque no Uber você pode exigir motorista que fale inglês.

O negócio é simples e lucrativo. Qualquer pessoa pode se inscrever com a Uber para dar caronas remuneradas. Se for aceito, ganha telefone com o aplicativo. Não mexe com dinheiro porque todos os pagamentos são com cartão de crédito. E só trabalha no horário que tiver disponível. Mas cuidado: se sua avaliação positiva, feita pelo cliente, cair abaixo de 93% você perde a credencial.

Em Nova York, declínio do taxi tradicional, aquele que você apanha na rua e paga a corrida de acordo com o taxímetro, é relacionado ao crescimento do Uber. Mas ainda há 13 mil desses taxis amarelos – os medallion taxis – na cidade. O que diminui a cada dia é o valor deles.

A licença de taxi chegou a custar 1,2 milhão de dólares cada. Era um grande negócio porque representava um ativo – como uma ação ou um obra de arte. Porém, melhor do que quadros ou ações, que só dão lucro na hora da venda, os medallions valorizavam-se com o tempo e davam lucro enquanto se valorizavam.

Até recentemente o valor da licença parecia ir numa única direção – para cima. Agora, o tombo é grande e a desvalorização parece não encontrar o fundo do poço.

No último outono, em Filadélfia, uma cidade que necessita desesperadamente de taxis nas ruas, a autoridade de trânsito autorizou a venda de 45 novas licenças – valorizadas pela capacidade de conduzir deficientes. Esperava vender por 475 mil dólares cada. Não apareceu ninguém para comprar.

Finalmente, a cidade conseguiu vender três licenças – a 80 mil dólares cada.

Como o negócio dos taxis fez muitos milionários – há frotas com 900 carros – era inevitável a pressão para controlar o Uber e outros apps. E inventar um “plano de salvação” para os donos do negócio.

O Observer de New York registrou um encontro secreto entre o presidente da autoridade do trânsito e o maior frotista da cidade. Do encontro emergiu uma autoridade cheia de preocupação com o futuro do negócio “que muito beneficia a cidade”.

-Há um novo ator disputando o mercado sem sofrer o rigor da regulamentação a que os madaillon taxis são submetidos. É preciso compensar os prejudicados – disse o presidente. –Revalorizar seus taxis, para sermos justos.

Espera ai – todo mundo diz que em New York, mais do que em qualquer lugar, funciona o mercado, a inovação, a livre concorrência.

É, geralmente funciona.

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