Mãe ou vaca?

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Desestimular a amamentação devia ser crime. Agora, pode virar um alto negócio.(A imagem é do jornal El Mundo, que falava mal das mães em 2011.)

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O New York Times está contando a história de Gretty Amaya, que há cinco meses tirou uma licença-maternidade não remunerada e iniciou um novo trabalho, que toma pouco de seu tempo e ajuda a pagar as contas. Ela vende o leite materno, que tem em excesso, e já faturou mais de dois mil dólares com isso.

Leite materno, informa o Times, está se tornando uma commodity de muito valor.

Empresas farmacêuticas exploram novas fronteiras da biotecnologia e descobrem cada vez mais subprodutos nele, que ajudam, por exemplo, a vencer infecções em hemofílicos.

Por conta do interesse comercial, começa a tomar corpo um movimento destinado a aumentar a oferta de leite materno no mercado. Como fazer isso? Desenterrando velhos fantasmas como o de que amamentar deixa a mãe “com os peitos caídos”. Eles já tiveram um momento de alta, na virada da década.

O jornal espanhol El Mundo ganhou a taça da campanha com uma capa que comparava as mães que amamentam a vacas leiteiras. A edição foi muito criticada.

Se a campanha retomar fôlego, os bancos de leite humano, que vivem de doações, vão ter problemas.

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A ópera diária e o nosso J. Peachum

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Doze horas por dia, sete dias por semana.

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Olho os mendigos mendigando pela cidade.

Muitos sentados sob a marquise. Alguns na rua, na contramão, no meio do tráfego. Imagino que em algum lugar de Curitiba mora nosso J. Peachum.

Como sabem todos os que leram ou assistiram à Opera dos Três Vintens, de Bertold Brecht e Kurt Weil, J. Peachum é um homem de negócios, presidente da organização Amigo do Mendigo Ltda.

Seu compromisso – a missão da empresa – é oferecer suporte de alto nível às atividades de mendicância, inclusive assistência jurídica, em troca de 50% do total arrecadado, que deve ser acertado semanalmente.

Com olho experiente, ele recebe, seleciona e treina aqueles que vão ocupar as melhores esquinas, para que a atividade mendicante produza o máximo lucro. É preciso justificar o investimento em muletas, próteses, cadeiras de roda, falsos olhos de cego, roupas andrajosas, cicatrizes horríveis de silicone, que aumentam a comoção dos povo e o tamanho da esmola.

Atenção especial é dedicada aos falsos carrinheiros, como o da foto.

Ele recebe a carroça, o cavalo, uma mulher bem magra, convenientemente pálida, e duas crianças. A esquina é boa, na Nilo Peçanha, uma das top ten. Por ali passam milhares de carros dirigidos por curitibanos e curitibanas de classe média alta, gente de índole caridosa, motivada pela mensagem que está em toda parte – É dando que se recebe.

Nosso J. Peachum, claro, é generoso com os homens da lei que em troca olham para o outro lado quando passam pela esquina do falso carrinheiro. Talvez seja também amigo dos tais conselheiros tutelares, que não levam as crianças para um abrigo, mesmo quando chove e faz frio.

E deve ser longa a lista de amigos do J. Peachum curitibano, pois também a FAS passa ao largo com seu carro de serviço.

E se alguém perguntar ao Falso Carrinheiro (agora com letra maiúscula) se ele não tem vergonha de explorar a boa fé do povo usando pobres crianças – ainda por cima crianças alugadas! – ele vai se indignar.

-Não tenho vergonha não, malandro, esse é o meu trampo. Por acaso estou pedindo comissão de 3% sobre seu contrato com o governo? Diga se sou achacador. Diga se aceito propina, se requeiro auxílio-moradia, se sonho com a PEC da bengala.

Respira fundo.

-Sou só um falso mendigo, cara. Mendigo doze horas por dia, sete dias por semana.

Dá outra paradinha.

-Sabe pra que? Pra sustentar toda essa corrupção!

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Democracia nas Américas

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Ninguém como Gore Vidal explorou a natureza da corrupção na vida pública e na vida privada.


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A sessão de quarta-feira na Câmara dos Deputados foi histórica. Cid Gomes disse aos deputados o que todos queremos dizer. Os 300 ou 400 que vestiram a carapuça de picaretas estavam muito engraçados. Se você juntar as melhores frases da tarde, terá um texto teatral de boa qualidade. Tipo Pirandello. Ou Brecht.

Se pesquisar a vida deles, o jeito como chegaram lá, o que fazer para manter o padrão de vida, talvez chegue perto dos melhores ensaios sobre política partidária.

Our form of democracy is bribery, disse Gore Vidal. Nosso modelo de democracia é o suborno.

Gore Vidal dedicou uma boa parte da vida a estudar a história dos Estados Unidos – e a maneira como, através de uma política obtusa baseada na doutrina da segurança nacional, os políticos de lá conseguiram transformar uma grande nação em império decadente.

Se tivesse nascido no Brasil, provavelmente escreveria um ensaio devastador sobre como os políticos daqui, através de variadas artimanhas – entre elas a falsificação de listas eleitorais, a compra de votos e a pulverização dos partidos políticos – conseguiram reduzir uma grande nação ao hai-kai do Millor:

“Viva o Brasil
Onde o ano inteiro
É primeiro de abril.”

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Coincidências?

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À Gazeta do Povo, o deputado Romanelli, lider do governo na Assembléia, diz que Luiz Abi ser defendido por funcionário seu é coincidência.

Não é, Romanelli. Coincidência é se o advogado fosse funcionário – por exemplo – do Tadeu Veneri, que está cobrando explicações sobre a prisão do primo do Beto Richa.

Na vida já é difícil encontrar essa coisa chamada coincidência. Em política é impossível. Tudo começa a fazer sentido na hora em que alguém é começa a depor.

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Vai pro Olho

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Na coleção apreendida há dez Guignard.

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A Polícia Federal apreendeu 131 obras de arte na casa do ex-diretor da Petrobrás Renato Duque.

Vem tudo para Curitiba.

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A falta que ele lhes faz (II)

20150316-034933.jpgNo meio do protesto, evidências de que a democracia brasileira está doente. (foto GGN).
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20150316-035031.jpgNão adianta perguntar se há gente com saudade da ditadura. A dúvida é se há muita gente com saudade dos anos de chumbo. (Foto GGN).

O Brasil está cheio de gente desinformada.

Um exemplo: o jornal coloca na manchete que há 1,2 milhão de pessoas na Avenida Paulista.

Mais tarde, um engenheiro fez a conta certa. A Avenida Paulista tem 2.500 metros de extensão por 40 de largura, incluindo a calçada. Multiplicando um pelo outro, dá 100 mil metros quadrados. Dez pessoas por metro quadrado é impossível. Então, os jornais diminuiram. Agora, no Fernando Rodrigues está a informação de que “segundo o Datafolha, São Paulo teve a maior manifestação política (210 mil pessoas) desde as Diretas-Já, em 1984.”

Entendeu, leitor? Era 1,2 milhão de manifestantes na manchete da hora. Agora, são 210 mil.

Esse número inclui todo tipo de radical, até os que pediam pena de morte e volta dos militares ao poder.

Além de números, a grande imprensa devia responder uma indagação objetiva: o que está acontecendo no Brasil, afinal de contas.

Achei uma explicação razoavelmente boa no Luis Nassif.

Ele diz que estamos assistindo a um estouro da boiada. Sem fundo ideológico. Sem orientação partidária. O estouro pelo estouro.

Porque há muita gente pagando imposto demais e vendo o governo trabalhar de menos. Todos os governos – Sarney, Fernando Henrique, Lula, Dilma.

Esses estouros de boiada, diz o Nassif, podem levar a um Hitler, a um Berlusconi ou a um Roosevelt, dependendo de quem conseguir dirigir os instintos da boiada.

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Curitiba e os automóveis

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Enfim, uma oportunidade para discutir desapaixonadamente nossos engarrafamentos.

A prefeitura de Curitiba promove, dias 9 e 10 de abril, seminário internacional sobre o uso do automóvel na cidade.

O objetivo é, segundo o site, “criar um mecanismo de interação entre os mais importantes “players” do uso do carro na cidade, o governo, a academia, a indústria e, por fim, a sociedade em geral.”
A grande ideia a ser debatida é o uso compartilhado do automóvel, assim como já é feito com a bicicleta.

Talvez dê para falar sobre o Citycar, inventado no MIT.
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Citycar. Não emite carbono e seis estacionam na vaga de um.

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A falta que ele lhes faz

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Conheço gente que lamenta a falta de uma direita no Brasil. Direita de verdade. Da pesada.

Esse pessoal não aceita FHC e os tucanos possam ser direita ou centro-direita. (FHC apareceu no jornal dizendo que é contra o impeachment de Dilma. Onde já se viu?)

Os tucanos são considerados ex-comunas oportunistas, defensores do socialismo chic. Agitadores da Rive Gauche.

Alguns tiveram que fugir em 64. Mas fugiram de Varig, alguns na classe executiva.

Os tucanos, segundo essas pessoas, deviam olhar novamente para a Europa.

Na Alemanha da Angela Merkel, os esquerdistas do SPD aliaram-se aos direitistas light da democracia cristã e hoje formam a maioria do parlamento. São 80%, maioria absoluta.

Com isso, a Alemanha consolidou sua posição de líder europeia e principal interlocutora dos Estados Unidos no novo esquema de forças, freios e contra-pesos, que inclui a China e a Russia e garante a estabilidade do mundo.

Só haverá problemas se a crise econômica a Europa atrapalhar o desenvolvimento alemão.

Ai, a direita voltará a ameaçar.

A direita hard alemã, por enquanto, é o pequeno partido nazista NPD (Partido Democrático Nacional da Alemanha). Formou bancada na Saxônia, vem elegendo deputados em outros Estados alemães e está disposta a continuar organizando manifestações como a marcada para 8 de maio, data do fim da Segunda Guerra Mundial, em memória dos soldados alemães.

Graças à crise, há partidos de direita crescendo na Europa. Itália com o seu Cinque Stelle e Beppe Grilo; a França com a sua Frente Nacional e Marine Le Pen; a Espanha com o Ciudadanos e Albert Rivera.

É assim que a política funciona. Primeiro, vem o desastre econômico, o desemprego, a desordem nas ruas. Depois aparece alguém dizendo que a culpa é da democracia e dos ladrões que florescem à sombra da liberdade de expressão e da igualdade de oportunidades.

Ai, alguém dá um golpe e fecha o congresso, prende corruptos e subversivos em nome da nova ordem. As classes médias aplaudem. Vale qualquer coisa para acabar com a corrupção e com a bagunça.

Até um Adolf Hitler.

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É mau gosto ou mal gosto?

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Panelaço é manifestação democrática.

Chamar Dilma de “vaca” é exemplo de mau gosto.

Aula do José Simão.

Escrever “mal gosto” é coisa de analfa.

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O julgamento

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Juizo Final, de Miquelangelo.

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Os fatos estão ai – ou ao menos uma parte dos fatos.

Sabemos os nomes de suspeitos por mais esta onda de malfeitos contra a República. Ninguém sabe se são todos culpados ou se são os únicos culpados – coisa em que ninguém acredita.

Trata-se agora de separar culpados de inocentes e descobrir o tamanho da culpa de cada um.

Não é o juízo final, mas talvez seja bom dar uma olhada no Padre Antonio Vieira, que em seu Sermão da Primeira Dominga do Advento revelou a porcentagem de bons e maus entre os hebreus. Como a humanidade não mudou substancialmente nesses milênios todos, é possível que a proporção seja a mesma.

“No reino das Doze Tribos, de três reis perdeu-se Saul, salvou-se Davi, de Salomão não se sabe. No reino de Judá, de vinte reis salvaram-se cinco, perderam-se treze, de dois é incerto. No reino de Israel foram os reis dezenove e todos os dezenove se condenaram.”

Estão aí as porcentagens.

Doze Tribos – 33% de condenações.

Reino de Judá – 65% condenados.

Reino de Israel – 100%.

Possível, não provável.

De Jerobão a Ozéias foram dezenove reis e dezenove condenados. Aqui, de Eduardo Cunha a Renan, de Gleisi a Anastasia, quantos serão os condenados?

O certo é que todos recebiam garantias constitucionais, a maioria gozava mordomias, favores, agradinhos.

Daqui a uns três anos, estima-se, poderemos seguir o conselho do nosso maior pregador e chamar um dos condenados a declarar como é isso de chegar lá em cima e cair em tentação. Como é que alguém decide ser leniente. Ou cobrar propina. Ou lavar dinheiro. Ou simplesmente embarcar em jatinho de empreiteiro para um fim de semana no Nordeste.

Como é isso, gente? Por que tantos se sentem autorizados a roubar o próximo e a República?

Respostas no Padre Vieira.

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