Dinheiro não é problema – problema é a falta de dinheiro.

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jkjkjkj O carro de som da CUT veio ajudar./
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“Ozo, ozo, ozo, prefeito mentiroso!”

Os funcionários da saúde reclamam o aumento prometido.

Não é uma grevezona. Mas pode ser a comissão de frente de outras paralisações.

Falta dinheiro na Prefeitura e falta ainda mais dinheiro do outro lado da praça, no Governo do Estado.

E também escasseia o dinheiro da Dilma.

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Mauro Sem Medo

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Vitória da austeridade.(Foto da Gazeta do Povo)

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O secretário estadual da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, veio para cortar despesas, como fez na Secretaria da Fazenda do município de São Paulo e na prefeitura de Salvador. Aos jornais afirmou: “Não tenho medo de enfrentamentos”.

A nomeação dele sinalizou uma virada do governo Beto Richa. Antes generoso, virou pão-duro primeiro, hoja está miserável. Conta tostões.

O resultado é a briga atual com os secretários encarregados de fazer despesas, como o Secretário de Comunicação. A saída de Marcelo Catani é exatamente isso – estava lá para gastar, Mauro Ricardo não deixou. Não adiantou lembrar que, durante muitos governos, esta foi a secretaria onde mais se investiu para garantir a popularidade do governo.

E em alguns casos o silêncio cúmplice da midia.

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Ônibus humano, linha Centro Cívico-Santa Maria

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A viagem começa com homenagem aos bravos garis que suspenderam a greve e recuperam a cidade.

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Sábado, 28 – Vamos, Leo e eu, testar uma nova versão de transporte escolar, o Pedibus, também chamado Onibus Humano. Essa espécie de coletivo imita o tradicional, só que, em vez de sentados, os passageiros vão a pé. As crianças seguem em grupo para a aula, guiadas por um adulto-motorista.

O trajeto é de pouco mais de três quilômetros, entre o Centro Cívico e o Colégio Santa Maria. A previsão do tempo diz que pode chover, pegamos o guarda-chuva e a garrafinha de água. Nosso ônibus é o das 12h30.
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A gaiola arrombada.


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A primeira parada é no Tribunal de Justiça. O jardim está mal cuidado. Há material de construção abandonado nos fundos. Numa árvore, uma gaiola de passarinho. O passarinho fugiu porque não há grades. Talvez uma metáfora sobre o estado atual da justiça e do sistema penitenciário.
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Grande Rogério!


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A segunda parada é muito bonita. Cinco minutos para admirar o mural sobre a história de Curitiba, do Rogério Dias. Aquelas índias…
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Habilidade necessária.


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Há meninos treinando andar de bicicleta de costas. Isso é bom. O país está virando um circo.
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Abandono.


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No Centro Cívico, ficou sem terminar o serviço no Edificio Caetano Munhoz da Rocha.
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Almoço de sábado.


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Em compensação, a Gastronomix está animada. Tendas no gramado e sob a marquise do Museu do Olho.

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Dirceu explica o parque aos italianos. .

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No Bosque do Papa, os turistas italiano rodeiam o pintor Douglas Krieger. (http://douglaskrieger.blogspot.com.br/) Na tela, vai aparecendo uma cabana de madeira construída para a visita do Papa João Paulo II. Está em mau estado, reclama Krieger, e ninguém faz nada para restaurá-la.
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Esperança.


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Mais adiante, na ciclovia, um muro instigador: “Novas soluções”.
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Ciclovia ampliada.


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Uma das novas soluções é a pista dupla da ciclovia.
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Milho para os peixes.


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Pescar no Belém sempre foi lazer barato. Aqui, o pescador usa grãos de milho como isca para as tilápias.
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Ainda tem gente que não sabe a causa do cheiro.


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O alambrado é para evitar desmoronamento das barrancas do Belém. Gentilmente, a Prefeitura manteve os canos que jogam esgoto doméstico diretamente no rio. No final da gestão Ducci, um relatório apontou 15 mil residências e comércios irregulares só no Belém Norte – a parte do rio que vai do Centro Cívico à divisa com Almirante Tamandaré.
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Por que não enterram os fios?


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Foi um sábado sem luz para milhares de moradores do São Lourenço. A Copel apareceu para o conserto sabendo que na próxima chuva vai haver nova interrupção de eletricidade. “Enquanto não enterrarem os fios vai ser essa rotina”, diz o encarregado.
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Assai, granola e banana.


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Chegamos ao São Lourenço, ao Santa Maria e ao assai. São 13h40. Uma hora e dez minutos de viagem, com 14 paradas.

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Melhor do que a revista de bordo

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O que levo para bordo?

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De hoje em diante, antes de embarcar em vôo da Germanwings, de sua co-irmã Lufthansa, ou da qualquer outra empresa europeia, convém reler o que está escrito no REGULAMENTO (CE) Nº 2027/97 DO CONSELHO EUROPEU, de 9 de Outubro de 1997, relativo à responsabilidade das transportadoras aéreas em caso de acidente. É a regra do jogo.

E prestar atenção ao trecho que fala das indenizações, no Artigo 3º

1 . a) A responsabilidade das transportadoras aéreas comunitárias por danos sofridos em caso de morte, ferimento ou qualquer outra lesão corporal por um passageiro em caso de acidente não está sujeita a quaisquer limites financeiros definidos por lei, convenção ou contrato.
b) Pela obrigatoriedade de seguro constante do artigo 7º do Regulamento (CEE) nº 2407/92, deve entender-se que as transportadoras aéreas comunitárias devem estar seguras até ao limite da responsabilidade exigida nos termos do nº 2 e limites superiores, até um nível razoável.

2. Relativamente a danos até ao montante equivalente em ecus a 100 000 DSE (*), uma transportadora aérea comunitária não pode excluir ou limitar a sua responsabilidade provando que ela e os seus agentes tomaram todas as medidas necessárias para evitar o dano ou que lhes foi impossível tomar tais medidas.

(Os 100.000 DSE correspondem a um valor próximo de 145 mil euros.)

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A parte saudável da vida em Piraquara

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O saudável hábito de defecar agachado. Ou cagar de aviãozinho.

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Alguns dos executivos mais bem pagos do Brasil, diretores e proprietários de empresas envolvidas no Lava-Jato, vão passar os próximos dias numa cela de Piraquara, onde em vez da privada tradicional há um buraco para defecar.

A notícia tem um lado mau e outro bom. O lado negativo é a vergonha que vão passar, olhando um para o outro naquele espaço onde não há porta, só paredes de cimento. O lado positivo é que isso vai fazer um bem danado para a saúde deles.

Vejam o vídeo, empresários indignados. Ele ensina a usinar e defecar corretamente, não sentado, lendo jornal, mas acocorado. Um dos médicos mais sábios de Curitiba, o doutor Moisés Paciornik, tinha um banheiro desses em casa.

Entre outras coisas, evita hemorroidas porque você faz menos força. A retenção de fezes é também uma das principais causas do câncer de colon. Olha ai o link:

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Na terra sem homens, um faroeste elegíaco

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Jones e Swank, missão quase impossível.

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Divida de Honra (The Homesman) pertence à categoria dos novos faroestes. Em vez de bandidos e mocinhos, temos um drama malthusiano. Com sinal contrário.

No Oeste em colonização faltam braços para a lavoura de milho, trigo e aveia. As más condições de higiene elevam a mortalidade infantil, que chega a 50 mortes por mil crianças nascidas vivas.

A heroína Mary Bee Cuddy (Hillary Swank) é uma poderosa personagem feminina. Mulher de muita fé em Deus e bastante sucesso na vida, possui duas áreas de terra em Nebraska, cavalos e burros para puxar o arado manual. Sozinha aos 31 anos, com boa saúde, procura marido e quer filhos para continuar o empreendimento.

Um dos pouquíssimo candidatos disponíveis, convidado para jantar e casar na mesma noite, recusa explicando que ela não é bonita e tem fama de mandona. Agradece e avisa que segue para leste à procura de esposa.

A maior parte dos moradores da vila parece concordar com ele. Tanto que o pastor local Alfred Dawn (John Lithgow) decide chamá-la para uma tarefa difícil: levar para Iowa, em carroção fechado, três mulheres que enlouqueceram e só podem ser atendidas lá longe, onde outro pastor metodista ofereceu ajuda.

Sozinha, Hillary não conseguirá fazer a viagem de cinco semanas, enfrentando índios e todo tipo de perigo. Numa das boas cenas do filme, salva um renegado George Briggs (Tommy Lee Jones) do enforcamento em troca de colaboração. O diálogo é ótimo.

George Briggs (montado no cavalo, com a corda no pescoço): Você é um anjo?

Mary Bee Cuddy: Você ainda não está morto.

George Briggs: Me ajude. Você me ajuda? Pelo amor de Deus!

Daqui para frente a história de Mary Bee e George Briggs ganha força. O crítico do Daily Telegraph diz que a atuação dos dois atores vai para a história do cinema. E o roteiro também, cheio de alternativas surpreendentes, filmadas nas belas planícies dos Estados Unidos, segundo o New Mexico Film Office (www.NMFilm.com), responsável por parte dos US$16 milhões investidos na obra.

(Aqui uma pausa para lembrar que, no primeiro governo Ney Braga, quando o Paraná tinha aquele dinheiro todo do café, surgiu a idéia de organizar uma entidade para estimular o cinema no Estado. Era o tempo do nascimento das empresas de economia mista – Sanepar, Codepar, a nova Copel. Um americano chegou a criar o slogan da companhia – Paraná, pine, prairies and pioneers!
Pena que não deu certo.)

Voltando à Divida de Honra, que recebeu 81% de críticas positivas do site de resenhas Rotten Tomatoes, convém informar que entre as loucas está Arabella Sours (Grace Gummer, filha de Meryl Streep, que interpreta a bondosa mulher do pastor metodista de Iowa). As outras são Theoline Belknap (Miranda Otto) e Gro Svendsen (Sonja Richter).

As cenas entre Meryl Streep e Tommy Lee Jones foram todas filmadas em um único dia.

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Mãe ou vaca?

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Desestimular a amamentação devia ser crime. Agora, pode virar um alto negócio.(A imagem é do jornal El Mundo, que falava mal das mães em 2011.)

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O New York Times está contando a história de Gretty Amaya, que há cinco meses tirou uma licença-maternidade não remunerada e iniciou um novo trabalho, que toma pouco de seu tempo e ajuda a pagar as contas. Ela vende o leite materno, que tem em excesso, e já faturou mais de dois mil dólares com isso.

Leite materno, informa o Times, está se tornando uma commodity de muito valor.

Empresas farmacêuticas exploram novas fronteiras da biotecnologia e descobrem cada vez mais subprodutos nele, que ajudam, por exemplo, a vencer infecções em hemofílicos.

Por conta do interesse comercial, começa a tomar corpo um movimento destinado a aumentar a oferta de leite materno no mercado. Como fazer isso? Desenterrando velhos fantasmas como o de que amamentar deixa a mãe “com os peitos caídos”. Eles já tiveram um momento de alta, na virada da década.

O jornal espanhol El Mundo ganhou a taça da campanha com uma capa que comparava as mães que amamentam a vacas leiteiras. A edição foi muito criticada.

Se a campanha retomar fôlego, os bancos de leite humano, que vivem de doações, vão ter problemas.

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A ópera diária e o nosso J. Peachum

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Doze horas por dia, sete dias por semana.

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Olho os mendigos mendigando pela cidade.

Muitos sentados sob a marquise. Alguns na rua, na contramão, no meio do tráfego. Imagino que em algum lugar de Curitiba mora nosso J. Peachum.

Como sabem todos os que leram ou assistiram à Opera dos Três Vintens, de Bertold Brecht e Kurt Weil, J. Peachum é um homem de negócios, presidente da organização Amigo do Mendigo Ltda.

Seu compromisso – a missão da empresa – é oferecer suporte de alto nível às atividades de mendicância, inclusive assistência jurídica, em troca de 50% do total arrecadado, que deve ser acertado semanalmente.

Com olho experiente, ele recebe, seleciona e treina aqueles que vão ocupar as melhores esquinas, para que a atividade mendicante produza o máximo lucro. É preciso justificar o investimento em muletas, próteses, cadeiras de roda, falsos olhos de cego, roupas andrajosas, cicatrizes horríveis de silicone, que aumentam a comoção dos povo e o tamanho da esmola.

Atenção especial é dedicada aos falsos carrinheiros, como o da foto.

Ele recebe a carroça, o cavalo, uma mulher bem magra, convenientemente pálida, e duas crianças. A esquina é boa, na Nilo Peçanha, uma das top ten. Por ali passam milhares de carros dirigidos por curitibanos e curitibanas de classe média alta, gente de índole caridosa, motivada pela mensagem que está em toda parte – É dando que se recebe.

Nosso J. Peachum, claro, é generoso com os homens da lei que em troca olham para o outro lado quando passam pela esquina do falso carrinheiro. Talvez seja também amigo dos tais conselheiros tutelares, que não levam as crianças para um abrigo, mesmo quando chove e faz frio.

E deve ser longa a lista de amigos do J. Peachum curitibano, pois também a FAS passa ao largo com seu carro de serviço.

E se alguém perguntar ao Falso Carrinheiro (agora com letra maiúscula) se ele não tem vergonha de explorar a boa fé do povo usando pobres crianças – ainda por cima crianças alugadas! – ele vai se indignar.

-Não tenho vergonha não, malandro, esse é o meu trampo. Por acaso estou pedindo comissão de 3% sobre seu contrato com o governo? Diga se sou achacador. Diga se aceito propina, se requeiro auxílio-moradia, se sonho com a PEC da bengala.

Respira fundo.

-Sou só um falso mendigo, cara. Mendigo doze horas por dia, sete dias por semana.

Dá outra paradinha.

-Sabe pra que? Pra sustentar toda essa corrupção!

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Democracia nas Américas

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Ninguém como Gore Vidal explorou a natureza da corrupção na vida pública e na vida privada.


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A sessão de quarta-feira na Câmara dos Deputados foi histórica. Cid Gomes disse aos deputados o que todos queremos dizer. Os 300 ou 400 que vestiram a carapuça de picaretas estavam muito engraçados. Se você juntar as melhores frases da tarde, terá um texto teatral de boa qualidade. Tipo Pirandello. Ou Brecht.

Se pesquisar a vida deles, o jeito como chegaram lá, o que fazer para manter o padrão de vida, talvez chegue perto dos melhores ensaios sobre política partidária.

Our form of democracy is bribery, disse Gore Vidal. Nosso modelo de democracia é o suborno.

Gore Vidal dedicou uma boa parte da vida a estudar a história dos Estados Unidos – e a maneira como, através de uma política obtusa baseada na doutrina da segurança nacional, os políticos de lá conseguiram transformar uma grande nação em império decadente.

Se tivesse nascido no Brasil, provavelmente escreveria um ensaio devastador sobre como os políticos daqui, através de variadas artimanhas – entre elas a falsificação de listas eleitorais, a compra de votos e a pulverização dos partidos políticos – conseguiram reduzir uma grande nação ao hai-kai do Millor:

“Viva o Brasil
Onde o ano inteiro
É primeiro de abril.”

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Coincidências?

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À Gazeta do Povo, o deputado Romanelli, lider do governo na Assembléia, diz que Luiz Abi ser defendido por funcionário seu é coincidência.

Não é, Romanelli. Coincidência é se o advogado fosse funcionário – por exemplo – do Tadeu Veneri, que está cobrando explicações sobre a prisão do primo do Beto Richa.

Na vida já é difícil encontrar essa coisa chamada coincidência. Em política é impossível. Tudo começa a fazer sentido na hora em que alguém é começa a depor.

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