Banda larga

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Bom dia. A semana começa com uma correspondência de antigo fornecedor de banda larga. “O pagamento de sua assinatura não foi identificado em nosso sistema”.

Fornece um número 0800. Explique-se.

Sei que agora o ônus da prova pulou para o lado de cá. Que bom que posso me explicar. Ligo.

Uma voz de computador informa: “O número discado não existe”.

Tento do celular. Outra voz: “O telefone que você está usando não está cadastrado. Por favor, cadas…”

A voz some. Cadastrar onde? E se não cadastrar, agrava-se a culpa?

A denúncia provavelmente faz parte de uma delação premiada, qual delas? Pelas novas regras, ao renegociar o pagamento do que deve, o cliente terá desconto se apontar o nome de outros inadimplentes. Como Josef K, serei detido certa manhã sem ter feito mal a ninguém.

Detido e interrogado. “Por que não pagou a conta da banda larga?” Paguei, doutor; paguei e me mudei para outra operadora.

“Por que não avisou através do formulário M3?”

Preenchi e enviei para o email da cobrança. “Mas ele não foi recebido. Você tem o protocolo de recebimento?”

Não tenho.

“Eis a prova de que o formulário com o pedido de baixa de sua conta de banda larga não foi recebido. Se não foi recebido, não foi enviado. Você está mentindo! Isso é mau. Já ouviu falar em Guantanamo?”

O outro interrogador – sempre há um bonzinho e um mau – intervém.

“Você devia pedir para falar com seu advogado.”

Posso falar com meu advogado?

Fui autorizado a chamar o advogado. Há 12 horas e meia esperamos, o advogado e eu, pela voz do lado de lá da linha. Até que ela fala.

“Obrigado por ter ligado. Nossos atendentes estão ocupados neste momento mas logo um deles falará com você.”

Vou esperar. Não como um reu impaciente, mas conformado com o admirável mundo hightech que rege esta Sereníssima República.

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Por que é bom ser rico? Porque rico não paga imposto

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O Nobel de Economia Joseph Stiglitz garante: “É absurdo dizer que os ricos são excessivamente taxados.”

Patricia Cohen, do New York Times, foi verificar o que aconteceria se os muito ricos pagassem um pouco mais impostos. Fez a contas.

Nos EUA, o 1% superior (um milhão e 130 mil famílias com renda anual acima de 2,1 milhões de dólares) paga de imposto um terço de sua renda. A conta inclui impostos diretos e indiretos, previdência etc.

O grupo 95%-99% paga em média um dólar em cada quatro.

Abaixo deles, na metade inferior, o imposto é de menos de 10%.

Quanto é possível arrecadar pedindo aos mais ricos que paguem um pouco mais?

Se o imposto total subir para 40% a arrecadação aumenta 157 bilhões.

Se 45% – 267 bilhões. Mesmo incluindo impostos estaduais e locais, cada família levará para casa 1 milhão. Dá para manter as mordomias.

O top 0,1% representa 115 mil famílias. Renda média indecente de 9.4 milhões. Um total de 40% de impostos produziria 55 bilhões de receita extra.

Isso paga o custo de todos os cursos superiores dos EUA.

Se cobrar 45% desse grupo privilegiado, dá 109 bilhões. Dá para oferecer ajuda de 2.500 dólares a cada criança do ensino básico.

O top 0.1% possui 20% da riqueza nacional. Nos anos 1970, esse grupo tinha 7%.

O economista Thomaz Piketti sustenta: “A redução espetacular do imposto dos ricos é responsável pelo aumento da desigualdade.”

Ganhos de capital são taxados em no máximo 23.8% – é problema, diz Piketty. 70% dos ganhos de capital vão para o top 1%

Stiglitz: A lei dos EUA não distingue investimento no exterior, especulação em imóveis ou construir uma nova fábrica.

Devia dizer: Te dou uma dedução generoso se você investir aqui.

Só essa mexida nos impostos sobre capital pirata e rendimentos geraria 1.34 trilhão de dólares nos próximos dez anos.

No momento, as regras fiscais subsidiam a desigualdade. Lá e aqui.

No Brasil, um relatório do CPP do Insper comenta:

A desigualdade de renda continua sendo muito alta no Brasil. Na média, os 10% mais ricos ganham 40 vezes mais que os 10% mais pobres. Essa diferença ainda é muito alta se compararmos com outros países.

Por exemplo, se fizermos a mesma análise nos Estados Unidos, a diferença entre os ganhos é de 15 vezes. Na França e no Canadá a distância entre rendas da camada mais rica e da mais pobre cai ainda mais e é apenas 10 vezes maior.

 

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Pergunte por que é dura a vida dos corruptos na China

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Jiang Jiemin, alto funcionário do PC chinês, dirigia a maior companhia de petróleo e gás do país. Foi apanhado pegando propina. Recebeu 16 anos de prisão.

 

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A resposta é simples. Porque a justiça criminal, nos casos de corrupção, termina na segunda instância. Exatamente como o doutor Moro está sugerindo em suas palestras.

Além de processos industriais e técnicas comerciais, brasileiro que vai à China devia perguntar como funciona o Código de Processo Penal deles.

A corrupção no serviço público é tratada sem misericórdia. Um funcionário público que exige ou aceita propina está sujeito a punições que começam com a prisão e vão até a pena de morte, além do confisco de bens de acordo com o valor do suborno.

O mais importante, porém, é que a lei pune com o mesmo rigor a corrupção ativa. As penas vão de detenção até prisão perpétua.

Nas empresas privadas os critérios são também rigorosos. O funcionário corrupto pode ser preso ou condenado à morte. O corruptor está sujeito à prisão perpétua e ao confisco de bens pessoais.

Os exemplos são muitos. Achei na internet uma apresentação de Michelle Gon, da empresa Baker & McKenzie, de Shangai, com alguns casos.  Pi Qiansheng, ex-diretor do Tianjin, um centro de computação em Binhai, foi acusado de receber o equivalente a 1,1 milhão de dólares em propinas. O julgamento começou em junho de 2009 e terminou em agosto com uma sentença de morte, além de confisco de todas as propriedades. A pena de morte teve um adiamento de dois anos – o que naprática equivale a uma prisão perpétua –  para permitir que eventuais novas provas beneficiassem o réu.

Veja mais em http://www.bakermckenzie.com/files/Uploads/Documents/North%20America/GlobalCitizenship/pn_na_antibriberylawsinchina.pdf

O art. 10 da Parte Geral do Código de Processo Penal da China talvez mostre a diferença essencial entre o Direito de lá e o do Brasil. Ele diz: “Article 10 Ao julgar, o Tribunal do Povo deve aplicar o Sistema pelo qual a segunda instância é final”. Quer dizer: para o criminoso não existe STJ nem STF. Corrupto condenado em segunda instância (como sugere o Juiz Moro) não tem mais a quem recorrer.

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Luxo, pero no mucho

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Esse quartinho fica ao lado do Arco do Triunfo e da Avenida Champs Elisees.

 

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Há gente roida de inveja porque, em viagem a Xangai,  Beto e Fernanda Richa passaram o fim de semana em Paris, hospedados no Hotel Napoleon.

Também viajam por conta do Tesouro do Estado o assessor Eduardo Pimentel Slaviero e o presidente da Agência Paraná de Desenvolvimento, Adalberto Netto.

O Hotel Napoleon é um cinc etoiles e os políticos andam preferindo acomodações menos estreladas. O momento sugere economia. Outro dia, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, voltou da Europa de classe econômica.

Na verdade, o Napoleon é chic mas não inacessível. No site hoteis.com achei um quartinho simpático por apenas R$1.004 a diária.

Uma pesquisa rápida mostra que o hotel não é uma unanimidade, como o Ritz. Entre as avaliações de hospedes recentes encontrei esta, da brasileira Antonia C.S.: “A reserva foi para 2 quartos, um estava bom o outro estava péssimo, muito menor, cheiro insuportável, inclusive trocamos o quarto pagando a diferença para uma suite.”

Simulei um fim de semana na suite Josefine. Deu mais de mil euros. Por dia.

 

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O que é mais uma traiçãozinha para o inventor de Bentinho e Capitu?

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Bem exposto em Londres, na entrada da Waterstone Picadilly.

 

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No site aparece a informação de que Dom Casmurro foi traduzido para o inglês: Helen Caldwell, London: W.H.Allen, 1953. Trad. Helen Caldwell, New York: The Nooday press., 1953. Trad. Helen Caldwell, New york: The Nooday press., 1960. Trad. Helen Caldwell, Berkeley: University of California, 1966.

Na nova edição da tradução de Helen Caldwell (que também traduziu Esau e Jacó) e Elizabeth Hardwick, foram mantidos alguns cochilos da edição anterior. Logo no início, o personagem vai da cidade ao Engenho Novo (que o asterisco explica ser um new sugar mill no subúrbio do Rio), no Brasil Central.

No original, ele volta para casa no trem da Central do Brasil.

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Logo na primeira página.

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Sair do Couto só morto!

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Patrimônio não se vende; patrimônio se administra, se acrescenta, se valoriza para as gerações seguintes.

Lembro desse conselho ao ler na pag.2 do combalido caderno de esportes da Gazeta: “Coxa informa prefeitura sobre “novo Couto”.

Convem corrigir. Não foi o Coxa, mas o vice-presidente Alceni Guerra que achou de chegar no Gustavo Fruet para contar dos quatro projetos para substituir o Couto.

Primeiro, derrubar o atual e construir um novo, o “mais moderno do Brasil”

Segundo, construir em outro lugar, talvez no Pinheirão. Terceiro, fazer parceria com o Atlético e jogar na Arena da Baixada. Quarto, parceria com o Paraná.

Achava que o Alceni entrou na diretoria para ajudar o Coxa a chegar aos 45 pontos e esquecer a segunda divisão.

Foi naquele domingo, 6 de janeiro de 2009. Bastava uma vitória simples no Couto e o Fluminense iria para a Segundona. Mas teve o gol de Fred aos 26 min e foi pouco o gol de Pereira no final porque o Botafogo havia ganhou do Palmeiras por 2 a 1..

O Coxa caiu com Nei Franco, que está ai de novo. Não é mau técnico, mas não conseguiu injetar no time aquela energia que Cuca transmitiu ao Fluminense – quando entrou em campo, o Flu contabilizava 11 jogos de invencibilidade.

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Temos que garantir os 45 pontos. Ninguém quer ver de novo a torcida chorando, o estádio depredado, uns idiotas gritando: “Vamos para Santa Felicidade jogar pedra na casa do Cuca!”

O estádio precisa de umas reformas. Mas continua sendo o maior estádio de Curitiba e o mais bem situado. Tem transporte coletivo na frente e está a duas quadras da Estrutural por onde um dia passará o metrô. Nunca haverá metrô para a Baixada.

É bom lembrar o que aconteceu com clubes de muita história, que abriram mão de seu estádio.

O América do Rio tinha uma sede maravilhosa na rua Campos Sales, coração da Tijuca. Conta José Trajano, em “Tijucamerica”, da Editora Paralela: “A Sede do América tinha piscina – que chamávamos de banheirão – ginásio de esportes, salão de festas, bar que fazia cachorro-quente, a barbearia do Seu Joaquim, uma linda sala de troféus, salinha de cinema, playground e o estádio de futebol. Tudo pequeno mas muito charmoso.”

Em 1962 prometeram construir uma sede mais moderna, estádio melhor, grandes piscinas, no bairro do Andarai. O novo estádio distanciou o clube de sua torcida. Depois que saiu da Tijuca, o América só conquistou títulos menores. O estádio do Andarai deu lugar a um shopping em novo negócio imobiliário. Sobrou dinheiro para comprar um campinho no Município de Mesquita.

Hoje o América disputa a segunda divisão do campeonato carioca e não consegue vaga nem na série D do Brasileiro.

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Por isso, se depender de mim, sair do Couto só morto!

 

 

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Vim parar na praça

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Esculpida por Erbo Stenzel e Humberto Cozzo, a mulher nua representa a Justiça e foi projetada para ficar na frente do Tribunal do Júri. O jornalista e historiador Cid Distefani, que morreu há pouco, reclamava do desrespeito com a obra dos artistas.

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A Greve do Fumo e as leis da publicidade – inclusive a Lei de Gerson

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Alguns cartazes anti-fumo de 1980

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Publicidade é um negócio tão maluco que nem os marqueteiros sabem direito onde vai dar uma campanha. Erra-se por muitos motivos. Um dos principais é não investigar direito qual o subtexto do anúncio. Não interesse o que você diz, interessa o que o público entende. Há regrinhas que não podem ser ignoradas.

  1.  Você sabe exatamente o que está vendendo? Na pre-história do marketing descobriram que ninguém usava sabonete para ficar limpo – usava para cheirar bem.
  2. Você entendeu o momento? Se o mercado imobiliário está em queda livre, não adianta mostrar o luxo, a comodidade, a localização de um apartamento. Você tem que provar que dá para pagar o financiamento.
  3. Alguém lhe avisou que não se brinca com coisa séria? Veja o caso da campanha dos cigarros Vila Rica. O brasileiro médio tem horror de malandragem. Chamaram um jogador de futebol para dizer fumava Vila Rica porque gostava de levar vantagem em tudo e convidar: leve vantagem você também.

O governo do Paraná decidiu, em 1979, fazer uma campanha contra o cigarro porque o custo de atender pacientes de câncer de pulmão, de boca e de garganta, de enfisema e outras doenças pulmonares, era alto e continuava subindo. No Brasil, ao contrário dos Estados Unidos e Europa, as empresas eram livres para anunciar na TV, rádio, revista e outdoors – e, naquele momento, 35% dos brasileiros com mais de 15 anos fumavam.

A agencia P.A.Z. (Zeno José Otto, Desiderio Pansera e Nilson Machado) participou como voluntária da campanha. Sua missão: transformar em propaganda o discurso antifumo e estimular o Congresso, assembléias legislativas e câmaras municipais a votar leis proibindo fumar em locais públicos. Apresentou um material de qualidade excepcional, que invertia os argumentos das campanhas a favor do cigarro. Uma das peças usava o tema do Vila Rica. “Leve vantagem você também, certo?” E pedia para levar vantagem fazendo a greve do fumo.

As vantagens de parar de fumar foram explicadas por médicos – quase todos professores universitários –  em palestras em escolas, emissoras de rádio, nos Rotary Clubes e até no púlpito de igrejas. Lembro do doutor Amilcar Gigante, ateu e fumante, subir ao púlpito da Catedral Metropolitana para relatar sua experiência clínica com vítimas do cigarro. E do arcebispo d. Albano Cavalin explicando porque a Igreja é contra o fumo: “O corpo do homem é o templo de Deus. Quem suja as paredes do templo com resíduo tóxico do fumo está ofendendo o Senhor”.  As televisões veicularam comerciais de graça, algumas induzidas pelo coronel Waldemar Bianco, que era diretor do Ministério das Comunicações.

A campanha do Vila Rica era da agência  Caio Domingues & Associados, que havia sido contratada pela fabricante de cigarros J. Reynolds. A agência ficou quieta, mas a J. Reynolds foi para a justiça contra a Secretaria de Saúde do Paraná, que contra-atacou com uma representação junto ao Conar, órgão de auto-regulamentação das empresas de publicidade. Alegava que a propaganda era mentirosa ao afirmar que o fumante “leva vantagem”. As estatísticas de doenças causadas pelo tabaco mostravam que o fumante está em absoluta desvantagem por sonegação de informações sobre o produto que consome.

A briga iria até o STF se a gigante do tabaco não desistisse. O cigarro Vila Rica acabou retirado do mercado por estar associado à malandragem. Levar vantagem foi entendida pelo público como procedimento antiético, coisa de bandido. Surgiu a Lei de Gerson, ilustrada por pessoas que furam filas, ocupam vaga de deficiente e hoje aproveitam o diploma de deputado federal para ganhar dinheiro fazendo tudo que está descrito na Lava-Jato.

Outro dia anotei que o craque Gerson, agora comentarista de rádio, não considera o anúncio errado. Levar vantagem para ele era poder comprar um produto mais barato.

Anotei também que o consumo de cigarros entre a população acima de 15 anos caiu de 35% para pouco mais de 11%. Vantagem para o ministério e as secretarias de saúde.

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P.S. – Tudo isso foi lembrado ontem, na Secretaria de Saúde, quando os veteranos da Greve do Fumo se reuniram para avaliar os resultados de longo prazo da campanha do Governo do Paraná. Afinal, são 35 anos de persistência.

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Oscar Alves, Jayme Zlotnik, Michele Caputo, Adherbal Fortes.

 

 

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Um papa perfeito para o século 19?

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Sucesso com Obama não significa sucesso com os jornalistas.

 

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A viagem do Papa Francisco aos Estados Unidos foi um sucesso.

Ele disse quase tudo que o mundo queria ouvir. Criticou mansa mas firmemente a falta de atitude dos bispos norte-americanos com as mudanças climáticas. Desafiou os líderes americanos a superar a desigualdade social e a pobreza, a receber migrantes e imigrantes, a acabar com a pena de morte.

Sua autoridade humilde – sintetizada no abandono do palácio papal por uma acomodação menor no interior do Vaticana, a troca dos luxuosos sapatos roxos dos outros papas pelo discreto sapato preto – foi reconhecida como uma mudança nos ventos, um direcionamento do rebanho de Cristo para caminhos mais justos.

Sob aplausos, no Congresso, homenageou a ativista social Dorothy Day, que revelou ter praticado aborto, e foi colocada pelo papa na companhia de Lincoln e de Martin Luther King. Na ONU defendeu que as mulheres têm direito a uma boa educação em todos os países do mundo. Na Catedral de São Patrick o papa homenageou as freiras. “O que seria da Igreja sem vocês? Eu amo muito todas vocês!”

Apesar de toda a festa, houve vozes dissonantes, como a da colunista Maureen Dawn, do New York Times, que colocou esse título ácido em sua coluna deste domingo: “Francisco, o Papa perfeito para o século 19”. Ela sustenta que, enquanto não tratar de dois assuntos cruciais para as mulheres, Francisco será um Papa desconectado com o momento em que vivemos. Primeiro assunto: a ordenação de sacerdotes do sexo feminino. Segundo: punição contra o abuso sexual na Igreja.

A ordenação feminina é uma realidade nas outras religiões. Na Igreja Anglicana – e nada mais parecida com uma Missa católica do que uma Missa anglicana – sacerdotes do sexo feminino são ordenadas desde os anos 1970. Muitas foram ordenadas bispo. (Será bispo ou bispa?)

Leio no Guardian: “A Igreja da Inglaterra nomeou bispo uma segunda mulher. A Rev Canon Alison White é a nova bispo de Hull. O anúncio vem após a consagração em janeiro da Rev. Libby Lane como bispo de Stockport. White, de 58 anos, é casada com o Rev. Frank White, de 65, bispo assistente de Newcastle – é o primeiro casal de bispos da Inglaterra.

Em Israel, mulheres são ordenadas rabino. No Haaretz, encontro artigo do rabino Yehoshua Looks perguntando: “Por que judeus ortodoxos de Israel podem ordenar mulheres como rabinos e judeus da diáspora não podem?” (Leia mais em: http://www.haaretz.com/jewish-world/rabbis-round-table/.premium-1.661807) O rabino Looks comentou semicha (ordenação) a que assistiu no Centro Ortodoxo de Jerusalem para quatro novos sacerdotes, dois rabinos e duas rabbas, o feminino de rabino. O exemplo pode ser seguido por outras comunidades pelo mundo.

Looks comenta a reação do rabino Helter quando um fiel questionou:

“Pelo que ouço, você está dando semicha a mulheres”.

“Não, estou dando semicha a pessoas.”

E o bom papa Francisco, quando vai ordenar pessoas do sexo feminino?

 

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Robert de Niro e a inferência negativa

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Vim falar do filme

 

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Robert de Niro abandonou uma entrevista na Inglaterra alegando ser vítima de “inferência negativa”. De Niro não gostou da sugestão feita pela entrevistadora de que Tribeca, o festival de cinema de Nova York de que é co-fundador, “está dominado por banqueiros.”

O raciocínio da jornalista era o seguinte. A) Tribeca (Triangle Beyond Canal, tradução: Triângulo Além da Canal Street) é uma região no sul da ilha de Manhattan, ao lado de Wall Street. B) Wall Street é o antro do capitalismo mundial. C) Logo, Tribeca e seu festival existem para ajudar bancos que precisam de boa imagem pública.

A inferência depõe contra o festival, que perde o caráter artístico e se transforma em instrumento de relações públicas dos banqueiros cúpidos que quebraram o mundo em 2008.

Mas a inferência depõe mais ainda contra a jornalista, que convidou De Niro para dar uma entrevista sobre o filme que acaba de lançar e mudou de assunto.

Outro dia, Robert Downey Jr fez a mesma coisa com um apresentador de televisão que perguntou sobre sua história com as drogas. Tinha ido lá falar sobre cinema.

O jornalismo brasileiro vive à base de inferências negativas. Por exemplo: A) a CPMF é um imposto. B) O brasileiro paga muito imposto. C) Portanto, o Brasil não precisa da CPMF, carece de governo que administre bem o dinheiro arrecadado. Silogismo perfeito, mas falso.

A CPMF não é só um imposto, é um modo de controlar a movimentação do dinheiro. Cada vez que alguém passa um cheque, paga uma conta com cartão de crédito, compra dólar na corretora, o computador gera uma informação que vai parar no Banco Central.

Então, a CPMF serve para controlar o giro do dinheiro e identificar o caixa dois. É disso que os caras têm medo.

Deve-se inferir que os caras são corruptos? Não necessariamente. O Brasil ficou tão complicado que há muito comerciante e industrial ameaçado de quebrar porque pegou financiamento em dólar para expandir o negócio. Agora depende da nota calçada – aquele expediente de vender 100 pares de sapato e só registrar 40 na nota fiscal. Para continuar sonegando precisa pagar pedágio ao fiscal corrupto da receita estadual, que o chama de “cliente”.

E – agora a inferência é correta – este é o problema.

 

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