Micou? Não deu todo aquele lucro? Devolve

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O mico.

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Está em globo.com:

“Viracopos pede recuperação judicial para reestruturar dívida de R$ 2,9 bi”

Em busca do estado mínimo – aquele tipo de estado que evita intervir na economia para permitir que a mão invisível do mercado maximize a prosperidade do país – o aeroporto de Viracopos foi privatizado em 2012.

As ganhadoras da licitação, Triunfo e UTC, tiveram  a generosa ajuda do BNDES.

Os resultados não corresponderam. As empresas pediram concordata, hoje chamada recuperação judicial. Uma tunga de R$2,9 bi. Se não der certo, vão devolver o aeroporto

Os prejuizos? Serão absorvidos pelo Estado mínimo.

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P.S. – O novo nome disso é minarquismo. Defende o “Estado Guarda Noturno”, cuja função única é proteger os cidadãos de agressões, roubos, quebras de contratos e fraudes contra as leis da propriedade. Se gostou do modelo, filie-se ao LIBER , ou Libertarios, organização política fundada em 2009, filiada internacionalmente ao Interlibertarians.

O Brasil tá desse jeito.

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Para onde os velhinhos vão correr? Para o telefone, ligar para 136 e descompor o presidente-vampiro

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Aviso na Nissei do Juvevê.

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Esta história começa na redação de O Estado de São Paulo, no tempo em que Monteiro Lobato e Candido Fontoura trabalhavam lá. Um dia, Lobato chega reclamando da gripe forte que o deixou na cama vários dias. Continuava fraco; por isso Candido, que era farmacêutico, ofereceu-lhe um vidro do remédio para fortalecimento que acabava de inventar.

 

Foi tomar e ficar bom. No dia seguinte, o revigorante tinha nome, batizado por Lobado – Biotônico Fontoura.

Desde 1910, fortifica o povo. Eficiente, barato, gostoso – na fórmula vai até canela da India.

Chegamos a 2018, tempo de remédios caros, salários baixos e desemprego nas nuvens. Por isso, a Farmácia Popular é importante. Muitos medicamentos básicos são de graça, outros vêm com 90% de desconto.

Neste momento difícil, a Farmácia começa a ser desmontada pelo presidente-vampiro-sem-voto-com-fama-de-ladrão. Lobato advertia para gente assim:

“Um governo deve sair do povo como a fumaça de uma fogueira.”

O orçamento da saúde está congelado por vinte anos. Haverá cada vez menos remédio para os mais pobres.

Para onde correrão os velhinhos? Eles não têm passaporte nem dinheiro para chegar ao Canadá, Inglaterra ou Suécia, onde o estado garante a todos médico, medicamento e hospital.

No começo deste post, Candido Fontoura deu um vidro de Biotônico e Monteiro Lobato, que era homem de posses.

Deu. Nada cobrou.

Outros vidros foram distribuídos na oficina do jornal, onde o dinheiro era escasso.

Agora é o contrário. Cumpre-se a previsão de Lobato:  a redução dos repasses do dinheiro da saúde vai aumentar o superavit primário – aquela grana que paga os juros da dívida com os banqueiros. Quem tem força, abusa.

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Também está indignado? Ligue para 136 e meta a boca. Exija ao menos medicamentos genéricos.

Genéricos de tudo. Do biotônico, da emulsão de scott, das camomilas, dos purificadores do sangue. Principalmente dos famosos Cigarros Indios, feitos com a tradicional cannabis.

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Ele mentiu?

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O presidente Temer negou, em rede nacional de televisão, que lavou dinheiro. Isso é “um disparate” da Polícia Federal. No cemitério de Oak Ridge, Illinois, o presidente Lincoln deu duas voltas em seu túmulo.

 

Dá vontade de ir até lá e perguntar ao Temer se ele aceita fazer um teste no polígrafo, também conhecido como detetor de mentiras. Aquele envelope pardo, lacrado, tinha grana dentro, presidente?

A resposta vai ser verificada por um detetor de mentiras de terceira geração.

Antes, os polígrafos mediam temperatura do corpo, pressão arterial, batimentos cardíacos. Quando você mente seu nível de stress aumenta. Acelera-se o coração, o mentiroso sua nas mãos, as pupilas se dilatam.

Não é que os criminosos aprenderam a enganar o detetor? Descobriram, por exemplo, que morder a língua eleva a pressão arterial e o batimento cardíaco. E passar desodorante nas mãos evita a sudorese.

Veja aqui como enganar o velho polígrafo. O novo nasceu com a ressonância magnética.

Cientistas descobriram que mentir leva o sangue para certa região do cérebro, diferente daquela usada para dizer a verdade.

As universidades da região de Boston lideram as pesquisas. O cérebro mapeado pode ser a desgraça dos mentirosos.

Na sua opinião, Temer resiste a uma ressonância magnética? E os outros?

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Achei no Diario de Notícias, de Portugal:

O ex-concorrente de “A Quinta” submeteu-se, na tarde desta sexta-feira, ao polígrafo do programa “A Tarde É Sua”. Tentou provar que nunca se prostituiu e o aparelho considerou que a afirmação é mentira.

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Pesquisas, fatos e artefatos criados pela técnica de convencer

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Entrevistados em pesquisas de opinião pública frequentemente respondem questões sobre assuntos que eles conhecem muito pouco ou nada. Concorda com esta afirmação?

 

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Há brasileiros descontentes com a Constituição de 1988? Representam a maioria da população? Está na hora de escrever uma nova Carta Magna?

As dúvidas são plantadas todos os dias na grande mídia que publica em manchete e sem filtros os resultados das pesquisas de opinião pública. Agora, por exemplo, parece que a maioria do pais parece achar que a Carta oferece um excesso de garantias aos brasileiros. Há quem considere um exagero esperar o trânsito em julgado (art. 5º, inciso 57), para trancar o réu numa cela. É o que informa o repórter Felipe Bächtold, na Folha de S.Paulo.

“A maior parte dos brasileiros apoia a prisão de réus condenados em segunda instância, de acordo com pesquisa do Datafolha. (…) Pesquisa feita pelo instituto dos dias 11 a 13 deste mês mostra que 57% dos entrevistados consideram justo que um acusado seja detido após ter sua condenação confirmada em segundo grau, ainda que possa recorrer a instâncias superiores.” A pergunta não é boa. Para ser boa deveria ser antecedida de uma pergunta-filtro: “Você sabe o que é uma condenação em segundo grau?”

O professor George F. Bishop, autor de “A Ilusão da Opinião Pública: Fato e Artefato em Pesquisas de Opinião”, diz que pesquisas, da maneira como são feitas, constituem fatos ou artefatos ilusórios porque o público é mal informado.

Um caso típico aparece em pesquisa do Instituto Gallup: “Você concorda com o uso de forças terrestres norte-americanas em ações na Libéria?” Na hora, o entrevistado pensa no filho que pode ser enviado à Libéria, aquele lugar quente e poeirento, onde a água de torneira causa cólicas intestinais e o inimigo de turbante branco empunha uma carabina no telhado das casas. E responde não.

Bishop e outros especialistas chamam atenção para o jeito de perguntar (wording). Quem pergunta: “Acha justa a prisão após a condenação em segunda instância?” vai receber uma maioria de respostas afirmativas, até porque grande parte dos entrevistados não sabe o que é segunda instância. Se perguntar “É injusta a prisão antes de o acusado ter direito à ampla defesa?” vai descobrir que o público está favor do artigo 5º, inciso 57, da Constituição.

A forma de perguntar altera a resposta. Quer prova? Saia do ambiente jurídico e entre no supermercado. Note que o caixa, ao receber seu cartão, pergunta: “No débito?” A maioria dos clientes diz sim e paga no cartão de débito, que não oferece milhas de bônus ao usuário mas em compensação cobra ao supermercado uma taxa pequenininha. Se a pergunta fosse outra: “No crédito?” o supermercado pagaria ao cartão Visa cerca de 4% do valor da compra, mas o cliente acumularia 2,2 milhas por dólar gasto.

Por enquanto, a manipulação das pesquisas não afeta o quadro eleitoral. Pesquisa do Instituto Vox Populi, realizada entre os dias 11 e 15 de abril, mostra que o ex-presidente Lula, mesmo depois de ter sido preso, mantém a liderança e até ampliou a vantagem sobre os demais candidatos às eleições de outubro.

Segundo a pesquisa, 41% dos brasileiros consideram que Lula foi condenado sem provas, 44% consideram que a prisão de Lula foi injusta e 58% acham que ele tem o direito de ser candidato novamente à presidência da República, mesmo depois da prisão.

Ah, mas o Vox Populi pergunta de um jeito e o DataFolha de outro…Não sei, ninguém sabe. As pesquisas não são divulgadas na íntegra. Não há como verificar o jeito de perguntar, a ordem das questões, os temas que deixaram de ser apresentados, os artefatos criados em nome da técnica de convencer.

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P.S. – Artefato é algo inventado pelo homem para fins econômicos, culturais ou políticos. A moralidade, que começa a substituir a legalidade, é um artefato de cultura humana, concebido para ajudar na negociação das relações sociais.

 

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Cinquent’anos da parceria de Paulo Vítola e Marinho Galera no Conservatório de MPB

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No Conservatório de MPB, sábado, Lais Mann e Angela Molteni, Paulo Vítola, Carlos Freitas e Anadir Salles.

 

 

Havia a do Manoel Bandeira. Agora temos a nossa Lira dos Cinquent’anos, curitibana como a sopa de pinhão com vinawurst.

Meio século de canções resumido em “Nós de Pinho e Outras Estórias”, caderno de partituras da obra de Marinho Galera e Paulo Vítola, organizado pela historiadora Elizabeth Amorim de Castro. As partituras foram revisadas por Norton Morozowicz e Davi Sartori

Um digesto da alma curitibana, que atravessa o período glorioso da Cidade da Gente – começou no final da década de 1960 e chegou aqui com fulgores de metrópole e alguns solavancos urbanísticos.

Como diz a organizadora, é só o primeiro volume de partituras do extenso cancioneiro de Galera e Vítola e outros virão para preencher, com originalidade e refinamento criativo, o seu espaço no mapa da Música Popular Brasileira.

Lembra a Cascata da Sereia? Nela o mundo é uma aldeia que não abre os olhos pro mar.

O cancioneiro trata disso – do complexo da gente do planalto, cuja geografia vai à Bica do Campó ao norte, à Rua da Carioca ao leste, à Rua da Ladeira no oeste. E nada mais.

Mas é a Cidade da Gente, do homem de cabelo branco no banco da praça, da senhora que passa com tantas histórias pra me viajar, e a menina mais linda do mundo, dançando na dela.

Versos de cinquent’anos sobre a cidade que não tem mar, mas tem o Caminho Velho Itupava fim de linha.

E a memória da neve – tão leve eu não vi.

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Sobre o título do livro de partituras:

“A voz que vós ouvis

Nós de pinho

Chiando no fogão

Somos nós

A voz do violão

No chorinho

É pinho araucária

Cheinho de nós.”

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Está na Folha de S. Paulo: “Desembargadora que acusou Marielle diz que se precipitou”.

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Guerra digital, captura de perfis no Facebook, internet do ódio.

 

 

 

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Está no Guardian: “Como a captura de 50 milhões de perfis do Facebook influiu na manipulação de mais de 200 eleições pelo mundo”

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Cris Wylie, um whitleblower, denunciou esquema de manipulação política da opinião pública que atuou em 200 campanhas em todos os continentes. (A foto é do Guardian)

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O nome do jogo é domínio informacional. Envolveu a captura de 50 milhões de perfis do Facebook. E o uso das informações para construir um algorítmo capaz de analisar características culturais, econômicas, de gênero e raça de cada usuário e influenciar seu comportamento eleitoral.

 

Os detalhes foram revelados pelo delator (whistleblower) Chistopher Wylie, cientista digital que ajudou a criar a ferramenta e a operar com ela no contexto de muitas eleições democráticas. Uma entrevista com ele aqui.

A Cambridge Analytica é ligada à Universidade de Cambridge, e tem como grande investidor Robert Mercer, um dos apoiadores de Donald Trump. Até “likes” do Facebook foram transformados por ela em ferramenta política. Muito lucrativa, vendeu serviços em mais de 200 eleições e campanhas de formação de opinião pública no mundo inteiro.

A denúncia está no The Guardian e interessa ao Brasil, onde a rede social é usada para alimentar as campanhas de ódio que racharam a sociedade ao meio nos últimos anos. A Cambridge Analitica está no Brasil desde dezembro do ano passado e anunciou a intenção de participar da campanha presidencial de 2018.

Interessa à Nigéria, onde em 2007 uma campanha de boatos influenciou a eleição presidencial.

Interessa à Inglaterra, onde a Cambridge Analytica e o Facebook são investigados pelo British Information Commissioner’s Office sobre a atuação que tiveram na votação do Brexit. E onde a Comissão Eleitoral também investiga o papel desempenhado pela Cambridge Analytica no referendo que decidiu pela saída da União Europeia.

E interessa muito aos Estados Unidos, porque a empresa aliou-se a Steve Bannon, o marqueteiro de Donald Trump, e trabalhou na eleição do atual presidente. Pior ainda: o trabalho foi executado após o contato com a gigante petrolífera russa Lukoil, que pertence a um magnata estreitamente ligado ao presidente Putin.

A matéria completa está em www.theguardian.com/news/2018/mar/17/cambridge-analytica-facebook-influence-us-election

 

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Chega (de novo) o ônibus movido a gás metano

Saiu na Gazeta do Povo:

A Scania deu início a uma fase de demonstrações nacionais de um ônibus movido a biometano, gás natural veicular (GNV) ou uma combinação dos dois.

Uma novidade bem velhinha.

Na década de 1980, a Sanepar e a Cidade de Curitiba criaram a primeira linha de ônibus movidos a gás metano. Os ônibus seguiam pelo Contorno Oeste, atendendo o pública da CIC e outros bairros até chegar em São Braz.

O metano vinha do tratamento de esgotos nos equipamentos RALF (Reator Anaeróbico de Lodo Fluidizado) e era distribuído em vários postos de reabastecimento ao longo do itinerário. A experiência teve sucesso. Não foi ampliada um pouco por falta de dinheiro e muito por falta de vontade política.

Mas era o futuro.

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Para os menos desenvolvidos Washington receita continuar com ônibus a diesel e adotar FSSM (Faecal sludge sanitation machine)

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Mais ônibus a diesel vão cruzar a praça.

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Os velhos ônibus de Curitiba passavam barulhentos pela República Argentina com seus 30 passageiros e enchiam o ar de NO2, dióxido de nitrogênio. Um nojo.

Agora, passageiros vão andar nos modernos biarticulados que passarão barulhentos pela João Gualberto, rumo a Santa Candida, enchendo o ar de NO2. Mais nojo. A agressão aos pulmões aumentará dez vezes.

Toda grande cidade – aquela que passou de um milhão de habitantes – sofre de congestionamento e só consegue ter um ar saudável com o uso de trilhos (metrô subterrâneo ou de superfície, bonde, VLT) e ônibus elétrico. Como diz a Volvo em sua página em inglês: “The future is electric”.

Mas isso é caro. A última conta feita no tempo do Gustavo Fruet, chegava a cinco bilhões de reais, um bilhão e meio de dólares.

Como estamos em crise, derrubaram a presidente da República, que oferecia o dinheiro através do BNDES, e encomendaram mais ônibus biarticulados. Países “em desenvolvimento” como o Brasil estão condenados à poluição dos pneus velhos e dos motores diesel.

Arrisco prognosticar que logo chegará ao país outra ideia “inovadora” inspirada por Washington:  máquinas para processar massa fecal.

Muitos leitores já ouviram falar na eficiência das fábricas de fertilizantes que os consultores do Banco Mundial constroem na Africa para resolver o problema do saneamento básico em países carentes. O engenhoso dispositivo permite conectar a produção de fezes humanas à produção de grãos e assim baratear o custo dos alimentos.

No site allafrica.com achei a matéria intitulada “South Africa: Turning Human Waste into Fertilizer Pellet by Pellet”, em tradução livre: “Africa do Sul: Transformando Dejeto Humano em Fertilizante, Pelota por Pelota”.

A repórter Julie Frederikse informa que “a municipalidade de eThekwini, em Durban, usa um inovativo processo que busca maximizar o reuso de dejetos sólidos. Em parceria com o Grupo de Pesquisa sobre Poluição da Universidade de In KwaZulu Natal (UKZN), a cidade desenvolveu a Máquina de Sanear Massa Fecal (Faecal Sludge Sanitation Machine).”

O funcionamento é simples e barato. “Após ser removida das 30 mil fossas que existem na cidade, a massa fecal segue para a máquina cujos fornos estão regulados em 500 graus Celsius para matar todas as bactérias patogênicas. Após o processo de pasteurização e secagem, o produto é embalado em sacos de 20 quilos, que podem ser usados com segurança como fertilizante nas lavouras”.

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Campo experimental na Africa do Sul.

 

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P.S. – Já imaginou como aumentará o poder de competição da soja brasileira quando o produtores substituírem fertilizantes químicos caros por Faecal Sludge Fertilizer Machine?

 

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Black Panther, uma nova forma de pensar o colonialismo

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O Pantera Negra.

 

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Black Panther não é um filme qualquer. É um monumento. Um imenso paradoxo econômico. Como pode um blockbuster da Marvel, Estúdios Disney, com orçamento de 200 milhões de dólares, que em quatro semanas de exibição faturou 435 milhões, ser inteligente e politicamente alerta?

 

Muitos críticos estão convencidos de que este é um ponto de inflexão da história do cinema. Merece uma grande discussão entre estudantes, professores e gente interessada em cinema, o que significa todos nós – quem não tem vontade de debater um filme que subverte as velhas regras de Hollywood?

Filmes sobre negros sempre foram feitos por brancos. Sidney Poitier, o primeiro negro a ganhar um Oscar, fez o papel de operário braçal em “Uma Voz nas Sombras”, de 1963, dirigido por Ralph Nelson, branco, nova-iorquino, que havia servido com destaque na Força Aérea durante a guerra.

Denzel Washington ganhou em 1989 o Oscar de melhor ator coadjuvante como soldado do Exército da União sob o comando do branco Matthew Broderick (que faz a voz de Simba em Rei Leão) e dirigido pelo branco, nascido em Chicago, Edward Zwick.

Agora, são negros o diretor e roteirista Ryan Coogler, que acaba de dizer a uma plateia em Nova York: “Eu tenho muita dor dentro de mim.”, o co-roteirista Joe Robert Cole, os produtores e os atores Chadwick Boseman (T’Challa/Pantera Negra), Michael B. Jordan (Erik Killmonger), Lupita Nyong’o (Nakia), Danai Gurira (Okoye), Daniel Kaluuya (W’Kabi). Apenas Martin Freeman (agente da CIA Everett K. Ross) é branco entre os atores principais.

Assistir a “Black Panther” não é apenas divertido – é essencial. O filme vira o jogo e inverte o discurso, que agora é contra o imperialismo e a escravidão e a pós-escravidão de hoje. Contra o sistema que mantém milhões de negros em penitenciárias e oferece saídas acordos de leniência aos autores de crimes financeiros.

No meio da Africa, Wakanda não é um país do terceiro mundo. Consegue ser tecnologicamente superior às grandes potências graças às reservas de vibranium, metal raríssimo que salva vidas e ganha batalhas.

O vilão não é o traficante de armas branco Ulisses Klane, mas Killmonger, primo irmão do rei da Wakanda, perfeita personificação da política doméstica e internacional dos EUA.

O tema da maldição dos recursos minerais escassos é conhecido dos brasileiros. Países do terceiro mundo são vítimas de predadores internacionais e condenados à servidão de eternos fornecedores de matérias primas para os desenvolvidos. É a desgraça de ter petróleo, o infortúnio de possuir metais raros usados na indústria de alta tecnologia. O filme de Ryan Coogler propõe ao público de milhões de jovens que assiste a Black Panther igualdade e solidariedade internacionais. Não fosse a eloquência do rei de Wakanda, esses temas tediosos não sairiam do plenário meio vazio da Organização das Nações Unidas.

Este não é mais um blockbuster barulhento de mocinhos contra o Império do Mal. Mas também é isso – porque o Império do Mal é presidido por um comedor de McDonald’s machista e de língua solta, que chama imigrantes de estupradores e traficantes.

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P.S. – Se tiver tempo, leia a crítica de Helen Lewis no New Statesman.

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