As musas da festa

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A festa foi bonitinha. Porque não havia gente demais. Nem de menos.

 

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Havia gente em close up, em plano americano.

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E gente em discreto plano geral.

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Carnaval, chuva e nikita

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A poderosa.

 

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Se você bebe nikita, a poderosa vodca que custa 12 reais o litro e tem 39% de alcool, é porque tem muita desidrogenase para absorver todo aquele alcool.

Desidrogenase, descobri há pouco, é a enzima que metaboliza a nikita, de longe a bebida de alto teor alcoolico mais procurada neste carnaval.l

Alô, moças, fiquem espertas, vocês têm menos enzima desidrogenase que os homens.

 

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Duas Coreias, uma bandeira

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duas Coreias

A Coreia do Sul, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno deu um espetáculo de unidade com a Coreia do Norte, na cerimônia de abertura. O jogador norte-coreano de hoquei sobre o gelo Hwang Chung Gum e o sul-coreano Won Yun-jong, da equipe de bobsleder, lideram os atletas dos dois países. A bandeira representa a península coreana reunificada.

 

 

 

Não é a imagem do ano, que está apenas começando.

Mas é uma imagem de paz e fraternidade – a mais eloquente que aparece desde as olimpiadas de verão de 1988, onde espetáculo semelhante entre as duas Alemanhas foi a senha para a queda do Muro.

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Edmund Burke, Tom Paine e as Revoluções

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Empire and Revolution: The Political Life of Edmund Burke

por Richard Bourke

Princeton University Press, 1.001 pag, $29.95 (brochura)

 

A resenha está na New York Review of Books de 18 de janeiro, assinada por Alan Ryan. No YouTube há palestra e entrevistas de Richard Bourke, um professor de 53 anos bastante didático.

 

O livro é importante porque a Inglaterra do século 18 tinha problemas que o Brasil não resolveu até hoje, como corrupção e desigualdade.

 

Edmund Burke, um dos pais do conservadorismo inglês, foi político e escritor. Iniciou como secretário particular e protegido do Marques de Rockingham, do Partido Whig, que foi convocado em 1765 para formar o governo. Como primeiro ministro durou pouco mais de um ano.

 

Rockingham fez com que Burke fosse eleito para a Câmara dos Comuns. Eram anos turbulentos que culminaram com a independência dos Estados Unidos, a maior das colônias.

 

O rei George III gostava de mandar em tudo, e o Parlamento nem sempre concordava com isso. Havia confronto. O país procurava a confluência, o ponto de equilíbrio entre o poder real e o poder político.

 

Richard Bourke é um autor ambicioso. Trata de mostrar cada momento da carreira parlamentar de Edmund Burke e ao mesmo tempo rastrear as origens de pensamento político de seu biografado, de Aristoteles a Cícero e John Locke, e além.

 

Considera de “qualidade melancólica” o desempenho de Burke como político. Um homem dedicado a acordos de bastidores nem sempre bem sucedidos. Isso não dá um filme. Em compensação, louva a produção intelectual de seu biografado, principalmente a verve e o estilo literário das “Reflexões sobre a Revolução” na França.

 

A ideologia conservadora vai aparecendo aos poucos, na reverência aos valores tradicionais e na admiração por Maria Antonieta, a rainha morta pelos revolucionários.

 

Thomas Paine, o contrário de Burke, dá vários filmes. Personalidade brilhante. Político, revolucionário e panfletário, viveu até os 37 anos na Inglaterra e depois atravessou o Atlântico e tornou-se um dos pais fundadores dos Estados Unidos da América.

Paine sustentava que cada geração tem o direito de escolher sua própria forma de governo. A monarquia hereditária era irracional e a reverência pela tradição permitia que os mortos governassem os vivos. A França estava exercendo seu direito de escolher sua forma de governos como os EUA haviam feito em 1776.

Em resposta, Burke garantiu que os revolucionários franceses haviam aberto as portas para a anarquia e o banho de sangue – a acabou vendo os fatos confirmarem sua previsão. Em outubro de 1793, a cabeça da admirada Maria Antonieta rolou pelo cadafalso, na Praça da Concordia, centro de Paris.

 

O confronto entre os dois foi por alguns encarado como uma vitória do conservantismo sobre o liberalismo, mas o autor adverte para o anacronismo da análise. Foi só em 1865 que o Partido Liberal inglês, defensor do livre comércio e do pacifismo, disputou sua primeira eleição.

 

Visto com os parâmetros de hoje, Burke seria um garantista – defendia um governo obediente à letra da lei. Era um “whig reformista”. Isso equivale a dizer que apoiava governos  capazes de prover eficiência administrativa, com zero corrupção, e assegurar segurança e prosperidade para os cidadãos.

 

 

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P.S. – Se ainda estiver interessado em conservadores e revolucionários, dê uma olhada em “Casanova e a Revolução”, em inglês “That Night in Verrenne”, o filme de Ettore Scolla, onde Tom Paine é personificado por Harvey Keitel.

 

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Militão tem amigão?

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A notícia está no UOL.

Em negociação com Militão (Eder Militão completou 20 anos dia 18 de janeiro. É filho do ex-jogador Valdo), o São Paulo quer oferecer um contrato até 2022 ao volante improvisado na lateral direita. O estafe do jogador negocia as bases de um novo compromisso …

Estafe? Desde quanto jogador de futebol tem estafe? Antes, estafe era privilégio de craques. Agora há dezenas de empresas oferecendo assessoria de imprensa, jurídica e profissional para jogadores e técnicos de futebol, basquete, vôlei e outros esportes.

O entorno do craque é ocupado por um número cada vez maior de profissionais, cuja remuneração oscila entre 10 e 30 por cento de tudo que entra. É o estafe, nem sempre útil.

Todos lembram do Pepe Gordo, assessor de Pelé desde os tempos de Santos. A ligação entre eles acabou mal. O craque descobriu que era enganado pelo funcionário, que acumulava as funções de amigo e sócio.

Há pouco, Neymar teve que pagar uma indenização trabalhista de três milhões de reais para um ex-assessor e também amigão.

Os problemas surgem quando o assessor é confundido com o agente e o agente vira o amigão.

 

 

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Este ano não vai ser igual àquele que passou

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The Guardian dá destaque à luta das mulheres contra o sexual harassement – a ação dos caras que se acham no direito de chegar chegando.

 

 

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A regra é simples: você prá lá e eu prá cá.

No ano passado, diz a matéria do Guardian, a polícia do Rio recebeu 2.154 chamados telefônicos denunciando violência contra mulheres durante o carnaval.

Mulheres entrevistadas pelo jornal inglês avaliaram que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer até superar a desigualdade e o machismo arraigado. Agora, depois de prisões e condenações, elas veem oportunidade de iniciar um diálogo produtivo sobre o problema.

Organizaram blocos de rua que distribuem stickers avisando: “Meus seios, minhas regras”, “Não é não” e “Não é me agarrando que você vai conseguir um beijo”.

 

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Matéria de memória (*)

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Se acaso se perder no Centro Cívico, aproveite para contemplar o mural de Rogério Dias. São 50 metros quadrados em homenagem ao Rio Iguaçu e seus passarinhos.

 

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No caderninho Moleskine uma anotação: “Nem toda distância é ausência; nem todo silêncio é esquecimento”. Estava assinado J.H. Nichols, mas podia ser Luis Fernando Veríssimo, a internet aceita tudo. Ao lado do carro preto, de bermuda e camiseta naquele fim de tarde de sábado, um ventinho frio nas pernas, pensava em distâncias e ausências. Não conseguia abrir a porta porque, por alguma bruxaria, a chave sumira de seu bolso. Impossível buscar a reserva em casa: a chave da casa estava no porta-trecos do carro – só arrombando.

Foi-se a alegria dos sete quilômetros caminhados, do Centro Cívico ao São Lourenço, ida e volta. A bela e rara tarde de sol já era. Dedicou-se a pensamentos sombrios sobre o que acontece com gente que anda por ai perdendo coisas, esquece o nome das pessoas, candidata-se ao asilo de velhinhos.

Tudo é memória, esquecimento, ausências, ensinou Nichols/Veríssimo. Escalar o time do Coxa de 1972 é fácil: Jairo, Hermes, Pescuma, Claudio e Nilo; Fito e Dirceu; Zé Roberto, Leocádio, Kruger e Helio Pires. Timaço, lembro dos quatro a zero no São Paulo, dois de Zé Roberto. A memória remota está beleza. Difícil é o ontem, o menu do almoço de domingo, o nome do filme.

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Achou o cartão da seguradora e discou. Preciso de assistência. É, perdi a chave do carro. Não, não foi assalto, aqui é seguro. Estou no Centro Cívico, só vejo gente fina. Corredores de tênis Saucony. Mães e suas crianças. Cachorro labrador. Lá do interior de Goiás, a voz perguntou:

-Entendi. A cidade é Centro Cívico, Paraná. E a rua?

-Não, a cidade é Curitiba, praça Nossa Senhora da Salete.

O operador prometeu mandar o socorro nos próximos minutos.

Uma hora depois, completamente gelado, viu um homem chegar de moto. Magro, barba por fazer, só a camisa com o nome da empresa sugeria que não era o ladrão de carros. Da caixa de ferramentas saiu um pé-de-cabra. Em dois minutos afastou o vidro, introduziu um arame grosso e puxou a tranca. Num zas a porta aberta, o alarme desligado. Coisa de profissional.

Depressa ele vestiu o agasalho que todo curitibano de juízo leva no porta mala. Sentiu-se aquecido e generoso. Esse cara merece uma cerveja. Não, duas. Assinou um protocolo, agradeceu o trabalho e anotou mentalmente a caminho de casa: preciso de um pé-de-cabra. E talvez um maçarico. Enquanto tomava um banho bem quente pensou na maneira de carregar as ferramentas do lado de fora. Sob o porta mala numa gavetinha secreta. Ou debaixo do paralama. Simples e lógico como todos os grandes inventos. Será difícil patentear?

Já de roupa, fez um chá com gengibre e sentou em frente à TV. Daqui a pouco ia sair para o show da Lais Mann. Então, dormiu feliz.

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(*) – Nome emprestado ao grande romance que o Cony escreveu em 1972.

 

 

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Os Dez Incorruptíveis

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Geraldo Elias, Raul de Souza, José Ribeiro de Brito, João Bento de Lacerda, cabo Altair, Edgar Hunderdorf, Antonio Barbosa de Moura, Dario Livino Torres, maestro Arnaldo (sentado). Só essa metade da Banda da Base já era um duplo choque de qualidade.

 

 

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No livro “Curitiba no Tempo do Jazz Band”, à venda na Livrarias Curitiba, no Chaim e na Joaquim, conto a história da Banda da Base. É exemplar.

Em 1957, o brigadeiro Lauro Menescal, comandante da Base Aérea de Curitiba, recebeu autorização do Ministério da Aeronáutica para criar uma banda militar. Olhou em torno, viu um deserto. Os bons músicos – trompetistas, trombonistas, clarinetistas – estavam na Banda da Polícia Militar.

Curitiba, apelidada de Pianópolis pelo Gebram Sabbag, não lidava com o naipe de metais. Em compensação, produzia safras abundantes de mocinhas prendadas que executavam “Cerejeiras do Japão” em saraus lítero-musicais.

Foi aberto concurso e os candidatos escolhidos – ESCOLHIDOS! – entre integrantes das grandes orquestras do Rio de Janeiro. Chegaram e mudaram tudo. O som da banda era brilhante e suingado. Alguém ai assistiu The Glenn Muller Story, com James Stewart? Pois aquele jazz era aqui. Os músicos locais trataram de estudar para não fazer feio perante os colegas e tornaram-se também craques nos metais.

Os economistas chamam a isso choque de qualidade. Eu chamo de final feliz.

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Agora, proponho pensar por analogia.

Que aconteceria se nós, eleitores, jogássemos dez deputados absolutamente honestos, competentes e incorruptíveis dentro do Congresso Nacional?

Seria o efeito maçã podre ao contrário.

Os dez converteriam outros dez, e os vinte mais vinte, e mais quarenta – até formar uma maioria de bons e sinceros representantes do povo.

Um poder legislativo restaurado, lotado de gente séria, contaminaria o poder executivo. Primeiro através do discurso, depois com o uso das Comissões Parlamentares de Inquérito – CPIs de verdade, que teriam começo, meio e fim, jamais terminando em pizza.

O poder executivo, recuperado da orgia de corrupção, transformaria a receita pública em escolas, estradas, casas populares, rádio e televisão públicas com a qualidade da BBC, serviços de saúde padrão escandinavo.

Mais ainda: o executivo purificado contagiaria o judiciário. Salários seriam ajustados para evitar excessos, pilhas de processos rapidamente julgados, milhares de moleques presos com 50 gramas de maconha deixariam de aguardar a sentença em penitenciárias.

Além disso, grupos de juízes passariam a questionar os atuais processos de ingresso na magistratura, de olho no modelo by appointment da Inglaterra. Lá, juiz da corte suprema não tem carro oficial. Há na Internet um documentário da BBC mostrando aqueles sábios no metrô, junto com o povo, a caminho do trabalho.

Um dia, o Steven Spielberg filmaria toda a saga que começou com dez homens bons entrando no Congresso Nacional. E “Os Dez Incorruptíveis”, com Tom Hanks como senador e Merryl Streep presidente da Câmara, ganharia quinze indicações para o Oscar

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O nosso gambá

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Um gambá no telhado. E logo na praia?

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Não é todo mundo que tem um gambá para chamar de seu. Ele é arredio, não desce do telhado. Teme cachorros e água fria. Diferente dos primos do hemisfério norte, tem o rabo fininho, com pouca pelagem. E aparentemente não tem cheiro de gambá, o que levantou uma questão: não será uma raposinha?

 

 

 

 

 

 

 

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Pontal do Sul é daqui a cinco horas, vai encarar?

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Perigo, é a estradinha do Pontal.

 

 

 

 

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A praia de Pontal do Sul é a mais bonita do Paraná. Alguém discute essa afirmação do guia turístico?

Mas também é a mais complicada, remota, às vezes inacessível.

Dia 29 às 17h12min a estrada de acesso – é mais correto chamá-la de trilha ou carreador – estava travada, como de costume. O trajeto de 20 quilômetros, entre a BR 277 e Praia do Leste, levou três horas. Os 19 quilômetros até Pontal do Sul foram percorridos mais depressa – uma hora e vinte.

Quarenta quilômetros em 4h20.

A concessionária não está nem ai. Cobra 19,50 de pedágio dos carros de passeio e o motorista deve agradecer porque este não é o mais caro do Paraná. Em Jataizinho, no norte do Estado, rodar 100 quilômetros custa 22 reais.

Esses preços são corrigidos para cima de tempos em tempos com a cumplicidade da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná (Agepar).

A Agepar concorda que você divida a pista única e molhada com motos, caminhões de entrega de cerveja, que vão parando de bar em bar, caminhões-tanque, ônibus, até patrolas.

O trecho Curitiba-Paranaguá da BR-277 foi construido pelo governo do Paraná com ajuda federal. Inaugurado em 1967, foi privatizado em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Uma cláusula do contrato de concessão determinava que a concessionária duplicasse o trecho até Praia de Leste. Em 2000, houve um aditivo contratual que não falava mais em duplicação.

Foram vários os aditivos – em nenhum deles o povo saiu ganhando.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito concluiu que o pedágio devia baixar – mas o pedágio não baixou.

A estrada e suas estradinhas alimentadoras resumem os vícios do capitalismo tardio que se instalou no país depois da Segunda Guerra.

Algum dia os livros de história apontarão a BR-277 como a prova definitiva de que o lucro do grande empresário vem do seu Departamento Jurídico e do Setor de Operações Estruturadas – nunca do Departamento de Engenharia.

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P.S. – Hoje é sexta-feira, tenho que ir. Boa viagem para todos.

 

 

 

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