Em política, estupidez não é uma desvantagem.
(Napoleão Bonaparte)
Em política, estupidez não é uma desvantagem.
(Napoleão Bonaparte)
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Sabe por que Paulo Preto contou à Receita Federal que tem 137 milhões escondidos na Suiça?
Porque tem 500.
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Mais uma trapalhada. Ao contrário da prometida embaixada, Bolsonaro anunciou a abertura de um “escritório comercial” em Jerusalem. A nove dias da eleição que pode ser fatal para Netanyahu.
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O cientista político André Singer conta que voltou a circular a perene proposta de implantar o regime parlamentarista no Brasil e faz um prognóstico: a ideia vai crescer na próxima rodada de dificuldades presidenciais.
A explicação é simples: avolumam-se os sinais de que o presidente Bolsonaro começa a ficar sem governabilidade, causando preocupação aos donos do dinheiro.
O parlamentarismo funcionou no Império, porque era tudo mais simples e votava-se de cabresto. Serviu de remédio heroico em 1961, na crise da renúncia de Janio Quadros. Dois anos depois voltávamos ao presidencialismo.
E hoje é uma solução complicada, quase inacessível, segundo especialistas. Mas parece fácil para quem entra no Youtube e assiste ao stand up do John Bercow, (order! Order!) presidente da Camara dos Comuns e moderador dos debates sobre a saída da Inglaterra da União Européia.
Aquela assembleia é um modelo de ordem. Um MP (membro do parlamento) chama o outro de “desajeitado” e Bercow intervem para exigir que peça desculpas em nome da cortesia parlamentar. O MP reclama, argumenta, mas acaba concordando e pede desculpas. Um colega dele não se desculpou e recebeu ordem de se retirar do plenário. Obedeceu.
Os ingleses são assim porque receberam uma educação melhor do que a nossa? Não, os motivos são outros.
Em primeiro lugar, a maioria dos parlamentares já aprendeu como se comportar. A Câmara dos Comuns tem um índice de renovação muito baixo. Na atual legislatura só há 82 deputados novos entre 650. Que diferença: 12% lá, 60% aqui.
Segundo, cada deputado representa um distrito eleitoral (constituency) e sua carreira se sustenta na relação de confiança com o eleitor. O cara responde emails, atende o telefone, aceita ser cobrado toda semana. No Brasil não há essa cultura. Muitos deputados nem olham a cara do eleitor e, na próxima eleição, vão buscar votos em outras regiões.
Os políticos brasileiros em geral não gostam do voto distrital porque não podem representar o eleitor. Estão lá por conta de grupos econômicos, igrejas, sindicatos, a pecuária, os cartórios, as Forças Armadas, as milicias e outras organizações criminosas.
Fazer lobby de madeireiras e ao mesmo tempo defender o interesse público? É esquizofrenia aguda, que explica o jeitão meio catatônico de alguns deputados e o discurso descolado da realidade.
Mas uma coisa é indiscutível: parlamentarismo sem voto distrital será precário, desastroso, como foi em 1961.
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Gloria Maria aparece nos jornais dizendo que não houve racismo naquela festa promovida por Daniela Falcão, diretora da Vogue Brasil.
Vamos lembrar os fatos:
Donata Meirelles, ex-diretora de estilo da revista Vogue Brasil, chamou a sociedade paulista para seu aniversário no hotel Unique. O ponto alto do party foi o momento em que a anfitriã sentou numa espécie de trono ladeada por mulheres negras vestidas de mucamas. As fotos repercutiram mal, parecia saudade da escravatura, da casa grande, e houve pessoas que a acusaram de racismo.
No final do bate-boca, ela se demitiu do cargo. O baile de carnaval da revista foi transferido para mais tarde.
Além de adiado, o baile trocou de atração: no lugar de Ivete Sangalo cantou Jorge Ben Jor. A assessoria do evento disse à Folha de São Paulo que a mudança se deu por questão de agenda de Ivete.
A outra providência está descrita acima – ouvir depoimentos como o de Glória Maria para desfazer a imagem ruim de racismo. Não deu certo. Glória Maria não pode ajudar Daniela Falcão, nem Donata Meirelles, porque não é mais negra: embranqueceu sob os spotlights da Globo. Vai a festas no consulado-geral da França, compra na Tiffany, na Barra da Tijuca, toma chá na pérgula do Copa. Pertence ao 1%.
Quem entende esse embranquecimento é o gerente do banco. Um milhão na conta, cartão de crédito diamond. viagem na executiva? Ela é branquíssima. Pelé voltou ao Brasil quase de olhos azuis em 1958. Tinha ganho a Copa do Mundo e o coração de suecas, que corriam atrás dele com grande apetite.
Nelson Rodrigues viu o craque Didi fazer um lançamento de 40 metros e definiu aquele negro alto, pescoço longo, sempre de cabeça erguida. -É um príncipe etíope de escola de samba. Príncipe. A folha seca e a camisa da seleção colocaram Didi na nobiliarquia brasileira.
Mario Filho, irmão de Nelson, escreveu o livro definitivo sobre o assunto, “O Negro no Futebol Brasileiro”, da Civilização Brasileira, que virou série da HBO, sob a direção de Gustavo Acioli.
Vários capítulos são dedicados ao Fluminense, time de Nelson e Mario, e da classe alta, o que mais resistiu à contratação de negros. A diretoria tricolor só mudou de ideia após derrotas seguidas para o Vasco, onde brilhava o trio Lelé, Isaias e Jair da Rosa Pinto.
Os pretos foram chegando às Laranjeiras, e terminou a era do vexame. Um dia apareceu um ponta esquerda trazido do Madureira chamado Robson. Ficou amigo do jornalista, com quem trocava uma ideia sobre futebol e a vida. Uma vez, colocou a mão no ombro dele e refletiu:
-Sabe, seu Mario, no tempo em que eu era preto tinha muitas dificuldades…
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Se eu fosse candidato, esquecia a pesquisa. Ia para o bairro conversar, tomar café em copo de vidro, falar sobre ideias para melhorar Curitiba. Como a criação das SuperZonas Escolares, as SZE. É um projeto desenvolvido com êxito em 13 bairros de Londres, estimulado pelo National Institute for Health Research(NIHR).
Para descobrir como funciona, pegue mapa e compasso e trace um círculo com um quilômetro de raio em torno da escola. Pronto, você desenhou uma SZE. Falta construí-la.
Um quilômetro é a distância que a gente consegue percorrer em 10 minutos. E um dia, quando a calçada for boa, será possível estabelecer rotas seguras e estimular os alunos a seguirem a pé, de patinete ou de bicicleta para a aula.
Para o projeto de SZE dar certo é preciso participação de alunos, professores, pais de alunos, ex-alunos, líderes religiosos, moradores e donos de empresas.
A ideia é debatida sem pressa em reuniões semanais. O grupo, com auxílio de um moderador, discute o plano, emenda, altera, suprime o que quiser. O objetivo é chegar ao modelo de SZE que sirva para todos. Escrevem tudo e tornam-se donos do projeto, que inclui ações como
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(*) “Há uma cultura do lixo por ai. Jogamos lixo sobre o público o tempo todo. Depois vem o pesquisador de opinião pública e pergunta ao eleitor: -Está sentido algum cheiro?” Bob Woodward.
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Em uma única semana de agosto do ano passado, foram registrados em São Paulo pelo menos cinco casos de mulheres assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros. Dado citado pela revista Exame, que reflete a realidade do Brasil, país com a quinta maior taxa de feminicídio do mundo.
Só perde para alguns países do Oriente Médio e para a Itália.
Há pouco (li agora no Guardian) um juiz de Bolonha decidiu que “uma tempestade emocional” ocasionada pela “infeliz experiência de vida” motivou um certo Michele Castaldo, 57, a assassinar Olga Matei, 46, após um mês de relacionamento tempestuoso. E reduziu a sentença de prisão de 30 para 16 anos.
Em Genova, na semana passada, uma juíza, Silvia Carpanini, deixou pela metade a sentença dada a Javier Gamboa, por esfaquear e matar sua mulher Angela Reyes. A doutora Carpanini disse que simpatizava com o “desapontamento” e a “humilhação” que Gamboa sentiu quando sua mulher deixou de cumprir a promessa de abandonar o amante.
O advogado de Reyes, Giuseppe Maria Gallo, acusou a juíza de ressuscitar o crime de honra em sua sentença.
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Nos versos acima o poeta Carlos Drummond de Andrade desanca a imprensa da segunda metade do século passado. Se fosse hoje possivelmentee estaria falando mal do WhatsApp, inventado em 2009, que ajudou a botar o povo na rua em 2013, inflamou a ira contra o PT, incendiou o Congresso Nacional no impeachment da Dilma e na greve dos camioneiros. E finalmente turbinou essa eleição do Jair.
Desancaria também o Facebook, que entregou arquivos e informações de usuários para a Cambridge Analytica. E o Google, que vende relatórios sobre interesses dos usuários.
O poeta Drummond escreveu para jornais. Sentado na redação ao lado de repórteres e editores, aprendeu muito sobre o negócio da mídia. Inventou esse cara, o Kom Unic Assão, para advertir que, assim como o papel aceita tudo, a cabeça do leitor pode ser infectada por todo tipo de merda – das maledicências bobinhas às mentiras mais cabeludas.
Intoxicados de fakes, americanos elegeram Donald Trump e agora assistem à construção de mais um Muro, tão inútil quanto aquele que separava as Alemanhas, mas infinitamente mais caro.
Outros deram a vitória ao Leave no Brexit. Neste momento, a Inglaterra arrependida sofre a humilhação de pedir pinico em Bruxelas.
Aqui, a eleição deu poder a um improvável ajuntamento de especuladores do mercado financeiro, neopentecostais anti aborto e pró cura gay, políticos do baixo clero e militares, a maioria de pijama. E à inacreditável Família Bolsoprano.
Essa coligação maligna quer agora acabar com a Previdência Social. Será que o deus Kom vai ajudá-la?
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Está difícil convencer o povo que toda a desgraceira nacional – os 12 milhões de desempregados, os 30 milhões de trabalhadores informais, milhões da famintos – é resultado da corrupção pé-de-chinelo de políticos que cobram “rachadinha” dos assessores. Eles, só eles, deixam o Brasil pobre, com essa dívida que não para de crescer?
Claro que não. Há cada vez mais gente concordando que os responsáveis são outros. O poeta Drummond havia previsto a mudança. “Kom tornará são quem era louco”.
Sabemos que não dá para enganar todos o tempo todo, embora o Itaú continue dizendo que é “um banco feito para você” quando é feito para os Setubal e os grandes acionistas.
A informação vence a enganação e deixa o povo esperto. O conjunto de palhaçadas a que assistimos de dezembro para cá rompeu a barragem e agora parece inevitável o refluxo das fake news. É bíblico, “A verdade vos inundará como a lama inundou Brumadinho.”. Mas aqui há uma diferença essencial: todas eles merecem ser afogados.
Afogadas em praça pública com transmissão mundial pelo YouTube e Facebook.
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Até o piolho do craqueiro da Boca Maldita sabe as causas da miséria nacional: a evasão fiscal de megacorporações, a dívida pública não auditada, o dinheiro levado para Miami e dali para os paraísos fiscais do Caribe e do Canal da Mancha. Essa sonegação de luxo é produzida diariamente, ano após ano, no ambiente manhattiano de grandes escritórios de planejamento tributário. E só vai diminuir (acabar, jamais!) quando o povo souber de tudo.
São e esperto, o povo imporá fiscalização forte e tributação progressiva da grana do 1% mais rico. Deselegerá quem elegeu errado, impichará quem mereça ser impichado, exigirá informações de quem sempre o desinformou e mandará um ultimato a Brasília: “Lula livre – ou prendam todos os outros!”
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Um bom exemplo. No rótulo americano o vendedor é obrigado a colocar a exata quantidade de açucar, de sal e de colesterol.
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Estudo nacional realizado na Inglaterra demonstrou a relação direta entre o consumo de açúcar e o surgimento do diabetes do tipo 2 em crianças.
Se os rótulos dos alimentos industrializados fossem claros haveria menos diabetes no mundo, sobre isso os médicos são unânimes. Bastava esse cuidado: escrever a exata quantidade de açúcar, sal e colesterol que o potinho de iogurte contem.
Alguns defendem mais clareza ainda – que advertências sejam enfatizadas, como no cigarro.
Um conselho ao fabricante: faça um rótulo bem claro ou estará sujeito ao pagamento de indenização por danos morais.
A justiça brasileira está punindo os rótulos mal feitos. Entre muitas outras decisões está o acórdão da 1a. Turma Recursal Cível, do TJ-RGS, publicada no Diário da Justiça gaúcho do dia 06/08/2018. Informação insuficiente ou enganosa justifica pedido de indenização.
Nos supermercados dos EUA a situação é melhor, porque as associações do consumidor são mais fortes. Olhe esse rótulo, informando que um copo de 228 gramas contem 30 mg de colesterol (gorduras animais), 470 mg de sódio (sal) e 5 gramas de açúçar.
Há na internet petições dirigidas à Anvisa exigindo mais informação sobre o que estamos comendo e oferecendo às crianças. O Brasil enfrenta uma epidemia de obesidade. Os fabricantes que enchem de açúcar refrigerantes, sorvetes e iogurtes são os bandidos da história.
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Trump estava explicando a retirada das tropas americanas da Siria após 19 anos, milhares de mortes e sete trilhões de dólares gastos sem resultado. Toda guerra é burra, mas as guerras sem fim são particularmente estúpidas.
Atestam da incompetência de quem decide.
Ou evidenciam a esperteza do malandro no poder, porque toda guerra dá lucro e guerras intermináveis dão lucros intermináveis.
Aqui uma pausa para contar que, dando continuidade à nossa guerra às drogas, a Polícia Rodoviária Federal prendeu, dia 23 de janeiro, em Alto Paraiso, noroeste do Paraná, um caminhão transportando 24,5 toneladas de maconha, a maior apreensão da história. Um recorde. Nunca antes neste país foi apreendida tanta maconha junta!
E para assegurar que o recorde – como todos os recordes – será batido em breve.
Essa guerra vem da longe, talvez um século de apreensões de droga, prisões de traficantes, ampliação de penitenciárias – hoje há mais de 700 mil encarcerados – e consolidação do Brasil como um dos países que mais investem na guerra às drogas. Batemos recorde atrás de recorde, em quantidade apreendida, traficantes presos, prisões construídas.
Criminalizar a maconha é uma obsessão nacional. Obsessão esperta. O senador que discursa contra a cannabis é o mesmo que faz lobby para que o fumo e o álcool sigam liberados. E para que a polícia receba armamentos cada vez mais sofisticados e tenha direito de matar bandido ou gente parecida com bandido.
Too bad. Grandes nações não se metem em guerras sem fim.