O comedor de gente

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Abaporu, de 1928, por Tarsila do Amaral. Abundância de verde, amarelo e azul.

 

 

Lembra quando Bolsonaro revelou que usava o apartamento funcional “para comer gente”?

Abaporu é isso ai – homem que come gente em tupi guarani.

O que ninguém imaginava é que ia sair da eleição um governo antropofágico.

No momento, o governo está devorando a universidade pública.

Começou pelo setor de sociologia, mas não vai parar por ai.

Avançará sobre toda a área de humanas, onde se fala muito em Paulo Freire, Darci Ribeiro, Florestan Fernandes.

Depois cortará as verbas dos cursos de Direito, de onde saem os advogados do MST.

Fechará restaurantes e cantinas, lugares onde os estudantes se reúnem para falar de Karl Marx.

Reduzirá quase a zero as verbas das bibliotecas.

Quando todo mundo estiver passando fome, o governo oferecerá uma barganha aos reitores. As verbas de volta em troca da transformação desses cursos em formadores dos profissionais que o Brasil realmente precisa: mestres de obras, eletricistas, encanadores.

Principalmente encanadores. Eles não conseguem acabar com os vazamentos.

 

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Na dúvida siga o fluxo? Não ultrapasse? Use sempre capacete?

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Sinais de trânsito são fáceis de entender principalmente por pessoas que já sabem o caminho.

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Acorda, Brasil!

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Tá na Folha:

 

“Presidente assina decreto que extingue horário de verão”

Com isso, afasta mais um resquício de marxismo cultural na vida brasileira.

Paulo Guedes saudou o fim da impontualidade.

“Agora o PIB vai bombar”, garantiu a um banqueiro amigo.

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Contra a lógica da guilhotina

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Taca fogo nela.

 

 

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Há 148 anos, em 6 de abril de 1871, cidadãos armados, participantes da Comuna de Paris, arrastaram a guilhotina até a praça onde se erguia a estátua de Voltaire. O povo aplaudia – Vive lá Commune! – enquanto o instrumento era desmontado. As peças de madeira nobre transformaram-se em uma grande fogueira.

Foi uma ação popular, espontânea. Naquele momento a Comuna mandava em Paris, cercada pelos exércitos da França e da Prússia, que se preparavam para invadir a cidade e impor o governo republicano conservador de Adolphe Thiers.(*)

Incendiar a guilhotina foi um gesto de repúdio à ideia de que alguma mudança social positiva pode ser alcançada  cortando pescoços.

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Em 2019, o Brasil passou da hora de superar a lógica da guilhotina.

De rasgar a bandeira (“Punir!Punir! Punir!”) do ministro Sergio Moro, autor da seguinte declaração: “Quem vende um quilo ou uma tonelada é, na letra da lei, traficante”.

Isso é falta de juízo. O Terror não é uma emanação da virtude. O grande traficante é infinitamente mais perigoso que o vendedor de droga da esquina. A questão social jamais será resolvida construindo mais penitenciárias.

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O ministro Luis Roberto Barroso pediu, na semana passada, a revisão da lei antidrogas. Veja o que ele disse ao G1:“Um dos grandes problemas que as drogas têm gerado no Brasil é a prisão de milhares de jovens, com frequência primários e de bons antecedentes, que são jogados no sistema penitenciário. Pessoas que não são perigosas quando entram, mas que se tornam perigosas quando saem. Portanto, nós temos uma política de drogas que é contraproducente. Ela faz mal ao país”

Há dez anos, as cadeias estavam lotadas de condenados por crimes contra o patrimônio, como roubo e furto, agora elas abrigam milhares de pessoas que respondem pelo crime de tráfico – parte delas ainda sem julgamento, a maioria delas por tráfico de pequenas quantidades de entorpecente.

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(*) Conferir em www.crimethinc.com

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Avise a turma, Eduardo

Em política, estupidez não é uma desvantagem.

(Napoleão Bonaparte)

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Elementar, meu caro Leão

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Paulo Preto é operador do tucanato paulista. (Foto do Uol)

 

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Sabe por que Paulo Preto contou à Receita Federal que tem 137 milhões escondidos na Suiça?

Porque tem 500.

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O Brasil na beira do abismo, como em 1961

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Mais uma trapalhada. Ao contrário da prometida embaixada, Bolsonaro anunciou a abertura de um “escritório comercial” em Jerusalem. A nove dias da eleição que pode ser fatal para Netanyahu.

 

 

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O cientista político André Singer conta que voltou a circular a perene proposta de implantar o regime parlamentarista no Brasil e faz um prognóstico: a ideia vai crescer na próxima rodada de dificuldades presidenciais.

A explicação é simples: avolumam-se os sinais de que o presidente Bolsonaro começa a ficar sem governabilidade, causando preocupação aos donos do dinheiro.

O parlamentarismo funcionou no Império, porque era tudo mais simples e votava-se de cabresto. Serviu de remédio heroico em 1961, na crise da renúncia de Janio Quadros. Dois anos depois voltávamos ao presidencialismo.

E hoje é uma solução complicada, quase inacessível, segundo especialistas. Mas parece fácil para quem entra no Youtube e assiste ao stand up do John Bercow, (order! Order!) presidente da Camara dos Comuns e moderador dos debates sobre a saída da Inglaterra da União Européia.

Aquela assembleia é um modelo de ordem. Um MP (membro do parlamento) chama o outro de “desajeitado” e Bercow intervem para exigir que peça desculpas em nome da cortesia parlamentar. O MP reclama, argumenta, mas acaba concordando e pede desculpas. Um colega dele não se desculpou e recebeu ordem de se retirar do plenário. Obedeceu.

Os ingleses são assim porque receberam uma educação melhor do que a nossa? Não, os motivos são outros.

Em primeiro lugar, a maioria dos parlamentares já aprendeu como se comportar. A Câmara dos Comuns tem um índice de renovação muito baixo. Na atual legislatura só há 82 deputados novos entre 650. Que diferença: 12% lá, 60% aqui.

Segundo, cada deputado representa um distrito eleitoral (constituency) e sua carreira se sustenta na relação de confiança com o eleitor. O cara responde emails, atende o telefone, aceita ser cobrado toda semana. No Brasil não há essa cultura. Muitos deputados nem olham a cara do eleitor e, na próxima eleição, vão buscar votos em outras regiões.

Os políticos brasileiros em geral não gostam do voto distrital porque não podem representar o eleitor. Estão lá por conta de grupos econômicos, igrejas, sindicatos, a pecuária, os cartórios, as Forças Armadas, as milicias e outras organizações criminosas.

Fazer lobby de madeireiras e ao mesmo tempo defender o interesse público? É esquizofrenia aguda, que explica o jeitão meio catatônico de alguns deputados e o discurso descolado da realidade.

Mas uma coisa é indiscutível: parlamentarismo sem voto distrital será precário, desastroso, como foi em 1961.

 

 

 

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Por que Gloria Maria não pode ajudar Daniela Falcão?

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Testemunha ruim

 

 

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Gloria Maria aparece nos jornais dizendo que não houve racismo naquela festa promovida por Daniela Falcão, diretora da Vogue Brasil.

Vamos lembrar os fatos:

Donata Meirelles, ex-diretora de estilo da revista Vogue Brasil, chamou a sociedade paulista para seu aniversário no hotel Unique. O ponto alto do party foi o momento em que a anfitriã sentou numa espécie de trono ladeada por mulheres negras vestidas de mucamas. As fotos repercutiram mal, parecia saudade da escravatura, da casa grande, e houve pessoas que a acusaram de racismo.

No final do bate-boca, ela se demitiu do cargo. O baile de carnaval da revista foi transferido para mais tarde.

Além de adiado, o baile trocou de atração: no lugar de Ivete Sangalo cantou Jorge Ben Jor. A assessoria do evento disse à Folha de São Paulo que a mudança se deu por questão de agenda de Ivete.

A outra providência está descrita acima – ouvir depoimentos como o de Glória Maria para desfazer a imagem ruim de racismo. Não deu certo. Glória Maria não pode ajudar Daniela Falcão, nem Donata Meirelles, porque não é mais negra: embranqueceu sob os spotlights da Globo. Vai a festas no consulado-geral da França, compra na Tiffany, na Barra da Tijuca, toma chá na pérgula do Copa. Pertence ao 1%.

Quem entende esse embranquecimento é o gerente do banco. Um milhão na conta, cartão de crédito diamond. viagem na executiva? Ela é branquíssima. Pelé voltou ao Brasil quase de olhos azuis em 1958. Tinha ganho a Copa do Mundo e o coração de suecas, que corriam atrás dele com grande apetite.

Nelson Rodrigues viu o craque Didi fazer um lançamento de 40 metros e definiu aquele negro alto, pescoço longo, sempre de cabeça erguida. -É um príncipe etíope de escola de samba. Príncipe. A folha seca e a camisa da seleção colocaram Didi na nobiliarquia brasileira.

Mario Filho, irmão de Nelson, escreveu o livro definitivo sobre o assunto, “O Negro no Futebol Brasileiro”, da Civilização Brasileira, que virou série da HBO, sob a direção de Gustavo Acioli.

Vários capítulos são dedicados ao Fluminense, time de Nelson e Mario, e da classe alta, o que mais resistiu à contratação de negros. A diretoria tricolor só mudou de ideia após derrotas seguidas para o Vasco, onde brilhava o trio Lelé, Isaias e Jair da Rosa Pinto.

Os pretos foram chegando às Laranjeiras, e terminou a era do vexame. Um dia apareceu um ponta esquerda trazido do Madureira chamado Robson. Ficou amigo do jornalista, com quem trocava  uma ideia sobre futebol e a vida. Uma vez, colocou a mão no ombro dele e refletiu:

-Sabe, seu Mario, no tempo em que eu era preto tinha muitas dificuldades…

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SZE – Uma ideia para melhorar Curitiba

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Está no BemParaná: “Levantamento divulgado pela Paraná Pesquisas aponta empate técnico entre quatro candidatos na disputa pela prefeitura de Curitiba: o atual prefeito Rafael Greca (PMN, na época, agora no DEM), o deputado federal e ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT), o deputado federal e secretário da Justiça, Trabalho e Família, Ney Leprevost (PSD) e o deputado estadual Fernando Francischini (PSL).”

 

O que significa isso? Nada.  (*)

 

Uma pesquisa de intenção de voto a um ano e meio da eleição não quer dizer nada. Ajudou o Fernando Francischini a ficar um pouco mais conhecido? Verdade, mas também contribuiu para colar o nome dele ao do Bolsonaro, o Presidente que caiu 15 pontos no Ibope em apenas 10 semanas. É um desastre pior que o do Collor em 1990 – só que o Collor havia sequestrado a poupança da gente.

 

Se eu fosse candidato, esquecia a pesquisa. Ia para o bairro conversar, tomar café em copo de vidro, falar sobre ideias para melhorar Curitiba. Como a criação das SuperZonas Escolares, as SZE. É um projeto desenvolvido com êxito em 13 bairros de Londres, estimulado pelo National Institute for Health Research(NIHR).

Para descobrir como funciona, pegue mapa e compasso e trace um círculo com um quilômetro de raio em torno da escola. Pronto, você desenhou uma SZE. Falta construí-la.

Um quilômetro é a distância que a gente consegue percorrer em 10 minutos. E um dia, quando a calçada for boa, será possível estabelecer rotas seguras e estimular os alunos a seguirem a pé, de patinete ou de bicicleta para a aula.  

 

Para o projeto de SZE dar certo é preciso participação de alunos, professores, pais de alunos, ex-alunos, líderes religiosos, moradores e donos de empresas.

A ideia é debatida sem pressa em reuniões semanais. O grupo, com auxílio de um moderador, discute o plano, emenda, altera, suprime o que quiser. O objetivo é chegar ao modelo de SZE que sirva para todos. Escrevem tudo e tornam-se donos do projeto, que inclui ações como

  • Reduzir o tráfego em torno das escolas para diminuir a poluição do ar
  • Restringir a publicidade de alimentos não-saudáveis
  • Criar ou melhorar as rotas para pedestres rumo à escola e
  • Redesenhar os espaços públicos para aumentar a segurança
  • Instalar bebedouros públicos e encorajar o consumo de água em vez de refrigerante
  • Melhorar o acesso e a utilização de espaços verdes
  • Criar hortas comunitárias.

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(*) “Há uma cultura do lixo por ai. Jogamos lixo sobre o público o tempo todo. Depois vem o pesquisador de opinião pública e pergunta ao eleitor: -Está sentido algum cheiro?” Bob Woodward.

 

 

 

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O canto do povo

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Boca Maldita

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