Na última vez que ISSO ocorreu, Cromwell descontinuou o costume dos reis, de usarem as cabeças sobre os ombros

“Isso” é o golpe de Boris Johnson, primeiro ministro inglês, que fechou o Parlamento por cinco semanas.

Ele quer impedir a oposição de se articular para derrubar a decisão de abandonar a União Europeia sem acordo.

Os ingleses estão muito irritados com o primeiro ministro Boris Johnson. Em Berlim, manifestantes portavam um cartaz lembrando a solução que Cromwell adotou contra uma tentativa de virar a mesa.

Fazem bem. Se houver o Brexit sem acordo entre o Reino Unido e a União Europeia vai ser ruim para todos.

Inclusive para nós, brasileiros.

Provavelmente Boris Johnson vai exigir visto para latino-americano chegar chegando, como fazemos hoje.

“Descontinuou o costume dos reis, de usarem as cabeças sobre os ombros”.

Boa.

A turma do Remain perdeu o plebiscito do Brexit mas não perdeu o senso de humor.

Esse no-deal Brexit significa que, da noite para o dia, a Inglaterra abandonará o mercado comum e a união aduaneira.

Caminhões e trem com turistas, produtos agrícolas, medicamentos vão formar filas em
Calais, França.

Até liberar aquela papelada toda muita comida vai estragar.

Muita gente vai passar fome, sede, calor, frio.

Torça para o Boris cair.

.

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Um mundo enfim ordenado. Per cola et commata

.

Não sei se são muitos, ou se reunidos cabem numa kombi, mas há os que desprezam a nova linguagem que aparece em mensagens de celular – os rs, emoticons, ctz (certeza), fikdik (fica a dica).

Por isso voltaram a estudar gramática.

Têm que estudar mesmo porque mudou quase tudo. Não se usa mais a Gramática Expositiva, de Eduardo Carlos Pereira, que teve 158 edições. No prólogo, o mestre ensinava: “Vehiculo da Idéa, é a palavra o mais bello e util apanagio da humanidade. Filha do homem, traz com o homem frisante analogia. Sua origem, como a do seu putativo genitor, tem o cunho do mysterio, perde-se na noite remota dos tempos, e offerece ás pesquisas dos sábios indecifrável enigma. Como elle ainda, ella nasce, cresce, adoece e morre”.

Para desvendar esse “mysterio” é preciso voltar ao ano 400, quando São Jerônimo concluiu a tradução da Bíblia e deu aos monges copistas instruções sobre como dividir o texto “per cola et commata”. Ele queria a Palavra bem articulada e a pontuação servia para acabar com ambiguidades, regular o ritmo da leitura. Uma pausa breve, commata; longa, fim de sentença, cola.

*

E se a pausa fosse maior do que a vírgula e menor que o ponto? Ai não havia o que fazer. A solução só chegou mil anos depois, em 1494, quando um editor de Veneza inventou o ponto e vírgula.

Era o fim da Idade Média, o início da Renascença, com suas luzes. A sabedoria do mundo ainda estava escondida em velhos manuscritos, preservados em bibliotecas de mosteiros. Aqueles textos precisavam ser divulgados com clareza e para isso apareceram outros sinais de pontuação que não sobreviveram.

Não vou falar do trema, antigo terror dos estudantes, hoje reduzido à sua insignificância: só serve para registrar a pronúncia de certos nomes estrangeiros. Agora a gente aguenta as consequências sem gastar dois tremas e o texto continua claro.

Exceção, nomes próprios: a portentosa Gisele continua carregando um trema no Bündchen.

*

Com o ponto e vírgula a conversa é outra. Ele é significantíssimo. Os modernos gramáticos tratam-no com carinho. Valorizam a meia pausa que Antonio Vieira usava tão bem. No Sermão da Sexagésima, por exemplo, ele define o pregador, que é vida e exemplo:

“Por isso Cristo no Evangelho não o comparou ao semeador, senão ao que semeia. Reparai. Não diz Cristo: Saiu a semear o semeador, senão, saiu a semear o que semeia: Ecce exiit qui seminat, seminare. Entre o semeador e o que semeia há muita diferença: uma coisa é o soldado, e outra o que peleja; uma coisa é o governador, e outra o que governa.”

Aqui o leitor pode constatar mais uma vez a atualidade de Vieira. Vivemos entre governadores que nem sempre governam, e todo mundo sabe que raramente o presidente preside.

O trecho vale por dez aulas de pontuação. E de política.

*

Claro que o ponto e vírgula não é uma unanimidade. Kurt Vonnegut Jr o odeia. “Não use pontos e vírgulas. Eles são hermafroditas travestidos, representam absolutamente nada. Só servem para mostrar que você frequentou algum curso superior.”

Machado de Assis, ao contrário de Vonnegut, era amigo do ponto e vírgula. Em uma de suas crônicas da série “Bons dias!” ele explica bem humorado que não valia a pena traduzir o texto: “Estes meus escritos não admitem traduções, menos ainda serviços particulares; são palestras com os leitores e especialmente com os leitores que não têm o que fazer.”

(Um ponto depois de “serviços particulares” seria muito; uma vírgula, pouco.)

*

O século 19 foi o século do soneto e do ponto e vírgula. Linguistas fizeram as contas e constatam que era mais usado que a vírgula. Quanto ao soneto, convém registrar que continua sendo cometido por poetas muito competentes, como a mineira Liria Porto

Cometi um soneto

pedi socorro a hipotenusas e catetos
falei comigo e também com os meus botões
amasso versos sou assim aos borbotões
porém insisto em processar alguns sonetos

conversa vai conversa vem eu vou tentar
busco o luar a luz do sol amarro-os bem
ou largo tudo num papel em qualquer trem
trago co’as mãos as ilusões lá de além-mar

batuco os dedos a contar sílabas tortas
e veja só velho camões se não te importas
sempre fui doida e fico mais tenho certeza

falo sozinha a cavoucar rimas avessas
sou assassina criminosa ré confessa
deste soneto atordoada eu me fiz presa

 

A poeta entrou neste texto para, primeiro, animar o leitor com a graça de sua invenção; segundo, mostrar que é possível escrever bonito sem ponto, sem vírgula, sem ponto e vírgula.

Certo estava George Campbell, filósofo do Iluminismo Escocês, que decretou: “A língua é um conjunto de modismos. Não cabe à gramática regular os modos do discurso.”

CTZ

*

P.S. – Quem tiver curiosidade, deve dar uma olhada em “Gramática reflexiva da língua portuguesa”, de Marcelo Moraes Caetano (Editora Ferreira).  

P.S. 2 – Ver também

Semicolon: The Past, Present, and Future of a Misunderstood Mark     Kindle Edition

by Cecelia Watson

E também http://www.englishproject.org/april-and-comma

 

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Há sempre um otário do outro lado da mesa

.

hhjhjh

O joguinho

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Ontem, 7 graus e um ventinho sul, pensei neles

.

 

 

fgfgfg

Torço para que tenham trocado Curitiba por, sei lá, João Pessoa. O Oil Man, à esquerda, é sobrevivente de duas pneumonias.

.

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Conversa amena com Patrícia Campos Mello

.

 

gghghg

Patricia Campos Melo, segunda-feira, na Capela Santa Maria.

 

.

Lá vem a estrela do jornalismo brasileiro, ganhadora do Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa de 2019, promovido pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Patricia Campos Mello entra sorrindo no palco da Capela Santa Maria e senta-se no banco das testemunhas da Litercultura, Festival Literário Curitiba. Vai falar sobre “os territórios moventes da literatura e da nova geopolítica”, como está no programa.

A plateia lotada espera mais: quer informações quentes, em primeira mão, sobre a guerra da mídia, os disparos em massa no WhattsApp, o escândalo do financiamento clandestino da campanha presidencial.

Pois Patrícia é correspondente de guerra, embora não faça muita questão do título. Para ela tanto faz cobrir a guerra da Síria, Gaza,  Afganistão, Morro do Borel ou Paraisópolis. Tudo é reportagem. Mas fica implícito que cada reportagem pode ser outra etapa da batalha de narrativas.

É verdade que não não existe correspondente de guerra depois do Joel Silveira, que tinha até carteirinha de identidade da Força Expedicionária Brasileira. “Profissão: Correspondente de Guerra”.

Mas pense bem: não será Glenn Greenwald, cercado, ameaçado de expulsão do país ou de ir em cana, um correspondente de guerra?

E The Intercept não reporta episódios da Guerra Digital? A Vaza Jato não trata da tempestade populista que se abateu sobre o Brasil?

Pena, parece que essas perguntas não estão no roteiro do entrevistador.

Patrícia Campos Mello sorri um sorriso sem guerra. Sub judice, não fala sobre os processos que resultaram de suas reportagens na Folha de S. Paulo. Nem sobre o financiamento clandestino à campanha de Jair Bolsonaro. Os disparos em massa de mensagens pelo Whatsapp chegavam a custar 12 milhões. Nem sobre o financiamento ilegal de campanha, que é crime eleitoral. Pode até anular o pleito – e nesse caso o Brasil ficará desobrigado de desmatar a Amazônia, invadir a Venezuela, transformar Eduardo Bolsonaro em embaixador, ou acabar com a universidade pública. Pode até ficar com a Petrobrás.

Infelizmente, os litígios seguem nos tribunais, que têm seu próprio ritmo para julgar petições, denúncias, agravos e embargos.

Na falta de sentenças, a jornalista guarda um silêncio obsequioso sobre o assunto.

.

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Você também é a favor do impeachment?

.

vbvbvbv

Tem gente conspirando para demitir o Jair.

.

Quem quiser mais informações sobre a família Bolsonaro deve ler a notícia do UOL a respeito do funcionário do gabinete de Flavio que encheu de porrada um devedor de 50 mil reais. O senador, antigo deputado na Assembleia do Rio de Janeiro, tinha um jeitinho todo dele para estimular a adimplência de seus devedores.

O UOL diz que o cobrador truculento é o sargento Marcos de Freitas Domingos, 46, um dos 70 assessores e ex-assessores do gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro que tiveram seus sigilos quebrados por ordem da Justiça do Rio.

E acrescenta: “Segundo o Ministério Público, há indícios robustos dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flávio de 2007 a 2018, na Assembleia Legislativa do Rio.”

*

Isso é ruim. O noticiário muito focado na família Bolsonaro ajuda a organizar a opinião pública a favor do impeachment do presidente da República. Há cada vez mais gente achando que a salvação da pátria é mandar o Jair embora. Será o terceiro impichado em vinte e poucos anos.

Um país não deve mudar de presidente o tempo todo. Parece time de futebol que troca o técnico, troca o técnico – e acaba na segunda divisão.

O Brasil não precisa de um novo presidente. Precisa de instituições fortes. De uma sociedade bem representada nos vários parlamentos. De cidadãos informados, vacinados contra a mistificação. De uma imprensa crítica, isto é, economicamente independente. É urgente cortar o cordão umbilical entre a Secretaria de Comunicação dos vários governos e o caixa dos jornais e TVs.

*

Precisamos de um projeto de futuro.

Na Inglaterra há um movimento chamado Big Change. A grande mudança que propõe é reimaginar a educação pensando que o mundo de nossos filhos será muito diferente do nosso.

A Big Change deseja que a sociedade diga como será a mudança. E como não será. Não será, por exemplo, para estimular aluno a denunciar professor.

Não será para esconder que, além de Socrates, Ricardo e Adam Smith, o mundo produziu também um importante filosofo e pensador chamado Karl Marx.

Não será cortando verbas dos laboratórios das universidades.

Nem será demitindo, cortando, perseguindo, desmantelando instituições onde o ministro Abraham Weintraub vê “balbúrdia”.

*

A Grande Mudança será fruto da experiência e sabedoria de professores, técnicos em educação, políticos, neurocientistas, estatísticos, juristas, funcionários, pais e alunos das nossas 189.818 escolas de ensino básico – 150.033 públicas e 39.785 particulares. E das universidades.

As escolas são mantidas pela sociedade brasileira. Isso significa que os cidadãos são clientes. Pagam a conta. Devem ter voz nos Conselhos Escolares e dizer como querem o ensino. A maioria dos conselhos municipais e estaduais são chapa branca.

Com a Grande Mudança andando, o resto fica em segundo plano.

Até o impeachment. Já imaginou a cara do Mourão quando souber que a gente decidiu aguentar o Jair até 2022?

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Tiro no pé e outras alternativas

.

 

hkhkhkh

.

 

A História ensina que homens e nações agem com sabedoria depois de haver esgotado todas as outras alternativas.

A frase é de Abba Eban, grande político e diplomata de Israel, e parece sintetizar o que acontece por aqui.

Na tentativa de esgotar as alternativas, alguém decidiu que o presidente Bolsonaro merecia ser homenageado em Nova York.

Não deu certo, o Presidente acabou humilhado e o ministro das Relações Exteriores, que devia saber o que estava acontecendo em NYC, mostrou que não sabe nada.

Agora, o Brasil trabalha com a alternativa de cortar o orçamento das universidades públicas, aparentemente sem saber que isso aumentará nosso atraso em relação ao resto do mundo.

Cada dia fica mais evidente que o governo não corta despesas por ideologia. Nem por estratégia política. É ignorância mesmo.

*

Outro dia, a pretexto de elogiar a pesquisa avançada com grafeno na Universidade Mackenzie, Bolsonaro afirmou que se faz mais pesquisa nas instituições privadas do que nas públicas. O Marcelo Leite corrigiu a declaração em sua coluna da Folha: “Um equívoco colossal.”

89% de tudo que se pública em revistas científicas de prestígio é gerado na universidade pública.

Em fevereiro passado, médicos e biólogos mostraram que ser infectado pelo vírus da dengue pode proteger parcialmente as pessoas dos efeitos do vírus da zika. O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) da Bahia e da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (SP), duas instituições públicas.

*

Neste fim de semana, começamos a ouvir o grito da universidade. Sem dinheiro, não haverá pesquisa básica e os hospitais universitários terão que fechar alas inteiras.

Daqui a pouco ouviremos o protesto do conjunto da sociedade. Porque todo mundo tem filho ou parente estudando. Todo mundo. principalmente os mais pobres, precisa de hospitais públicos, onde é gerada pesquisa de ponta, como a de células tronco e o transplante de medula óssea.

O ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, disse há pouco que a reversão dos cortes orçamentários é imprescindível para a continuidade de três ações prioritárias da pasta: a manutenção do pagamento de bolsas para pesquisadores, recursos para unidades de pesquisa de todo país e o prosseguimento do projeto Sirius, acelerador de partículas brasileiro que, em alguns aspectos, será o melhor do mundo.

*

Quando o Bolsonaro esgotar todas as alternativas e começar a agir com sabedoria restará alguma coisa para ele governar?

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Só um governo empreendedor pode nos tirar do buraco, talquei?

Artigo do Martin Wolf, do Financial Times, publicado pela Folha.

 

O crescimento da produção per capita determina os padrões de vida. A inovação determina o crescimento da produção per capita. Mas o que determina a inovação?

No brilhante “The Entrepreneurial State: Debunking Public vs,. Private Sector Myths” (O Estado Empreendedor, Desmascarando Mitos do Setor Público vs Privado), Mariana Mazzucato, professora de economia na Universidade de Sussex (Reino Unido), diz que o empreendedorismo privado é insuficiente para garantir a inovação.

Sim, a inovação depende da ousadia dos empreendedores. Mas a entidade que assume os maiores riscos e conquista os maiores avanços não é o setor privado, mas, sim, o muito criticado Estado.

Mazzucato aponta que “75% das novas entidades moleculares [aprovadas entre 1993 e 2004 pela FDA, a agência federal norte-americana que regulamenta e fiscaliza alimentos e remédios] tiveram origem em pesquisas… financiadas pelos laboratórios dos Institutos Nacionais da Saúde, nos Estados Unidos”.

A seguir, essas descobertas são transferidas a baixo preço para empresas privadas, que extraem grandes lucros.

Um exemplo talvez ainda mais significativo é a revolução na tecnologia da informação. A Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos bancou a pesquisa sobre o algoritmo que serve de base ao serviço de busca do Google.

O financiamento inicial da Apple veio do Programa de Inovação e Pesquisa para Pequenas Empresas, do governo dos Estados Unidos. “Todas as tecnologias que tornam um iPhone ‘inteligente’ foram bancadas pelo Estado, da tela touchscreen ao sistema Siri de assistência com comando de voz”.

CUSTO DA INOVAÇÃO

A importância do papel do Estado está nas imensas incertezas, nos prazos longos e nos custos elevados associados à inovação fundamentada em pesquisas científicas.

As companhias privadas não podem arcar com custos como esses, e não o fazem, em parte porque não estão certas de que haverá frutos a colher e em parte porque eles estão em um futuro distante.

De qualquer forma, o setor privado não poderia ter criado a internet ou o GPS. Só as Forças Armadas americanas contavam com os recursos necessários a isso.

Hoje, se o mundo quer continuar a realizar avanços quanto aos fundamentos das tecnologias de energia, os Estados terão grande papel a desempenhar. De fato, o governo dos Estados Unidos ajudou a bancar o desenvolvimento do método de fratura hidráulica para a exploração do xisto betuminoso.

RISCOS SOCIALIZADOS

O Estado é um empreendedor ativo, assumindo riscos e, é claro, aceitando os inevitáveis fracassos.

A autora adora demolir mitos sobre os capitalistas e seu amor ao risco e sobre os burocratas e sua aversão a ele. Será que importa que o papel do Estado no processo tenha sido excluído do registro? Ela argumenta que sim.

Em primeiro lugar, as autoridades econômicas passaram a acreditar cada vez mais no mito de que o Estado é apenas um obstáculo, e portanto privaram a inovação de apoio e a humanidade de suas melhores perspectivas de prosperidade.

O desdém com que o governo é tratado o priva da vontade e da capacidade de assumir riscos empresariais.

Em segundo lugar, os governos passaram cada vez mais a aceitar como natural que eles banquem os riscos e o setor privado colha as recompensas.

O que está emergindo, portanto, não é um ecossistema de inovação verdadeiramente simbiótico, mas um sistema parasitário, no qual a maior parte dos elementos deficitários são socializados enquanto os elementos de lucro são no geral privatizados.

Os contribuintes comuns sabem que seus impostos bancam as inovações fundamentais que propelem a economia?

Tradução de PAULO MIGLIACCI/’

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Um certo Capitão Tormenta

.

 

jjkjkjkj

O Avião Vermelho.

 

 

.

As Aventuras do Avião Vermelho, livro infantil escrito por Érico Veríssimo em 1936, foi provavelmente a primeira coisa que li na vida, incluindo títulos do Diário da Tarde, que ficava na rua Doutor Muricy, ao lado da pastelaria Ton Jon, e legendas da revista argentina Parati.

1936 foi um grande ano. Nasceu Luis Fernando Veríssimo. A irmã mais velha dele, Clarissa, tinha nome do romance de estreia de Érico, um sucesso de sete mil exemplares vendidos!.

Só depois de Olhai os Lírios do Campo (1938) – traduzido em várias línguas – o escritor começa a pesquisar temas históricos e encontra galopando numa coxilha o Capitão Rodrigo Cambará, herói de O Tempo e o Vento.

*

Sabe essas listas de melhores livros que você leu na vida? O Continente, um dos livros da trilogia O Tempo e o Vento, aparece com frequência.

Mas nas listas de melhores livros infantis não encontro O  Avião Vermelho. Miopia dos críticos. Lembram livros de décadas recentes (Menino Maluquinho, Meu Pé de Laranja Lima) e não olham para a primeira metade do século. Se olhassem, além de Erico Veríssimo encontrariam outro gigante, Monteiro Lobato, pai de Emília, Pedrinho, Narizinho, Dona Benta e Tia Nastácia. E a revista Tico-Tico.

*

Desconfio que aprendi a ler com a história do Fernandinho, que perdeu a mãe, sentiu-se abandonado e começou a aprontar.

O pai andava mergulhado no trabalho. Queria superar a perda da mulher. Para se reaproximar do menino, o pai dá-lhe um presente – o livro que conta as aventuras do Capitão Tormenta, piloto do avião vermelho.

Resumo do enredo: Para salvar o capitão, que ficou preso na península de Kamchatka, Fernandinho embarca no avião com seus brinquedos preferidos, o Ursinho e Chocolate. E voam da Lua ao fundo do mar, passando por África, China e Índia até chegar à Rússia. Nesse voar, é como se Fernandinho precisasse resolver seus problemas com o pai para realizar o rito de passagem.

*

Há alguns anos, O Avião Vermelho foi descoberto por Frederico Pinto e José Maia e virou animação com sotaque gaúcho. Ainda vai aparecer gente para transformá-lo em mangá e em vídeogame.

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Sábado no Mercado

.

 

jkjkjkj

.

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário