Não é só a torcida. Os caricaturistas que trabalham na Rambla, a muvuca de Barcelona, lembram com saudade do Ronaldinho Gaucho – aquele anterior ao ortodentista.
Eles ainda dizem que não dá

Abrigo de ônibus no bairro Barceloneta.
Com preguiça, empresários de ônibus e a Urbs garantem que não dá para ter painéis com horários nos pontos de ônibus. No máximo, nos terminais.
Em Barcelona, Berlim, Nova York e centenas de cidades pelo mundo os passageiros recebem informação online sobre o ônibus que vem ai.
Tudo depende de uma tela, um modem e uma rede que funcione bem.
Ah, em quase todo o mundo os passageiros esperam seus ônibus sentados nos abrigos. Os bancos não encarecem o sistema – o que encarece é a má administração.
Tempo de escracho
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Escrache (no Brasil escracho) é a palavra do ano para os espanhóis.
Tem sido muito usada para designar a manifestação popular frente à casa de um político para denunciar seus malfeitos.
O termo – conta El Periodico, de Barcelona – foi tomado de empréstimo do ativismo sul-americano, onde destacou-se o escracho frente ao apartamento do governador Sergio Cabral, no Rio de Janeiro e manifestações ocorridas na Argentina e Uruguai.
Agora, escrache vai entrar com todas as honras para o dicionário da Fundacion para o Espanhol Urgente-Fundéu, entidade constituída pela agência EFE e o banco BBVA, e assessorada pela Real Academia Espanhola para velar pelo bom uso do idioma nos meios de comunicação.
-Buscavamos uma palavra de interesse do ponto de vista linguístico e que tenha estado em destaque na atualidade – explica Joaquim Muller, diretor geral da Fundeo. -Escrache reúne qualidades sob dois aspectos: tem origem não de todo conhecida e se convertem em protagonista de fatos atuais, centro de uma polêmica em que se cruzavam elementos linguísticos e políticos.
O dicionário da Real Academia Espanhola não registra o substantivo e sim o verbo escrachar como expressão própria do espanhol de Buenos Aires com dois significados: romper ou destruir; fotografar uma pessoa.
O Dicionário de Americanismos da Associação de Academias de Lingua Espanhola acrescenta um terceiro significado para escrachar: deixar alguém em evidência.
Embora os espanhóis citem a década de 1990 como o período em que o termo começou a ser usado na Argentina, os primeiros registros são do início do século – aparece nos glossários de lunfardo, a gíria das classes baixas da Argentina. Nos anos 50 houve aquela importação de gráficos argentinos para o Brasil, entre eles grandes diagramadores que deram cara à Última Hora, Diario do Paraná e outros veículos.
Ouvi o Benjamin Stainer reclamar a demora na entrega do escrache de marginal apresentado na delegacia. Numa briga na Boate Marrocos, um repórter ameaçou o garçon que trouxe a conta, onde foram acrescentados dez copetins tomados por uma bailarina uruguaia:
-Isso é roubo! Vou te escrachar na Tribuna!
O dicionário Aulete online dá três significados para escrachar. Está la:
(es.cra.char) Bras. verbo
1. Desmoralizar, desmascarar, revelar as intenções de alguém que tentava ocultá-las
2. Fotografar e fichar na polícia.
3. Repreender asperamente, descompor; ESCULACHAR
O trânsito
Em 2010, depois dos terríveis crimes de trânsito, Curitiba se mobilizou.
E rapidamente se desmobilizou, porque ninguém é de ferro.
Sobrou esta placa, no Parque do Barigui, assinada pelo prefeito Beto Richa e pela Federação Nacional de Seguros, prometendo segurança no trânsito.
Os números entretanto dizem que a promessa ainda não foi cumprida.
A turma do Estado
Mesa no Blue Note
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Vejo no jornal que Oscar Peterson está no Blue Note. Mas só hoje à noite.
O Blue Note é o único local de visita obrigatória em Nova York. Devia constar em todos os guias e na Constituição dos Estados Unidos. Se essa terra tem um exemplo de fraternidade universal, de tolerância cósmica é o templo do jazz do Village, frequentado por hordas de brasileiros, japoneses e agora chineses.
Não dá para fazer reserva. Sold out.
Se fosse um cidadão inglês me conformava. Como brasileiro, malandro, inzoneiro, peguei o trem A, desci na Rua 4 e fui para a fila das reservas canceladas. Uma garçonete brasileira passava e ouviu minha prece.
-Serve no bar?
Claro que serve, amiga irmã. Porque do bar passei para uma mesa com mais seis pessoas. Ou oito. Uma inacreditável mesa frente ao piano.
Oscar Peterson que lutava contra a artrite, sofreu um derrame em 1993. Levou dois anos se recuperando e voltou aos shows. Estava limitado à mão direita, a esquerda servia para garantir o swing nos graves. Mas que mão direita!
Na mesa apertada todos ficamos obrigatoriamente íntimos. Um casal de professores de Coney Island conta que vive no melhor lugar da cidade, considerando o custo/benefício. Para chegar, só vinte minutos de trem, a linha D é expressa, eles descem na Rua 4 e caminham um pouco. Havia também dois colombianos e não sei mais quem.
É de arrepiar ver os 125 quilos de Oscar Peterson caminhando pelo palco, uma alegria só. Começar com os standards, um depois do outro, um melhor do que o outro, até fim do horário do primeiro set . Foi embora sem muita despedida, apenas aquele grande sorriso.
Achei no arquivo o tocador de marimbas de uma estação do trem A e no You Tube uma gravação de Take the A Train de 1968, onde se ouve Peterson em grande forma. Depois da doença, ele gravou um disco pela Verve, que acho muito bom, mas os críticos dizem que não é seu melhor trabalho.
É época de celebrar Oscar Peterson, que morreu um dia antes do Natal – 23 de dezembro de 2007.
Em sua biografia ele conta o segredo que ensinou a seus alunos de jazz na Universidade de Toronto – estudem Bach, especialmente O Cravo Bem temperado, as Variações Goldberg e a Arte da Fuga. Quem aprender será um pianista sério no futuro.







