Esse Wanderson que escreveu uma História do Coritiba será um escritor-fantasma?

Wanderson Dias é um dos autores mais prolíficos da Amazon. Como conta em seu site, escreve desde 2005 – e não escreve exclusivamente sobre o Coritiba. Nem exclusivamente sobre futebol.

Esse autor é um fenômeno. Seus livros vão de história de clubes de futebol – Coritiba, Internacional, Cruzeiro e Flamengo – a temas policiais (O Bandido da Luz Vermelha, sobre o criminoso João Acácio Pereira da Costa), técnicos (Aprenda a Pilotar Drones), agropastoris (Guia Completo para Criadores de Gansos), jurídicos (Direito Empresarial Complexo) e aleatórios (um e-book sobre como acertar na Lotofácil, em PDF).

Perguntei à IA do Google se por acaso ela foi a autora de algum desses livros. Negou, mas enviou um comentário esclarecedor.

“O perfil é de produção em série de e-books sobre qualquer assunto. Mas observe que fala sobre “ficheiro” para arquivo e não cita fontes.“

Perguntei se Wanderson Dias, com seu português de Portugal, ao menos existe.

“Pode ser um pseudônimo comercial, como pode também ser uma pessoa real chamada Wanderson Dias. No Linkedin há centenas de perfis com esse nome.“

A IA se despediu com uma última observação.

“É bem provável que esses livros sejam escritos com muita ajuda da inteligência artificial.“

Na História do Coritiba do Wanderson Dias não há informações novas. Parece que a IA foi juntando um pedacinho daqui, um pedacinho dali até chegar ao tamanho padrão de 100 páginas que a Amazon edita de graça. Não existe entrevista ou sinal de que algum humano se enfiou na Biblioteca Pública ou no Arquivo Público para encontrar fotos, confirmar dados ou acrescentar uma palavra que não esteja em livros já publicados.

Isso é grave. O livro, com sua absoluta inutilidade, está no catálogo da Amazon e eventualmente toma tempo de interessados em futebol paranaense que poderiam estar lendo a pesquisa real, suada, do Sergio Brandão, de Carneiro Neto e Vinícius Coelho, autores do best-seller sobre os Atletibas, dos Helênicos, do Carlos Alberto (Nego) Pessoa, Dias Lopes e outros.

No Brasil não há lei proibido a publicação de livros escritos pela IA. A regulamentação do assunto tramita pela Câmara Federal com velocidade mil vezes menor do que, por exemplo, uma emenda pix.

Por enquando, o máximo que podemos fazer é propor às pessoas de bem que declarem Wanderson Dias um não-autor, responsável pelos não-livros que continuam na estante da Amazon.

Como sei que são não-livros? Fácil: é impossível encontrar em jornais, blogs e podcasts uma palavra sobre Wanderson Dias. Que também não é achado na Biblioteca Pública. Ou num sebo. Ou na biblioteca de um amigo, roubado de outro amigo, com dedicatória de terceiro amigo – todos com CPF, carteirinha de associado do clube, dívida no cartão de crédito.

Abaixo o Wanderson!

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P.S. – Imagem criada pelo Claude

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