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Suas composições são dedicadas a Amadeo Modigliani, aos autores das trilhas dos filmes do expressionismo alemão, a Pierre-Auguste Renoir e também a Charles Bukowski, Angeli, Rage Against the Machine, Pink Floyd, Robert Rodriguez, Quentin Tarantino, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal e Chico Science. Por último, mas não em último, vêm José Celso Martinez Corrêa e o Teatro Oficina.
Imagino que o concerto de ontem no Teatro Paiol deva ter sido dedicado a Dalton Trevisan, que defende o silêncio do artista. Nada de entrevistas, nem de tititi com a plateia. O que interessa não é sua conversa, é sua obra.
Daltonianamente, Vitor Araujo não disse uma palavra e fugiu do palco ao terminar o show. Chamado de volta com insistentes aplausos, tocou um bis e fugiu novamente. Ninguém tirou dele um autógrafo, um boa noite, um simples oi. Toda comunicação foi feita com projeções, incluindo a informação de que estava intimidado pela responsabilidade de tocar no Paiol.
E o aviso: “Fim”.
É um talentoso compositor, que mistura pop, rock pesado e música erudita. Abusa de experimentações. Chegou a misturar uma transmissão de rádio para acrescentar, no estilo de John Cage, uma informação pop à obra – uma novidade de 80 anos atrás. Mas tem técnica, estilo e sobretudo imaginação, que é a argamassa com que se fazem os grandes astros.
Valeu o ingresso.
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A notícia está nos jornais.
Duas hipóteses.
1. É apenas um passo na reaproximação entre Beto e Gustavo.
2. É uma tentativa sincera de resolver um problema que não é só de Curitiba. No metrô há dinheiro do governo federal e haverá outros dinheiros, provavelmente de financiamentos externos. Em compensação, o metrô vai amenizar uma parte dos dramas da RMC.
A gestão compartilhada – é disso que estamos falando? Se for, aleluia! – é o modelo que funciona em todo o mundo. Não dá para resolver o transporte público de Curitiba sem considerar as realidades da região metropolitana.
E não dá para gerir a RMC a partir da URBS, que é municipal, nem da Comec, que no momento não é nada. Funcionários antigos se aposentam e não são repostos. Falta dinheiro. Às vezes falta até sabonete no banheiro.
É necessário pensar nisso – como criar um ente jurídico novo, com autoridade maior do que cada uma das prefeituras e missão de resolver os problemas de transporte da Região Metropolitana de Curitiba? Por ato do governo federal, como no tempo da ditadura? Ou por decisão dos governos interessados?
Não sei, mas o importante começar o trabalho. Ouvir o mais cedo possível prefeitos de Colombo, Araucária, São José dos Pinhais, Almirante Tamandaré, Pinhais. Não adianta chamar o prefeito da Lapa, ele não tem como contribuir para as decisões daqui. Nem o de Imbituva ou Bocaiuva do Sul. Talvez mais tarde, quando o expresso seguir para lá.
Vale a pena dar uma olhada no que está acontecendo pelo mundo. Se não der para copiar, serve para inspirar. Na Inglaterra surgiu, em 2011, a The Greater Manchester Combined Authority GMCA). Ela reune dez autoridades em um ente jurídico que tem poderes para coordenar o desenvolvimento econômico, resolver questões de transporte e do meio ambiente.
A GMCA herda a experiência de 25 anos de colaboração voluntário através da Association of Greater Manchester Authorities (AGMA). Outras informações estão em www.agma.gov.uk
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Acabou o governo Obama.
O presidente Obama passa de pé frio a lame duck, pato manco na gíria política. Alguém que está lá para cumprimentar o presidente da Nicaragua em visita a Washington. E apresentar anualmente ao Congresso seu relatório sobre o estado da União. Com o governo avaliado lá embaixo, pouco vai influir na própria sucessão. Se Hillary quiser ter chance de ganhar, fará campanha fingindo que o apoio presidencial não existe.
O trabalho dos republicanos pode servir de exemplo aos brasileiros. Foi uma vitória da humildade, de quem reconhece as próprias falhas. O resultado mostra que é importante ter um partido organizado, que funcione doze meses por ano – e não apenas nas vésperas de eleição.
E organizadamente pensar no time de candidatos que vai colocar em campo. Às vezes, o maior inimigo não mora do lado de lá, está no seu palanque dizendo besteiras radicais, destilando ódio às minorias, condenando programas sociais.
Nesta eleição, os dirigentes republicanos trataram de deixar de lado gente como o terrível Chrys McDaniel, uma mistura de Bolsonaro com Raquel Sherazade, que ataca o hip-hop em seu programa de rádio, refere-se aos mexicanos como “mamacitas”, debocha dos gays e das mulheres.
Gente intolerante é material de primeira qualidade nas mãos dos marqueteiros. Eles podiam, com um mínimo de talento, embalar todos os candidatos republicanos ao senado no mesmo pacote e apresentá-los como “mini McDaniels”.
Jeremy W. Peters e Carl Hulse, no New York Times, analisaram a vitória como o sucesso de um cuidadoso processo de veto a candidatos indesejados e abundante treinamento para garantir que os candidatos não iriam repetir os erros que custaram as derrotas de 2010 e 2012.
Pouca coisa foi deixada ao acaso. Equipes de vídeo gravaram cada entrevista e cada discurso de seus próprio candidatos. Em sessões de mídia training, eles eram apresentados a gravações com as grandes asneiras ditas em campanhas anteriores – quando comentários de Richard Mourdock e Todd Akins sobre estupro e gravidez ajudaram a afundar o partido. (Akins disse que era contra o aborto mesmo em caso de estupro. “O corpo da mulher tem recursos para se livrar da coisa”, garantiu.)
Aqui, Aécio Neves chamou Dilma de “leviana” no debate e mais tarde garganteou: “Em 1º de janeiro, quando você estiver procurando emprego, estarei executando meu programa de governo.”
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Velocita primato dell’Italia fascista é um poster que homenageia o recorde de 709 km/h estabelecido em 1932 por um hidroavião italiano equipado com motor Fiat.
De vez em quando repito que velocidade e autoritarismo são a mesma coisa.
E insisto – as altas velocidades levam inexoravelmente ao fascismo. Foi assim nos anos 1930. Benito Mussolini aplaudiu quando Tasio Nuvolari humilhou o mundo com a supervelocidade de sua Alfa Romeo P3, “Il Cavallino Rampante”, ou a Maserati 3000, de 8 cilindros.
Power é poder. Qualquer idiota que compra uma camioneta SUV não precisa nem de anfetamina para se achar o rei da estrada. Ultrapassa pela direita, cresce a 150 por hora no seu retrovisor mandando você sair da frente.
Idiotas mais pobres compram uma pick-up e saem costurando na via rápida. Ultrapassam pela direita e crescem a mil por hora no seu retrovisor, no intervalo entre dois radares.
Ontem, no curtíssimo espaço de 20 minutos, uma pessoa foi atropelada na Silva Jardim, esquina com Nunes Machado (14h12), um motoqueiro ficou ferido em choque com ônibus na Erasto Gaertner (14h24) e outra pessoa foi atropelada na Linha Verde Norte, após o viaduto da Avenida das Torres (14h35).
O filósofo Pierre Sansot advogava o urbanismo da lentidão, mesmo reconhecendo que criaturas lentas não gozam boa reputação. Queria um urbanismo que, sem impedir a livre circulação de pessoas e mercadorias, levasse a sério a necessidade de viver e, em consequência, ficar atrás.
“Identifico a lentidão com a ternura, o respeito e a graça das quais o homem e os elementos algumas vezes provam ser capazes.” Por isso, o filósofo assumiu o compromisso de viver lentamente, religiosamente e atentamente durante todas as estações e estágios de sua existência. (Procure no Google ou na livraria “Du Bom Usage de la Lenteur” ou, se preferir “On de Good Use of Slowness”).
Fiquei extasiado numa rua de Londres ao ver dois bicicleteiros pedalando tranquilos na frente daquele ônibus vermelho de dois andares. A pista é exclusiva de ônibus e bicicletas, com ênfase para o “e”.
E a cara do motorista, era de ódio contido? Nada disse. Dirigia com a calma de um monje budista, talvez prevendo que em alguma esquina próxima, as bicicletas tomariam uma rua lateral. Ou talvez feliz porque naquela velocidade – uns vinte por hora – os passageiros, principalmente os do andar de cima, iam aproveitar muito bem a paisagem.
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“Médicos britânicos afirmam que bebidas alcoólicas vendidas no país deveriam ter uma indicação das calorias que contêm para reduzir a obesidade na Grã-Bretanha.
Os membros da Sociedade Real para Saúde Pública alertam que um copo grande de vinho pode conter cerca de 200 calorias, o mesmo de uma rosquinha doce recheada.”
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Você tem um Hyundai? Desconfie dele.
O governo americano acaba de multar as fábricas Hyundai e Kia em 300 milhões de dólares por exagerarem nas informações sobre a economia de combustível dos veículos.
A multa vai ser paga em duas partes: 100 milhões em dinheiro e 200 milhões com o depósito de créditos de carbono.
O New York Times diz hoje que a pena é a maior já aplicada pelo governo por infração ao Clear Air Act, a lei destinada a melhorar a qualidade do ar. As duas marcas pertencem ao mesmo grupo coreano.
O representante do Departamento de Justiça disse esperar que a punição sirva de exemplo para fabricantes de todo o mundo, que também estejam enganando o público sobre a redução das emissões poluentes.
A Hyundai e a Kia pediram desculpas pelo que chamaram de “erros de procedimento” – em bom português, pela má conduta nos testes que resultaram nos números colados no parabrisa dos modelos mais populares, o Hyundai Elantra (que lá custa 14,2 mil dólares) e o Kia Rio.
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Conselho de amigo: não saia gastando o 13º feito um sheik do petróleo.
Porque o aumento da taxa Selic não foi uma maldade pós-eleitoral da Dilma.
O Financial Times explica que a cautela reflete a decisão do Fed, o banco central dos Estados Unidos. (Por isso, os economistas apelidaram o Brasil de “economia reflexa”). Quarta-feira aumentou os juros dos títulos públicos norte-americanos foram elevados. Isso vai atrair para os EUA dinheiro que estava no Brasil. A decisão assinala o início de tempos difíceis.
A economia chinesa desacelerou.
O Banco do Japão anunciou que vai comprar títulos da dívida pública. Com isso, vai aumentar o dinheiro disponível para aquecer a economia.
Alguma medida parecida pode aparecer na zona do euro. Mesmo na Alemanha houve redução da demanda.
Com isso, o preço das comodities – petróleo, minérios, alimentos – prossegue seu prolongado período de queda.
E o nível de endividamento de vários países do grupo dos emergentes, inclusive o Brasil, continua alto.