Os mortos de Curitiba nos abençoam

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Rafael Greca. (Foto BemParaná)

 

 

Está no BEMPARANÁ:

 

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), afirmou que as 854 pessoas mortas em Curitiba pelo Covid-19 “agradecem” pelo tratamento recebido pelo sistema de saúde da Capital paranaense. A afirmação foi uma resposta ao questionamento sobre como a atual gestão enfrentou a pandemia do coronavírus na cidade.

“Nós já temos 854 mortos. Mas eu tenho certeza de que do outro lado do caminho, eles nos abençoam, eles nos agradecem que seus momentos finais não foram de agonia, nem de padecimento, mas foram de conforto e a eles nada faltou”, disse o prefeito, em entrevista ao jornalista João Ribeiro, de Ponta Grossa (Campos Gerais).

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NINGUÉM LEVA A CHAMPIONS LEAGUE POR ACASO

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Ele ganha 7,6 milhões de dólares por ano, fora os prêmios. E merece cada dólar que ganha. (foto Wikipedia)

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Ganha quem tem mais posse de bola: 62 a 38%.

Ganha quem faz mais faltas para evitar contra-ataques: 22 a 15.

Além de fazer mais faltas e ter mais posse de bola, o Bayern tem no gol Neuer.

São Manuel Neuer.

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Trotsky. Assista com moderação

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Herói de filmes de ação ou rock star? 

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O resumo da nova série do Netflix está em PopKult, portal de propaganda soft do regime de russo.

Trotsky é uma mini-série de oito episódios sobre a vida de Leon Trotsky. Dirigido por Alexander Kott e Konstantin Statsky. O ator Konstantin Khabensky faz Leon Trotsky, reprisando um papel que ele criou e desempenhou dez anos atrás na série biográfica Esenin, dedicated to Soviet poet Sergei Esenin. Trotsky foi criado em colaboração com PP Productions of Mexico and Sreda Productions da Russia.

Apesar da distribuição internacional e de vários prêmios conquistados, Trotsky tem sido bastante criticado por imprecisões históricas e pelo tom melodramático. Em resposta, o produtor Konstantin Ernst declarou que a séria foi criada como ficção baseada na biografia do político e não como documentário.

 

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A Rússia possui uma poderosa máquina de propaganda capaz até de interferir nas eleições norte-americanas de 2016 para facilitar a eleição de Donald Trump. A série Trotsky, produzida em 2017 pelo Canal 1 pode ser assistida no Netflix e deve ser encarada como um produto da propaganda de Putin.

Benjamin Stephens escreveu no Jacobin, publicação da esquerda norte-americana: “Putin está reescrevendo a história de maneira sinistra para agradar à direita que domina a política na Russia atual.

“Em apenas 45 minutos da primeira parte, você descobre que Trotsky transmite, além de sexo e violência, um conjunto de imagens selvagemente antissemitas que vem de uma longa e tradição do pensamento reacionário russo. A série parece um casamento da política antideluviana dos aristocráticos imigrantes russos brancos com a estética populista contemporânea de Zack Snyder ou Chistopher Nolan.Mostra Trotsky como a mente que forjou a revolução por trás da figura de Lenin.”

Assim como a extrema direita contemporânea renovou-se chamando a si mesma de “populista” em oposição aos “globalistas” sustentados pelo “dinheiro do Soros”, Trotsky empacotou seu recado político em estética populista. Não se trata de um épico histórico meticulosamente elaborado como os de Eisenstein, Bondarchuk ou Tarkovsky. É uma colorida narrativa de supervilões, apimentada com toques de sexo e violência.

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Nicole Ford, in Foreign Affairs, tem uma visão parecida: “A série de oito capítulos reduz os líderes da Revolução de 17 a simples arquétipos, copiados das séries de gangsters da época de ouro de Hollywood. Lenine é o Edward G. Robison do melodrama – baixa estatuta mas cheio de ameaças megalomaníacas. Stalin tem o jeito frio, raivoso, mas controlado de George Raft. E Trotsky é uma espécie de James Gagney, capaz de tiradas épicas e atos cruéis.”

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Uma das críticas mais duras vem do World Socialist Web Site e começa pelo título da matéria: “Um degradante espetáculo de falsificação da história e de antissemitismo.”

“A minissérie é uma exposição da depravação política, intelectual e cultural de todos os envolvidos no patrocínio e produção dessa grotesca falsificação da história. Ele mistura mentiras, pornografia, anti-comunismo e anti-seminismo.”

“O regime de Stalin, que procurava se apresentar como a continuação política da revolução socialista de 1917, retratou Trotsky como agente do imperialismo britânico, do fascismo alemão e dos japoneses. O governo de Putin, que tenta se apresentar como a ressurreição da Mãe Russia, retrata Trotsky como um judeu bolchevique anti-Cristo.”

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El Pais publica matéria assinada por Maria R. Sahuquillo e David Marcial Pérez, que ouviram historiadores e o Volkov Bronstein, neto de Trotsky. Todos consideram a série cheia de invenções. “Entre as muitas falsidades que encontraram naquele roteiro: 1) que Ramón Mercader, seu assassino, era amante de Frida Kahlo, 2) que o criminoso era seu biógrafo, 3) que o assassinato ocorreu em legitima defesa.”

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The Guardian ainda não publicou nova resenha que o lançamento internacional parece exigir. Na de dois anos atrás, o correspondente em Moscou Shaun Walker citou o produtor Konstantin Ernst sobre o motivo de não escolherem Lenin para estrelar o show do centenário da revolução russa: “Trotsky era um verdadeiro rock star, e foi assim durante toda sua vida, não apenas durante a Revolução de Outubro”.

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Há policia demais, segurança de menos

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Em Havana.

 

Tem a polícia militarizada, força auxiliar do exército, que atira bala de borracha, esguicha spray de pimenta, usa arma de choque, isca o cachorro em cima de você.

Tem a polícia barra pesada, metralhadora na mão, granada na cintura, caveirão na esquina, que vai buscar bandido no mocó.

E tem a polícia de vizinhança. Décadas atrás patrulhavam as ruas de Curitiba. Parece que se mudaram e ninguém sabe para onde foram.

Talvez para Caiscais, a 30 minutos de trem de Lisboa.

Vi duplas de policiais pedalando, perdão, a pedalar pela praia e nas ruas de petit pavet com desenho igual ao da calçada de Copacabana. Sorriem para as pessoas e atuam como mediadores em incidentes com turistas.

Não precisam arma. Estão presentes, ponto.

A dupla a pedalar (ou a caminhar) pela rua já se chamou Cosme e Damião em homenagem aos santos do dia 27 de setembro.

Os Cosme e Damião transmitiam ao bairro uma sensação de segurança e paz. “Autoridade, respeito e cortesia”, alguém lembra disso?

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Um herói trágico e seu pensamento excessivo

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Guardiola na derrota ante o Lyon. (The Guardian)

 

Se um time pequeno perde, normal. Pequenos lutam para não cair.

Mas se for grande, principalmente se for inglês e especialmente se for o Manchester City, bancado pelo sheik Mansour bin Zayer Al-Nahyan, cuja fortuna é superior a um trilhão de dólares, a derrota é trágica.

O City está fora da Champions League. Perdeu sábado para o Sevilha com alguns dos principais jogadores no banco.

Pior: perdeu sem glória, jogando na defensiva, mesmo tendo um elenco superior e sob a direção do melhor técnico do mundo.

Suspeita-se que Pep Guardiola pensou demais. E inventou de jogar no esquema rope-and-dope.

Essa estratégia vem do boxe. Ficou famosa por causa do campeão Mohammed Ali, que a utilizou na luta contra George Foreman, em 1974. Ali encostou-se nas cordas (ropes) e chamou o adversário. Foreman bateu, bateu, mas boa parte da força dos socos era absorvida pelas cordas elásticas. No quinto round cansou e no oitavo levou uma saraivada de golpes até o nocaute (dope).

Durante dias e noites intermináveis no hotel de Lisboa, onde o City aguardava a hora de jogas contra o Lyon, 7º colocado no campeonato francês, Pep Guardiola pensou. E chegou à conclusão de que dava para vencer sem alguns titulares, que ajudariam na partida final, provavelmente contra o Bayern de Munique.

Até dá para entender o rope-and-dope transposto para o futebol. O Corinthians de Tite e de Carille jogava assim. Os técnicos de clubes menores repetem: “Tem que sofrer na defesa, cansar o adversário, e ganhar em um contra-ataque rápido.” Jogam por uma bola.

O Manchester City esbanja craques. Guardiola sabia o risco de tomar um gol inesperado e não conseguir virar. Mas queria chegar inteiro à grande final da Champions, que não conquista desde 2011.

“Há algo de arquetípico nesse drama”, analisou o jornalista esportivo Jonathan Wilson (*) no Guardian. “Vemos o gênio atormentado pelo desejo desesperado de vencer um torneio. Isso é tragédia grega – o herói não apenas incapaz de escapar de seu destino, mas inadvertidamente construindo as circunstâncias da derrota. É também budista: o desejo leva ao sofrimento e apenas na ausência de sofrimento pode-se chegar ao nirvana.”

E conclui: “A má sorte de dez anos seguidos desenvolveu a tendência ao pensamento excessivo.”

 

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(*) Jonathan Wilson é autor de 11 livros, entre eles a “Pirâmide Invertida – A História da Tática no Futebol”. A boa tradução é de André Kfouri.

 

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Ai de ti, Curitiba

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O bom tempo passou, a represa secou. (Foto BemParaná)

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A Sanepar acelera as obras da Barragem do Miringuava, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, diz a notícia vinda do Palácio.

Por que não acelerou antes, Sanepar? A segunda etapa do Miringuava está prevista desde 1998, quando a Renault inaugurou a primeira fábrica em São José dos Pinhais.

Agora está na quarta.

Era fácil prever o futuro. Com a montadora vêm os fornecedores. Os empregados se instalam por perto. É preciso mais água e esgoto.

Não bastasse a Renault, chegou a Volks-Audi. Mais fornecedores, mais trabalhadores, mais casas em São José e na Região Sul de Curitiba.

Todo empavonado, o Paraná fez festa quando chegaram as montadoras. Fez festa só, não: fez acessos viários, construiu linhas de transmissão, ampliou o aeroporto, além de diferir o pagamento de impostos e intermediar financiamentos do BNDES. Só não fez a nova represa.

Agora a coisa está desse jeito: o sistema de coleta, tratamento e distribuição de água não atende a todos. Inventaram o rodizio, apelido bonitinho para racionamento. E repetem promessas. “É para dezembro”, sem falta.

Ficamos sem água e sem chuva, o Rio Belém cheirando cocô, rodeado de covids nesse inverno quente. Flagelados da seca. Na esquina uma mulher acena com um cartaz de cartolina: ESTOU COM FOME.

Parece a Curitiba dos textos do Dalton. Ai de ti, cidade metida a ecológica, que tentou ser a Capital Social do Brasil. Os famintos se aglomeram na Praça Tiradentes. Mantenham-se em fila para a sopa da igreja.

Vieram todos – até os suicidas que se lançaram nas cavas e deram com a cara no lodo.

Não desesperem, os trabalhos acontecem em ritmo acelerado, dia e noite, propagandeia a comunicação do Ratinho. A companhia de água divulga um vídeo sobre “o estágio atual da construção”. E ameaça: “Cada vez que você lava as mãos com a torneira aberta são 7 litros de água”.

Que tal lavar com a torneira fechada? Curitiba, a inovadora, lançaria a Operação Mãos Sujas.

 

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Não acredite em nada a menos que tenha sido oficialmente desmentido

 

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Ninguém mais é pão-duro, sovina ou mão de vaca. Ser frugal entrou na moda

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Os restaurantes chineses começam a oferecer embalagem para a comida que sobrou na mesa. (Foto The Guardian)

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本报记者暗访某餐馆:4人点了8份菜 没有一盘全吃光

 

O desperdício é vergonhoso, a frugalidade é honrada, disse o líder Xi Jinping.

A pandemia diminuiu as colheitas e o presidente da China lançou uma campanha nacional contra o desperdício de alimentos. Os jornais imediatamente apoiaram, como comprova a manchete acima.

Os chineses vão adotar um sistema denominado “Pedido N – 1”. Significa que um grupo deve pedir um prato a menos do que o número de pessoas à mesa.

Tudo meio parecido com o que acontece no Brasil onde a gente pergunta: “Dá pra dividir?”

Só que aqui, reflete um curitibano frugalista(*), a divisão é parte essencial da nossa cultura.

-No país da rachadinha é natural o bife rachadinho.

 

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Minha avó Sinhara sempre apoiou o consumo austero.

-A gente não deve desperdiçar comida – ensinava aos netos no almoço de domingo.

E como não há obediência sem um pouco de coerção, completava:

-Quem não limpar o prato fica sem sobremesa!

 

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(*) Frugalista está na nova edição do dicionário Oxford. Neologism: frugal + ista: “a person who lives a frugal lifestyle but stays fashionable and healthy by swapping clothes, buying secondhand, growing own produce, etc.

Em tradução rápida, “uma pessoa com estilo de vida frugal mas que se mantém elegante e saudável trocando roupas, comprando de segunda mão, cultivando seus próprios alimentos etc.”

 

 

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Um poeta marqueteiro

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Jaime Valente é poeta e consultor de marketing.

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É preciso saudar o poeta Jaime Valente pela publicação de seu livro “Poesia Empírica”(*). Gostei. Trata-se de valorosa aventura literária nesses tempos de aflição. O autor está inseguro (“Até onde vou/ se já fui/ quem sou?”), mas não se envergonha de ser romântico.

 

Um beijo

Parece pouco,

Mas traduz a língua 

Do silêncio

Do outro

Em mim

 

Modesto, se apresenta:

 

Sou poeta feliz

Ou apenas um delirante

Aprendiz.

 

Explica melhor:

 

Eu brinco com as letras,

E elas decidem o destino

Do que penso.

O poeta e o poema

São, de fato,

Efêmera transgressão

Do tempo.

 

Formado em engenharia, o Valente desviou-se para a consultoria de marketing  e agora, aos 57 anos, confessa que produz poemas desde a adolescência e dessa maneira dá sentido ao que fazemos por aqui. Com esperança, avisa:

 

estou em quarentena

pronto para estrelar

a próxima cena

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(*) “Poesia Empírica”, 108 páginas, editado pelo Clube dos Autores, 2020

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A COMPULSÃO DA TELINHA, O BARATO DOS LIKES

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Alter analisa uma nova categoria de vício: o vício comportamental e oferece ferramentas para as vítimas – que somos todos nós – fugirem do perigo.

 

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O Eduardo Moreira deu a dica em seu canal do YouTube: leia “Irresistible”, de Adam Alter. O subtítulo explica o livro: The Rise of Addictive Technology and the Business of Keeping us Hooked. Traduzido do meu jeito dá: “O Advento da Tecnologia Viciante e do Negócio de nos Manter Ligados”.

O pai que neste momento tenta em vão tirar o garoto da telinha ou do joguinho precisa ler com muita atenção. Vai descobrir um jeito para levar o menino a bater uma bola lá fora.

Pela resenha da NPR, a rede pública de rádio dos EUA, vemos que comportamentos podem se transformar em vícios. Vicio mesmo. Como o alcool. Como o jogo. Como a cocaína.

Os especialistas estão apenas iniciando pesquisas na área. O professor Alter ensina psicologia na Universidade de Nova York e está na liderança da pesquisa sobre o que faz dos joguinhos uma coisa tão compulsiva. Ele avalia também o alto preço que todos teremos de pagar se continuarmos nesse caminho.

O trabalho de Alter nos leva ao interior do cérebro no exato momento em que marcamos um ponto no joguinho do celular, ou vemos que alguém deu um like na foto que postamos no Instagram. Uma boa quantidade de dopamina e liberada e vai para um ponto do cérebro identificado como centro do prazer.

Você fica feliz por um tempo – e logo quer sentir mais prazer. Está viciado.

Sair do vício, de qualquer vício, requer apoio da família, assistência psicológica. O professor ensina o caminho. Coloca as opções para superar o problema antes que o vício nos consuma. Trata-se, afinal, de ignorar o ding do novo e-mail, o próximo episódio da série viciante da TV ou o desejo de jogar só mais uma partida.

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