Vai ter Copa

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Veio de Almirante Tamandaré para dar exemplo.

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Estou estranhando. A maioria dos motoristas de Curitiba finge que não vai ter Copa.

Claro que estão enganados. Também estão enganados os donos de hotéis que sofrem com a meia lotação – muito abaixo dos cálculos iniciais. Aquela multidão de turistas endinheirados não veio, verdade. Mas a Fifa vendeu quase todos os lugares do Estádio Joaquim Américo, renomeado Arena Stadium na sinalização de rua. (Arena e Stadium são sinônimos, mas esqueça.)

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A arte da redundância.


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Clique para ouvir as músicas para cantar a partir de quinta-feira.

A Fifa vai ter lucro de 10 bilhões de reais com a Copa do Mundo.

Com parte desse dinheiro, poderia ajudar a investigar a idoneidade dos dirigentes mundiais do futebol, acusados de receber propina para levar o torneio de 2022 para o Catar.

De qualquer forma, o Brasil espera 600 mil turistas durante o mês da Copa. E se prepara para ganhar dinheiro com eles. Um espetinho na praia de Ipanema está custando 25 reais – era 5. A vuvuzela foi relançada a 50, apesar de proibida nos estádios da Fifa.
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Vuvuzela não pode no estádio. Vai querer assim mesmo? (Mario Tama/Getty Images)


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Um lado positivo da Copa é a denúncia de que o tutu bola (tolypeutes tricinctus), rebatizado como Fuleco, está seriamente ameaçada de extinção. Mas, por enquanto, a Fifa e o governo brasileiro limitaram-se a eleger seu mascote, sem dizer o que estão fazendo pelo tatu-bola.
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Onde está nossa capacidade de resolver problemas?

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Se não há dinheiro, não há assalto.

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O que é mais importante: garantir o emprego dos cobradores ou universalizar o uso de cartão magnético nos ônibus?

Só 55 em cada 100 curitibanos usam cartão. Quando todo o mundo usar não haverá mais catracas – logo, não haverá pula-catracas. Não haverá cofres, nem assaltos. E o embarque será mais rápido.

Os cobradores não vão ficar desempregados – vão trabalhar como fiscais ou motoristas.

É assim que funciona no mundo inteiro.

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Pombinho e a grande miniaturizadora

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A arte de Pombinho.

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Encontrei Manuel Pombinho cuidando de sua exposição no Shopping de Caiscais.

É um apaixonado por Curitiba. Aqui morou três anos, trabalhou no Solar do Barão e estudou gravura com Denise Roman, nossa grande miniaturizadora.

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Sem selfie

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Proibido.


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Tablet não pode. Então, para que estão instalando banda larga nos estádios?

Vovuzela não pode. Mas a Fifa ganhou milhões com a venda de vovuzelas na Copa da Africa do Sul.

Veja, no site oficial Código de Conduta no Estádio, tudo que pode ou não pode nos jogos da Copa.

Ordem do governo? Não, ordem da Fifa.

A Folha de S. Paulo adverte: “Vai ser uma Copa sem selfies”.

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Praça da Espanha

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O samba mudou para a Praça de Espanha. LV Soho.

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Pobre samba meu

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Aqui, na avenida dos grãfinos, o samba não vem, não.


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Pandeiro, tamborim e violão aqui não tem cotação

Rua Comendador Araujo, 938, lembram do Bar Acadêmicos do Salgueiro?

Era muito novo, inaugurado em 2011.

De quarta a domingo, tinha som ao vivo. Era samba de raiz, chorinho, samba-rock, gafieira e samba enredo.

Não deu certo. Fechou. Hoje é a balada Freedom.

Curitiba é o cemitério do samba.
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Mudou o som..

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Caiscais

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A vila com cheiro de maresia.

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Há imagens urgentes, que dão ordens e exigem decisões.

Agora, por exemplo, sei que tenho de voltar a Caiscais, homenagear essa praia que deu certo.

É linda, limpa, leve, breve, suave.

A calçada de petit pave não solta pedra.

Não tenho de ficar lá a vida inteira. Se for necessário, em 45 minutos o trem me leva de volta para Lisboa.

Está em Fernando Pessoa: “a dor é já de pensar, órfão de um sonho suspenso pela maré a vazar…”

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A volta da voz

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Iris Lettieri. (Foto da Revista Epoca)


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Ainda não voltei a ouvir a voz de Iris Lettieri no Aeroporto do Galeão.

Após a privatização, a Odbrecht resolveu cortar custos – e a voz mais famosa da aviação civil brasileira estava entre eles.

Houve protesto dos usuários, o prefeito Eduardo Paes interveio, a dispensa foi reconsiderada.

Mas ela ainda não voltou.

Clique para saber mais e ouvir a voz de Iris.

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Territorializando, descentralizando, diagnosticando – para conferir a cultura de Curitiba

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É a primeira.

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Curitiba está escrevendo seu Plano Municipal de Cultura desde ontem, quando começou a Conferência Municipal Extraordinária de Cultura, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil. Não é fácil.

Primeiro, porque os participantes enfrentam o jargão político/burocrático – “eixo temático”, “arco da sociedade civil” ou “territorialização, descentralização e participação como estratégias de gestão” (extrai os termos do Plano da Secretaria de Cultura da Bahia, um dos modelos adotados pela Conferência).

Segundo, porque há muitos interesses políticos em choque – o ano é eleitoral.
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Saul Dorval, representante do movimento negro, lançou sua pré-candidatura ao Senado pelo PMDB na sessão de abertura. Um discurso forte contra Beto Richa. “O governo do Paraná não discute cultura negra no Estado onde os afrodescendentes são 28% da população”. Com isso, não só a candidatura de Marcelo Almeida fica ameaçada mas todo o propósito do encontro.
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Saul Dorval, Pericles Melo, Marcos Cordiolli


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No Brasil, a cultura ainda depende do mecenado do Estado. Nos países anglo-saxões é diferente.

Você entra no Lincoln Center, em Nova York, e nota que cada poltrona tem uma pequena placa na parte trazeira. É o nome da pessoa ou da família que doou para construir aquele auditório. No interior do Ohio, achei um enorme ginásio (piscina de 50 metros aquecida, salas de musculação, tudo) erguido com dinheiro do dono da indústria ao lado.

Doação testamentária no Brasil é temida pelo que aconteceu no passado. As famílias entregavam seus bens a entidades como as Santas Casas de Misericórdia e os gestores não eram capazes de administrar a doação.

O pior é que o Estado-Mecenas não tem capacidade nem recursos para cumprir sua missão cultural. Nem vontade, quando o ano é político.
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Quase 300 inscritos.


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P.S. – A dona majoritária da sociedade proprietária do Luna Park, Ernestina de Lectoure, faleceu aos 95 anos de idade, no último mês de fevereiro, e deixou o mítico estádio em partes iguais para a Cáritas e os salesianos, informam fontes da Arquidiocese de Buenos Aires. Vamos ver o que acontece.

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Lá, Podemos, aqui Repetimos

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Juan Carlos Monedero, Pablo Iglesias e Teresa Rodríguez, líderes do Podemos.


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O slogan de Barack Obama, Yes We Can, virou partido político na Espanha. O partido Podemos foi a surpresa das eleições para o Parlamento Europeu. É liderado por um professor de 36 anos chamado Pablo Iglesias – e o exemplo dele é importante para o Brasil, que se debate entre as velhas alternativas.

Agora mesmo há gente dizendo que a melhor alternativa para derrotar Beto Richa é a candidatura de Roberto Requião, que levaria a eleição para um segundo turno onde José Richa, pai, não chegou em 1990.

Eis o paradoxo: Requião é renovação na política paranaense.

Ninguém acredita que uma idéia nova seja capaz de interessar ao eleitor. O Paraná é conservador. Há 60 anos votava em Plínio Salgado, o velho líder integralista. Elegeu e reelegeu Jaime Lerner. Milhares de pessoas começaram a citar Adam Smith e sua mão invisível, sem saber direito do que estavam falando (muitas ainda não sabem). Privatizou-se o Banestado e as rodovias. A BR-277 passou a cobrar o pedágio mais caro do Brasil (16 reais por 80 quilômetros rodados).

Aqui, o PT (que muitos acham um partido de esquerda) jamais ganhou uma eleição majoritária. Lá, Podemos, aqui, que tal criar o Partido Repetimos?

É preciso prestar atenção ao Partido Podemos. Pablo Iglesias, crítico de cinema e professor de ciência política lidera um grupo de jovens sem grande experiência política mas com boa formação intelectual. Com apenas quatro meses de vida conseguiu 1,2 milhão de votos e colocou cinco deputados no Parlamento Europeu. Em algumas cidades importantes, como Madri e Astúrias, tornou-se a terceira força eleitoral. Quer ser uma alternativa real aos conservadores, que chamam La Casta.

Para evitar a embriaguez do sucesso, Pablo Iglésias, o cabeça da lista eleitoral, fez um chamamento à calma. Os resultados foram “razoavelmente bons”, assinalou, “porque os partidos da casta governante sofreram um duro golpe”. Foi adiante: “Os partidos de La Casta acabam de receber a maior lição de sua história. Mas eles continuarão governando e ordenando despejos dos trabalhadores desempregados”.

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