Palácio Encantado

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Vinte atores e bailarinos. Para não dizer que o espetáculo é completamente paulistano, durante três minutos o coral de 111 crianças do Natal Bradesco canta Estão Voltando as Flores do paranaense Paulo Soledade.

 

 

 

A apresentadora é a boa cantora, atriz e bailarina Simone Gutierrez. Tenho a maior admiração por ela, que emagreceu quase 40 quilos sem cirurgia bariátrica – só na moral.

O show dura 45 minutos. Vai de 1º a 17 de dezembro. Parte é dedicado a compositores nacionais. Clareana, Vilarejo, Chuva no Brejo. Joyce e Marisa Monte.

Mas o forte vem de fora, começando por White Christmas, que Irving Berlin compôs em 1940 e pouca gente ainda aguente ouvir, principalmente nesta época do ano.

Ninguém fala quanto custou o espetáculo, que é bancado pela Lei Rouanet, nem porque não encomendaram canções novas, com tanto compositor bom disposto trabalhar para o Natal curitibano.

Quem quiser assistir ao espetáculo sem apanhar chuva (ontem teve garoa) deve procurar uma certa AMR Turismo, que vende camarotes no prédio em frente. 1590 reais por um camarote com dez lugares, com direito a um pacote de biscoito e uma água mineral.

Quem estiver com preguiça pode ficar em casa. O Bradesco promete transmissão pelo YouTube.

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Muita cor.

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O pinheirão do Centro Cívico

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Para fazer um pinheirinho às vezes basta uma criança. Para um pinheirão, como o da Prefeitura, é necessário muitos adultos – eletricistas, carpinteiros, gente com habilidade e coragem para subir na estrutura em construção.

 

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Portão no Bom Retiro

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Não é de alumínio. Não eletrônico. Não tem controle remoto. Provavelmente não engripa nem dá pau. É apenas um velho e bonito portão que o dono da casa teve o bom gosto de conservar.

 

 

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Imaginou quanto vai custar a camisa de Neymar Jr se ele for para o Real Madri?

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Aqui, a camisa “oficial” de Neymar custa 240 reais no shopping e 30 no camelô.

 

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Está no Globo.

“As especulações de uma eventual ida de Neymar para o Real Madrid ainda ronda o Paris Saint-Germain. Na coletiva desta sexta-feira, o técnico do PSG, Unai Emery, foi mais uma vez questionado sobre o assunto. E, meio indiferente, se negou a falar novamente sobre isso (na semana passada, de forma relativamente vaga, ele reforçou que o brasileiro está em seus planos).”

 

 

 

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Da grande música de 1950-1975 sobraram poucas fotos e nenhum vídeotape

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Logo estará nas livrarias.

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Saiu da máquina, na gráfica Comunicare, o primeiro exemplar de “Curitiba no Tempo do Jazz Band”.

É a história de 25 anos loucos, quando a cidade vivia a orgia do dinheiro do café e era a melhor capital brasileira para ouvir jazz e bossa nova.

Um capítulo é dedicado ao Lápis, o mais popular e mais produtivo cantor e compositor paranaense, morto precocemente em 1978, com 36 anos. Cardiopatia congênita.

A Secretaria de Cultura inaugurou ontem a exposição com parte da memória do Lápis, que só os muito amigos chamavam de Palminor Rodrigues Ferreira.

Não foi fácil pesquisar a história recente da música paranaense. O Lapis atuou no Maracanazinho locado – umas 30 mil pessoas aplaudindo e vaiando os participantes do Festival de Música da falecida TV Excelsior. Tentei obter fotografias desse momento na TV Globo. Nada. No jornal O Globo, nada. Nos vários bancos de imagem do Rio e de São Paulo. Novamente nada.

Procurei um fotograma, um mísero fotograma, 1/30 de segundo bastava. O video tape não existe mais. Boa memória é coisa de pais rico.

Ficamos sem aquele momento de glória para o Lapis, seu parceiro Paulo Vítola, e os integrantes do Bitten-4.

Menos o Anadir, que voltou antes para Curitiba e foi substituido por um cantor carioca chamado Andrews. Que não cantava nada, mas tinha um bom jogo de cena. segundo depoimentos.

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O Bitten-4. Fernando Loko, Anadir e Lápis. Atrás, o Dalton.

O Bitten-4. Fernando Loko, Anadir e Lápis. Atrás, o Dalton.

 

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Quer passear de pedalinho? Volte no Natal

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O lago seco.


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O pedalinho estaleirado.


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O retratista com poucos clientes.

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No dia 31 de julho, uma segunda-feira, o lago do Passeio Público começou a ser tratado. O povo reclamava de certa espuma branca e mal cheirosa sobre a água, que os funcionários insistiam em classificar como penas das paineiras.

As máquinas foram limpas, a água esverdeada jogada no Rio Belém. Apareceu o fundo de cimento coberto de lama e limo.

Os funcionários da Secretaria do Meio Ambiente são dedicados, mas respeitam o tempo das coisas e até hoje, mais de 90 dias, o lago continua vazio. Um serviço interminável. Quem pergunta recebe vaga promessa de que lá pelo Natal tudo estará pronto.

Então está combinado: fica tudo para quando o coral do Bamerindus, digo, do HSBC, desculpe, do Bradesco, encerrar seu show anual, lá pelo dia 20 de dezembro. Se tudo correr bem, o apresentador anunciará que no Belém ocorreu o milagre do lago que ressurgiu do cimento, onde navega um pedalinho mágico, e as carpas que escaparam da frigideira nadam em água translúcida.

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O momento não é bom para o pipoqueiro, que vendia o dobro no tempo das crianças e das carpas. Nem para o retratista, que desenha cada vez menos. Nem para os garçons do restaurante.

Claro, era preciso fazer alguma coisa. Em março, Solange R, uma frequentadora, postou no site TripAdvisor, uma avaliação indignada: “Abandono! Localizado no centro de Curitiba, com muitas árvores e pássaros. Poderia ser um paraíso, mas está completamente abandonado, canteiros secos, sujos e mal frequentado.”

Quando reclamações assim começam a sair no maior site de turismo do mundo, também não é bom para a imagem internacional de Curitiba, que já frequentou a lista das cidades ecologicamente corretas onde todos queriam morar.

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La Philharmonie

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O conjunto arquitetônico da Philharmonie custou 385 milhões de euros e oferece auditórios, salas de ensaio, biblioteca, terraço (foto) com vista para o Parc de la Villette.

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Desde janeiro de 2015 visitar a Philharmonie é obrigatório para quem vai a Paris e não pretende passar o tempo fazendo selfies na Torre Eiffel.
O auditório de 2.400 lugares lembra uma colina e possui acústica fantástica.
Depois, as pessoas dão uma passadinha no terraço e contemplam o parque.

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O trompete silenciou

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Saul no Bar Colarinho, esquina de Brasílio Itiberá com Angelo Sampaio. Ao fundo o baterista Eduardo. Não aparecem Boldrini, baixo, e Fabio Hess, guitarra.

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Há verdades que ninguém discute. São massacrantes. Metem medo.

Por exemplo, não há arte sem mecenas. Seja o príncipe, seja o estado, alguém tem que dar uma força ao artista. Outra verdade diáfana é que o mecenato depende do estado geral da economia. Nesses tempos de Temer, primeiro paga-se o advogado, depois o fornecedor de alimento, o de remédios, de armas, os policiais, os vendedores de armamento.

No fim estão os artistas, “produtores de bens culturais”. Esquecidos. Ferrados.

Saul Trumpet era um deles, não o mais importante, porque não frequentava o eixo Rio-São Paulo, mas o mais heróico.

Durante anos (1984 a 1997) sustentou o bebop e as jam sessions no Trumpet Bar, que funcionava na Cruz Machado de segunda a domingo. Era um lugar onde todo mundo podia dar uma canja e pendurar a conta. O pau cantava até de manhã porque a vizinhança – Boate Metrô e outros inferninhos – gostava de festa.

Saul morreu. Calculo que tinha uns 150 anos de jazz, porque na batalha da noite cada hora conta em dobro.

Merece um busto na praça de Bandeirantes, onde nasceu, ou de Umuarama, onde aprendeu a tocar seu instrumento. Em Curitiba não há local mais adequado que a velha Cruz Machado, cenário de sua glória.

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O Conto da Aia, uma alegoria antitrump

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Elisabeth Moss, de publicitária a aia insubmissa.

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O discurso feminista vai ficar mais estridente na TV a cabo.

Está chegando The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia), a série que ganhou vários Emmys neste domingo e conquistou manchetes como a nova bandeira antimachista (estamos na era Trump) e liberal.

O tema é a distopia do futuro – distopia é o oposto de utopia – em que uma mulher é obrigada a viver como concubina sob uma ditadura teocrática fundamentalista. Não custa reler 1984 para ter como discutir as diferenças entre dois clássicos do gênero.

Elisabeth Moss, 34 anos, (Mad Men) interpreta a personagem central, uma aia cujo maior compromisso é emprestar o útero para a reprodução da família. A série é baseada em romance da escritora canadense de 77 anos Margaret Atwood, multipremiada e condecorada pelo governo do Canadá.

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A Curitiba de Mr. Peachum

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Mudaram para cá.

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Nunca houve tanto mendigo em Curitiba. Cada um com sua técnica e local de pedir esmola. Um não invade a área do outro. É uma organização.

E nunca houve tanta crise. Li que o Brasil caminha para ter só duas classes – os ricos e os miseráveis. Isso é ruim. Brecht dizia que os ricos criam a miséria mas não aguentam ver os miseráveis.

Você e eu somos ricos, eis a insuportável verdade. Temos mais do que o suficiente para comer. Alguns podem até alimentar um ou dois rottweilers. Mas não suportamos ver um homem desmaiando de fome, principalmente quando ele desmaia em frente de casa.

Todo curitibano lê a Bíblia e, se não lê, é informado pelos pastores da TV das promessas e maldições ali contidas. Quando vê um pobre, reflete assustado: “É dando que receberei”.

Não dá porque crê, mas porque o mendigo é competente. Usa a palavras certa, apela para o medo, nojo ou horror. Ganha o seu.

As ruas estão horríveis. A cidade virou cenário de uma colossal “Opera dos Três Vintens”, aquela obra prima de Bertold Brecht e Kurt Weil sobre a miséria de Londres na metade do século 19.

A capital inglesa era feia, suja e povoada de mendigos. Eles trabalhavam disciplinadamente sob as ordens de Mr. Peachum, “O Rei dos Mendigos”. Graças ao treinamento, à divisão dos pontos e ao kit com bengalas, óculos de cego, bandagens ensanguentadas, os lucros eram cada vez maiores.

Mr. Peachum ensinava a arte de despertar compaixão. Inventou o kit-mendigo, que era entregue mediante participação de 50% nos resultados. “O importante – insistia – é despertar o ser caridoso que vive dentro de cada homem e de cada mulher”.

Mr. Peachum renasceu em Curitiba. Com um kit-mendigo melhor. Li algumas instruções de seu Guia do Pedinte:

Receita médica. Mostre ao futuro doador a receita. Explique que é urgente porque seu pai tem câncer. Surgiu um medicamento que pode parar o tumor. Falta dinheiro para ir à farmácia. Por caridade, vai ajudar?

Não quero dinheiro. Explique que não quer dinheiro, mostre o calo na mão (há um fazedor de calos no kit) e diga “Sou trabalhador!” Seu velho Uno Mille está parado a três quadras. Acabou o álcool. “Pode me emprestar três ou quatro litros?” Não é por mim, é pela esposa e pelo nenê que chora.

Tem comida? Variação do não-quero-dinheiro. Funciona melhor se a seu lado estiver sua mulher grávida. (Há um kit gravidez no pacote). Vocês não comem desde manhã. Pode ser que alguém more perto e convide vocês para ir até lá pegar um prato de comida. Nesse caso, assalte o doador. Nunca mais vai levar alguém para casa.

Sou cego. Precisa treinamento. O kit tem vídeo do Al Pacino fazendo um cego em “Perfume de Mulher” e até um cão guia. Dá bom resultado em sinaleiro com movimento. Alguns moleques vão jogar dinheiro fake em seu chapéu. Se o ponto for bom, vale contratar um ajudante de cego. Você economiza o cachorro.

Não é assalto, pessoal, tenho HIV! Você enfia a carona na porta do ônibus e sorri para todos. Me ajudem, sou portador do vírus HIV mas, calma!, estou medicado, não vou contaminar ninguém.

Guardador de carro. Mr. Peachum agora quer que cobrem adiantado. “Paguei um pastel para uma mulher com fome e fiquei devendo dez. Conheço um cara que virou ladrão por uma mixaria”.

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