
Assisti à sabatina do senador Sergio Moro no UOL. Ele não parece muito à vontade no papel de candidato ao governo do Paraná; ainda pensa como juiz da Lava Jato. Seu principal adversário continua sendo Lula. Deveria ser a turma do Ratinho Jr.
Por isso, na hora de falar do programa de governo, Moro soa superficial e meio desinformado.
Um exemplo: perguntado sobre o gargalo da BR-277, Moro propôs a criação de um Conselho de Usuários para ajudar a fiscalizar a execução das obras complementares.
O Conselho já existe.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) possui conselhos unificados que fiscalizam todas as rodovias federais concedidas, inclusive a 277. Qualquer cidadão pode se cadastrar na plataforma virtual do Gov.br para se tornar conselheiro, avaliar os serviços e propor mudanças.
Faltou outra informação essencial ao candidato: a triplicação da BR-277 rumo ao litoral já tem prazo e dinheiro garantidos. O BNDES liberou um financiamento histórico de R$ 6,4 bilhões para a concessionária EPR Litoral Pioneiro. A promessa é transformar o fluxo da região até 2031.
Moro também silenciou sobre a necessidade de novas ligações entre Curitiba e o Litoral. Assim, no plural. São duas frentes urgentes: uma nova ferrovia e uma nova rodovia.
Já foram sonho. Agora são uma possibilidade real.
A engenharia do passado fez milagres por aqui. A Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá foi construída em menos de cinco anos na época do Brasil Império. A pedra fundamental foi lançada em 5 de junho de 1880 com a presença de Dom Pedro II. O primeiro trem subiu a serra em 2 de fevereiro de 1885.
A engenharia pesada evoluiu tanto nesses 141 anos que não é exagero imaginar uma nova Curitiba-Paranaguá pronta em pouco mais de dois anos. Basta vontade política.
Essa nova ferrovia deveria integrar o projeto original da Nova Ferroeste. O plano total previa 1.567 quilômetros de trilhos começando no Mato Grosso do Sul, mas o leilão isolado naufragou. Agora, a ANTT debate a inclusão desse trajeto no futuro leilão unificado da Malha Sul.
O traçado só não faz parte formal da Nova Rota da Seda porque o governo brasileiro resiste em assinar a adesão oficial ao projeto global da China.
No transporte rodoviário, os estudos para a Nova Rodovia do Litoral seguem engavetados em alguma repartição estadual. No dia em que desengavetarem, teremos o projeto de uma via moderna, mais curta, repleta de túneis e curvas suaves, paralela à saturada BR-277.
Tanto a nova ferrovia quanto a nova rodovia litorânea são de extremo interesse do BNDES e do Banco dos BRICS.
Os grandes financiamentos internacionais vão andar melhor se Donald Trump perder a maioria no Congresso dos EUA nas próximas eleições de outubro. Forçado a cuidar do front interno, o Partido Republicano poderia voltar às origens. E, tal como no tempo de Henry Kissinger, olhar para a China com olhos de cifrão.
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P.S. – Ilustração gerada pela IA do Google.