
O técnico da Inglaterra é Thomas Tuchel, um alemão durão.
Terminou o jogo com a Noruega, vitória de 2 a 1 dos ingleses, ele meteu a boca na equipe. Disse que não gostou da moleza em campo, da falta de velocidade e dos erros cometidos.
Normalmente os jogadores ouvem calados essas reclamações. Mas Bellingham, o craque autor dos dois gols, respondeu de bate-pronto.
“Talvez ele não saiba o que é jogar contra o Haaland e o Odegaard com esse calor e umidade”
Uma alfinetada na modesta carreira de Tuchel como jogador.
A discussão sobre o jogo Inglaterra versus Noruega não deve focar a bola; deve jogar um poderoso spotlight no termômetro e no higrômetro.
O calor mata. O calor com umidade alta mata muito mais.
Quem já andou nas ruas de Cuiabá em dia de calor conhece essa sensação: calor e umidade. O corpo quer suar e não consegue – a gente fica cada vez mais quente por dentro.
Aquele estádio de Miami é pior do que a rua de Cuiabá porque é todo fechado, o ar não circula, e não possui um sistema de refrigeração como o de Dallas, por exemplo.
Não li uma linha sobre o alarmante número de vítimas do calor entre os torcedores.
Horas antes, apareceu no site da Exame: “Noruega x Inglaterra pode ser cancelado devido a calor extremo nos EUA · Previsão indica sensação térmica de até 44°C no horário da partida”.
Depois moita.
Não é bom falar no assunto, assim como não era bom reclamar ao imperador romano do perigo de vida que os gladiadores corriam ao entrar no Coliseu.
Nem a Globo, nem a ESPN, muito menos a Cazé TV, que comemorou os 21 milhões de aparelhos ligados na hora do jogo que transmitiu com exclusividade e os dois bilhões faturados na competição.
O que é um crime a mais para os chefões da Fifa?
.
.