
O título é da Marina Hyde no Guardian. Na verdade, ela falou de “malandragem mal sucedida” mas acho que “malandro mal sucedido” pega melhor.
A palavra que ela usa é chicanery, que dá chicana em português. Malandragem jurídica para atrasar ou anular processos judiciais.
Ela conta que a torcida aplaudiu de pé a derrota dos EUA. E comenta: a última vez que tantas pessoas aplaudiram a Bélgica foi na 1ª Guerra Mundial, em 1914, quando a resistência belga conteve os alemães que acabavam de atravessar o rio Meuse.
Trump é um chicaneiro. Está sendo gozado na internet porque pediu a anulação do cartão vermelho dado no jogo anterior ao craque B….., por falta violenta.
Acha que pode tudo, pobre coitado, mas não consegue influir em um reles joguinho de oitavas de final. (Também não consegue derrubar o regime dos aiatolás, nem obrigar aquele gordinho da Coreia do Norte a parar de fabricar mísseis atômicos, mas essa é outra história.)
O importante é a atitude de B…, que aceitou o benefício da Fifa e entrou em campo. Tentou fazer gol, os belgas não deixaram. Se B… tivesse caráter, fosse um daqueles craques éticos do Coelho Neto, não entrava em campo porque o futebol é um jogo de gente decente.
Coelho Neto (1864-1934) imortal torcedor do Fluminense via o futebol como instrumento cívico de regeneração social e moral. A ética esportiva, garantia, vai lapidar o caráter do jovem brasileiro.
Passamos agora a outro momento da Copa, aqueles minutos finais de Brasil e Noruega, quando os onze jogadores trocaram passes mecanicamente diante da defesa da Noruega, que está longe de ser a melhor do mundo. Parecia que estavam ganhando.
Entendi logo que estava diante de uma disanalogia – nossos onze continuaram a tocar a bola como os oito integrantes da orquestra do Titanic continuaram a tocar seus instrumentos enquanto o transatlântico afundava.
Eis a disanalogia que nos envergonha: os músicos esperavam, com suas valsas e polcas, acalmar os passageiros em pânico e permitir que o maior número fosse salvo. Os boleiros esperavam que o juiz apitasse o fim do jogo para correr ao vestiário e dali a seus aviões de volta à Europa, aos Lamborghinis, às ruas seguras.
Nenhum entrou no avião da volta ao Brasil. Correção: só Danilo, que joga no Flamengo, voltou no avião da CBF. Nem Ancelotti estava a bordo.
Desconfio que o capo da seleção tem medo dos dirigentes. E se alguém envenenar seu uísque para não ter que cumprir mais quatro anos do contrato de cinco milhões por mês?
.
.