O solista vai fazer mais um gol – então, o milagre

Não sei se todos notaram, mas logo após o gol de empate de Casemiro Vini Jr recebu a bola na esquerda e partiu para cima do zagueiro Tomiyasu, que não é um cabeça-de-bagre qualquer. É craque do Arsenal, custou 23 milhoes de euros e nem por isso deixou de tomar uma acintosa caneta da Vini, que invadiu a grande área, tirou os zagueiros Taniguchi (nenhum parentesco) e Watanabe com cortes rápidos, descobriu um espaço que só os supercraques enxergam para finalizar de biquinho na saída do goleiro Zion Suzuki.

Era gol, gol de placa, pintura de gol, capolavoro, não fosse a defesa milagrosa de Zion, que já está na lista de contratações dos maiores clubes do mundo para a próxima temporada.

Suzuki, 1m90, primeiro goleiro negro a defender o Japão, desafiou as leis da física – voou para o canto e felino desviou a bola de ponta de dedo.

Assim como o gol que Pelé não fez em Mazurkievicz, no Brasil X Uruguai de Copa de 1970, o gol de Vini Jr que Suzuki evitou vai para a história das Copas e será lembrado daqui a 50 anos.

Claro que, no ano de 2076, o futebol será diferente, os jogadores correrão 25 quilômetros por partida de quatro quartos recebendo instruções pelos chips colocados na parte anterior do cérebro. (Na parte da frente haverá telas para exibir comerciais dos patrocinadores).

Mas o não-gol de Vini Jr, solista da seleção brasileira de 2026, será lembrado pelos frequentadores dos bares, entre um coquetel molecular e outro, ao lado do não-gol de Pelé e da Mano de Dios de Maradona, como um dos grandes lances do futebol-arte.

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