QUESTÕES ECONÔMICAS

A moça que supostamente prestou serviços sexuais ao Nunes Marques em uma cobertura de luxo na rua Leopoldo, Itaim, São Paulo, cobrou 10.

Não é pouco.(*)

Entretanto, deve-se considerar que, pela sua atividade peculiar, a moça necessita amplo guarda-roupa, sapatos finos, colares, brincos e outros adereços.

Logo irá a uma dessas lojas chiques e comprará algo.

A tradição da mercadoria vai gerar comissão para a vendedora, impostos para o governo, além de lucro para a casa comercial.

A vendedora somará essa comissão a outras que ganhou em setembro e irá ao atacarejo onde viu uma TV de 50’ por 3.

A dona da loja verificará o movimento do trimestre e concluirá que há recursos para chamar o decorador, o marceneiro e o eletricista. Deem um up no visual.

O decorador, o marceneiro e o eletricista irão ao bar discutir o novo visual da loja chic e tomar umas.

No Ministério da Fazenda, cujos computadores controlam tudo com olho de Grande Irmão, um economista exultará – oba! O quadro econômico não é nada mau. (**)

Recentemente, O Office for National Statistics (ONS) passou a contabilizar o mercado do sexo nas suas contas oficiais da Inglaterra. Estudos publicados até agora estimaram que a indústria do sexo somava cerca de 4,3 a 5,3 bilhões de libras por ano à economia britânica, o que representava um aumento de aproximadamente 0,4% a 0,5% do PIB nacional.

Outros países desenvolvidos fazem o mesmo.

*

Resumo: o PIB subiu, o Nunes supostamente se divertiu, a vendedora tem uma nova TV, a loja de luxo ficou mais bonita, o decorador, o marceneiro e o eletricista ganharam o mês –  como é que tem gente falando mal do STF?

*

(*) – O nome dessa figura de pensamento é litotes – chamar alguma coisa pelo seu contrário.

(**) – Outro litotes.

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P.S. – Ilustração gerada pela IA do Google

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