Não foi um 3 a 3. Foi um Jogo com a Morte

A manchete do Atletiba não deve falar em “empate heroico”, nem em “guerra de torcidas”. Deve dizer: Milagre no Alto da Gloria: Chuva de raios não faz vitimas

O sistema Simepar registrou ontem a quantidade impressionante de 35 mil descargas elétricas durante o período. Em Curitiba foram anotadas oficialmente 58 quedas de raio nuvem-solo.

Se uma descarga elétrica caisse sobre um jogador ou sobre um dos mais de 30 mil torcedores presentes no Couto Pereira quem responderia penalmente pelo crime de colocar em risco a vida de milhares de pessoas? Wagner Magalhães, um administrador de empresas de 47 anos, que apita desde os 21 e está perto da aposentadoria.  

É muita responsabilidade para um homem só.

Magalhães demorou oito minutos para iniciar o jogo. Depois, decidiu que as condições meteorológicas eram boas – os raios continuavam caindo na região – e que o gramado apresentava condições de jogo.

Contrariou pedido formal feito pelas diretorias do Coritiba e do Atlético e pelos técnicos das duas equipes.  Odair Hellmann: “É uma irresponsabilidade”.  Fernando Seabra: “Antes de a bola rolar, eu e o Odair falamos com o árbitro. O gramado estava perigoso e os raios representavam um risco real à vida de todos ali. Sugerimos adiar para a Data FIFA. A arbitragem preferiu arriscar”.

Durante a semana, a CBF informou que a data e horário eram uma decisão da entidade em acordo com a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão.

Parece que Wagner Magalhaes goza da confiança da CBF e é escalado para grandes jogos. Não importa que tenha acumulado ao longo da carreira algumas decisões contestadas por grandes clubes.

Alguém da CBF disse a ele para iniciar o jogo. A Globo precisava das imagens. Apesar dos raios? Apesar dos raios.

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Ilustração gerada pela IA do Google

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