O DECRETO

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Toda a turma no bar assistindo ao jogo do Athletico e ele aqui pintando faixa às 16h30 de sábado. 

 

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Uma parte da cidade parou de funcionar por causa do decreto municipal que restabelece a bandeira laranja para evitar o crescimento da pandemia.

Parou mesmo?

Não parece. Ontem corri os bares do Juvevê, Bacacheri e Boa Vista. Lá estava a velha turma tomando cerveja e assistindo ao Palmeiras ganhar do Athletico.

A explicação para o abuso é simples: existem muitos bares e poucos fiscais. Fazer o quê?

O decreto que manda voltar para a bandeira laranja tem sete páginas e 21 considerandos. Remete o leitor a mais de uma dezena de éditos municipais. Um cipoal burocrático. Felizmente, o G1 fez um levantamento sobre o que realmente muda.

  • Restaurantes e lanchonetes: podem funcionar das 6h às 22h. No decreto anterior, podiam funcionar até as 23h;
  • Circos, teatros, cinemas e museus: podem abrir das 6h às 22h. Antes não tinham restrições de horário.
  • Feiras de varejo e feiras livres: podem abrir das 6h às 22h. Antes não tinham restrições de horário.”

É uma bandeira laranja bem parecida com a bandeira amarela.

Pense se há realmente diferença entre o restaurante fechar às 22 ou às 23 horas. Principalmente porque fala fechar a porta mas não em mandar a freguesia embora.

Se você chegar antes das 22h – li o aviso em vários restaurantes – será bem atendido.

O decreto é bastante generoso com os shopping centers, um dos locais onde o perigo de contaminação é maior. Agora, eles podem funcionar das 8h às 22h. No decreto anterior, podiam abrir das 11h às 22h.

E revogam-se as disposições em contrário.

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Escapei do açougue, me adote

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Os caes chegam ao JFK sem nome. Serão batizados pelas famílias que os adotarem.

 

Sete países consomem carne de cachorro, entre eles a civilizadíssima Suíça.(*)

Mas só um, a China, é alvo da batalha ideológica do presidente  Donald Trump e a direita norte-americana.

Hoje, o principal jornal trumpista, o New York Post, colocou em destaque na capa a notícia da chegada ao aeroporto JFK de 37 cães salvos da ditadura chinesa, que pretendia transformá-los em picadinho.

Os cães serão adotados. As famílias escolhidas pela organização No Dogs Behind, que mantém um abrigo para pets em Beijing.

Outros países que consomem carne de cachorro (e de gato) são Canadá, os próprios EUA, Vietnã, Coreia do Sul e Tahiti.

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Os chineses comem também pangolim, espécie ameaçada de extinção. É aquele animalzinho suspeito de levar o coronavirus ao mercado de animais silvestres de Wuhan, onde a pandemia começou.

Claro que não existe uma organização chamada No Pangolim Behind.

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(*) – Na Suiça, o tipo favorito de carne de cão vem de um cachorro cuja raça é parente do Rottweiler.

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Vinte mil professores temporários ameaçados pelo desemprego

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Não aconteceu nada. O governo aparentemente deseja vencer os grevistas pelo cansaço. 

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Até o Nossa Senhora das Graças lotou. Não levantaram a bandeira laranja e a coisa ficou preta

A notícia desta segunda-feira está no plural.jor.br

 

Além da rede do SUS, a rede particular também está lotada. Neste domingo, o Hospital Nossa Senhora das Graças, que tem 29 UTIs Adulto, anunciou estar sem condições de receber pacientes em estado grave e com todos os leitos ocupados.

 

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Washington, onde os fracos não têm vez

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A capital dos EUA está desse jeito. O eleitor de Trump não aceita o resultado das urnas. (Foto tuitada pelo grupo Vote Dem for the Planet.)

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Christiane Amanpour, âncora da CNN Internaciona acusou Trump de estimular radicais de extrema direita.

Pediram provas. Surgiram bandeiras do Confederados e suásticas.

Houve choques entre apoiadores do Presidente que não aceita a derrota eleitoral e ativistas do Black Lives Matter.

Washington não é uma boa cidade para passar o fim de semana.

 

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“A democracia precisa ser sustentada pela mesma vontade política que pode destruí-la”

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David W. Blight, professor de História na Universidade de Yale, estudioso da escravidão, faz uma comparação entre o momento atual dos EUA e a Guerra Civil dos anos 1860. Neste artigo, publicado na New York Review of Books, Blight indaga se os republicanos serão os novos Confederados. O leitor pode refletir sobre como são profundas (e assustadoras) as semelhanças entre a crise americana e a brasileira.

 

A democracia funciona melhor quando não espelha profundas divisões sociais do país. Todos os lados conseguem lidar bem com a derrota e a transição governamental.

Quando as bandeiras de Trump substituem aquelas da Confederação em caravanas de caminhões e em comícios republicanos, estamos à beira de assistir a uma guerra pelos resultados da eleição presidencial – talvez a primeira desde 1860 – quando é possível que milhões de cada lado não consigam aceitar a derrota.

O Partido Democrático é uma coalisão unida precariamente pela ideologia da inclusão, o compromisso com governo proativo, a fé no conhecimento humanístico e científico, e a rejeição do que é percebido como uma monstruosa presidência de Donald J. Trump.

Republicanos, com algumas notáveis exceções, são um partido unido pelo compromisso com a redução de impostos, o poder empresarial, a guerra ao aborto, o nacionalismo branco, e o desejo de poder.

Somos basicamente duas tribos políticas lutando uma guerra fria cujo resultado pode determinar se nossas instituições podem sobreviver ao conflito fomentado pela pandemia, o racismo, o colapso econômico, a morte da Suprema Corte, e a campanha de reeleição de um presidente autoritário.

Como isso pode acontecer – não nas ditaduras de Belarus, Hungria, Turquia ou Venezuela, mas aqui nos Estados Unidos, durante o 233º ano de Constituição?

As respostas são históricas e estruturais.

Houve uma campanha de supressão do voto conduzida por um dos partidos. Mudanças demográficas e os 15 milhões de novos eleitores surgidos durante a administração Barack Obama assustaram os republicanos – hoje majoritariamente um partido de gente branca – e os fizeram temer pela existência.

Leis exigindo identificação dos votantes, redução dos locais e dias de votação, expurgo nas listas de eleitores, restrições ao voto pelo correio e evisceração do Voting Rights Act de 1965, além de uma constante denúncia sobre “fraude eleitoral” sem provas – assim os republicanos enfraqueceram o sistema eleitoral com chicanas antidemocráticas.

Eles estão assustados ainda com os resultados das eleições de meio-termo de 2018, quando o comparecido de eleitores democratas entre 18-29 anos foi de 67% e dos eleitores entre 30-44, de 58%. Cerca de 30% do eleitorado agora é negro, hispânico, asiático-americano ou outras minorias étnicas. O nacionalismo branco colide com o futuro. Não há maioria republicana na América, exceto em dia de eleição. Ela depende de quem vota e de quem tem permissão para votar.

O presidente Trump frequentemente alega que “o único jeito de nós perdermos é se a eleição for roubada”. Ele adora arrancar aplausos da multidão alertando-a para “estar alerta com a fraude e o roubo” de votos pelos democratas.

Todo americano razoavelmente informado sabe que a única coisa fraudada nesta eleição é o próprio Colégio Eleitoral (em favor de estados menos populosos que tendem a ser republicanos), a instituição decididamente antidemocrática do Senado (a maioria republicana representa uma população 15 milhões de eleitores menos que os democratas) e as mil maneiras que a presente administração manipula agências governamentais para influenciar o voto.

O Partido Republicano tornou-se um novo tipo de Confederação. Eles são secessionistas sem adotar a revolucionária atitude de declarar uma secessão. São rebeldes obcecado pelo poder que lutam para preservar uma América anacrônica burlando o sistema.

Eles deram um jeito de ganhar a presidência duas vezes sem maioria de votos, de manter o controle do Senado embora vastamente minoritários no eleitorado nacional, e construir uma maioria na Suprema Corte negando uma indicação a um presidente democrata em exercício.

De acordo com a historiadora Stephanie McCurry em Confederate Reckoning (Ajuste de Contas Confederado) , de 2010, os Confederados de 1861 tinham um “orgulho perverso” pelo seu desajuste com o mundo da época. Um ministro sulista definiu a Confederação como uma minoria virtuosa de “trezentos e cinquenta mil homens brancos” comandando o trabalho de “quatro milhões de escravos africanos” a serviço da civilização. A “nação” sofreu colossal derrota quatro anos depois; semelhante destino político pode cair sobre um Partido Republicano descolado do mundo de hoje.

Essa nova Confederação é parte regional e parte rural (uma população em declínio). Sabe o que odeia: a Costa Leste e a Costa Oeste, cidades diversificadas, igualdade no matrimônio, certos tipos de feminismo, o politicamente correto (algumas vezes com razão), “elites” acadêmicas e “liberais” em geral. O ódio é racial e antidemocrático. Ele adapta a história a seus objetivos, substitui bolsa de estudos e ciência por “patriotismo”. Transformou “verdade” em arma política. Trouxe o país de volta a 1860, naquela eleição em que os americanos votaram fundamentalmente em duas diferentes visões de futuro – a favor ou contra a escravidão. Hoje, esses interesses minoritários lutam por sua existência dentro da federação tentando apropriar-se dela.

Não podemos imaginar agora o mesmo resultado violento de 1860, mesmo se decidirmos salvar nossa democracia das amarras do poder de uma minoria. Mas a preservação de nossa União não virá apenas denunciando a hipocrisia moral, ou apontando para o cinismo ou chamando a atenção para a realidade dos números.

A democracia precisa ser sustentada pela mesma vontade política que pode destruí-la.

 

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Literatura Elétrica tem apoio da Amazon, do Estado de Nova York e dos ricos do Upper East Side

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Acabo de descobrir – outros mais felizes descobriram há tempo – o EL, Electric Literature. trata-se de uma editora digital sem fins lucrativos, que deseja “tornar a literatura mais emocionante, relevante e inclusiva”. Veja aqui.

É biscoito fino esse site. De cara, você observa que é composto em Garamond, contrariando o preconceito contra a serifa, cultivado pela Internet e pela publicidade.

O inglês jornalístico, sem pompa, jargão ou literatice.

Publica ensaios, críticas e notícias literárias, além de uma revista semanal: Recommended Reading, com contos e capítulos de romances que considera acima da média. Acaba de lançar uma coluna especialmente interessante, Blunt Instrument, com conselhos da romancista e poeta Elisa Gabbert aos jovens autores.

Como está no título deste post, EL se mantém graças ao apoio da Amazon Literary Partnership, do New York State Council on the Arts, e do National Endowment for the Arts. É o estado cumprindo seu mecenato, mesmo sabendo que há mais mecenas por metro quadrado no Upper East Side do que em qualquer outro lugar do mundo.

Nos EUA, o mecenato dos ricos é facilitado – todas as doações são dedutíveis do IR. Electric Literature monetiza alguns links. Se você clica e faz uma compra, o site recebe comissão, que é destinada a pagar os colaboradores. Mas garante que esse resultado financeiro não tem influência sobre a pauta editorial.

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Por que Greca faz tanto asfalto em Curitiba? (E outras dúvidas de Fernando Francischini)

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A temperatura eleitoral subiu.

 

 

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A campanha para a prefeitura de Curitiba seguia morna e sem graça até que o marqueteiro de Francischini entrou na sala e falou:

-Você tem que descolar do cara!

Fez uma pausa dramática antes de arrematar:

-Ou passa vexame.

De vexame o candidato entende. Estava a bordo do caveirão da PM na famigerada Batalha do Centro Cívico.

Seguindo os conselhos do marqueteiro, Francischini primeiro tratou de se distanciar de Bolsonaro.

Espalhou entre repórteres políticos que as relações entre eles tinham azedado. Terminou o amor, terminou o casamento. Em linguagem bolsonarista: não compartilham mais o leito radical de direita.

Ai entrou na segunda parte do conselho:

-Tem que atacar!

No dia seguinte, ele foi no Ministério Público Federal e protocolou denuncia contra o prefeito Greca. O prefeito supostamente estaria favorecendo tios e tias com desapropriações. No dia seguinte outra denuncia. A família Greca seria a grande beneficiária do asfaltamento. Dona da Pedreira Santa Emilia, venderia asfalto para as empreiteiras que executam o asfaltamento.

Promete uma denúncia por dia.

Segundo a ultima pesquisa do Ibope, Rafael tem 46% de intenção de voto para prefeito e Francischini apenas 8%.

A propaganda eleitoral gratuita na TV termina dia 12.

O marqueteiro deu um conselho bom (xô, Bolsonaro!) e um conselho inútil (vai com tudo pra cima do Rafael!).

Errou o timing. Em cima do laço nem Jesus Cristo vira uma eleição dessas.

 

 

 

 

 

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A cabeça do presidente precisa estar OK, talquei?

 

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Montreal Cognitive Assessment.

 

Ficou engraçada a eleição norte-americana.

Trump chamou Biden de gagá.

Exibiu seu teste Montreal Cognitive Assessment. Onde garante que tirou nota A.

Biden também testou nota máxima.

Empate em cognição. A cabeça deles está 100%.

Pergunta: teste de cognição é bom pro Brasil?

Outra pergunta: pode ser chinês?

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Trump Says He ‘Aced’ Cognitive Test, but White House Won’t Release Details

President Trump has repeatedly ridiculed Joseph R. Biden Jr.’s fitness to be president. Mr. Biden’s campaign has called it a smear that has backfired.

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A democracia algorítmica

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JILL LEPORE: é possível inventar o futuro?

 

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Na New York Review of Books de 8 de outubro, James Gleick resenha If Then: How the Simulmatics Corporation Invented the Future, de Jill Lepore, professora de História Americana na Universidade de Harvard e colaboradora do New Yorker. O livro recomendado começa com uma pergunta sinistra:

“Em que categoria puseram você?”

A questão remete o leitor ao romance The 480, de Eugene Burdick, escrito em 1964, que pela primeira vez falou em targeting – o método que cientistas políticos usam para agrupar eleitores de opiniões parecidas.  

No caso, 480 categorias de eleitor, definidas por região, religião, idade e outras características demográficas como “Meio-Oeste, rural, protestante, baixa renda, feminino”. Muitos leitores revoltaram-se com a ideia de poderiam ser separados em caixinhas com o objetivo doentio de vencer uma eleição. O crítico do New York Times considerou The 480 “um romance chocante” e implausível.

The 480 (que você encontra sem custo na Internet Archive Books) não era ficção. Era um roman à clef baseado na vida real da empresa Simulmatics, que trabalhara secretamente na campanha de John F. Kennedy em 1961. Burdick tinha sido um operador político e conhecia bem os fundadores da Simulmatics. As 480 categorias de que falava o romance eram um resultado do trabalho de analistas sobre uma montanha de dados adquiridos do Instituto Gallup e outras empresas de pesquisa da opinião pública.

Aqui um elogio para Lopore, considerada uma historiadora brilhante e prolífica, com um olhar atento a histórias inusuais – e esta é uma saga notável, meio cômica, meio ameaçadora, “uma história sombria dos anos 1960”, segundo ela. A Simulmatics atravessou a década atuando na Guerra do Vietnã, no movimento de direitos civis, em greves e protestos de rua.

O grande momento da empresa parece ter sido a eleição de Kennedy. Não era fácil ganhar dos republicanos. Nixon era um conservador sólido, com um pé no macarthismo outro na elite financeira. E, pela primeira vez, haveria debate televisionado entre os candidatos.

Os democratas corriam atrás de informação e estavam dispostos a confiar da Simultanics, que alugou um gigantesco computador IBM 704 da Universidade de Columbia. A coleta de dados não era fácil, principalmente entre os negros. Velhos caciques acreditavam nos tradicionais mecanismos de pressão que assustariam os eleitores de cor e não queriam briga com proprietários de jornais dos estados do sul. Os caciques políticos do Sul não queriam ver entrevistadores perdendo tempo com negros.

Apesar disso, a empresa entregou relatórios de qualidade. Uma das constatações era que os democratas não conseguiriam vencer sem o apoio do movimento dos direitos civis. Simulmatics também aconselhou o candidato a bater de frente com o preconceito anti-católico que estava minando sua campanha. Recomendou ainda a participação nos debates. “Kennedy pode fazer uso de sua capacidade de comunicação, humor, espiritualidade e entusiasmo”. JFK seguiu todos os conselhos. Os eleitores não foram manipulados nem enganados. Ninguém teve a privacidade invadida. E os democratas venceram um pleito que ficaria para a história.

O problema foi o dia seguinte. Os democratas queriam tocar a vida, não precisavam ficar contando detalhes da campanha. O pessoal da Simulmatics, por seu lado, estava sedento de glória. Queria transformar os conselhos eleitorais em fama, credibilidade, novos clientes. Mas tinha o compromisso de manter em sigilo seu trabalho.

A saída foi encontrada quando um dos analistas, que havia contribuído para os relatórios ao candidato, entrou em contato com a revista Harper’s fazendo de conta que era um jornalista desinteressado. A revista publicou seu relato em janeiro de 1961 – o mês da posse de Kennedy – com uma capa que anunciava a “People-Machine” e explicava: “Relato sobre um computador projetado secretamente para a campanha presidencial do Partido Democrático – e as consequências disso para a estratégia política”.

A matéria era uma avenida de elogios à estratégia da campanha. A certa altura citava um amigo dos donos da empresa, o cientista social da Universidade de Yale Harold Lasswell dizendo: “Esta é a bomba atômica das ciências sociais!”

O New York Herald Tribuna revelou o nome da bomba A – Simulmatics. Um jornal do interior do Oregon editorializou: “Os eleitores – eu, você, Mrs. Jones da casa ao lado e o prof. Smith na Universidade fomos transformados em pequenas perfurações em um cartão de cartolina ou alguma outra ferramenta digital que o pessoal do Kennedy está usando”.

O “pessoal do Kennedy” entrou em pânico e resolveu negar tudo. Simulmatics tentou explicar: “Máquinas nada podem fazer a não ser acelerar as comunicações”. Isso permite “restaurar a possibilidade de debater importantes temas em grandes sociedades.” Mas não era isso que a empresa pensava.

“Os cientistas da Simulmatics – observa a autora –  acreditavam que se conseguissem coletar grande quantidade de dados sobre grande quantidade de pessoas tudo, um dia, poderia ser previsto e todos, cada cérebro humano simulado, cada ato poderia ser antecipado ou mesmo dirigido por mensagens direcionadas, precisas como mísseis.”

Isso tudo aconteceu em um tempo remoto, na era pré-internet.

Agora estamos ante a realidade da campanha de Trump em 2016. Com ajuda da ciência comportamental ele dirigiu mísseis certeiros aos três principais alvos da manipulação: a comunidade afro-americana, os antigos apoiadores de Sanders, e jovens mulheres que poderiam ter algum ressentimento contra Bill Clinton vocês-sabem-porquê. Ganhou.

A vitória reforçou a ideia de que hoje um pesquisador sem sair da frente de sua tela pode compilar e cruzar informações sobre compras (dos registros do comércio), pessoas com baixo Q.I. (dos registros escolares), desempregados (arquivos da previdência social). A pergunta que se faz frequentemente é: “Tudo bem, ele tem capacidade tecnológica para fazer isso. Mas é ético fazê-lo?”

Sempre é possível dizer que essa estratégia é arma contra um mal maior, que seria a reeleição de Trump.

O assunto ganha relevância nesta época de constante ameaça à liberdade individual pelos instrumentos de vigilância tecnológica – reconhecimento facial, rastreamento de DNA –  cada vez mais apurados.

Ninguém ignora que megaempresas faturam bilhões predizendo e manipulando nosso comportamento como consumidores e como eleitores.

É recente o episódio da entrega de 50 milhões de perfis do Facebook à empresa Cambridge Analytics, que os transformou em programas de disparos em massa pelas mídias sociais. Disparos de informações e imagens manipuladas, fakenews, para criar animosidade em grupos étnicos (os supremacistas brancos), religiosos (evangélicos pentecostais) ou sociais (desempregados, trabalhadores domésticos).

Para isso funciona a simulação.

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P.S. – Simulmatics = simulation + automatics.

 

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