Um Requião que promete paciência e bom humor

Requião Filho passou raspando na sabatina do UOL com uma certa cumplicidade dos entrevistadores Fabiola Cidral, Leonardo Sakamoto e Bruno Ribeiro. Não negou a herança ideológica do pai mas apresentou um diferencial: “Tenho mais paciência que ele e mais bom humor”.

Definiu-se com a melhor frase da entrevista: “Mesma marca, baixos teores”.

Como os outros candidatos, tem dificuldade para lidar com o problema do pedágio. Requião pai, afoito, uma vez sentenciou: Ou baixa ou acaba. Não baixou, nem acabou. Devia saber que uma boa negociata é eternizada pela quantidade de gente interessada em continuar nela.

Requião Filho tem a clareza de dizer que o problema não é só do Paraná, nem principalmente do Paraná – é da Agencia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que autorizou o contrato anterior, que cancelava obras vitais e sangrava a economia com tarifas escorchantes.

Agora, a ANTT faz exatamente a mesma coisa. Com baixos teores.

Outro problema do candidato do PDT é a Copel, que foi vendida por três bilhões de reais e já pagou seis milhões de dividendos aos compradores. Requião Filho vai entrar numa fria se levar adiante a ideia de reestatizar a empresa – não há dinheiro para isso.

E só vai provocar tédio se continuar reclamando que o Ministério Público não leva adiante denúncias sobre as, digamos, trampolinices. Como toda máquina pública, o MP é movido a pressão.

Uma pausa para lembrar Benjamin Disraeli, político inglês que achava perda de tempo ficar discutindo corrupção, legislação, ministério público, tribunais. “Quando os homens são honestos, dizia, as leis são desnecessárias; quando são corruptos as leis são inúteis.”

O candidato então faz o certo quando se coloca a serviço da gente prejudicada pela companhia de energia elétrica que já foi a melhor do Brasil no tempo do Ney Braga. São milhares de moradores de cidades às escuras após a chuva, centenas de produtores rurais perdendo milhões com a interrupção da energia, cooperativas no prejuízo. Já imaginou a pressão que podem produzir?

Olhando a crise do Paraná, alguém talvez lembre de “Os Saltimbancos”, musical de Chico Buarque que ativou a cabeça de crianças dos anos 1970, e do lema dos personagens: “Todos juntos somos fortes”.

Com paciência e jeito dá para juntar todos os prejudicados – grandes produtores, cooperativas e gente que perdeu a comida do freezer, a lavadora e a TV queimaram , em torno do interesse comum – e justiçar os piratas que saqueiam o Estado e legalizam o butim na Bolsa de Valores.

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P.S. – Imagem: Google IA

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