logo
Governo e política, crime e segurança, arte, escola, dinheiro e principalmente gente da cidade sem portas
post

O velho Operário vai abaixo. O novo pode homenagear nossas três vertentes político-culturais

.

 

klklklklkl O construtor foi um negro: Benedito Marques, mestre de obras.

 

 

.

Quando mais avança a demolição do prédio da antiga Sociedade Beneficente e Protetora dos Operários, no Alto do São Francisco, mais amadurece o projeto até agora chamado de centro de eventos, em elaboração no IPPUC.

Pode ser um monumento à história de Curitiba se levar em conta as três vertentes, para muitos invisíveis, que alimentaram a vida do Operário. Como o Centro Cultural Kirshner, de Buenos Aires, poderá “assumir o papel de agente político, a condição de espaço público e acelerar a transformação vital e comunitária que o momento reclama.”

  1. A vertente racial. Construído em 1883, o imóvel materializou a força do abolicionismo que se encorpava a cada dia. No mesmo ano foi criada a Confederação Abolicionista sob a liderança de José do Patrocínio dos irmãos Rebouças. Defendia a libertação de escravos sem indenização a seus donos. O movimento abolicionista se apoiava em clubes espalhados pelo país onde eram realizadas palestras com distribuição de literatura antiescravista. Eram comuns os saraus artísticos para levantamento de fundos destinados a comprar escravos e dar-lhes a carta de alforria.

 

  1. A vertente política. Marcada pela mobilização operária, que ganhou força com as migrações internacionais vindas da Itália, Polônia e Alemanha. O momento mais importante talvez tenha sido a greve geral de 1917. Era o ano da gripe espanhola, mas também da revolução russa.

 

  1. O movimento LGBT, que usou o Operário como vitrine para os desfiles de travestis nos carnavais da segunda metade do século 20. Até a década de 1950, quando Edgar Antunes da Silva, o Tatu, foi eleito presidente do Operário, a comunidade gay vivia na invisibilidade. Depois, ganhou passarelas com o Baile dos Enxutos, realizado anualmente. Com a repressão de 1964, que proibiu o evento, Tatu não desistiu. Simplesmente rebatizou a festa de Desfile Internacional de Fantasias, chamou vinte moças para desfilar junto e vida que segue.

 

Posted on 15th fevereiro 2021 in Sem categoria  •  No comments yet

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *