Carta de Goiania: denúncia contra governos e empresas de água e esgoto

A situação do saneamento básico no Brasil continua vergonhosa. Estamos 100 anos atrasados em relação aos paises desenvolvidos.

Na Carta de Goiania, resultado no 27º Congresso de Engenharia Sanitária e Ambiental, os 5 mil participantes do conclave disseram isso as governos e, principalmente, à sociedade brasileira.

“O Brasil permanece apresentando sérios déficits de atendimento por serviços básicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A universalização do atendimento é o objetivo declarado, mas o ritmo do crescimento dos índices é ainda muito inferior ao necessário para alcançar as metas propostas. A disposição de resíduos sólidos ainda é feita em lixões não controlados em grande parte dos municípios do país. A degradação do ambiente urbano, dos recursos hídricos e dos principais ecossistemas naturais segue sem recuperação significativa, a despeito dos esforços em curso.”

A sociedade organizada precisa cobrar da Prefeitura a promessa de limpar o Rio Belém, cujo mau cheiro envergonha Curitiba. É tarefa simples porque a Sanepar produziu uma lista das residências e comércios que poluem o rio. Basta dar um ultimato aos poluidores e punir quem não obedecer a ordem de se conectar à rede de esgoto.

Outra missão da sociedade é cobrar o resultado das ações legais contra a Sanepar por despejo de efluentes contaminados nos rios da Bacia do Alto Iguaçu.

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Banda larga

larga

É preciso baixar esses preços.

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O Google está liderando um grupo de organizações internacionais que estuda formas de baixar o custo da Internet. Informa o Olhar Digital que ele se uniu a outras 30 empresas e organizações para tomar medidas a fim de tornar a internet um bem mais acessível. Criaram a Alliance for Affordable Internet (A4AI), que tem a gigante de buscas como uma das líderes e, em posições mais baixas, nomes como Facebook, Microsoft, Yahoo e até a brasileira FGV (Fundação Getulio Vargas).

Há uma relação direta entre o preço da banda larga e o desenvolvimento das nações.

Por mim, basta aplicar no Brasil o preço da banda larga de qualquer pais onde há concorrência MESMO. A Inglaterra, por exemplo. O site www.moneysupermarket.com compara preços de algumas empresas. Que tal ter 16 megabites, sem limite de uso, pagando 2,5 libras esterlinas (uns 10 reais) por mês? Ou 30 megabites por 13 libras?

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Motivos pessoais

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Do Curitiba Jazz Meeting, chega um email da Isabela França, assessora de imprensa, contando porque não havia Orquestra Sinfônica do Paraná no espetáculo de domingo.

belden

O maestro Osvaldo Ferreira faltou por motivos pessoais.

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“Prezado Adherbal,

Em consideração à publicação em seu blog, na data de ontem, a produção do Curitiba Jazz Meeting esclarece:

1) A ausência do maestro Osvaldo Ferreira, no concerto de domingo – o que impossibilitou os músicos de se apresentarem como Orquestra Sinfônica do Paraná – se deu por motivos pessoais, segundo ele próprio alegou em telefonema aos organizadores do evento.

2) A Associação dos Músicos da OSP votou e acatou a proposta de receber em pagamento a integralidade da bilheteria, o que somaria valores equivalentes e dignos do cachê dos músicos.

3) Maestro e músicos receberam as partituras do concerto com 24 horas de atraso, porém, o tempo seria suficiente para o ensaio do espetáculo, tendo os músicos dispensado um terceiro ensaio por absoluta desnecesssidade.

4) A Associação dos Músicos da OSP votou por participar do concerto sob a regência do maestro Alexandre Brasolim, o que garantiu o sucesso do evento, com músicos da OSP e de outras orquestras.

5) Programa, ingressos e materiais de divulgação já estavam impressos quando houve a mudança.

6) Na abertura do espetáculo, a produção informou ao público sobre a mudança. A produção não cogitou afixar aviso ao público tendo em vista que muitos músicos integrantes da Orquestra Sinfônica do Paraná atuaram no espetáculo, que teve preservada sua qualidade. O regente Alexandre Brasolim de Magalhães estudou com músicos da Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e recebeu aulas master class com o maestro e violoncelista Mitslav Rostropovich. Participou de vários cursos e festivais no Brasil e no exterior, entre os quais os festivais de Inverno de Campos do Jordão, de Críticos e Regentes de La Plata (Argentina) e de Orquestras das Américas (San Juan/Porto Rico). Em 2004 participou do Festival de Ravello (Itália) atuando no Trio Ravello para a Escola de Balé do Teatro Bolshoi no Brasil. Ao longo de sua carreira, regeu e tocou com vários grupos musicais, bandas e orquestras. Desde 1984 dedica-se a compor, arranjar e orquestrar obras musicais para as mais diferentes formações instrumentais. Violinista da Orquestra Sinfônica do Paraná, é professor em congressos de música sacra, compositor residente da Orquestra de Câmara da PUCPR, diretor artístico da Orquestra Filarmônica de Curitiba, consultor artístico do Observatório das Artes e maestro titular da Orquestra Filarmônica da Universidade Positivo.”

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A noite em que a Orquestra Sinfônica do Paraná não apareceu para tocar no Guaira

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Outra orquestra teve de ser montada às pressas, no improviso..

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Uma versão da história coloca a culpa no cachê anêmico oferecido à OSP pela produção do Curitiba Jazz Meeting. Outra garante que as partituras chegaram com atraso e o maestro, como todo europeu, é rigoroso com essas coisas.

O fato é que a Orquestra Sinfônica do Paraná não apareceu domingo à noite para tocar no grande auditório do Teatro Guaira.

Era o combinado. Muita gente leu no jornal que a OSP executaria, sob a regência do maestro Osvaldo Ferreira, hits do saxofonista norte-americano Bob Belden como Black Dahlia Suite. Outros obtiveram a mesma informação pelo programa do Jazz Meeting, impresso em elegante papel couchê 90 gramas.

Falta de dinheiro não é. No Jazz Meeting não tem pobreza. Já no sexto ano, o evento é patrocinado pela Copel, Volvo, Schweppes.

Mesmo com a chegada tardia das partituras, os 77 músicos da sinfônica – alguns muito admirados pelo público das manhãs de domingo – não iam passar vergonha no palco de tantos concertos. Não é a primeira vez que ensaiariam um programa às pressas. São solistas, professores, profissionais de alto nível. E a orquestra prosseguiria sua história admirável de talento e dedicação à música, como está escrito no material fornecido para divulgação.

Não aparecer foi uma decisão errada. Erradíssima, como sabe qualquer primeiroanista de Direito. Seria outra se os responsáveis dessem uma lida no Código de Defesa do Consumidor. E lembrassem que cada espectador (tirando a turma da boca livre, claro) pagou um ingresso de 172 reais. O ingresso é um contrato. Dá o direito de exigir o que está impresso no bilhete: Bob Belden e Orquestra Sinfônica do Paraná. Ou de receber o dinheiro de volta, danos morais, o escambau.

O que deve fazer a produção numa hora dessas? Colocar um aviso na bilheteria: “A OSP não veio.” Em letra bem grande.

Felizmente não aconteceu o pior. O curitibano é um ser pacífico. Não dá vexame. Odeia virar notícia de programa policial. Em vez de protestar, aguardou para ver o que ia acontecer.

E aconteceu um milagre: sem a OSP, o espetáculo – carregado nas costas por Bob Belden, Ron di Lauro, Rogédio Leitum, Edvaldo Chiquini e outros músicos de Curitiba – foi um sucesso. Muito suingue, talento, jazz na veia, bravíssimos músicos que só tiveram dois dias para ensaiar e deram show.

A platéia em pé ovacionou o grupo, exigiu bis, gritou, assobiou, bateu palmas como não se via há muito tempo.

Uma noite gloriosa para o Guairão.
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belden

Belden é um craque.

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Relações perigosas

sciarra

Transparência nos financiamentos políticos


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O deputado federal Eduardo Sciarra afirmou que é necessário que se crie um melhor ambiente de transparência nas relações entre o setor de construção e a classe política. Não se referiu aos escândalos recentes mas todo mundo sabia do que ele estava falando. O auditório era de empresários reunidos em Fortaleza no Encontro Nacional da Construção Civil.

“O setor de construção defende seus legítimos interesses no Congresso Nacional e, para que essa relação se fortaleça, é preciso criar mecanismos que dêem mais transparência em relação aos financiamentos de campanha para eliminarmos com qualquer situação propícia à corrupção”, disse Sciarra, ele próprio um construtor.

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Só agora o concurso para fiscal de trânsito

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Tem que ser concursado.

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A Câmara de Vereadores aprovou em primeira discussão projeto para criação de mil cargos de fiscal de trânsito na Prefeitura.

A Justiça tem decidido reiteradamente que multa de trânsito é coisa séria. Apenas um servidor concursado tem direito de preencher o bloquinho para punir infratores.

Multa só com agente público.

No passado, a URBS contratou pessoal CLT para fazer a fiscalização.

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Walter Bolacha quer largar o vício

craque

Walter, o craque com dependência de bolacha e refri.

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Está no Uol:

“Estrela do Goiás no Brasileirão, o atacante Walter admitiu que os maus hábitos alimentares prejudica sua forma física. O atleta disse ao jornal Lance! que tem se esforçado em superar o vício em biscoito, hambúrguer e refrigerante. Sua meta é perder cinco quilos.

“Estou trabalhando para isso, começando a tirar a bolacha, o hambúrguer, o refrigerante…”, disse.

“A questão é: Coca-Cola e Guaraná, quem é que não gosta? Isso é um vício e, graças a Deus, estou tirando. Hoje bebo mais suco do que refrigerante”, complementou o jogador do Goiás ao Lance!.”

Walter pode ser o garoto propaganda de uma campanha de saúde pública que o Brasil está demorando a iniciar: a batalha contra os refrigerantes e sucos industriais. Eles são responsáveis pela nova pandemia de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e cancer. No Guardian/Observer de sábado, 4 de agosto, Alex Renton publica uma matéria com o título “The Domon Drink”, a bebida do demo, que começa com a história de um garotinho de 7 anos viciado em 7UP e outros refris. “Aquela bebida adocicada, com gosto de limão, contem um pouco de sal, zero gordura, zero fibras e 3,98 gramas de açucar – oito colheres de cha – e 135 calorias. (…) Se as estatisticas estão corretas, este garoto bebe 287 latinhas dessas por ano – mais bebida açucarada do que qualquer outra criança da Europa. Por isso, pesquisa em 17 países mostrou que somente mexicanos e americanos são mais obesos que os escoceses.”

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A bola como negócio

mar

O treineiro na hora da vaia.

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Cena I

O clube chama o empresário.
O empresário indica um treinero
E traz os boleiros.
Um é muito rodado, outro muito bichado, outro, bom de bola, fica um tempinho na vitrina, valoriza e o empresário leva embora.

Cena II

Os boleiros custam caro, falta dinheiro.
Boleiro sem dinheiro sofre desconforto muscular.
Homizia-se no Departamento Médico.
Vai a garotada para o sacrifício. Vêm as derrotas.
Vergonha! Vergonha! Fora, treineiro!

Cena III

A diretoria resiste, o treinero está prestigiado!
(Prestigiado significa receber o beijo da morte.)
De madrugada, humilhado pela torcida, o treinero é despedido.

Cena IV, Epílogo

O clube chama o empresário.

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Curitiba sem Paulo Chaves

paulo morreu

Autor de “Piá Curitibano”, crooner do Samjazz Quintet, craque da harmonia.

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No jornal diz que Paulo Chaves, 62 anos, morreu de enfarte.

Mentira. Morreu intoxicado pelo som harmonioso, oitavado, que fez o fundo musical de sua vida de músico, publicitário e homem de TV.

Em 1969, piá curitibano, andava pelo Santa Mônica, que era o clube da moda por causa do Joffre Cabral e dos bailinhos com o SamJazz Quintet – versão curitibana do Modern Tropical Quintet – quando o conjunto ficou sem crooner. Wilson Baldo não aguentou mais aquela vida de cantor da noite e caixa do Banco Nacional e pediu para sair. Deu um prazo curto para acharem substituto.

Hilton Alice, pianista e líder do grupo, talvez por ser o mais velho, chamou Paulo Chaves, que conhecia da jam sessions. Deu certo. Paulo foi crooner do grupo até 1975, quando desistiu para dedicar-se ao rádio, à televisão e à produtora.

Lembro com muita admiração seu trabalho como diretor da Radio Educativa do Paraná. Fazia um milagre por dia para manter a emissora no ar com música de bom gosto. Como a Educativa é até hoje um apêndice menor da máquina pública, havia deputado que ligava para o Requião pedindo um programa sertanejo para o sobrinho. Ou prefeito-pastor que exigia uma hora religiosa.

Curitiba deve muito ao talento e ao bom gosto de Paulo Chaves.

Clique para ouvir “Onde Ela Mora”, de Lapis, com uma das últimas formações do Samjazz: Hilton Alice, piano; Celio Malgueiro, guitarra; Nelson (baixo), Carlos Freiras, bateria; Paulo Chaves, vocal e ritmo.

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São os tempos. O Rei das Sedas, Imperador dos Preços, virou Marisa

marisa

A loja foi construida para a alta burguesia de Curitiba; hoje atende a classe C.

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Do sofisticado Louvre, Rei das Sedas, Imperador dos Preços, restaram a escadaria, os vitrais e talvez os lustres. Não garanto os lustres. A loja era uma das glórias de Curitiba nos anos 50, conforme atesta a crônica de Francisco Brito de Lacerda, que destaca, ali naquela quadra da Rua 15, o Bar Paraná. Hoje transformou-se em Lojas Marisa, uma rede que cresceu no interior de São Paulo com foco na classe C.

“Na Rua Quinze, entre Marechal e Monsenhor Celso, lado esquerdo de quem sobe, havia um bonito sobrado, propriedade do comerciante Miguel Calluf; a parte de cima abrigava o Instituto de Música Messing; no térreo, com porta de vaivém, lembrando filme de mocinho, estava o famoso Bar Paraná, que ali funcionou de 37 a 64, vizinho do Palácio do Comércio (então sede do Centro Acadêmico de Direito, depois Hugo Simas) e da pequena Chapelaria Central, que fechou por falta de freguesia, sem falar no Louvre (“rei das sedas, imperador dos preços”), também dos Calluf.

Por imposição do “milagre” urbano, ali quase tudo se refun-diu; do antigo Louvre sobrou a escadaria de mármore; foram-se as sacadinhas do Palácio do Comércio, de onde se podia apreciar, todas as tarde, as Leatrices e Raquéis descendo a Rua Quinze.

Os elogios à comida e ao ambiente do bar, que os antigos habituês ainda apregoam, não têm fim.

Linguado à milanesa, seguido de moranguinhos com nata, ninguém fez melhor. A sopa húngara,um maná; alguns copiaram sua receita (água da fonte, filé mignon, leite, batatinhas, sal e pimenta), mas nem um conseguiu fazer nada igual. O poeta Antônio Salomão, memória de anjo, diz que o mistério da sopa húngara tinha vínculo com certo tempero tcheco; o nome e endereço dos fabricantes, por mais que se procurasse, nunca foi achado.

O dono e fundador foi o alemão Walter, maitre por vocação, cozinheiro invejável.

Além das iguarias que inventava, Walter dispunha de alvíssimas toalhas, louça e talheres de primeira, mobiliário de bom gosto.

No balcão de entrada, à direita, o retrato de um trem na Serra do Mar, à beira do precipício, soltando fumaça pela chaminé; de tão bem focalizado, o trem do retrato só faltava apitar.

Restaurante que se preza carece de bons garçons; o Bar Paraná tinha os veteranos Filippe (afável, bom ouvinte, alemão como o dono) e o brasileiro Eloy, louco por roleta, assíduo visitante do Cassino Ahú.

Em 55, dinheiro sobrando, resultado de anos e anos de trabalho, Walter decidiu rever sua cidade natal, na Alemanha.
Nem bem desembarcou, teve um treco e morreu do coração. A viúva baldeou seu corpo para Curitiba, passando o restaurante, depois, ao catarinense Evilásio, que manteve a boa fama do estabelecimento uns oito, nove anos, até a demolição do sobrado.

A classe média alta comparecia aos domingos, depois da missa no Bom Jesus.

Em dias de semana, era comum a presença do lendário capitão Manoel Aranha, acompanhado de Jofre Cabral e Abílio Ribeiro.
Manoel Aranha presidia longas reuniões, regadas a chope escuro (o melhor de Curitiba), varando a tarde, de preferência quando o Atlético atravessava fases críticas.
Caçoando desses encontros, diziam os coxas que o Atlético só vai bem quando em crise.

De vez em vez, sob efeito do tal chope escuro, o jornalista Dicésar Plaisant pronunciava grandes discursos de desafio à ditadura,- chamava o interventor Manoel Ribas de “energúmeno, murnu, esbirro de Gelúlio”. Se crescia a eloquência do orador, a ponto de assustar certos frequentadores, o garçom Filippe, amável conselheiro, punha-o menos agressivo.

Antônio Salomão, o poeta, garante que não há saudosismo nas lembranças do Bar Paraná. “Só Deus sabe como eram bons aqueles tempos”, diz.”

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