{"id":8877,"date":"2020-01-08T05:29:19","date_gmt":"2020-01-08T05:29:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=8877"},"modified":"2020-01-09T04:16:31","modified_gmt":"2020-01-09T04:16:31","slug":"gostei-mais-do-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=8877","title":{"rendered":"Gostei mais do livro"},"content":{"rendered":"<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_8878\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/carol-duarte.jpg\" rel=\"lightbox[8877]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8878\" class=\"size-full wp-image-8878\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/carol-duarte.jpg\" alt=\"gghghg\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8878\" class=\"wp-caption-text\"><em>Carol Duarte interpreta Eur\u00eddice Gusm\u00e3o<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre \u201cA Vida Invis\u00edvel de Eur\u00eddice Gusm\u00e3o\u201d, nas livrarias em edi\u00e7\u00e3o da Companhia das Letras e nas telas gra\u00e7as \u00e0 Amazon, repito o chav\u00e3o: gostei mais do livro.<\/p>\n<p>A narrativa de Martha Batalha perde parte do encanto no filme de Karim A\u00efnouz (que escreveu a adapta\u00e7\u00e3o para a tela com Inez Bortagaray e Murilo Hauser). O filme traz cenas que n\u00e3o est\u00e3o no livro, exclui outras que me pareceram indispens\u00e1veis e acrescenta pelo menos 20 anos \u00e0 hist\u00f3ria para poder incluir Fernanda Montenegro no elenco. Alonga a vida de Eur\u00eddice (Carol Duarte), encurta a de Guida (Julia Stockler).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, parece que todo mundo gosta mais do livro. Eis o porqu\u00ea: ao ler o livro eu crio cenas em minha mente. E as cenas s\u00e3o insuper\u00e1veis porque s\u00e3o minhas. A\u00ed aparece o diretor e sacrifica minhas cenas, acrescenta outras que n\u00e3o sa\u00edram da minha cabe\u00e7a e ainda inventa um puxadinho da hist\u00f3ria para abrigar uma atriz famosa, cujo nome aumentar\u00e1 as chances dele, diretor, ganhar pr\u00eamios.<\/p>\n<p>No livro alegramo-nos com os feitos de Eur\u00eddice como ex\u00edmia banqueteira ou como talentosa costureira ou como escritora e participante de passeatas no per\u00edodo p\u00f3s-1964. Carol Duarte, Fernanda Montenegro e Julia Stockler numa passeata contra o obscurantismo de Bras\u00edlia. Quer coisa mais adequada ao momento que o Brasil vive? Na adapta\u00e7\u00e3o para a tela tudo sumiu.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>O blog da Barnes &amp; Noble oferece mais raz\u00f5es para filmes desapontarem os que leram o livro.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o, diz o blog, \u00e9 inferior \u00e0 expectativa, n\u00e3o s\u00f3 do leitor, mas do pr\u00f3prio autor. Stephen King criticou a vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica de \u201cO Iluminado\u201d, de Stanley Kubrick (1980). King ficou descontente com o fraco grita-e-corre de Shelly Duvall e a rapidez com que o personagem de Jack Nicholson passa do estado normal, equilibrad\u00edssimo, para a insanidade. No livro, a transmuda\u00e7\u00e3o de Jack Torrence \u00e9 muito mais gradual e dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o imaginei que ele fosse assim\u201d. Imaginei-o mais jovem (ou mais maduro), mais jeitoso, mais carism\u00e1tico. Tome 500 leitores (e principalmente leitoras) que gostaram de \u201c50 Tons de Cinza\u201d e voc\u00ea ter\u00e1 500 ideias de como \u00e9 o jovem bilion\u00e1rio Christian Grey e como rolam as cenas de sedu\u00e7\u00e3o. O desapontamento \u00e9 geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 ainda mais verdadeiro em filmes que lidam com utopias, como \u201c1984\u201d e \u201cFazenda Modelo\u201d. A imagina\u00e7\u00e3o do leitor trabalha intensamente para dar rosto aos personagens. E nenhum se parece com os do cinema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro problema vem da caracter\u00edstica de cada meio. O cinema lida com imagens, o livro com descri\u00e7\u00f5es e di\u00e1logos. Se voc\u00ea colocar di\u00e1logo demais no filme, vira teatro filmado. Se n\u00e3o colocar faltar\u00e3o informa\u00e7\u00f5es para o espectador\u00a0 se envolver na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>H\u00e1 desafios insuper\u00e1veis no livro \u201cA Vida Invis\u00edvel de Eur\u00eddice Galv\u00e3o\u201d. Um deles \u00e9 transportar para a tela a personagem Z\u00e9lia, a fofoqueira. Segundo a autora, Z\u00e9lia \u00e9 \u201cuma mulher de muitas frustra\u00e7\u00f5es. A maior delas \u00e9 n\u00e3o ser o Esp\u00edrito Santo, para tudo ver e tudo saber\u201d. E a descri\u00e7\u00e3o prossegue: \u201cZ\u00e9lia estava na verdade mais para Lobo Mau do que para Esp\u00edrito Santo, porque tinha olhos grandes para ver melhor, ouvidos grandes para ouvir melhor e uma boca muito grande, que distribu\u00eda entre os vizinhos as principais not\u00edcias do bairro\u201d.<\/p>\n<p>Zelia \u00e9 filha do rep\u00f3rter Alvaro Staffa, testemunha da Gripe Espanhola de 1918. Alvaro \u201cviu homens agonizando em v\u00f4mitos de sangue e crian\u00e7as conversando com m\u00e3es que j\u00e1 estavam mortas. Doentes em del\u00edrio, expulsos de suas casas. Profetas de longas barbas anunciando o fim do mundo. Ouviu os gritos de antas da morte que vinham de janelas fechadas e contou as centenas de corpos nas ruas, em v\u00e3o. Quando terminava a conta outro defunto aparecia, ou a carro\u00e7a da prefeitura chegava para rebocar os corpos&#8230;\u201d<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Na impossibilidade de materializar na tela os personagens e fatos do romance, o melhor \u00e9 ficar com o encantamento e o fino humor<em>\u00a0<\/em>do texto de Martha Batalha, que parece descender do Monteiro Lobato dos livros infantis. E creditar a Karim A\u00efnouz o m\u00e9rito de colocar um bom filme sobre as brasileiras do p\u00f3s-guerra na lista do Oscar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>.<\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. &nbsp; &nbsp; &nbsp; Sobre \u201cA Vida Invis\u00edvel de Eur\u00eddice Gusm\u00e3o\u201d, nas livrarias em edi\u00e7\u00e3o da Companhia das Letras e nas telas gra\u00e7as \u00e0 Amazon, repito o chav\u00e3o: gostei mais do livro. A narrativa de Martha Batalha perde parte do &hellip; <a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=8877\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-8877","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8877"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8877\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8894,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8877\/revisions\/8894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}