{"id":8092,"date":"2018-05-29T20:01:26","date_gmt":"2018-05-29T20:01:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=8092"},"modified":"2018-05-30T16:52:25","modified_gmt":"2018-05-30T16:52:25","slug":"o-ira-e-um-enigma-como-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=8092","title":{"rendered":"O Ir\u00e3 \u00e9 um enigma. Como o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>.<\/p>\n<div id=\"attachment_8093\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lulacamp-povao-noite2.jpg\" rel=\"lightbox[8092]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8093\" class=\"size-full wp-image-8093\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lulacamp-povao-noite2.jpg\" alt=\"hjhjh\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lulacamp-povao-noite2.jpg 640w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lulacamp-povao-noite2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8093\" class=\"wp-caption-text\">.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\">Outro dia, algu\u00e9m escreveu que o mundo intelectual abriga tr\u00eas categorias: pensadores, pobres pensadores e gente que faz an\u00e1lises na Globo News. Na tela, alguns est\u00e3o berrando por interven\u00e7\u00e3o militar, isto \u00e9, golpe de estado, outros falam em revolu\u00e7\u00e3o popular e a maioria reza para tudo voltar ao que era antes da greve dos camioneiros.<\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Interven\u00e7\u00e3o militar \u00e9 improv\u00e1vel. Voltar ao que era antes \u00e9 imposs\u00edvel, porque as sociedades vivem em lenta e inexor\u00e1vel evolu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o vamos falar de revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Thomas Carlyle, escrevendo em 1789, declarou que revolu\u00e7\u00f5es reais s\u00e3o um \u201cfen\u00f4meno transcendental dos Tempos Modernos\u201d, que ocorreriam apenas uma vez em cada mil\u00eanio. Ele claramente exagerou, mas teve uma inten\u00e7\u00e3o ao faz\u00ea-lo. Ao lado da chinesa, russa e chinesa, a revolu\u00e7\u00e3o iraniana pode ser classificada entre as poucas que claramente deram nova forma \u00e0 sociedade do Ir\u00e3\u201d.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\">Quem <a href=\"http:\/\/www.nybooks.com\/articles\/2018\/06\/07\/enigma-of-iranianism\/\">diz<\/a> isso \u00e9 Ervand Abrahamian, na New York Review of Books (<span class=\"spanfile\">nybooks.com<\/span>) analisando o livro <a style=\"color: #3366ff;\" href=\"https:\/\/www.amazon.com\/gp\/product\/0300112548?ie=UTF8&amp;tag=thneyoreofbo-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=0300112548\">Iran: A Modern History<\/a>, de Abbas Amanat (Yale University Press, 979 pp., $40.00).<\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para muitos americanos, o Ir\u00e3 \u00e9 um enigma empacotado em um conjunto de contradi\u00e7\u00f5es incompreens\u00edveis e altamente inflam\u00e1veis. Durante d\u00e9cadas, antes da cria\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica isl\u00e2mica no final dos anos 1970, o Ir\u00e3 era admirado como um aliado indispens\u00e1vel dos Estados Unidos, que comprava armamento com desconto e funcionava como uma esp\u00e9cie de pol\u00edcia do Golfo P\u00e9rsico.<\/p>\n<p>Hoje, \u00e9 retratado como um advers\u00e1rio implac\u00e1vel e amea\u00e7ador, constantemente tentando expandir sua influ\u00eancia do Mediterr\u00e2neo ao Oceano Indico.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, o x\u00e1 da Persia fazia visitas anuais \u00e0 Casa Branca para oferecer e receber gentilezas. O atual Lider Supremo n\u00e3o visita pa\u00edses estrangeiros, muito menos o Grande Sat\u00e3.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, senhores bem apessoados, rosto escanhoado, usando ternos italianos e gravatas de seda lideraram o Ir\u00e3. Conversavam em franc\u00eas e ingl\u00eas fluentes. Eram criticados por serem autocr\u00e1ticos. Os americanos n\u00e3o os criticavam. \u201cS\u00e3o os nossos autocratas.\u201d<\/p>\n<p>O contr\u00e1rio acontece com os atuais l\u00edderes, que usam turbantes e ostentam barbas grisalhas. Ou com seus tecnocratas de barbas aparadas, profundamente descrentes n\u00e3o apenas da pol\u00edtica externa norte-americana mas tamb\u00e9m de muitos aspectos de sua cultura \u2013 exceto da tecnologia nuclear.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a foi r\u00e1pida em quinze meses, entre 1977 e 1979, a monarquia do x\u00e1 foi substitu\u00edda pela Rep\u00fablica Isl\u00e2mica. Isso levou a uma radical transforma\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico, de legitima\u00e7\u00e3o do governo, e do conceito de ordem social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica foi acompanhada de consider\u00e1vel viol\u00eancia, embora n\u00e3o tanto como os revolucion\u00e1rios gostam de proclamar, e teve um impressionante apoio popular. O resultado mais vis\u00edvel foi que um milh\u00e3o de pessoas deixaram o pais.<\/span><\/h3>\n<p>Os americanos fitavam hipnotizados as imagens da primeira revolu\u00e7\u00e3o transmitida pela TV e logo ultrajados pela cobertura di\u00e1ria da crise dos ref\u00e9ns na embaixada dos USA em Teer\u00e3, que durou 444 dias.<\/p>\n<p>Desde 1980 os EUA advogam abertamente a mudan\u00e7a de regime e mesmo ataques militares contra o Ir\u00e3. Os dois pa\u00edses desfrutaram uma breve detente em 2015, quando Barak Obama assinou o acordo nuclear e substituiu o discurso sobre derrubar o regime por apelos para mudan\u00e7a rec\u00edproca de atitude.<\/p>\n<p>O interl\u00fadio terminou abruptamente em 2017, com Donald Trump, que denunciou o acordo. A ordem, novamente, \u00e9 desestabilizar a Rep\u00fablica Isl\u00e3mica \u2013 e pode ser mais uma das batalhas que os ultraconservadores v\u00e3o perder, ao lado do Vien\u00e3, da Coreia, da antiga Indochina, do Iraque.<\/p>\n<p>Qualquer tentativa de mudar o regime iraniano muito provavelmente levaria ou \u00e0 guerra ou a mais uma crise continuada, capaz de arrastar os EUA mais fundo em seu envolvimento no Oriente M\u00e9dio, especialmente no Afganist\u00e3o, Siria e Libano. A \u00fanica vantagem dessa crise seria distrair a opini\u00e3o p\u00fablica dos s\u00e9rios problemas internos que a administra\u00e7\u00e3o<br \/>\nTrump est\u00e1 enfrentando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\">A New York Review of Books recomenda com entusiasmo esse <em>Iran: A Modern History. <\/em>Mas cuidado: s\u00e3o 900 p\u00e1ginas em ingl\u00eas.O autor<em>,<\/em> Abbas Amanat, \u00e9 professor de hist\u00f3ria em Yale e produziu um trabalho que a revista classifica de \u201cmajestoso\u201d, compar\u00e1vel \u00e0 Identidade da Fran\u00e7a, de Fernand Braudel, ou a Hist\u00f3ria dos Povos Arabes, de Albert Hourani. Ali\u00e1s, Hourani foi mentor de Amanat, e os dois se identificam na valoriza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da continuidade e da persist\u00eancia na hist\u00f3ria pol\u00edtica e social dos povos, que eles consideram uma quest\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o gradual e n\u00e3o de s\u00fabitas mudan\u00e7as.<\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>P.S. &#8211; Camioneiro ou caminhoneiro? As duas formas est\u00e3o certas. O site P\u00e9 na Estrada explica: &#8220;A palavra \u00e9 nova, at\u00e9 porque, caminh\u00f5es s\u00e3o novos, t\u00eam pouco mais de 100 anos. Para n\u00f3s, a origem est\u00e1 no\u00a0franc\u00eas\u00a0<em>Camion<\/em>, que foi \u201caportuguesado\u201d e virou cami\u00e3o. Quem dirige um cami\u00e3o \u00e9 um camioneiro. Assim \u00e9 em Portugal at\u00e9 hoje. Vejam os sites das montadoras por l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><\/h2>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. &nbsp; . Outro dia, algu\u00e9m escreveu que o mundo intelectual abriga tr\u00eas categorias: pensadores, pobres pensadores e gente que faz an\u00e1lises na Globo News. 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