{"id":789,"date":"2012-12-14T18:44:41","date_gmt":"2012-12-14T18:44:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=789"},"modified":"2012-12-21T15:46:35","modified_gmt":"2012-12-21T15:46:35","slug":"doutores-e-malandrinhos-na-boca-dos-anos-60","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=789","title":{"rendered":"Doutores e malandrinhos na Boca dos anos 60"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_792\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/boca-maldita.jpg\" rel=\"lightbox[789]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-792\" class=\"size-full wp-image-792\" title=\"boca maldita\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/boca-maldita.jpg\" alt=\"Boca Maldita\" width=\"640\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/boca-maldita.jpg 640w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/boca-maldita-300x212.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-792\" class=\"wp-caption-text\"><em>Boca Maldita, dezembro de 2012.<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O manual de jornalismo recomenda: seja breve. Atenha-se aos fatos.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 confirmar os fatos. Ser\u00e1 que \u00e9 verdade mesmo? Aqui h\u00e1 dez fofoqueiros para cada cidad\u00e3o veraz.<\/p>\n<p>No come\u00e7a da d\u00e9cada de 60, durante dois anos, escrevi com o entusiasmo dos estreantes, uma coluna sobre pol\u00edtica e economia na p\u00e1gina 2 da edi\u00e7\u00e3o paranaense da Ultima Hora. As notas \u2013 14 ou 15 todo o dia \u2013 eram obtidas na Assembleia Legislativa, na C\u00e2mara Municipal, em alguns gabinetes do governo e em escrit\u00f3rios.<\/p>\n<p>Mas o tempero, o jeito sem cerim\u00f4nia, o ethos da cidade, vinha de um trecho da Avenida Luiz Xavier, ex-Jo\u00e3o Pessoa, que come\u00e7ava ap\u00f3s a esquina da Ermelino de Le\u00e3o, onde ficava o Caf\u00e9 Ouro Verde, e terminava 60 metros adiante, onde funcionou o Cine \u00d3pera.<\/p>\n<p>Na hora do almo\u00e7o e no fim do dia as fontes surgiam para o cafezinho, o cigarro e o papo. Eram pol\u00edticos, amigos dos pol\u00edticos, inimigos dos pol\u00edticos, aspones e boateiros compulsivos. Apareciam tamb\u00e9m advogados, ju\u00edzes, promotores p\u00fablicos, que formavam rodas separadas. E profissionais liberais de outras \u00e1reas. E vendedores. E picaretas \u2013 malandrinhos p\u00e1lidos \u00e0 procura da oportunidade de intermediar algum neg\u00f3cio e levar comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Circulando de roda em roda, olho aflito no hor\u00e1rio de fechamento da coluna, entre duas e tr\u00eas da tarde, eu tentava descobrir o que havia de real em cada hist\u00f3ria. Confirmava diariamente que o mundo \u00e9 feito de maledicentes, incensadores, levianos \u2013 e pela minoria que, por algum motivo inconfess\u00e1vel, resolve contar a verdade.<\/p>\n<p>Quando aparecia uma dessas joias raras \u00e0s vezes era necess\u00e1rio omitir a fonte. E surgiu a f\u00f3rmula: \u201cOntem, na Boca Maldita, um cidad\u00e3o informava que&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Por que Boca Maldita? Batismo oficial n\u00e3o houve. Ouvi o apelido do Anfrisio Siqueira, outros o escutaram do professor da UFPR \u00a0Abr\u00e3o Fucz. Ou do cartor\u00e1rio Jos\u00e9 Nocite.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se isso \u00e9 importante.<\/p>\n<p>Importante \u00e9 constatar que, durante uns vinte anos, a Boca foi \u00e1gora, muro de lamenta\u00e7\u00f5es, p\u00e1tio de conflitos, onde se exibiam sem pudor as contradi\u00e7\u00f5es da cidade. \u00a0E jornalismo vive do conflito, como a democracia alimenta-se da contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O manual de jornalismo recomenda: seja breve. Atenha-se aos fatos. O desafio \u00e9 confirmar os fatos. Ser\u00e1 que \u00e9 verdade mesmo? Aqui h\u00e1 dez fofoqueiros para cada cidad\u00e3o veraz. 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