{"id":6324,"date":"2016-04-29T17:02:33","date_gmt":"2016-04-29T17:02:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=6324"},"modified":"2016-04-29T17:35:13","modified_gmt":"2016-04-29T17:35:13","slug":"a-grande-fase-do-jornalismo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=6324","title":{"rendered":"A fase de ouro do jornalismo brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_6325\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/jornal-do-brasil-livro-Belisa-Ribeiro.jpg\"  rel=\"lightbox[6324] attachment wp-att-6325\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6325\" class=\"size-full wp-image-6325\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/jornal-do-brasil-livro-Belisa-Ribeiro.jpg\" alt=\"hjkjkjkj\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/jornal-do-brasil-livro-Belisa-Ribeiro.jpg 640w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/jornal-do-brasil-livro-Belisa-Ribeiro-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6325\" class=\"wp-caption-text\"><em>O jornal mais importante do Brasil.<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 emocionante ver como o Brasil teve bons jornais e a informa\u00e7\u00e3o era tratada com carinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jornal do Brasil Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria<\/em>, 404 pg, Record, 2015, o livro de Belisa Ribeiro sobre o melhor jornal que j\u00e1 se editou no pa\u00eds, s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 ainda melhor porque faltou apura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira regra de quem se mete com hist\u00f3ria oral \u00e9 desconfiar da mem\u00f3ria do entrevistado. Caso contr\u00e1rio, aparece o Alberto Dines lembrando que &#8220;o governo do Get\u00falio Vargas, atrav\u00e9s da Legi\u00e3o Brasileira da Boa Vontade criou a Horta da Vit\u00f3ria&#8221;. Faltou um apurador para abrir o relat\u00f3rio do governo e corrigir: o entrevistado estava falando da Legi\u00e3o Brasileira de Assist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>D\u00f3i ler mais adiante que o mesmo Dines, trabalhando para a revista Vis\u00e3o em S\u00e3o Paulo, cobriu o auge do Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia (TBC) &#8220;de Cacilda Becker, Sergio Porto, Paulo Autran&#8221;. N\u00e3o ser\u00e1 Sergio Britto? Ou talvez Sergio Cardoso? Os dois s\u00e3o citados na Enciclop\u00e9dia Itau Cultural e em outras fontes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas pequenas falhas devem ser relevadas pelo leitor &#8211; haver\u00e1 talvez uma segunda edi\u00e7\u00e3o &#8211; porque nunca foi t\u00e3o necess\u00e1rio falar de jornalismo de boa qualidade e da \u00e9poca em que grandes jornais concorriam no mercado da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As narrativas de editores e rep\u00f3rteres mostram que mesmo em epis\u00f3dios como o golpe de estado que derrubou Jo\u00e3o Goulart em 1964 ou a promulga\u00e7\u00e3o do AI-5, que endureceu ainda mais o regime, o JB se comportou bastante bem. Driblou a censura como pode e guardou para a Hist\u00f3ria epis\u00f3dios como o do jornalista Luis Edgar de Andrade. Preso sem culpa passou tr\u00eas dias no Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito em p\u00e9, nu em uma sala gelada, sob sons alt\u00edssimos. No terceiro dia um dos algozes informou ao libert\u00e1-lo: &#8220;N\u00e3o era com voc\u00ea!&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Est\u00e1 registrado. Aconteceu e pode acontecer de novo. \u00c9 preciso ficar atento em defesa da democracia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A propriet\u00e1ria do JB, condessa Pereira Carneiro, e o presidente Nascimento Brito deram carta branca aos jornalistas, dentro da linha que a autora chama &#8220;democr\u00e1tica-liberal&#8221;. Havia grande liberdade para investir em cultura. O Caderno B e o Suplemento Dominical foram praticamente os respons\u00e1veis pela chegada da poesia concreta ao Brasil, com Reynaldo Jardim, Mauro Faustino, Oliveira Bastos e Ferreira Gullar. E tamb\u00e9m Carlinhos de Oliveira, Nelson Pereira dos Santos, Helio Polvora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O chefe da reda\u00e7\u00e3o de 1978, Luis Orlando Carneiro, informa: &#8220;Houve um momento em que essas pessoas, esses cora\u00e7\u00f5es e mentes de juntaram e fizeram do Jornal do Brasil o jornal de refer\u00eancia nacional e internacional. N\u00f3s passamos a ser o The New York Times do Brasil. L\u00e1 fora, quando eu viajava, os telegramas da Associated Press, quando queriam falar sobre a situa\u00e7\u00e3o do Brasil, informavam: &#8220;O influente Jornal do Brasil, em editorial hoje&#8230;&#8221; Eu nunca vi um telegrama dizer assim: &#8220;O influente O Globo&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, <a href=\"http:\/\/www.independent.co.uk\/news\/world\/americas\/brazils-political-process-damaged-by-partisan-press-claim-journalists-dilma-rousseff-impeach-a6978011.html\">leio <\/a>no Independent: &#8220;Brazil&#8217;s political process &#8216;damaged by partisan press&#8217; claim journalists&#8221;. No site belga La Libre <a href=\"http:\/\/www.lalibre.be\/actu\/international\/bresil-les-medias-en-campagne-contre-dilma-rousseff-5706947535708ea2d44df484\">est\u00e1<\/a>:&#8221;Br\u00e9sil: les m\u00e9dias en campagne contre Dilma Rousseff.&#8221; A imprensa virou partido pol\u00edtico. A melhor maneira de saber o que acontece no Brasil \u00e9 ler um jornal da Inglaterra, <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil\/2016\/04\/160426_michael_reid_economist_entrevista_fd\">diz <\/a>a BBC.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Jornal do Brasil, de Belisa Ribeiro, vem se somar a outros livros sobre o grande matutino carioca. Entre eles deve-se destacar a biografia de Odylo Costa, filho, de Cecilia Costa. (Cole\u00e7\u00e3o Perfis do Rio, 200 pg, Editora Relume Dumer\u00e1, 2000). O sobrenome n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia &#8211; Cec\u00edlia \u00e9 sobrinha de Odylo Costa, filho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse efe em letra min\u00fascula \u00e9 testemunho do respeito que o propriet\u00e1rio tinha pelo vern\u00e1culo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Odylo chegou em 1956, quando o jornal ainda era escrito \u00e0 m\u00e3o e ostentava an\u00fancios classificados na maior parte da primeira p\u00e1gina. Os redatores enchiam suas canetas tinteiro e punham-se a trabalhar em aparas de papel, que depois eram decifradas na oficina por experientes linotipistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Grande renovador do JB e provavelmente do jornalismo brasileiro, Odylo Costa, filho levou para o jornal uma equipe do Diario Carioca\u00a0 &#8211; o jornal que iniciou a revolu\u00e7\u00e3o formal da imprensa. Valorizou a fotografia, que antes era na base da l\u00e2mpada de magn\u00e9sio estourada na cara dos personagens. Criou o copy desk para acabar com os textos barrocos, o abuso de adjetivos e adv\u00e9rbios, as redund\u00e2ncias e imprecis\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O jornalismo brasileiro continua cheio de imprecis\u00f5es e vieses. S\u00f3 acabaram as redund\u00e2ncias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; . &nbsp; \u00c9 emocionante ver como o Brasil teve bons jornais e a informa\u00e7\u00e3o era tratada com carinho. &nbsp; Jornal do Brasil Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria, 404 pg, Record, 2015, o livro de Belisa Ribeiro sobre &hellip; <a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=6324\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6324","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6324","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6324"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6324\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6338,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6324\/revisions\/6338"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}