{"id":6246,"date":"2016-04-02T01:54:35","date_gmt":"2016-04-02T01:54:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=6246"},"modified":"2016-04-02T02:29:08","modified_gmt":"2016-04-02T02:29:08","slug":"o-bandoneon-imaginario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=6246","title":{"rendered":"O Bandoneon Imagin\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_6247\" style=\"width: 475px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sergio-mercer-bandoneon-imaginario.jpg\"  rel=\"lightbox[6246] attachment wp-att-6247\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6247\" class=\"size-full wp-image-6247\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sergio-mercer-bandoneon-imaginario.jpg\" alt=\"gghghg\" width=\"465\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sergio-mercer-bandoneon-imaginario.jpg 465w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sergio-mercer-bandoneon-imaginario-218x300.jpg 218w\" sizes=\"auto, (max-width: 465px) 100vw, 465px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6247\" class=\"wp-caption-text\"><em>Encontrei numa gaveta ignota a fita cassete do Bandoneon Imagin\u00e1rio. A vida inteligente de Curitiba sente muita falta do Mercer.<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>..<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><i>Mi Buenos Aires querido,<\/i><\/p>\n<p><i>Cuando yo te vuelva a ver<\/i><\/p>\n<p><i>No habr\u00e1 m\u00e1s penas ni olvidos<\/i><\/p>\n<p><i>El farolito de la calle en que nac\u00ed<\/i><\/p>\n<p><i>Fue centinela de mis promesas de amor;<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/p>\n<p>O tango, principalmente do in\u00edcio do s\u00e9culo, era um mergulho de cabe\u00e7a na vida dos vizinhos do Prata e no machismo latino-americano. H\u00e1 quem diga, que para os compositores da d\u00e9cada de 1920 s\u00f3 existiam dois tipos de mulheres na Argentina: as m\u00e3es e as prostitutas.(*) (<i>Tango: Uma Possibilidade Infinita. H\u00e9lio de Almeida Fernandes, Editora Bom Texto, 2000).\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><\/p>\n<p>Tudo era dor, ang\u00fastia, gigol\u00f4s e marafonas, amores frustrados, ci\u00fames, bebedeiras, jogo e crimes passionais. Malvisto pela sociedade tradicional curitibana e\u00a0 muito amado pelos moradores da noite, o tango se instalou na boate do Hotel Mariluz, na La Ronde, na boate Manhattan, onde todo fim de noite Ema Taylor, atendendo a pedidos, cantava Garufa, que bem mais tarde ganhou vers\u00e3o sat\u00edrica, o Siritango.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Siritango<\/b><\/p>\n<p>Vers\u00e3o\u00a0de S\u00e9rgio Mercer, Solda, Chico Branco e Ernani Buchmann, em portunhol de Curitiba,\u00a0para o tango Garufa, de Enrique Discepolo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Fue en la Farm\u00e1cia Minerva<\/i><\/p>\n<p><i>No me atendieron<\/i><\/p>\n<p><i>Pedi un Sal de Andrews<\/i><\/p>\n<p><i>O sonrisal<\/i><\/p>\n<p><i>Tom\u00e9 un Calcigenol<\/i><\/p>\n<p><i>Irradiado<\/i><\/p>\n<p><i>Por la\u00a0Radio Belgrano<\/i><\/p>\n<p><i>Fenomenal<\/i><\/p>\n<p><i>Una Emulsion de Scott<\/i><\/p>\n<p><i>Sin bacallao<\/i><\/p>\n<p><i>E un pastel de carne<\/i><\/p>\n<p><i>Del Oriental<\/i><\/p>\n<p>Comi un cachorro quiente<\/p>\n<p><i>Mas mucho quiente<\/i><\/p>\n<p><i>Quem\u00e9 toda mi boca<\/i><\/p>\n<p><i>Qued\u00e9 piantao<\/i><\/p>\n<p><i>Sinuca\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>Porque me puse a jugar<\/i><\/p>\n<p><i>Peruca<\/i><\/p>\n<p><i>Pelado voy a quedar<\/i><\/p>\n<p><i>De porradas<\/i><\/p>\n<p><i>S\u00e9 que me quieres<\/i><\/p>\n<p><i>Cubrir<\/i><\/p>\n<p><i>So porque la otra noche<\/i><\/p>\n<p><i>Yo fu\u00ed<\/i><\/p>\n<p><i>(A la donde?)<\/i><\/p>\n<p><i>A el Bar Rei do Siri<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Obs: ap\u00f3s um entrevero com o dono do Bar Rei do Siri, por alguma quest\u00e3o noturna, os autores resolveram transformar a \u00faltima frase do tango em <i>&#8220;En el Parque Barigui<\/i>&#8220;. Assim, com o nome de <i>Bariguitango<\/i>, \u00e9 que ele foi gravado, em 1993, por Marinho Galera, para o CD <i>S\u00e9rgio Mercer e seu bandone\u00f3n imagin\u00e1rio<\/i>, do qual o m edico Carlos Alberto Mercer, o doutor Nene, ainda possui alguns exemplares, segundo Ernani Buchmann.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas o templo do tango, mesmo, ficava na rua Jos\u00e9 Loureiro, 17. Esse era o endere\u00e7o do Cadiz Club inaugurado em julho de 1956. A hist\u00f3ria da casa come\u00e7a um pouco antes, com a chegada a Curitiba de um grupo de boleristas, Los Halcones Negros. O sucesso junto ao p\u00fablico foi tanto que animou um deles, o cantor uruguaio \u00c9lvio Justo Menendez a ficar por aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que n\u00e3o faltava na cidade era m\u00fasico latino-americano. Menendez logo conheceu outro uruguaio, Encitro Pellejero, \u00e1s do bandone\u00f3n, e juntos abriram o Cadiz Club.<\/p>\n<p>A casa era pequena e vivia lotada.\u00a0 Ali que se celebrava o jogo de sedu\u00e7\u00e3o proposto pelo tango. Era complicado aprender a linguagem de dois corpos que se entrela\u00e7am na coreografia definida na Argentina a partir do ritmo africano.<\/p>\n<p>Um dos charmes do Cadiz Club era um programa de r\u00e1dio de grande e fiel audi\u00eancia: O Tango abra\u00e7a o Samba, criado e dirigido por Menendez,\u00a0 e apresentado por Getulio Curi. Com o sucesso, ganhou transmmiss\u00e3o ao vivo, da meia-noite a uma da manh\u00e3, pela R\u00e1dio Tingui.<\/p>\n<p>Ritual de desejo, jogo, amores proibidos. Para donzelas, nem pensar. Para cavalheiros, o Cadiz Club. Para l\u00e1 que se dirigiam os amantes da m\u00fasica de Gardel, como os estudantes de Engenharia, Jamil Mattar, mais conhecido como Zeca, O Maluco do Teclado, (irm\u00e3o do tambem pianista Paulinho Mattar), e Edmond Fatuch.<\/p>\n<p>O primeiro largou o curso e profissionalizou-se m\u00fasico. O segundo, ao formar-se deixou a m\u00fasica. Mas antes, junto com Zeca, levou o tango para um ambiente mais familiar.(*) (<i>As noites de bandoneon, argentinas e muito tango. <\/i><i>Aramis Millarch, Tabl\u00f3ide Digital, 18.08.89).<\/i><\/p>\n<p>Na Sociedade Duque de Caxias, enquanto Gen\u00e9sio descansava, Fatuch, voz, e Zeca ao piano, apresentavam tangos aos freq\u00fcentadores das domingueiras dos Ch\u00e1s de Engenharia.<\/p>\n<p><i>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0E foi no Ch\u00e1 de Engenharia que brilhou, no in\u00edcio dos anos 1950, o maior nome do tango que passou por Curitiba: o maestro e compositor Francisco Canaro. Ele j\u00e1 tinha vindo uma vez, por volta de 1940, e retornava agora, com sua orquestra de 30 m\u00fasicos (*) (As<i> noites de bandoneon, argentinas e muito tango. <\/i><i>Aramis Millarch, Tabl\u00f3ide Digital, 18.08.89)<\/i><\/p>\n<p>Dan\u00e7arino de tango?\u00a0\u00a0 Um, inesquec\u00edvel, o Renato Bom Cabelo. J\u00e1 de ouvintes de tango, a lista era infind\u00e1vel.\u00a0 O tango, assim como o bolero, fornecia conteudo filos\u00f3fico para os poetas boemios. Transbordamento e emo\u00e7\u00e3o.\u00a0 Um mergulho na g\u00edria rioplatense.<\/p>\n<p>O termo <i>Garufa,<\/i> por exemplo, foi incorporado ao vocabul\u00e1rio curitibano. Sin\u00f4nimo de boemia, malandragem. Um bo\u00eamio que ao dan\u00e7ar, tirava a roupa, para se mostrar desprovido de preconceito. Fazer garufa era fazer farra a qualquer custo, ainda que ao voltar pra casa, ao garufa s\u00f3 restasse comer bananas, nada mais (*) (<i>Miguel Angel Gutierrez). <\/i><\/p>\n<p>Este, por\u00e9m, n\u00e3o era o \u00fanico termo do lunfardo, a g\u00edria portenha incorporada ao nosso dia-a-dia. Curitibano que gostava de tango sabia at\u00e9 traduzir do espanhol para o espanhol; <i>gambas<\/i>, eram <i>piernas<\/i>; <i>globear <\/i>era <i>mentir;<\/i> <i>bate<\/i> era <i>delata <\/i>e <i>dar dique:<\/i> <i>enga\u00f1ar com falsas aparencias.\u00a0\u00a0 <\/i><\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>(Trecho de Curitiba Jazz Band, logo nas livrarias)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. &nbsp; &nbsp; .. . Mi Buenos Aires querido, Cuando yo te vuelva a ver No habr\u00e1 m\u00e1s penas ni olvidos El farolito de la calle en que nac\u00ed Fue centinela de mis promesas de amor; &nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O tango, &hellip; <a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=6246\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6246","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6246"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6246\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6251,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6246\/revisions\/6251"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6246"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adherbal.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}