{"id":4427,"date":"2014-10-13T01:41:49","date_gmt":"2014-10-13T01:41:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=4427"},"modified":"2014-10-13T04:31:52","modified_gmt":"2014-10-13T04:31:52","slug":"o-dia-em-que-o-jornalismo-de-imersao-chegou-ao-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=4427","title":{"rendered":"O dia em que o jornalismo de imers\u00e3o chegou ao Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>.<\/p>\n<div id=\"attachment_4428\" style=\"width: 211px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/jacinto-de-thormes.jpg\" rel=\"lightbox[4427]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4428\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/jacinto-de-thormes.jpg\" alt=\"hjhjhjhjh\" width=\"201\" height=\"250\" class=\"size-full wp-image-4428\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4428\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jacinto de Thormes<\/em><\/p><\/div>\n<p>.<br \/>\n.<\/p>\n<p>Numa tarde de 1956 entrei na reda\u00e7\u00e3o do Diario do Paran\u00e1, na rua Jos\u00e9 Loureiro, e pedi emprego. <\/p>\n<p>No aqu\u00e1rio da reda\u00e7\u00e3o estava Airton Luiz Baptista, o secret\u00e1rio do jornal. Todo bom jornalista adquire ap\u00f3s anos de trabalho dois tipos de olhar, o curioso e o c\u00e9tico. Foi o olhar n\u00famero dois que Airton usou quando expliquei que desejava um lugar de cronista social e que seria um trabalho como o do Jacinto de Thormes. Ent\u00e3o voc\u00ea quer ser como o Jacinto de Thormes? Tudo bem. Agora n\u00e3o tenho a vaga. Chamo voc\u00ea oportunamente. \u201cOportunamente\u201d. Tai o que voc\u00ea conseguiu, ot\u00e1rio, pedindo a coluna social. Um \u201coportunamente\u201d, que \u00e9 o jeito jornal\u00edstico de dizer n\u00e3o.<\/p>\n<p>Aqui uma pausa para explicar quem era Jacinto de Thormes, o Maneco Muller. Muitos esqueceram o colunista mais famoso dos anos 1950, com passagem pelo Correio da Manh\u00e3, Di\u00e1rio Carioca e mais tarde Ultima Hora. O pseud\u00f4nimo foi emprestado de um personagem de E\u00e7a de Queiros, em A Cidade e as Serras, sugest\u00e3o do diretor do Di\u00e1rio Carioca, Prudente de Morais Neto. Carioca, filho de diplomatas, Maneco Muller virou o colunismo de cabe\u00e7a para baixo. N\u00e3o mais listas de convidados aos casamentos, a descri\u00e7\u00e3o dos vestidos em linguagem pomposa. Ele criou o estilo leve, bem humorado, de noticiar festas da alta sociedade e tamb\u00e9m grandes neg\u00f3cios, esporte (era Botafogo), pol\u00edtica, cinema, vida cultural, tudo. Falava quatro l\u00ednguas; seu modo \u00e0 vontade de agir denunciava logo que ele pertencia ao patriciado. <\/p>\n<p>Meses depois cheguei ao Di\u00e1rio do Paran\u00e1, mas n\u00e3o como colunista. Era o faz tudo do concurso de Miss Paran\u00e1 de 1957 em que Karin Japp foi eleita, disputou o t\u00edtulo de Miss Brasil com a amazonense Terezinha Morango e perdeu. Consegui para Karin um padrinho poderoso, o general Maneco Aranha, irm\u00e3o de Osvaldo, homem forte de Get\u00falio, e de Ciro, presidente do Vasco da Gama. Maneco patrocinou um jantar no Hotel Serrador para alavancar nossa candidata, que terminou em honroso quinto lugar. <\/p>\n<p>No dia seguinte, j\u00e1 em S\u00e3o Paulo, levei Karin ao est\u00fadio da TV Tupi, no Alto do Sumar\u00e9. Foi entrevistada por Marcio Pauletti e, como toda miss, n\u00e3o estava preparada para dizer muita coisa. Marcio me chamou para participar. Constrangido, fiz um discurso sobre a beleza da mulher paranaense que foi registrado pelo advogado Jos\u00e9 Arnaldo Rossi. \u201cVi voc\u00ea na Tupi\u201d, me contou depois. Uma fa\u00e7anha, porque a TV de 1957 tinha um d\u00e9cimo da audi\u00eancia do r\u00e1dio.<br \/>\n.<br \/>\n* * *<br \/>\n.<br \/>\nA reda\u00e7\u00e3o do Diario era povoada de s\u00e1bios. Valmor Coelho, editorialista, era um dos principais especialistas em direito civil de Curitiba. Ao lado dele, o poeta Walmor Marcelino, rec\u00e9m-chegado de Porto Alegre. Mais adiante Benjamin Steiner, argentino, o artista gr\u00e1fico que mudou a cara dos jornais do Paran\u00e1 e comp\u00f4s \u201cSofia\u201d samba para o carnaval de 1960. (*)<\/p>\n<p>L\u00e1 estava tamb\u00e9m Leo de Almeida Neves, amigo de Souza Naves, que em 1966 seria o deputado federal do MDB mais votado no Paran\u00e1. E Julio Ortiz, advogado paraguaio, que logo entrou para a diplomacia, foi consul em Curitiba e depois embaixador em Bras\u00edlia. Mario Maranh\u00e3o, que cobria sa\u00fade enquanto estudava medicina tornou-se eminente cardiologista e presidente da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Cardiologia. Jos\u00e9 Kalkbrenner Filho, o Kalk, era chefe da fotografia e campe\u00e3o brasileiro de ciclismo. Parava de para o almo\u00e7o no Restaurante Zacarias exatamente \u00e0s 12h, nem um minuto mais, mesmo que a Catedral estivesse pegando fogo. N\u00e3o h\u00e1 grande atleta impontual.<\/p>\n<p>Ganhei uma certa autonomia para escrever reportagens sobre assuntos gerais e, em momento de insensatez, produzi uma cr\u00f4nica intitulada \u201cN\u00f3s, as Formigas\u201d que mostrava como o homem \u00e9 pequeno, principalmente quando observado pela janela da um Douglas DC-3 da TAC \u2013 Transportes A\u00e9reos Catarinenses, que tinha a melhor tarifa para S\u00e3o Paulo talvez porque a porta do avi\u00e3o \u00e0s vezes abria em pleno v\u00f4o. A cr\u00f4nica foi caridosamente publicada no Suplemento Liter\u00e1rio do DP, editado pelo Silvio Back depois da sa\u00edda de Eduardo Rocha Virmmond, que continuou escrevendo cr\u00edtica de cinema, m\u00fasica e teatro. \u00c0s vezes o primeiro caderno ficava aberto at\u00e9 a madrugada, \u00e0 espera da primeira cr\u00edtica de Virmmond sobre uma pe\u00e7a que estreava no Guairinha.<\/p>\n<p>* * *<br \/>\n.<br \/>\n<div id=\"attachment_4432\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/minox.jpg\" rel=\"lightbox[4427]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4432\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/minox.jpg\" alt=\"ghghghg\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"size-full wp-image-4432\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/minox.jpg 640w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/minox-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4432\" class=\"wp-caption-text\"><em>Minox Spy Camera. Nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950 um espi\u00e3o n\u00e3o saia de casa sem ela.<\/em>.<\/p><\/div><br \/>\n.<\/p>\n<p>1961, in\u00edcio do governo Ney Braga. Um novo fot\u00f3grafo, cara desconhecida, vindo de Santa Catarina, ofereceu uma pauta. Descobrira que o m\u00e9dico respons\u00e1vel pelo internamento de pacientes no Hospital Psiqui\u00e1trico Nossa Senhora da Luz n\u00e3o controlava as reca\u00eddas dos doentes. Deixava com a esposa, em casa, um bloco de guias de internamento pr\u00e9-assinadas para emerg\u00eancias. O fot\u00f3grafo queria ser internado como doido, com uma c\u00e2mera Minox escondida na perna, para documentar o horror daquele hosp\u00edcio. <\/p>\n<p>O jornal resolveu bancar o projeto. Levei o fot\u00f3grafo em meu carro \u00e0 casa do m\u00e9dico. A mulher dele apareceu na janela. \u201cO Elias teve uma reca\u00edda\u201d, informei, mostrando o \u201cpaciente\u201d no banco de tr\u00e1s, agitando-se entre dois grand\u00f5es da oficina. Ela deu uma olhada, puxou uma guia de internamento que ajudei a preencher tomando cuidado de anotar a profiss\u00e3o do internado: \u201cJornalista\u201d.<\/p>\n<p>Haviamos combinado que ele levaria umas notas gra\u00fadas para emerg\u00eancia. Se quisesse apoio deveria gratificar um dos enfermeiros para ligar pedindo \u201cum ma\u00e7o de Hollywood\u201d. Passou uma noite; na tarde seguinte tocou o telefone de minha casa. O Elias est\u00e1 pedindo que leve urgente um pacote de Hollywood, transmitiu o enfermeiro. <\/p>\n<p>Um pacote? Fomos correndo buscar o colega \u2013 um advogado, dois fot\u00f3grafos, dois rep\u00f3rteres. O diretor s\u00f3 autorizou a sa\u00edda depois de receber ordem do Secret\u00e1rio da Sa\u00fade Justino Alves Pereira. As fotos da Minox mostravam doentes dormindo sem roupa no ch\u00e3o de cimento \u00famido, rolando sobre excrementos, comendo a ra\u00e7\u00e3o nojenta.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico que assinou a guia de internamento foi punido, o diretor do hospital demitido. Na Assembl\u00e9ia Legislativa o tempo esquentou. Foram v\u00e1rios dias de troca de acusa\u00e7\u00f5es entre governo e oposi\u00e7\u00e3o. E algu\u00e9m levantou a inevit\u00e1vel quest\u00e3o \u00e9tica: pode o jornalista ocultar sua profiss\u00e3o para conseguir uma not\u00edcia? A discuss\u00e3o n\u00e3o foi conclu\u00edda at\u00e9 hoje, com o agravante de que empresas jornal\u00edsticas s\u00e3o acusadas de n\u00e3o oferecer seguran\u00e7a aos rep\u00f3rteres que atuam em \u00e1reas de risco (sejam favelas do tr\u00e1fico ou manifesta\u00e7\u00f5es de blackblocs armados de morteiros e coquet\u00e9is molotov).<\/p>\n<p>N\u00e3o sei o que eu faria hoje se a situa\u00e7\u00e3o se repetisse. Mas garanto que algumas informa\u00e7\u00f5es de interesse da sociedade (como a vida no interior de hospitais psiqui\u00e1tricos) s\u00f3 podem ser obtidas de um jeito pouco ortodoxo.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>N\u00e3o inventaram de repente o jornalismo de imers\u00e3o. Ele foi descoberto pouco a pouco por jornalistas em busca de melhores informa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o: ningu\u00e9m fala em revelar a completa verdade sobre o sistema de sa\u00fade p\u00fablica, ou a pol\u00edcia, ou as mutretas para ganhar licita\u00e7\u00f5es. Gosto de uma declara\u00e7\u00e3o do Leon Dash, que escreveu no Washington Post. \u201cN\u00e3o existe verdade absoluta. H\u00e1 casais que passaram a vida juntos e ainda n\u00e3o se conhecem completamente. Todos temos segredos que jamais dividiremos com algu\u00e9m. O que procuro em meu trabalho \u00e9 chegar o mais perto poss\u00edvel da verdade sobre os motivos e o modo como as coisas foram feitas. Mais perto da verdade do que a maioria das pessoas, inclusive os formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas.\u201d<\/p>\n<p>Leon Dash come\u00e7ou a ficar famoso \u00e0s 4 horas da madrugada do dia 18 de abril de 1995, quando Rosa Lee Cunningham, principal personagem da <a href=\"http:\/\/www.washingtonpost.com\/wp-srv\/local\/longterm\/library\/rosalee\/part1.htm\">s\u00e9rie<\/a> \u201cRosa Lee: Poverty and Survival em Washington\u201d, entrou no hospital onde iria morrer tr\u00eas meses depois com diagn\u00f3stico de Aids. Naquela mesma manh\u00e3, Dash compareceu ao funeral do neto de Rosa Lee, de 15 anos, Rico, assassinado por traficantes de crack. A s\u00e9rie de oito reportagens est\u00e1 na cole\u00e7\u00e3o do Washington Post do 18 a 25 de setembro de 1995 e recebeu o Pr\u00eamio Pulitzer.<\/p>\n<p>Um exemplo de jornalismo de imers\u00e3o. Para escrever a s\u00e9rie, Dash viveu durante meses da comunidade de Rosa Lee, participando do dia a dia de traficantes e outros criminosos. \u201cMinha inten\u00e7\u00e3o, ao escrever as mat\u00e9rias, foi fazer o leitor se sentir t\u00e3o desconfort\u00e1vel e inseguro como eu\u201d, disse em entrevista a Robert Boynton. (The New Journalism, 2005, Vintage Books, Random House)<\/p>\n<p>* * *  <\/p>\n<p>H\u00e1 mais. O resto fica para outro dia. <\/p>\n<p>Para concluir, vale relembrar que o crime da esquina \u00e9 mais importante do que a matan\u00e7a no Oriente M\u00e9dio. Jornal tem que ser local. Quem desobedecer este mandamento est\u00e1 condenado a morrer por falta de leitores. N\u00e3o adianta noticiar a pris\u00e3o do pequeno traficante se o rep\u00f3rter n\u00e3o se prepara para cobrir o crime de colarinho branco \u2013 pois \u00e9 l\u00e1 que est\u00e1 o verdadeiro bandido, cercado de advogados e contadores. Lembro finalmente que jornalismo \u00e9 treinamento \u2013 ningu\u00e9m melhora o estilo se n\u00e3o mantiver a rotina de escrever ao menos mil palavras por dia.<\/p>\n<p>Segue a letra da Sofia: <\/p>\n<p><em>(*) \u2013 O Juvev\u00ea todo chorou<br \/>\nBacacheri emudeceu<br \/>\nQuando a not\u00edcia se espalhou<br \/>\nQue a Sofia desapareceu.<br \/>\n(Bis)<br \/>\nO que ser\u00e1 dos carnavais sem a Sofia<br \/>\nO que ser\u00e1 dos maiorais sem a Sofia<br \/>\nA vida n\u00e3o pode ser boa<br \/>\nPor que a turma vai sambar a toa<br \/>\nSem a Sofia<br \/>\nSem a Sofia<br \/>\nSem a Sofiaaaaaaa.<\/em><\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. . . Numa tarde de 1956 entrei na reda\u00e7\u00e3o do Diario do Paran\u00e1, na rua Jos\u00e9 Loureiro, e pedi emprego. No aqu\u00e1rio da reda\u00e7\u00e3o estava Airton Luiz Baptista, o secret\u00e1rio do jornal. 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