{"id":1507,"date":"2013-06-18T05:54:29","date_gmt":"2013-06-18T05:54:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=1507"},"modified":"2013-06-18T06:53:38","modified_gmt":"2013-06-18T06:53:38","slug":"lucky-guy-o-jornalismo-de-tabloide-sobrevive-no-carisma-de-hanks","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=1507","title":{"rendered":"Lucky Guy, o tabloide sobrevive no carisma de Hanks"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1509\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/hanks-7.jpg\" rel=\"lightbox[1507]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1509\" class=\"size-full wp-image-1509\" title=\"hanks 7\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/hanks-7.jpg\" alt=\"desfocada\" width=\"640\" height=\"424\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/hanks-7.jpg 640w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/hanks-7-300x198.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1509\" class=\"wp-caption-text\"><em>A imagem distante e meio desfocada do astro vale a hora de espera.<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem viu, viu. Cara de sorte. A pe\u00e7a <em>Lucky Guy<\/em>, de Nora Ephron, dirigida por George Wolfe, \u00e9 um dos espet\u00e1culos mais bem sucedidos da hist\u00f3ria do teatro americano. Estreou no dia 1\u00ba de mar\u00e7o, no Broadhurst Theatre, na 44, com Tom Hanks liderando o elenco no papel do jornalista Mike McAlary. Agora, no dia 3 de julho, encerra a temporada. N\u00e3o por falta de p\u00fablico, todos os dias o teatro est\u00e1 lotado. Falta de agenda para Hanks, que faz seu debut na Broadway.<\/p>\n<p>De qualquer forma, os produtores n\u00e3o t\u00eam do que se queixar. O or\u00e7amento da pe\u00e7a andou pelos US$3,5 milh\u00f5es. Foi pago nas 18 pr\u00e9-estreias com todos os ingressos vendidos a pre\u00e7os especiais.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de McAlary, dos tabloides novaiorquinos da d\u00e9cada de 80, do jornalismo de manchete, \u00e9 dif\u00edcil de contar, ou melhor, de recontar. Todo mundo j\u00e1 ouviu a saga do jornalista sem medo e sem limites, que vive entre a reda\u00e7\u00e3o e o bar. Os dois ambientes eram muito enfuma\u00e7ados nas d\u00e9cadas de 80 e 90, quando McAlary fez uma carreira de sucesso como colunista dos dois principais tabloides de Nova Iorque, o Daily News e o Newsday. (Por sinal, o diretor Wolfe usa a m\u00e1quina de gelo seco com humor e oportunismo).<\/p>\n<p>Nora Ephron ainda estava trabalhando no texto quando morreu, em junho do ano passado. Por isso, falta um retoque final nesse trabalho, que \u00e9 sobre o sonho e a not\u00edcia \u2013 nem sempre os dois combinam. Nora \u00e9 c\u00e9tica. Numa entrevista zombou do jornalismo, sua primeira profiss\u00e3o: &#8220;Contar a verdade, que pretens\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p>Nessa nossa profiss\u00e3o, existe o fato e a vers\u00e3o impressa \u2013 entre uma coisa e outra h\u00e1 um largo espa\u00e7o para interpreta\u00e7\u00e3o, distor\u00e7\u00e3o e omiss\u00e3o. O rep\u00f3rter McAlary discorda: \u201cN\u00f3s fazemos o primeiro rascunho da Hist\u00f3ria!\u201d diz aos seus companheiros de reda\u00e7\u00e3o e de bar. Eles gostam da companhia um do outro. E gostam mais ainda de competir pelo furo, pela entrevista exclusiva.<\/p>\n<p>Na verdade, gostavam.<\/p>\n<p>Os tabloides ainda mostram de vez em quando seus cad\u00e1veres sem cabe\u00e7a na primeira p\u00e1gina, mas j\u00e1 n\u00e3o atraem leitores como antigamente. \u201cAgora a gente sabe que um fato realmente ocorreu quando aparece no jornal da noite\u201d, diz um dos reporteres, enquanto engole outro gole de u\u00edsque e acende mais um cigarro. Fuma-se muito no palco aqueles cigarros de vapor.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as principalmente a Hanks e a Nora Ephron, a pe\u00e7a ganhou seis indica\u00e7\u00f5es do Toni, maior pr\u00eamio do teatro americano. Um resultado a altura de McAlary, que recebeu o Pr\u00eamio Pulitzer, em 1997, pelas reportagens denunciando a viol\u00eancia da pol\u00edcia de Nova Iorque, que sodomizou o imigrante haitiano Abner Touima.<\/p>\n<p>Depois de cada apresenta\u00e7\u00e3o de <em>Lucky Guy<\/em>, pequenas multid\u00f5es aglomeram-se em frente do teatro para esperar a sa\u00edda de Tom Hanks. O n\u00famero \u00e9 maior do que o de qualquer outro espet\u00e1culo. H\u00e1 muita identidade entre o astro e o americano comum. Ele \u00e9 amado. Para o p\u00fablico, Tom Hanks n\u00e3o \u00e9 um s\u00edmbolo de sex appeal ou poder, mas de dec\u00eancia, de compromisso com a coisa certa.<\/p>\n<p>E a verdade \u00e9 simples e do\u00edda: o tabloide est\u00e1 morrendo. \u00c9 v\u00edtima do jornal da noite, da tv a cabo e da internet. Mas no imagin\u00e1rio do povo americano ele sobrevive como a esperan\u00e7a de que, na cidade polarizada entre ricos e pobres, brancos e negros, bandidos e tiras, vive um jornalista providencial, um super homem, uma Lois Lane, para denunciar as injusti\u00e7as e mostrar o caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Quem viu, viu. Cara de sorte. A pe\u00e7a Lucky Guy, de Nora Ephron, dirigida por George Wolfe, \u00e9 um dos espet\u00e1culos mais bem sucedidos da hist\u00f3ria do teatro americano. 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