{"id":11697,"date":"2026-08-18T00:33:06","date_gmt":"2026-08-18T00:33:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=11697"},"modified":"2026-08-18T00:43:47","modified_gmt":"2026-08-18T00:43:47","slug":"o-uber-atleta-de-dusseldorf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=11697","title":{"rendered":"O uber atleta de Dusseldorf,"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Breyer2.jpg\" rel=\"lightbox[11697]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"481\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Breyer2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11698\" style=\"aspect-ratio:1.3305954825462012;width:625px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Breyer2.jpg 640w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Breyer2-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Hans Egon Breyer<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hans Egon Breyer n\u00e3o era apenas um jogador de futebol \u2013 era um atleta completo. Nascido em Velbert, cidadezinha da regi\u00e3o de Dusseldorf, veio com a fam\u00edlia para o Brasil em 1920, fugindo da destrui\u00e7\u00e3o e da crise econ\u00f4mica causadas pela Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adolescente, treinava atletismo na pista do antigo est\u00e1dio Belfort Duarte. Tinha for\u00e7a e altura (1m86), e destacou-se em v\u00e1rias modalidades. Foi campe\u00e3o nos 200 metros rasos e chegou a vice-campe\u00e3o brasileiro de pentatlo e decatlo. Tamb\u00e9m gostava de bater uma bolinha depois do treino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Convidado a jogar futebol, teve no gramado o mesmo sucesso das pistas. Come\u00e7ou como ponta-direita e venceu o campeonato paranaense de 1939.&nbsp; Fixou-se mais tarde como zagueiro, mas n\u00e3o era um beque qualquer: tomava a bola do advers\u00e1rio, entregava ao ponta e ia para a \u00e1rea advers\u00e1ria esperar o cruzamento. Pulm\u00e3o n\u00e3o faltava. Foi ganhando jogo ap\u00f3s jogo at\u00e9 o dia 19 de outubro de 1941, quando entrou em campo para um Atletiba decisivo na Baixada. Dominou a primeira bola, a segunda e na terceira o dirigente atleticano Jofre Cabral e Silva n\u00e3o resistiu. Foi para a cerca que separava a arquibancada do gramado e gritou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">-Sai da\u00ed, coxa branca! Fora, alem\u00e3o quinta-coluna!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil estava entrando na Segunda Guerra Mundial. Quinta-coluna era uma alus\u00e3o aos espi\u00f5es que teriam enviado mensagem ao submarino alem\u00e3o que torpedeou um cargueiro brasileiro. A parte atleticana da torcida repetiu: fora coxa branca! Fora quinta-coluna!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Breyer continuou jogando seu jogo. Destruiu o ataque atleticano, o Coritiba venceu por 3 a 1 e, na semana seguinte, foi campe\u00e3o paranaense. Mas, ap\u00f3s o apito final, a xenofobia doeu, lembran\u00e7as da persegui\u00e7\u00e3o no tempo da guerra afloraram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O craque decidiu encerrar a carreira aos 24 anos. N\u00e3o queria prejudicar o clube e n\u00e3o suportava a ideia de algu\u00e9m colocar em d\u00favida sua lealdade ao Brasil. Passou anos sem entrar em est\u00e1dio de futebol. S\u00f3 muito mais tarde, na festa do t\u00edtulo de 1969, a torcida comemorando com gritos de \u201cCoxa! Coxa!\u201d, sentiu superado o momento triste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O xingamento tinha virado grito de guerra dos campe\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois que deixou o futebol, em 1943, Hans trabalhou na antiga fundi\u00e7\u00e3o dos Irm\u00e3os Mueller, hoje Shopping Mueller e mais tarde foi dono de uma serraria. Ao conhecer dona Lais, famosa pelos pratos que servia aos Levorato e amigos, n\u00e3o teve d\u00favida: juntou o dinheiro economizado em vinte anos e abriu com a esposa o Restaurante Nino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Corte no tempo. Estamos em 1961. O sal\u00e3o cheio, flores, risos, abra\u00e7os. Para alguns era s\u00f3 a inaugura\u00e7\u00e3o de outro restaurante elegante na cidade. Para Hans Breyer era a volta por cima, a virada de chave, o topo do mundo. Vinte anos depois de abandonar o futebol para fugir da persegui\u00e7\u00e3o de Joffre Cabral ali estava ele, no \u00faltimo andar do Edif\u00edcio Reichmann, rec\u00e9m conclu\u00eddo pela Construtora Farid Surugi, administrando o restaurante da moda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o podia ser melhor localizado, janelas panor\u00e2micas para o centro da cidade, card\u00e1pio em cartolina 250 gramas onde se destacavam o fil\u00e9 ao poivre e o linguado ao molho de camar\u00f5es. Virou ponto da elite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como o mundo dos anos 1960 era pequeno e Curitiba menor ainda, de vez em quando tocava o telefone e uma voz conhecida pedia mesa para um grupo da sociedade. Era Ema, dona da Boate Manhattan, situada a poucos metros de dist\u00e2ncia, de frente para a pra\u00e7a. Logo chegava para jantar com convidados ilustres, professores universit\u00e1rios, empres\u00e1rios, gente top: Vieira Neto, Alcides Munhos Neto, Adolpho de Oliveira Franco, Renato Valente, Manoel de Oliveira Franco Sobrinho e o pr\u00f3prio Joffre Cabral \u2013 sujeito oculto das atividades empresariais da bela cantora colombiana\/novaiorquina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se Joffre ficava constrangido diante de Breyer? S\u00f3 imagina uma coisa dessas quem nunca conversou com ele. Desde o reencontro viraram amigos. \u201cEsse \u00e9 um her\u00f3i do esporte, um gentleman, o alem\u00e3o mais brasileiro que conhe\u00e7o!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lais Levorato, esposa de Breyer, vinha \u00e0 mesa tomar os pedidos e ouvir elogios ao marido e ao seu talento culin\u00e1rio. Torcia pelo Atl\u00e9tico, dois tios Levorato chegaram a vestir a camisa rubro-negra, e a fam\u00edlia era uma mistura de coxas e atleticanos que conviviam muito bem naquela d\u00e9cada povoada de t\u00edtulos alvi-verdes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hans Breyer faleceu em 2001. No seu t\u00famulo, no Cemit\u00e9rio da Agua Verde, est\u00e1 gravado bem grande:  <em>&#8220;O primeiro Coxa-Branca&#8221;<\/em>. Em 2024, o Coritiba lan\u00e7ou nova camisa oficial em sua homenagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>P.S. &#8211; Trecho do livro <strong>Coxa Desde que a Bola \u00e9 Bola,<\/strong> em constru\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hans Egon Breyer n\u00e3o era apenas um jogador de futebol \u2013 era um atleta completo. 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