{"id":11327,"date":"2026-05-15T19:12:27","date_gmt":"2026-05-15T19:12:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=11327"},"modified":"2026-05-15T19:29:33","modified_gmt":"2026-05-15T19:29:33","slug":"a-moca-esta-se-afogando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=11327","title":{"rendered":"A MO\u00c7A EST\u00c1 SE AFOGANDO!"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-15-at-4.14.37-PM.jpeg\" rel=\"lightbox[11327]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-15-at-4.14.37-PM-576x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11330\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-15-at-4.14.37-PM-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-15-at-4.14.37-PM-169x300.jpeg 169w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-15-at-4.14.37-PM.jpeg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Na areia n\u00e3o se acha uma m\u00edsera bituca<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Era uma mo\u00e7a loiralinda, quase uma Kate Moss, exibindo em pleno sol das 11 seu doce balan\u00e7o a caminho do mar. Um senhor careca suspendeu a leitura de emails no celular para contempl\u00e1-la, o garot\u00e3o encheu o peito e seguiu atr\u00e1s dela pelo caminho balizado entre a vegeta\u00e7\u00e3o da restinga.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegou chegando.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na praia livrou-se da canga, da viseira e da bolsa de r\u00e1fia oversized e seguiu para a \u00e1gua. Um pulinho na primeira onda, outro na segunda, estava conclu\u00eddo o ritual. A mo\u00e7a na \u00e1gua, a aten\u00e7\u00e3o mudou para uma gaivota \u2013 ou seria uma fragata? \u2013 que passava e depois de volta aos celulares.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos notaram o aviso do guarda-vidas, bin\u00f3culo em punho do alto do observat\u00f3rio. Nem cuidaram da corrida de dois outros guarda-vidas, que seguiram com p\u00e9s de pato e uma prancha. S\u00f3 um gurizinho entendeu a situa\u00e7\u00e3o e avisou a m\u00e3e que a mo\u00e7a estava se afogando. Olha o bra\u00e7o dela! O bra\u00e7o subiu \u00e0 tona e sumiu. Olha os salva-vidas! Agora eram mais tr\u00eas que se atiravam no turbilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Durou pouco mais do que dez minutos o salvamento. O socorrista chegou perto e estendeu um flutuador para a mo\u00e7a. Uma nova capotada e tudo certo \u2013 l\u00e1 estavam os dois pr\u00f3ximos ao banco de areia. Bra\u00e7o no ombro do guarda-vidas ela chega \u00e0 areia. Chora. N\u00e3o diz obrigado, n\u00e3o diz gra\u00e7as a Deus. Chora e se lamenta: \u201cPerdi meu brinco!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 mais um ouro perdido no mar \u2013 tributo a Iemanj\u00e1 e a S\u00e3o Francisco de Assis, padroeiro dos pescadores e de turistas exibidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Praia das Tartarugas, munic\u00edpio de Mata de S\u00e3o Jo\u00e2o, regi\u00e3o da Praia do Forte, 75 km ao norte de Salvador, \u00e9 perigosa. H\u00e1 s\u00e9culos parece que as tartarugas marinhas sabiam disso e a elegeram para desova. Ao longo de 30 quil\u00f4metros de coqueirais a areia segue inc\u00f3lume, limpinha, um ano ap\u00f3s o outro. N\u00e3o se v\u00ea uma lata de cerveja, um peda\u00e7o de pl\u00e1stico, uma m\u00edsera bituca &#8211; nada al\u00e9m de marcos assinalando ninhos de tartaruga.<\/p>\n\n\n\n<p>Colaboradores do Projeto Tamar (<span class=\"spanfile\">tamar.org.br<\/span>), h\u00e1 45 anos monitoram a praia. \u00c0 noite, com lanternas de luz vermelha (os quel\u00f4nios fogem da luz brilhante), verificam os ninhos. A contagem deles a cada temporada reprodutiva indica se as popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o aumentando ou diminuindo. Est\u00e3o aumentando. No breve per\u00edodo em que as tartaruguinhas deixam o ninho e v\u00e3o para a \u00e1gua, os pesquisadores coletam dados biol\u00f3gicos. Com o avan\u00e7o das pesquisas gen\u00e9ticas e de is\u00f3topos aprendem sobre a vida de uma tartaruga e a situa\u00e7\u00e3o dos mares.<\/p>\n\n\n\n<p>Posso morder a l\u00edngua, mas acredito que o Projeto Tamar, parceria entre a Funda\u00e7\u00e3o Tamar e o Instituto Chico Mendes, \u00e9 um ind\u00edcio de que o Brasil tem jeito. Sobreviveu aos terr\u00edveis anos Bolsonaro, quando o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, sob o comando de Ricardo Salles (aquele do \u201cpassar a boiada\u201d) extinguiu tr\u00eas bases avan\u00e7adas de pesquisa, em Cama\u00e7ari (BA), Parnamirim (RN) e Pirambu (SE). Superou investiga\u00e7\u00f5es da Advocacia Geral da Uni\u00e3o sobre certifica\u00e7\u00f5es de filantropia da Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tamar n\u00e3o apenas protegeu os animais; transformou a vida de comunidades litor\u00e2neas. Pescadores que antes utilizavam tartarugas como alimento passaram a ser protetores (funcion\u00e1rios do projeto), gerando renda atrav\u00e9s do ecoturismo. Mostrou que \u00e9 poss\u00edvel a colabora\u00e7\u00e3o entre a sociedade e o Estado. (O Centro de Visitantes est\u00e1 em um terreno de 10 mil metros quadrados cedido pela Marinha). A Funda\u00e7\u00e3o Tamar \u00e9 mantida com a venda dos produtos artesanais nas lojas, contribui\u00e7\u00f5es privadas e da Petrobr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomara que continue dando certo.<\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na areia n\u00e3o se acha uma m\u00edsera bituca. Era uma mo\u00e7a loiralinda, quase uma Kate Moss, exibindo em pleno sol das 11 seu doce balan\u00e7o a caminho do mar. 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