{"id":1066,"date":"2013-02-22T05:56:54","date_gmt":"2013-02-22T05:56:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=1066"},"modified":"2013-02-22T06:37:17","modified_gmt":"2013-02-22T06:37:17","slug":"mussa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=1066","title":{"rendered":"MUSSA"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1067\" style=\"width: 325px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mussa.jpg\" rel=\"lightbox[1066]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1067\" class=\"size-full wp-image-1067\" title=\"mussa\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mussa.jpg\" alt=\"mussa jose\" width=\"315\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mussa.jpg 315w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mussa-300x152.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 315px) 100vw, 315px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1067\" class=\"wp-caption-text\"><em>Os tempos her\u00f3icos da velha \u00d9ltima Hora.<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mussa Jos\u00e9 Assis foi um dos grandes jornalistas que conheci \u2013 e falo do jornalista no sentido amplo, aquele que levanta cedo e trabalha duro; que colhe, interpreta, edita e distribui informa\u00e7\u00e3o de qualidade. Poucos colegas escreveram com a mesma clareza. Raros entenderam como a precis\u00e3o gramatical torna o fato mais emocionante.<\/p>\n<p>Uma vida intensa, rica de experi\u00eancia, grande demais para este blog. H\u00e1 na cidade ao menos uma centena de profissionais cujas capacidades foram modeladas pelo seu talento. V\u00e3o lembrar a import\u00e2ncia do trabalho dele na imprensa do Paran\u00e1. Aqui, quero focalizar a fase da \u00daltima Hora, que mudou a maneira como a gera\u00e7\u00e3o de 60 viveu o jornalismo.<\/p>\n<p>Antes da UH o jornal era rom\u00e2ntico; depois tornou-se business.<\/p>\n<p>Foi isso que Mussa aprendeu (e ensinou) na Ultima Hora: n\u00e3o basta fazer um di\u00e1rio repleto de not\u00edcias \u2013 \u00e9 preciso que bem cedo o jornal esteja no ponto de venda. E se vender tudo, h\u00e1 que entregar novos exemplares ao banqueiro, para que o leitor jamais fique sem o que ler.<\/p>\n<p>Em 1960, antes de Philip Kotler chegar ao Brasil, Samuel Wainer ensinou que o marketing tem quatro pernas \u2013 produto, pre\u00e7o, distribui\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o. Os jornais de Curitiba empacavam na distribui\u00e7\u00e3o. A Ultima Hora do Paran\u00e1, que Ari de Carvalho dirigia e Mussa secretariava, vendia diariamente 30 mil exemplares. N\u00e3o tinha assinantes. (Hoje, 50 anos depois, o l\u00edder registra 40 mil exemplares.)<\/p>\n<p>Mussa era um jornalista completo. Porque gostava de aprender. E porque come\u00e7ou do come\u00e7o, como rep\u00f3rter de setor. Na pol\u00edtica conseguia not\u00edcias que os outros n\u00e3o tinham. N\u00e3o era milagre, era trabalho. Ele mesmo revelou mais tarde sua grande fonte informa\u00e7\u00f5es exclusivas durante o primeiro governo Ney Braga: as latas de lixo. Met\u00f3dico revirava todas, principalmente as do gabinete do governador, onde achava bilhetinhos amassados ou mal rasgados, ordens aos secret\u00e1rios, broncas, minutas de decretos.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m dominou t\u00e3o bem a arte de organizar sua rede de informantes. Nem conseguiu, como ele, acesso frequente \u00e0s boas fontes. Mussa tinha jeito para lidar com os que est\u00e3o no poder. Eles n\u00e3o gostam de quem tem medo deles e desprezam quem os bajula. Nesse fio da navalha anda o bom rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>Promovido a Secret\u00e1rio da \u00daltima Hora em S\u00e3o Paulo, Mussa foi instalado num apartamento no Largo do Paissandu. Morava a quinhentos metros da reda\u00e7\u00e3o, no Vale do Anhangabau, e n\u00e3o tinha hor\u00e1rio para entrar nem para sair. Durante o dia tratava da produ\u00e7\u00e3o da not\u00edcia \u2013 um leque variado que inclu\u00eda clubes de bairro, times da v\u00e1rzea, sindicatos, quarteis. Curitiba pulsava na UH.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, olho no rel\u00f3gio, cuidava da oficina. O caminh\u00e3o para Curitiba tinha que partir \u00e0s 11 horas. Sorte que a BR-116 da \u00e9poca era um tapete. Quatro da manh\u00e3 o jornal estava na Rodovi\u00e1ria de Curitiba, onde uma parte era despachada para Paranagu\u00e1, Ponta Grossa e outras cidades. Acho que at\u00e9 hoje n\u00e3o apareceu jornal t\u00e3o bem sucedido como aquela Ultima Hora.<\/p>\n<p>Vejo com saudade o Mussa chegando \u00e0 oficina, entre linotipos e uma impressora que n\u00e3o podia esperar. Um espa\u00e7o barulhento, onde tudo era r\u00e1pido e a precis\u00e3o uma hip\u00f3tese. Da\u00ed a adrenalina de correr at\u00e9 a reda\u00e7\u00e3o, definir o desenho da p\u00e1gina, o t\u00edtulo, a legenda da not\u00edcia \u2013 e voltar a tempo de corrigir antes da impress\u00e3o o erro inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por fim a alegria de conferir a prova de p\u00e1gina. Perfeita, a manchete forte, uma foto surpreendente. Era imenso aquele jornal de 12 p\u00e1ginas e nenhum an\u00fancio. Est\u00e1 hoje nas bibliotecas e nos museus do jornalismo como um testemunho da hist\u00f3ria da imprensa e da alma de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><\/div>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Mussa Jos\u00e9 Assis foi um dos grandes jornalistas que conheci \u2013 e falo do jornalista no sentido amplo, aquele que levanta cedo e trabalha duro; que colhe, interpreta, edita e distribui informa\u00e7\u00e3o de qualidade. 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