{"id":10369,"date":"2021-07-12T02:55:45","date_gmt":"2021-07-12T02:55:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=10369"},"modified":"2021-07-12T03:31:24","modified_gmt":"2021-07-12T03:31:24","slug":"um-furo-no-teto-do-bar-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=10369","title":{"rendered":"Um furo no teto do Bar Paris"},"content":{"rendered":"<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_10370\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Bar-Paris-rua-Riachuelo.jpg\" rel=\"lightbox[10369]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10370\" class=\"size-full wp-image-10370\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Bar-Paris-rua-Riachuelo.jpg\" alt=\"gghhhh\" width=\"640\" height=\"853\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Bar-Paris-rua-Riachuelo.jpg 640w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Bar-Paris-rua-Riachuelo-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10370\" class=\"wp-caption-text\"><em>De estilo incerto e sacada de fanada elegancia, o Bar Paris hoje \u00e9 mais uma loja de m\u00f3veis de segunda m\u00e3o na Riachuelo.<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>J\u00e1 foi Rua da Carioca da Cruz. Foi tamb\u00e9m Rua Lisboa, talvez porque boa parte dos comerciantes que se instalaram ali eram portugueses. Mas em 1871 tornou-se Rua Riachuelo, para homenagear a batalha que a armada imperial venceu na guerra contra o Paraguai.<\/p>\n<p>A rua teve dois restaurantes famosos: o Onha, que servia a melhor feijoada de Curitiba aos s\u00e1bados e \u00e0s quartas-feiras no almo\u00e7o e no jantar. S\u00f3 quem n\u00e3o pretendia dormir antes das tr\u00eas tinha coragem de enfrentar a feijoada noturna. O Onha virou ponto de bo\u00eamios, que deixavam a mesa para fazer a digest\u00e3o caminhando pela cidade, ou em um sal\u00e3o de sinuca, ou dan\u00e7ando na Caverna Curitibana, ali ao lado. O outro restaurante, o Paris, era para depois do cabar\u00e9. Servia \u00e0s bailarinas pratos fundos de canja de peito de frango e aos acompanhantes um afamado fil\u00e9 mignon.<\/p>\n<p>O Onha era da paz, o Paris, da disc\u00f3rdia. A partir de meia-noite come\u00e7ava a ferver. Culpa do alcool, p\u00f3 ou anfetamina consumida horas antes. Alguns confrontos se resolviam no grito, mas de vez em quando pintava um cara violento. &#8220;Esfaqueado no Bar Paris&#8221; era t\u00edtulo que frequentou mais de uma vez a capa da Tribuna ou do Di\u00e1rio Popular. Certos contendores preferiam quebrar uma garrafa de cerveja no canto da mesa e avan\u00e7ar com o que sobrou na cara do advers\u00e1rio. Tiros eram malvistos &#8211; uma temeridade porque o alvo estava sempre a menos de dez metros e \u00e9 preciso ficar muito b\u00eabado para errar nessa dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>-Sacou tem que atirar no cara! &#8211; berrou indignado um delegado de pol\u00edcia, tomando a arma da m\u00e3o de um loirinho tr\u00eamulo. O rapaz &#8211; na verdade, quase um menino &#8211; puxou a arma, deu uma vacilada e atirou para cima. Foi preso, enquadrado no artigo 132 do C\u00f3digo Penal. &#8220;Expor a vida ou a sa\u00fade de outrem a perigo direto e iminente&#8221;.<\/p>\n<p>Na delegacia de plant\u00e3o levou uns petelecos do carcereiro. N\u00e3o fechou o olho durante o resto da noite porque o enorme companheiro de cela avisou: &#8220;Se dormir eu te estupro!&#8221;. O cara odiava gente que saca mas n\u00e3o atira.<\/p>\n<p>O furo da bala jamais foi consertado. Nem no teto do restaurante, nem na cabe\u00e7a do loirinho.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. &nbsp; &nbsp; . J\u00e1 foi Rua da Carioca da Cruz. Foi tamb\u00e9m Rua Lisboa, talvez porque boa parte dos comerciantes que se instalaram ali eram portugueses. 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