{"id":10329,"date":"2021-05-27T21:46:22","date_gmt":"2021-05-27T21:46:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=10329"},"modified":"2021-05-28T04:58:48","modified_gmt":"2021-05-28T04:58:48","slug":"jaime-lerner-e-os-planeadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=10329","title":{"rendered":"Jaime Lerner e os planeadores"},"content":{"rendered":"<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_10330\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Jaime-Lerner-by-Kalkbrenner.jpg\" rel=\"lightbox[10329]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10330\" class=\"size-full wp-image-10330\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Jaime-Lerner-by-Kalkbrenner.jpg\" alt=\"nnmnmn\" width=\"640\" height=\"853\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Jaime-Lerner-by-Kalkbrenner.jpg 640w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Jaime-Lerner-by-Kalkbrenner-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10330\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto de Jos\u00e9 Kalkbrenner.<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>I<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes, anos 1920, a Nova Curitiba com as paralelas leste-oeste Visconde de Guarapuava, Sete de Setembro, Silva Jardim, Igua\u00e7u, Getulio Vargas. Prefeito Moreira Garcez.<\/p>\n<p>Em 1941, o Plano Agache. Noticia nacional, porque monsieur Agache era famoso por seus planos anteriores, em S\u00e3o Paulo e Rio. Um dos desafios do urbanista era acabar com os engarrafamentos na pra\u00e7a Tiradentes. Imagino uma manchete de jornal: Vamos acabar com o engarrafamento, diz M. Agache! Pas de embouteillage! Assim, com ponto de exclama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>1953. Centen\u00e1rio do Paran\u00e1. O Estado \u00e9 rico. O governador Bento Munhoz da Rocha inicia as obras do Centro C\u00edvico, projeto de arquitetos paranaenses. Come\u00e7a a constru\u00e7\u00e3o do Teatro Guaira. Da Biblioteca P\u00fablica do Paran\u00e1. O tra\u00e7o do modernismo chega com a Exposi\u00e7\u00e3o Internacional do Caf\u00e9.<\/p>\n<p>1954. A execu\u00e7\u00e3o do Plano Diretor \u00e9 interrompida. O prefeito Ney Braga encaminha mensagem \u00e0 C\u00e2mara Municipal revelando que n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para as desapropria\u00e7\u00f5es. Como consolo, inaugura a Rodovi\u00e1ria da Jo\u00e3o Negr\u00e3o e o Mercado Municipal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>II<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vest\u00edgios do Plano Agache. O Centro C\u00edvico, as galerias na Rua 15, entre Doutor Muricy e Bar\u00e3o do Rio Branco, a avenida Nossa Senhora da Luz, na parte leste da cidade.<\/p>\n<p>D\u00e9cada de 1960. O Plano Diretor. Papel fundamental de Ivo Arzua, prefeito eleito em 1966. Reuniu a<em> inteligentzia<\/em>, promoveu debates. Os interlocutores eram a elite da cidade e professores da Faculdade de Arquitetura da UFPR, rec\u00e9m-criada. Novos professores chegavam de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mudou muita coisa na cidade, come\u00e7ando pela constru\u00e7\u00e3o civil. Projetos do Vilanova Artigas. A inaugura\u00e7\u00e3o do Edif\u00edcio Canad\u00e1, na Comendador Araujo. Licita\u00e7\u00e3o do Santa M\u00f4nica Clube de Campo, vit\u00f3ria de Forte Neto&amp;Gandolfi. \u00c9 a entrada da arquitetura brutalista, de Le Corbusier, em Curitiba. Jos\u00e9 Maria Gandolfi, falecido dia 19, e seu irm\u00e3o Roberto eram alunos de Paulo Mendes da Rocha, que morreu no \u00faltimo dia 23, na Faculdade de Arquitetura da Mackensie.\u00a0 Dias de luto: entre 19 e 29 a arquitetura brasileira perde tr\u00eas nomes fundamentais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>III<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"1970\">\n<li>Haroldo Leon Peres \u00e9 nomeado governador.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Famoso di\u00e1logo entre M\u00e9dici com Ney Braga, Aciolly Filho e outros pol\u00edticos paranaenses.<\/p>\n<p>MEDICI &#8211; Nosso escolhido \u00e9 o deputado Haroldo Sanford.<\/p>\n<p>ACIOLLY &#8211; Esse deputado \u00e9 do Cear\u00e1, general. N\u00e3o seria o Haroldo Leon Peres?<\/p>\n<p>Meses depois, Peres \u00e9 acusado de chantagear o empres\u00e1rio Cecilio do Rego Almeida, que apresenta uma grava\u00e7\u00e3o da conversa, feita na praia de Copacabana. Est\u00e1 na revista Veja, que sumiu das bancas. Den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o se multiplicam. Chega ao Aeroporto Afonso Pena um coronel da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica para resolver o problema. Na madrugada, o governador desaparece de Curitiba levando apenas uma mala, que alguns garantiam estar pesada de tantas notas de d\u00f3lar. Deixa a carta de ren\u00fancia, de uma linha.<\/p>\n<p>O prefeito Jaime Lerner, nomeado por Peres, precisa seguir administrando a cidade, mas n\u00e3o tem mais o apoio ao Pal\u00e1cio Igua\u00e7u. Re\u00fane o grupo de arquitetos, urbanistas e advogados para avaliar o que fazer. A decis\u00e3o \u00e9 colocar imediatamente em pr\u00e1tica o Plano Diretor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>IV<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O restaurante Peking ficava no come\u00e7o da Jo\u00e3o Gualberto, onde ergueu-se um pr\u00e9dio desajeitado. No andar de cima havia uma grande mesa redonda, de uns doze lugares. Jaime e auxiliares almo\u00e7avam juntos quase sempre. Nireu Teixeira, Dario Lopes dos Santos, Franchete Rischbieter, Dulcia Auriquio, Rafael Deli, Groff, Ludomir Ficinski,\u00a0 Eduardo Rocha Virmmond.<\/p>\n<p>E planeavam, como dizia o Sergio Mercer, autor em parceria com Ernani Buchman, de famoso chachach\u00e1 do IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) com o refr\u00e3o: \u201cPlanea, planea, planea\/ s\u00f3 planea\u201d. \u00c9 verdade. Nos arquivos do instituto voc\u00ea vislumbra o futuro de Curitiba &#8211; inclusive o futuro que foi planejado e n\u00e3o se realizar\u00e1, como \u00e9 o caso do Plano Preliminar do Metr\u00f4, conclu\u00eddo em 1969. Trabalho de Rafael Dely, Domingos Bongestabs, Augusto Fayet e Oswaldo Navarro.<\/p>\n<p>Voltamos ao Plano Diretor de Curitiba. Ele n\u00e3o est\u00e1 pronto. Falta definir muita coisa. Melhor, a oposi\u00e7\u00e3o ter\u00e1 menos para criticar, responde Jaime, n\u00e3o o urbanista, o marqueteiro, cuja compet\u00eancia paradoxalmente ia aumentar com o fim da ditadura e a derrota na elei\u00e7\u00e3o municipal de 1985.\u00a0 Uma elei\u00e7\u00e3o \u00e9 ganha nas \u00faltimas 24 horas, ele descobriu da maneira mais dolorosa poss\u00edvel \u2013 perdendo por poucos votos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>V<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O resto \u00e9 hist\u00f3ria. Em certa madrugada a Rua 15 foi fechada aos ve\u00edculos e ocupada por m\u00e1quina e oper\u00e1rios. Ap\u00f3s o fim de semana, amanheceu Rua das Flores, s\u00f3 para pedestres. Um an\u00fancio da Prefeitura dizia: \u201cA cidade \u00e9 do homem, n\u00e3o da m\u00e1quina\u201d.<\/p>\n<p>Era uma reapropria\u00e7\u00e3o do velho centro pelo curitibano que andava a p\u00e9, de alpargata ou t\u00eanis, talvez um sapato Samello, sem pressa de ir embora porque a conversa estava boa. O mundo come\u00e7ou a olhar de um jeito diferente para Curitiba. Como essa cidade consegue se reinventar de maneira t\u00e3o brilhante?<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o agradou aos lojistas, que tinham medo de perder clientes. A moda era estacionar o Ford Thunderbolt ou Buick Electra em frente da loja, entrar para escolher um sapato ou gravata e depois atravessar a rua para conversar no Senadinho. No fim de semana, o cortejo de carros flu\u00eda lentamente pela principal rua da cidade. A elite gostava. E uma parte da elite estava no Tribunal de Justi\u00e7a, pronta para julgar os mandados de seguran\u00e7a dos comerciantes.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m falava em batalha de narrativas. Ainda n\u00e3o era moda. Mas houve uma batalha de narrativas entre os que contavam a hist\u00f3ria da Curitiba do autom\u00f3vel e os que anunciavam o advento da bela Curitiba dos pedestres.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. &nbsp; &nbsp; . I &nbsp; Antes, anos 1920, a Nova Curitiba com as paralelas leste-oeste Visconde de Guarapuava, Sete de Setembro, Silva Jardim, Igua\u00e7u, Getulio Vargas. Prefeito Moreira Garcez. Em 1941, o Plano Agache. 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