{"id":10009,"date":"2021-01-16T17:58:19","date_gmt":"2021-01-16T17:58:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=10009"},"modified":"2021-08-01T23:56:03","modified_gmt":"2021-08-01T23:56:03","slug":"sem-algaci-tulio-e-sem-o-diario-do-parana-ia-ser-dificil-resolver-o-caso-marines","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?p=10009","title":{"rendered":"Sem Algaci Tulio e sem o Diario do Paran\u00e1 ia ser dif\u00edcil resolver o Caso Marin\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/algaci-tulio-3-boa.jpg\" rel=\"lightbox[10009]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10010\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/algaci-tulio-3-boa.jpg\" alt=\"gghhhh\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/algaci-tulio-3-boa.jpg 640w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/algaci-tulio-3-boa-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Craque do microfone e da Olivetti.<\/em><\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m avisar que as pr\u00f3ximas linhas est\u00e3o eivadas de parcialidade e esp\u00edrito de corpo. Foram escritas para louvar o jornalismo paranaense, especialmente o que se fazia do tempo da Ultima Hora, edi\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1. Nosso jornal heroico e breve come\u00e7ou a funcionar em 1958 e foi fechado em 1965, depois do golpe. Com o fechamento da UH paranaense e o enquadramento da reda\u00e7\u00e3o quase inteira no C\u00f3digo Penal Militar, sobrou o qu\u00ea? O editorial cheio de platitudes sobre o paranismo, a coluna social com a foto da Garota Caiob\u00e1 e a reportagem policial.<\/p>\n<p>Por algum motivo ainda por ser revelado, em todas as reda\u00e7\u00f5es da cidade a parte dos fundos era resevada \u00e0 editoria de pol\u00edcia. Um territ\u00f3rio de craques da Rolleiflex e paladinos da Olivetti, gente que fumava maconha, bebia demais e andava com as bailarinas da boate Marrocos. Para cumprir a pauta di\u00e1ria usava a consagrada combina\u00e7\u00e3o de instinto da not\u00edcia, esperteza e \u00e9tica seletiva.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, o rep\u00f3rter de pol\u00edcia precisa encarnar Diabo da Fonseca, personagem de Nelson Rodrigues que diz: \u201cE vou provar o seguinte, querem ver? Que \u00e9 falsa a fam\u00edlia, falsa a psican\u00e1lise, falso o jornalismo, falso o patriotismo, falsos os pudores, tudo falso!\u201d<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Vamos falar sobre Algaci Tulio, jornalista e pol\u00edtico morto esta semana, v\u00edtima do Covid-19. Em certo momento Algaci Tulio foi o nosso Diabo da Fonseca. Era 1977. Com a imprensa pol\u00edtica censurada, os jornais mancheteiros vendiam \u00e0s dezenas de milhares nas bancas do Rio e S\u00e3o Paulo e Curitiba. Not\u00edcias Populares, Tribuna do Paran\u00e1, Luta Democr\u00e1tica, O Dia. Aqui, os integrantes da reda\u00e7\u00e3o da Ultima Hora Paran\u00e1 estavam livres gra\u00e7as ao talento do Ren\u00ea Dotti, Elio Naresi, Antonio Breda e outros advogados, que conseguiram alguns dos \u00faltimos habeas corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal antes do AI-5. Livres e procurando emprego. Circulava uma lista negra entre os patr\u00f5es. Estavam l\u00e1 todos os comunistas, esquerdistas e liberais (\u201clinha auxiliar da subvers\u00e3o\u201d) inocentes \u00fateis. Essa turma era perigosa porque defendia a volta das elei\u00e7\u00f5es diretas.<\/p>\n<p>Alguns furaram a lista negra e trabalhavam no novo Estado do Paran\u00e1, comprado pelo governador Paulo Pimentel. Outros foram para as Merc\u00eas, para onde mudaram a TV Paran\u00e1 e o Diario do Paran\u00e1, agora de propriedade do milion\u00e1rio paulista Oscar Martinez, dono da Rede OM de Comunica\u00e7\u00e3o. O presidente da Rede era o filho Jos\u00e9 Carlos Martinez, amigo de Fernando Collor, prefeito de Macei\u00f3. O alagoano sonhava com a presid\u00eancia da Rep\u00fablica e dependia de muito apoio medi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Entre os contratados estavam &#8220;subversivos&#8221; e &#8220;inocentes \u00fateis&#8221;: Cicero Cattani, Creso Moraes, Carlos Coelho e o mestre Reinaldo Jardim. O Di\u00e1rio do Paran\u00e1 tentava mudar de trajet\u00f3ria e tornar-se um jornal popular, com cobertura dos bairros e muito crime na primeira p\u00e1gina. Para isso mantinha uma aguerrida equipe de rep\u00f3rteres policiais, onde se destacava Algaci Tulio, com experi\u00eancia em r\u00e1dio-jornalismo.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Certa madrugada, foi parar nas m\u00e3os de Algaci uma carteira de identidade ensanguentada. A dona chamava-se Marin\u00eas Lemanski e o corpo dela estava ca\u00eddo no banco de tr\u00e1s de um carro abandonado numa estradinha de Colombo. A v\u00edtima era esposa do jornalista Henrique Lemanski, secret\u00e1rio da Tribuna do Paran\u00e1, internado no hospital, o bra\u00e7o quebrado por um tiro.<\/p>\n<p>O casal teria \u2013 e aqui a mat\u00e9ria come\u00e7ava a usar o condicional necess\u00e1rio \u00e0s not\u00edcias policiais \u2013 teria sido v\u00edtima de sequestro ao sair de um restaurante pr\u00f3ximo \u00e0 Reitoria da UFPR. O criminoso mandou tocar para Colombo. L\u00e1, roubou joias e dinheiro e atirou. Marin\u00eas caiu morta, o marido teria conseguido correr para o matagal. Escapou com vida, mas ferido no bra\u00e7o.<\/p>\n<p>O dia seguinte foi de como\u00e7\u00e3o na sociedade. Mais de uma centena de pessoas no vel\u00f3rio, realizado na capela do cemit\u00e9rio Parque Igua\u00e7u. Cercado de amigos e colegas, o marido chorava levando a m\u00e3o ao rosto; via-se o bra\u00e7o engessado, testemunho da viol\u00eancia dos sequestradores.<\/p>\n<p>Algaci tinha muitas fontes. Sabia onde ir, o que perguntar. Amigo de delegados e tiras, foi recebendo dicas e seguindo pistas. Chegou ao Rio Grande do Sul \u2013 e sua presen\u00e7a desagradou gente poderosa. Um ga\u00facho de chapel\u00e3o e vasto bigode fez uma visita ao Diario do Paran\u00e1. Queria conversar com quem mandava. Entrou na sala do Jos\u00e9 Carlos Martinez e deu seu recado: \u00e9 bom parar com a investiga\u00e7\u00e3o. Continuar pode ter consequ\u00eancias. Quais consequ\u00eancias? Ningu\u00e9m soube, porque o bigodudo pegou o chap\u00e9u e foi embora. E agora? Z\u00e9 Carlos mandou uma ordem para a reda\u00e7\u00e3o: continuem.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Era um jornal feito com algum dinheiro e muita coragem. A visita do emiss\u00e1rio n\u00e3o meteu medo nos rep\u00f3rteres. E no domingo, 12 de maio de 1978, uma enorme manchete dizia: \u201cNA ORIGEM DOS BENS DE LEMANSKI, TODO MIST\u00c9RIO DO CRIME\u201d.<\/p>\n<p>Eis o texto que explicava porque o motivo do crime era dinheiro:<\/p>\n<p><em>\u201cAdvogados e policiais, que acompanham o caso Lemanski desde a \u00e9poca do crime, n\u00e3o t\u00eam d\u00favida em concluir que na origem dos bens do empres\u00e1rio est\u00e1 todo o mist\u00e9rio do assassinato de Marin\u00eas. O \u00faltimo lance estranho \u00e9 o fato de a pr\u00f3pria Policia &#8220;seq\u00fcestrar&#8221; e manter incomunic\u00e1vel o mec\u00e2nico Pedro Roberto Salvattl, que ficou fazendo verdadeira romaria pelas delegacias de Policia de Curitiba, a fim de que n\u00e3o fosse localizado por parentes e advogados interessados em defend\u00ea-lo. A Pol\u00edcia estava escolhendo advogados para o mec\u00e2nico, al\u00e9m de indicar defensor para a fam\u00edlia de Marin\u00eas. O delegado Peter Wlaslowskl impediu, de todas as formas, que o advogado M\u00e1rio Jorge fosse contratado para defender o mec\u00e2nico, mantendo em completo sigilo o paradeiro do preso, at\u00e9 que ele se disp\u00f4s a contratar outro advogado, Douglas Godoy, filho de um delegado de policia. &#8220;Quando a Policia impede que o advogado fale com o preso e que at\u00e9 sua m\u00e3e o veja \u00e9 porque tem &#8220;chuncho&#8221;. E dos grandes&#8221;. Um outro fato n\u00e3o explicado: o tremendo esfor\u00e7o da Delegacia de Furtos e Roubos a fim de evitar que Henrique Lemanski viesse a se apresentar espontaneamente, para esclarecer os verdadeiros motivos do crime. Aparentemente, a Pol\u00edcia temia que suas declara\u00e7\u00f5es pudessem ser por demais comprometedoras, complicando elementos da pr\u00f3pria Pol\u00edcia, como de outras pessoas da sociedade, cujos bens tiveram a mesma origem que os seus. Detalhes, na 16\u00ba pag.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>***<\/em><\/p>\n<p>A mat\u00e9ria n\u00e3o estava assinada, mas todo mundo sabia que era do Algaci Tulio. Dali em diante, a investiga\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou, os outros jornais entraram com mais vontade na cobertura, at\u00e9 que um delegado tomou coragem e fez o relat\u00f3rio apontando o marido e o mec\u00e2nico como respons\u00e1veis pelo assassinato. Algaci ganhou fama de destemido, de her\u00f3i do jornalismo, e n\u00e3o n\u00e3o viu muito futuro nessa condi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o queria ser uma esp\u00e9cie de Amado Ribeiro curitibano.\u00a0 Por que? Porque n\u00e3o faz bem para a sa\u00fade. (\u201cN\u00e3o quero virar nome de rua\u201d)<\/p>\n<p>Olhou para o lado, deparou-se com o largo caminho da pol\u00edtica. Virou vereador pelo PTB, depois deputado, depois, por duas vezes, vice-prefeito de Curitiba, com Jaime Lerner e com Cassio Taniguchi.<\/p>\n<p>Mas nunca deixou de ser jornalista. Para muitos colegas, foi o melhor rep\u00f3rter policial que a cidade conheceu.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<div id=\"attachment_10011\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/chepeu-gaucho.jpg\" rel=\"lightbox[10009]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10011\" class=\"size-full wp-image-10011\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/chepeu-gaucho.jpg\" alt=\"gghghg\" width=\"640\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/chepeu-gaucho.jpg 640w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/chepeu-gaucho-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10011\" class=\"wp-caption-text\"><em>O homem do chapeu preto veio dar o recado.\u00a0<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. 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