{"id":2,"date":"2012-07-11T18:59:51","date_gmt":"2012-07-11T18:59:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adherbal.com\/?page_id=2"},"modified":"2012-08-10T18:59:14","modified_gmt":"2012-08-10T18:59:14","slug":"vestido-branco","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.adherbal.com\/?page_id=2","title":{"rendered":"Vestido Branco"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Untitled-2.png\" rel=\"lightbox[2]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-189 aligncenter\" title=\"Logo Vestido Branco\" src=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Untitled-2.png\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"679\" srcset=\"https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Untitled-2.png 610w, https:\/\/www.adherbal.com\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Untitled-2-269x300.png 269w\" sizes=\"auto, (max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DEU MARX NO SAMBA<\/strong><\/p>\n<p><em>Se Deus est\u00e1 morto, o PIB tomar\u00e1 o lugar Dele e os \u2028economistas ser\u00e3o os sumos sacerdotes do novo mundo. <\/em><\/p>\n<p><strong><em>Polly Toynbee<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este livro foi escrito a muitas m\u00e3os e incont\u00e1veis ouvidos para homenagear a arte dos m\u00fasicos que nasceram ou escolheram Curitiba para palco de seu talento durante a d\u00e9cada de 1960. E para festejar a cidade ainda pequena dos pianos na sala de estar, da hausmusik, dos pagodes no quintal, dos seresteiros que emergiam da cerra\u00e7\u00e3o, umidade nenhuma capaz de desafinar seus viol\u00f5es &#8211; cidade diferente, capaz de acolher todas as gentes e encantar-se com todas as harmonias.<br \/>\nAfinados, desafinados ou lamentavelmente af\u00f4nicos \u00e9ramos todos, com destaque \u2028para os mais especializados, como Aramis Millarch e Renat\u00e3o Ribas, testemunhas desse \u2028tempo feliz. Mais ou menos da mesma idade, filhos de fam\u00edlias da classe m\u00e9dia, seja l\u00e1 o \u2028que isso signifique, a maioria era capaz de exibir, quando necess\u00e1rio, diplomas de direito, \u2028sociologia ou jornalismo. Em comum, a condi\u00e7\u00e3o de associados ao Sindicato dos Jornalistas \u2028Profissionais do Paran\u00e1 e o temor das matem\u00e1ticas. Da\u00ed o gosto pela conversa recheada de \u2028humanismo das noites do Bar Pal\u00e1cio onde o fil\u00e9 com farofa de ovo era servido pelo Mozart, \u2028um gar\u00e7\u00e3o-fil\u00f3sofo &#8211; e frequentemente vinha acompanhado de surpresas.<br \/>\nInesquec\u00edvel a noite em que a surpresa foi o soci\u00f3logo Fernando Henrique Cardoso, sa\u00eddo de uma palestra sobre a teoria da depend\u00eancia na Federal. Em torno dele, professores e pol\u00edticos do MDB, o partido da redemocratiza\u00e7\u00e3o inflado pelo recorde de votos na elei\u00e7\u00e3o de 1974. Ao lado dele, um sindicalista chamado Luis In\u00e1cio da Silva, o Lula, exibia amea\u00e7adora barba preta.<br \/>\nFernando Henrique revelou que Lula era a \u00faltima palavra em mat\u00e9ria de \u2028revolucion\u00e1rio. Um l\u00edder natural, nascido longe da incubadeira do Partid\u00e3o, amadurecidonas greves do ABC paulista que agora consolidava sua vis\u00e3o do mundo com a elite de professores \u2028da USP. Pelas m\u00e3os dos mestres, explicou FHC, ele estava mais do que lendo &#8211; estava \u2028interpretando para os companheiros o pensamento cl\u00e1ssico da esquerda, a come\u00e7ar pelo \u2028de Karl Marx.<\/p>\n<p>&#8211; Querem ver? &#8211; perguntou Fernando Henrique com um ar entre c\u00ednico e maroto -Lula, d\u00e1 pra explicar a eles por que o modelo pol\u00edtico brasileiro fracassou? \u2028 E Lula explicou:<\/p>\n<p>&#8211; Porque pol\u00edtico brasileiro faz de conta que n\u00e3o sabe que a infra-estrutura econ\u00f4mica condiciona a superestrutura pol\u00edtica e social.<br \/>\nEntende, leitor, por que o Bar Pal\u00e1cio foi essencial? Ele nos permitiu ver antes dos outros que FHC era o guru de Lula. E deu-nos a felicidade de desconfiar a tempo que Lula, talento flex\u00edvel, poderia mais tarde apreender a recitar, em vez de fundamentos marxistas, o discurso do neoliberalismo.<br \/>\nCentro de fofocas, o Bar Pal\u00e1cio era tamb\u00e9m ponto obrigat\u00f3rio dos m\u00fasicos e \u2028compositores que vinham a Curitiba, de Tom Jobim a Cartola, de Paulo Soledade, o grande \u2028autor de Est\u00e3o Voltando as Flores, a Billy Blanco. Eles testemunhavam como ia bem a \u2028m\u00fasica brasileira numa \u00e9poca em que havia gente se deslumbrando com o ie-ie-ie. \u2028O Brasil estava exportando a bossa nova. O concerto do Carnegie Hall fora um sucesso.<\/p>\n<p>A bossa n\u00e3o era um sambinha de uma nota s\u00f3, mas um movimento amplo, muito rico, que \u2028tinha um p\u00e9 no bebop outro no samba de raiz. Duvida? Pergunte para o Gebran Sabbag, \u2028para o Waltel Branco ou para o Fernando Montanari, que eram daqui mas tinham um \u2028suingue de l\u00e1. A\u00ed todo mundo corria ao La Vie en Rose, a b\u00ean\u00e7\u00e3o Gebran! Ou \u00e0 Marrocos, \u2028sua ben\u00e7\u00e3o Fernand\u00e3o! Ou ligavam para o Rio, porque o Waltel j\u00e1 estava na Globo.<br \/>\nEste livro retrata de forma um tanto an\u00e1rquica, em clima de Bar Pal\u00e1cio, o tempo \u2028de luz e gl\u00f3ria em que Curitiba foi uma das capitais da m\u00fasica popular brasileira. Come\u00e7a, \u2028na verdade, pouco antes de 1960, quando L\u00e1pis comp\u00f4s Vestido Branco e Raul de Souza \u2028chegou para integrar a Banda da Base; vai pouco al\u00e9m de 1970, quando, esgotada a chama, A Chave parou de cantar. \u00c9 resultado de animada pesquisa, que incluiu reuni\u00f5es madrugada a dentro, com o consumo de muito cigarro e cerveja. E cujo produto foram horas e horas de fita nem sempre bem gravada, que exigiram outras horas e dias de apura\u00e7\u00e3o pelo telefone ou em novas entrevistas, agora com microfone de lapela e perguntas menos err\u00e1ticas. Demorou para sair a pergunta certa:<\/p>\n<p>&#8211; Por que Curitiba era em 1960 um grande centro musical? A resposta podia estar naquela explica\u00e7\u00e3o de Lula.<br \/>\n&#8211; Porque a infra-estrutura econ\u00f4mica condiciona a superestrutura pol\u00edtica, social e cultural.<br \/>\nOu, traduzindo: porque deu Marx no samba.<br \/>\nPois n\u00e3o h\u00e1 arte sem mecenas. Nem existe mecenato onde o dinheiro \u00e9 curto. No Paran\u00e1 dos anos 60 sobrava dinheiro porque o Brasil era o maior produtor de caf\u00e9 do mundo. A cafeicultura, que havia chegado no in\u00edcio do s\u00e9culo, entrou em grande expans\u00e3o a partir de 1950 devido aos altos pre\u00e7os do mercado internacional. De 300 mil hectares, em 1951, o Estado passou a 1,6 milh\u00e3o de hectares em 1962, ano em que atingiu o apogeu: colhemos 21,3 milh\u00f5es de sacas de 60 quilos, equivalentes a 54% da produ\u00e7\u00e3o brasileira e 28% da produ\u00e7\u00e3o mundial.<br \/>\nDe cada dois d\u00f3lares que o pa\u00eds faturava com exporta\u00e7\u00f5es, um vinha para o bolso \u2028de algu\u00e9m que plantava caf\u00e9 em Londrina, Maring\u00e1 ou Corn\u00e9lio Proc\u00f3pio. Sobre esse \u2028dinheiro, o governo do Estado cobrava o Imposto de Vendas e Consigna\u00e7\u00f5es e mandava o \u2028numer\u00e1rio para os cofres do Banco do Estado. Cada prefeito municipal tinha direito a um \u2028peda\u00e7o do IVC, mas a distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o era autom\u00e1tica nem necessariamente equ\u00e2nime. \u2028Era preciso que ele viesse a Curitiba, presidente da C\u00e2mara Municipal a tiracolo, reiterar \u2028ao governador a velha fidelidade &#8211; ou pelo menos demonstrasse que seu oposicionismo \u2028estava longe de ser raivoso.<br \/>\nAo lado dos prefeitos e vereadores, chegavam a todo instante empres\u00e1rios interessados em empr\u00e9stimos de Banestado ou do Banco de Desenvolvimento do Paran\u00e1BADEP. Ou em renegociar d\u00edvidas com o fisco e com os bancos.<\/p>\n<p>Em alguns casos, intermediar esses neg\u00f3cios era mais lucrativo do que produzir \u2028caf\u00e9. Um famoso corretor de influ\u00eancias instalou-se no Edif\u00edcio Asa, situado na pra\u00e7a Os\u00f3rio, \u2028ao lado dos grandes hot\u00e9is. Procura\u00e7\u00e3o em punho, recebia as cotas do Artigo 20 &#8211; assim \u2028se chamava a participa\u00e7\u00e3o no IVC -, cobrava d\u00edvidas de empreiteiros, levantava empr\u00e9stimo \u2028com escassa garantia. Chegou a ficar com 40% do valor negociado &#8211; um esc\u00e2ndalo de \u2028comiss\u00e3o que praticamente decidiu o pleito de 1960, vencido pelo moralismo irado de \u2028J\u00e2nio Quadros e pelos que tiveram sensibilidade pol\u00edtica para entender o momento. Ney \u2028Braga foi lan\u00e7ado por um pequeno partido, o PDC, que tinha poucos diret\u00f3rios municipais, \u2028a maioria em cidades grandes como Londrina, Cascavel e Maring\u00e1. Apesar disso, obteve \u2028votos em todo o Estado. Fora eleito, brincava-se, pelo PFI, Partido da Farm\u00e1cia e da \u2028Indigna\u00e7\u00e3o. Na falta de diret\u00f3rio onde se reunir, os eleitores faziam do farmac\u00eautico o \u2028organizador de sua indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos esses personagens hospedavam-se em bons hot\u00e9is, passavam no Bar Pal\u00e1cio, \u2028iam ao teatro Gua\u00edra e \u00e0s casas noturnas ver os bal\u00e9s e as gringas eletrizantes. E tanto no \u2028hotel como no restaurante, no teatro e nas casas noturnas o que se ouvia era m\u00fasica ao \u2028vivo, quase sempre de boa qualidade. A demanda jogava para cima o cach\u00ea dos m\u00fasicos e \u2028atra\u00eda mais talentos.<br \/>\nHavia muito dinheiro e pouco ju\u00edzo nesse tempo de ouro verde. J\u00e1 na metade da \u2028d\u00e9cada de 1940 os curitibanos come\u00e7aram a sentir-se ricos e decidiram que precisavam \u2028de um grande sal\u00e3o de festas para celebrar as boas colheitas no Norte do Estado. A diretoria \u2028do Clube Curitibano aprovou o magn\u00edfico projeto da nova sede na esquina da Rua XV de \u2028Novembro com Bar\u00e3o do Rio Branco. A tradicional construtora Gutierrez, Paula e Munhoz \u2028or\u00e7ou a obra em mais de cinco milh\u00f5es de cruzeiros, valor que, ao final, ultrapassou os \u2028nove milh\u00f5es &#8211; e o dinheiro apareceu num instante, gra\u00e7as \u00e0 boa vontade dos dirigentes da \u2028Caixa Econ\u00f4mica Federal. Joffre Cabral e Silva foi o respons\u00e1vel pelo sucesso das tratativas \u2028entre o clube e a CEF.<\/p>\n<p>Joffre sabia como caminhar no interior do labirindo burocr\u00e1tico. Mas n\u00e3o desconfiou que a cidade ia crescer depressa, nem que o n\u00famero de autom\u00f3veis em circula\u00e7\u00e3o logo transformaria seu clube em in\u00fatil monumento arquitet\u00f4nico. Por isso ignorou o terreno ao lado (ver croquis), que ficou desocupado durante mais de uma d\u00e9cada e cujo propriet\u00e1rio, reza a lenda, cansou de oferec\u00ea-lo a pre\u00e7o m\u00f3dico. Se o Clube Curitibano tivesse usado o cr\u00e9dito amigo da CEF para adquirir tamb\u00e9m a \u00e1rea anexa seria poss\u00edvel, anos depois, erguer um estacionamento vertical para atender aos associados.<br \/>\nSem garagem, o jeito foi mudar para a sede campestre da Get\u00falio Vargas, uma regi\u00e3o onde &#8211; pensavam os otimistas &#8211; jamais faltaria vaga. Faltou. O estacionamento que n\u00e3o foi feito na Bar\u00e3o acabou constru\u00eddo na Get\u00falio Vargas a um custo bem maior. O preju\u00edzo n\u00e3o foi apenas financeiro. Continuando no modo condicional, n\u00e3o custa imaginar que se existisse uma garagem na sede, o clube estaria l\u00e1 at\u00e9 hoje &#8211; \u00e9 insano abandonar um pr\u00e9dio com menos de trinta anos de constru\u00e7\u00e3o &#8211; e sua presen\u00e7a poderia desacelerar ou at\u00e9 impedir a degrada\u00e7\u00e3o do centro da cidade.<br \/>\nEra muito animado o Curitibano, tanto acima do n\u00edvel da rua como no subsolo, onde funcionava a Caverna Curitibana (veja a planta baixa), palco de muitos shows dos personagens que v\u00e3o desfilar nas p\u00e1ginas seguintes. O palco, onde tocava Beppi e seus Solistas e outras grandes orquestras, estava instalado em um sal\u00e3o de seiscentos metros quadrados. A \u00e1rea da cozinha tinha mais duzentos metros quadrados. At\u00e9 a chapelaria era imensa, apesar da decad\u00eancia desse adere\u00e7o. Os donos da afamada Chapelaria Cury e seus poucos concorrentes j\u00e1 tinham descoberto que fazer boinas e chap\u00e9u de vaqueiro era mais neg\u00f3cio do que insistir no gelot e no panam\u00e1.<br \/>\nA \u00e9poca de ouro da m\u00fasica popular brasileira em Curitiba vai at\u00e9 uma madrugada \u2028de 1975 em que a terra roxa do Norte do Paran\u00e1 come\u00e7ou a esfriar e esfriou at\u00e9 congelar. \u2028Era a geada negra, que destruiu boa parte da lavoura cafeeira e acabou a era da monocultura \u2028cafeeira. O caf\u00e9 erradicado, com ele sumiram os reis da noite que bancavam a grande \u2028festa da d\u00e9cada de 1960. Nunca mais piano, baixo e bateria no escurinho do Luigi\u2019s.<\/p>\n<p>Nunca mais striptease das gringas lascivas na Marrocos. Do riso de cristal das meninas do LaVie en Rose \u00e9 bom esquecer.<\/p>\n<p>Na madrugada do Bar Pal\u00e1cio houve muito eu-n\u00e3o-disse, a discuss\u00e3o entrou pela madrugada e at\u00e9 que algu\u00e9m subiu na mesa e profetizou grandes mudan\u00e7as no Estado, por motivo t\u00e3o simples quanto l\u00f3gico: o fato econ\u00f4mico \u00e9 base e causa determinante dos fen\u00f4menos hist\u00f3ricos e sociais, a\u00ed inclu\u00eddas as institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas e pol\u00edticas, a moralidade, a religi\u00e3o e o que mais?<\/p>\n<p>Ah, as artes.<\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; DEU MARX NO SAMBA Se Deus est\u00e1 morto, o PIB tomar\u00e1 o lugar Dele e os \u2028economistas ser\u00e3o os sumos sacerdotes do novo mundo. 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