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O que fazer contra o passado escravocrata que assombra o Brasil? Power to the people

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bgbg Todo mundo quer ler.

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Segunda-feira, 16 de setembro, noite de autógrafos de “Escravidão”, primeiro dos três livros que Laurentino Gomes vai lançar nos próximos anos. A Livraria Curitiba está tão lotada que minha senha para a fila é número 248 e a fila continua crescendo.

Microfone em punho, Laurentino, autor dos maiores sucessos editoriais na área da não-ficção, responde perguntas de um público cujo interesse vai além da literatura – as pessoas estão assustadas com a realidade nacional. É urgente entender o que acontece: será que nosso passado escravocrata atrapalha e até inviabiliza políticas igualitárias, projetos de ensino e pesquisa?

O ódio entre brasileiros da classe média branca vem daquela época? A desesperança nasceu nos navios negreiros?

E os professores de história estarão relatando corretamente os fatos que transformaram a vida dos brasileiros nos últimos vinte anos?

Ao fundo desenha-se a grande pergunta: o que será de nós?

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Talvez as respostas já estejam em alguns estudos clássicos da sociedade brasileira. Florestan Fernandes escreveu:

“A desagregação do regime escravocrata e senhorial se operou, no Brasil, sem que se cercasse a destituição dos antigos agentes de trabalho escravo de assistência e garantias que os protegessem na transição para o sistema de trabalho livre. Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumisse encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho. (…) Essas facetas da situação (…) imprimiram à Abolição o caráter de uma espoliação extrema e cruel”.

A história pesa em nossas vidas, porque o obá (chefe local) de Benin está mais próximo de nós do que os antigos reis de França, diz Laurentino e cita o historiador Alberto da Costa e Silva, responsável pela revisão e anotações encontradas no livro: “Hoje todos somos descendentes de escravos ou de senhores e mercadores de escravos”.

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A resposta que pediu uma ansiosa professorinha não será encontrada nas tradições dos avós italianos, alemães ou portugueses dos políticos e funcionários que decidem as coisas no Brasil. É mais provável que esteja no ânimo guerreiro de Zumbi dos Palmares e também na ferocidade de seus algozes, os brancos, caboclos, mulatos e índios de Domingos Jorge Velho, “gente ruim, pior e mais indesejável do que os próprios quilombolas que haviam derrotado”.

Os dois lados aprenderam, no século 17, que com o branco não há acordo – a não ser que você esteja em situação de força. Ao estrangeiro não se oferece vassalagem, não se entrega a terra, nem as empresas que disputam o mercado internacional. Tem que ser no pau, como diz John Lennon:

Power to the people, right on
Now, now, now, now

 

 

 

 

Posted on 18th setembro 2019 in Sem categoria  •  No comments yet

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