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Por que Gloria Maria não pode ajudar Daniela Falcão?

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hkhkh Testemunha ruim

 

 

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Gloria Maria aparece nos jornais dizendo que não houve racismo naquela festa promovida por Daniela Falcão, diretora da Vogue Brasil.

Vamos lembrar os fatos:

Donata Meirelles, ex-diretora de estilo da revista Vogue Brasil, chamou a sociedade paulista para seu aniversário no hotel Unique. O ponto alto do party foi o momento em que a anfitriã sentou numa espécie de trono ladeada por mulheres negras vestidas de mucamas. As fotos repercutiram mal, parecia saudade da escravatura, da casa grande, e houve pessoas que a acusaram de racismo.

No final do bate-boca, ela se demitiu do cargo. O baile de carnaval da revista foi transferido para mais tarde.

Além de adiado, o baile trocou de atração: no lugar de Ivete Sangalo cantou Jorge Ben Jor. A assessoria do evento disse à Folha de São Paulo que a mudança se deu por questão de agenda de Ivete.

A outra providência está descrita acima – ouvir depoimentos como o de Glória Maria para desfazer a imagem ruim de racismo. Não deu certo. Glória Maria não pode ajudar Daniela Falcão, nem Donata Meirelles, porque não é mais negra: embranqueceu sob os spotlights da Globo. Vai a festas no consulado-geral da França, compra na Tiffany, na Barra da Tijuca, toma chá na pérgula do Copa. Pertence ao 1%.

Quem entende esse embranquecimento é o gerente do banco. Um milhão na conta, cartão de crédito diamond. viagem na executiva? Ela é branquíssima. Pelé voltou ao Brasil quase de olhos azuis em 1958. Tinha ganho a Copa do Mundo e o coração de suecas, que corriam atrás dele com grande apetite.

Nelson Rodrigues viu o craque Didi fazer um lançamento de 40 metros e definiu aquele negro alto, pescoço longo, sempre de cabeça erguida. -É um príncipe etíope de escola de samba. Príncipe. A folha seca e a camisa da seleção colocaram Didi na nobiliarquia brasileira.

Mario Filho, irmão de Nelson, escreveu o livro definitivo sobre o assunto, “O Negro no Futebol Brasileiro”, da Civilização Brasileira, que virou série da HBO, sob a direção de Gustavo Acioli.

Vários capítulos são dedicados ao Fluminense, time de Nelson e Mario, e da classe alta, o que mais resistiu à contratação de negros. A diretoria tricolor só mudou de ideia após derrotas seguidas para o Vasco, onde brilhava o trio Lelé, Isaias e Jair da Rosa Pinto.

Os pretos foram chegando às Laranjeiras, e terminou a era do vexame. Um dia apareceu um ponta esquerda trazido do Madureira chamado Robson. Ficou amigo do jornalista, com quem trocava  uma ideia sobre futebol e a vida. Uma vez, colocou a mão no ombro dele e refletiu:

-Sabe, seu Mario, no tempo em que eu era preto tinha muitas dificuldades…

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Posted on 26th março 2019 in Sem categoria  •  No comments yet

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