logo
Governo e política, crime e segurança, arte, escola, dinheiro e principalmente gente da cidade sem portas
post

La Philharmonie

.

ghghghgg O conjunto arquitetônico da Philharmonie custou 385 milhões de euros e oferece auditórios, salas de ensaio, biblioteca, terraço (foto) com vista para o Parc de la Villette.

.

Desde janeiro de 2015 visitar a Philharmonie é obrigatório para quem vai a Paris e não pretende passar o tempo fazendo selfies na Torre Eiffel.
O auditório de 2.400 lugares lembra uma colina e possui acústica fantástica.
Depois, as pessoas dão uma passadinha no terraço e contemplam o parque.

Posted on 1st novembro 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
post

O trompete silenciou

.

fghghghg Saul no Bar Colarinho, esquina de Brasílio Itiberá com Angelo Sampaio. Ao fundo o baterista Eduardo. Não aparecem Boldrini, baixo, e Fabio Hess, guitarra.

.

.

Há verdades que ninguém discute. São massacrantes. Metem medo.

Por exemplo, não há arte sem mecenas. Seja o príncipe, seja o estado, alguém tem que dar uma força ao artista. Outra verdade diáfana é que o mecenato depende do estado geral da economia. Nesses tempos de Temer, primeiro paga-se o advogado, depois o fornecedor de alimento, o de remédios, de armas, os policiais, os vendedores de armamento.

No fim estão os artistas, “produtores de bens culturais”. Esquecidos. Ferrados.

Saul Trumpet era um deles, não o mais importante, porque não frequentava o eixo Rio-São Paulo, mas o mais heróico.

Durante anos (1984 a 1997) sustentou o bebop e as jam sessions no Trumpet Bar, que funcionava na Cruz Machado de segunda a domingo. Era um lugar onde todo mundo podia dar uma canja e pendurar a conta. O pau cantava até de manhã porque a vizinhança – Boate Metrô e outros inferninhos – gostava de festa.

Saul morreu. Calculo que tinha uns 150 anos de jazz, porque na batalha da noite cada hora conta em dobro.

Merece um busto na praça de Bandeirantes, onde nasceu, ou de Umuarama, onde aprendeu a tocar seu instrumento. Em Curitiba não há local mais adequado que a velha Cruz Machado, cenário de sua glória.

Posted on 1st novembro 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
post

O Conto da Aia, uma alegoria antitrump

.

hhjhjhjh Elisabeth Moss, de publicitária a aia insubmissa.

.

O discurso feminista vai ficar mais estridente na TV a cabo.

Está chegando The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia), a série que ganhou vários Emmys neste domingo e conquistou manchetes como a nova bandeira antimachista (estamos na era Trump) e liberal.

O tema é a distopia do futuro – distopia é o oposto de utopia – em que uma mulher é obrigada a viver como concubina sob uma ditadura teocrática fundamentalista. Não custa reler 1984 para ter como discutir as diferenças entre dois clássicos do gênero.

Elisabeth Moss, 34 anos, (Mad Men) interpreta a personagem central, uma aia cujo maior compromisso é emprestar o útero para a reprodução da família. A série é baseada em romance da escritora canadense de 77 anos Margaret Atwood, multipremiada e condecorada pelo governo do Canadá.

Posted on 18th setembro 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
post

A Curitiba de Mr. Peachum

.

gghghg Mudaram para cá.

.

Nunca houve tanto mendigo em Curitiba. Cada um com sua técnica e local de pedir esmola. Um não invade a área do outro. É uma organização.

E nunca houve tanta crise. Li que o Brasil caminha para ter só duas classes – os ricos e os miseráveis. Isso é ruim. Brecht dizia que os ricos criam a miséria mas não aguentam ver os miseráveis.

Você e eu somos ricos, eis a insuportável verdade. Temos mais do que o suficiente para comer. Alguns podem até alimentar um ou dois rottweilers. Mas não suportamos ver um homem desmaiando de fome, principalmente quando ele desmaia em frente de casa.

Todo curitibano lê a Bíblia e, se não lê, é informado pelos pastores da TV das promessas e maldições ali contidas. Quando vê um pobre, reflete assustado: “É dando que receberei”.

Não dá porque crê, mas porque o mendigo é competente. Usa a palavras certa, apela para o medo, nojo ou horror. Ganha o seu.

As ruas estão horríveis. A cidade virou cenário de uma colossal “Opera dos Três Vintens”, aquela obra prima de Bertold Brecht e Kurt Weil sobre a miséria de Londres na metade do século 19.

A capital inglesa era feia, suja e povoada de mendigos. Eles trabalhavam disciplinadamente sob as ordens de Mr. Peachum, “O Rei dos Mendigos”. Graças ao treinamento, à divisão dos pontos e ao kit com bengalas, óculos de cego, bandagens ensanguentadas, os lucros eram cada vez maiores.

Mr. Peachum ensinava a arte de despertar compaixão. Inventou o kit-mendigo, que era entregue mediante participação de 50% nos resultados. “O importante – insistia – é despertar o ser caridoso que vive dentro de cada homem e de cada mulher”.

Mr. Peachum renasceu em Curitiba. Com um kit-mendigo melhor. Li algumas instruções de seu Guia do Pedinte:

Receita médica. Mostre ao futuro doador a receita. Explique que é urgente porque seu pai tem câncer. Surgiu um medicamento que pode parar o tumor. Falta dinheiro para ir à farmácia. Por caridade, vai ajudar?

Não quero dinheiro. Explique que não quer dinheiro, mostre o calo na mão (há um fazedor de calos no kit) e diga “Sou trabalhador!” Seu velho Uno Mille está parado a três quadras. Acabou o álcool. “Pode me emprestar três ou quatro litros?” Não é por mim, é pela esposa e pelo nenê que chora.

Tem comida? Variação do não-quero-dinheiro. Funciona melhor se a seu lado estiver sua mulher grávida. (Há um kit gravidez no pacote). Vocês não comem desde manhã. Pode ser que alguém more perto e convide vocês para ir até lá pegar um prato de comida. Nesse caso, assalte o doador. Nunca mais vai levar alguém para casa.

Sou cego. Precisa treinamento. O kit tem vídeo do Al Pacino fazendo um cego em “Perfume de Mulher” e até um cão guia. Dá bom resultado em sinaleiro com movimento. Alguns moleques vão jogar dinheiro fake em seu chapéu. Se o ponto for bom, vale contratar um ajudante de cego. Você economiza o cachorro.

Não é assalto, pessoal, tenho HIV! Você enfia a carona na porta do ônibus e sorri para todos. Me ajudem, sou portador do vírus HIV mas, calma!, estou medicado, não vou contaminar ninguém.

Guardador de carro. Mr. Peachum agora quer que cobrem adiantado. “Paguei um pastel para uma mulher com fome e fiquei devendo dez. Conheço um cara que virou ladrão por uma mixaria”.

Posted on 10th setembro 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
post

O Secretário defende o pacotão. Falácias

.

kklklklk Mauro Ricardo Costa
(Foto: Julio César da Costa Souza/SEFA)

.
O secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, interrogado pela repórter Rosana Felix, da Gazeta do Povo, sobre o pacotão do governo, falou bonito: “São medidas urgentes porque precisamos encaminhar a proposta orçamentária de 2018 com base no que for aprovado pela Assembléia”.

Desculpe, mas não é verdade.

O governo pediu urgência porque não quer saber de debate com a sociedade, que não concorda com esses cortes de despesa.

O certo seria discutir o assunto, na Assembléia e fora dela. Mauro Ricardo acha desnecessário.

-Os deputados foram eleitos pela sociedade justamente para deliberarem em nome dela. É o que farão.

O secretário quer nos enrolar com a velha falácia do petitio principii. O truque consiste em usar parte da conclusão como suporte da premissa. Um raciocínio circular. Exemplos:

“Por que você resolveu tornar-se vegetariano, João? Porque eu não como carne.”

“Atividade paranormal é real porque eu tive uma experiência que só pode ser descrita como atividade paranormal.”

“Por que os deputados votam pela sociedade? Porque foram eleitos para votar por ela.”

Bullshit. No sistema representativo, o eleito recebe um mandato, uma procuração, do eleitor para defender um conjunto de propostas. Caso vote contra o mandato pode ser cassado. A justiça eleitoral tem cassado deputados que desobedecem o programa partidário.

*

Atenção: Todas as pesquisas mostram que o eleitor é contra o pacotão e o tratoraço.

*

O secretário da Fazenda produziu nova falácia ao defender o pacote.

“O termo pacote vem sendo usado em sentido pejorativo. É um conjunto de medidas que vão (sic) propiciar a redução das despesas do Estado para fazer mais em benefício da população.”

É a falácia da projeção. Ocorre quando alguém projeta sentimentos pessoais, crenças, delírios ou suposições, sem evidência que confirme a ideia. Às vezes é o inconsciente que contribui para a projeção – Freud explica. Às vezes é malandragem em estado puro.

A história financeira do Estado mostra que os programas de redução de despesas raramente beneficiaram a população. Em compensação, jamais prejudicaram os grandes fornecedores de serviços e os megacredores.

*

Reduzir despesas significa menos dinheiro circulando na economia, menos compras nas lojas, menos encomendas às indústrias, menos empregos, menos gasolina nos carros da polícia e ainda menos segurança nas ruas.
.

.

Posted on 7th setembro 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
post

Frente ampla

.

fdgddff Manhã anti-Richa.

.

Com professora e padre não se briga, ensinava Benedito Valadares aos deputados do velho Partido Social Democrático. Valadares foi o primeiro presidente do PSD, inventado por Getúlio Vargas em 1945 para que houvesse um partido de centro, capaz de mediar as brigas entre a esquerda trabalhista e a direita udenista.

Com a edição do pacote de maldades, Beto brigou com os professores. Sábado havia uma frente ampla na Boca Maldita.

Todo mundo concorda que só um grande investimento em educação tira o Brasil do pantanal em que se encontra. Beto embarcou no bonde da austeridade. Decisão ruim.

Professores de um lado gritavam slogans contra o pacotão. O presidente da APP Sindicato, Hermes Leão, está furioso: “O governador quebrou compromisso conosco e feriu mais uma vez os direitos dos educadores. É o desmonte da educação”.

No outro lado da avenida Luiz Xavier, em frente ao café, o Zé da Biblia invocava Mateus e os profetas para garantir que as labaredas do fogo do inferno já lambem o Palácio Iguaçu.

.
ghghhhh Está nos profetas./[caption] .
[caption id="attachment_7425" align="alignleft" width="640"]gghghghg Pode conferir.

Posted on 4th setembro 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
post

A necessidade de sentir medo

.

gghghghg O Brasil é vice-campeão mundial em evasão fiscal.

.

O momento recomenda ler Conspiracy Theory (Simon & Schuster, 2014).

Cass R. Sunstein, um dos mais próximos conselheiros de Barack Obama na Casa Branca, oferece fantástica contribuição à psicologia coletiva, o verbo misfear.

Significa sentir medo da coisa errada. É o grande problema da sociedade moderna. Misfearing descreve a tendência humana de seguir o instinto e não a razão.

A médica Lisa Rosenbaum conta das entrevistas com clientes de uma clínica feminina. Fazia a mesma pergunta a todas as pacientes. “Qual é na sua opinião a maior causa de morte entre as mulheres?”

Uma senhora de meia idade, pressão alta e colesterol na estratosfera, respondeu: “Sei que a resposta certa é doença do coração mas assim mesmo vou dizer câncer de mama”.

Décadas de pesquisa não explicam o medo errado. Tememos ataques terroristas e homicídios, que dificilmente vão nos atingir. Não tememos derrame, infarto, diabetes, que todo dia abatem um conhecido.

Em política, os medos errados vão contra o fantasma da esquerda e o corrupto-que-recebe-propina.
São reforçados pela TV que mostra maços R$100 na cueca, no fundo falso da mala, na mochila do político malandro. Os fatos aconselham a ter mais medo de corporações que sonegam fortunas e têm dinheiro em paraíso fiscal.

É crime de lesa-pátria. Tira recursos do orçamento da saúde e da educação. Mas todos se compadecem quando o Ministro do Planejamento cita alguns números do orçamento e lamenta: “Só nos resta vender os bens que temos.”

Os valores denunciados nos crimes de corrupção são oito vezes menores que os da sonegação, evicção e evasão fiscal.

Por que ninguém fica indignado? Porque a cobertura é seletiva. A mídia registra com ênfase os malfeitos dos propineiros e esconde a grande bandidagem das empresas e bancos, em parte denunciada na Operação Zelotes.

Para a Lava Jato, dez minutos de Jornal Nacional; para a Zelotes, Panama Papers, HSBC Leaks, uma nota no pé da página.

***

P.S. – Pior que sentir medo da coisa errada é não sentir medo da coisa certa. É o que faz personagem do filme A Nau dos Insensatos (Ship of Fools, Stanley Kramer, 1965) com Vivien Leigh, Simone Signoret, José Ferrer, Lee Marvin, Oskar Werner, José Greco e George Segal.

Oskar Werner interpreta o doutor Wilhelm Schumann, um judeu que, em 1933, não sentia medo de Hitler: “O que ele pode fazer? Matar seis milhões de nós?

Posted on 26th agosto 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
post

O que significa mesmo “Der Mensch ist, was er ißt”? Que a venda da Eletrobrás permitirá pagar milhares de crêpes Suzette

.

O homem é aquilo que come. Preferência culinária ajuda a identificar o tipo de eleitor.

.

O filósofo materialista alemão Ludwig Andreas Feuerbach escreveu “o homem é aquilo que come”. Mas não pretendia dizer literalmente que quem come lixo é um lixo.

Em época de eleição, candidatos devoram pastel de ovo e tomam garapa no terminal do Boqueirão. Depois os que podem vão saborear crêpe Suzette no Ile de France.

Fuerbach achava que aquilo que a pessoa come tem influência na saúde e principalmente no estado de espírito.

Se eu tenho um fusquinha e você uma Lamborghini Huracan Spyder, somos diferentes, votamos diferente, temos opinião diversa sobre o Rodrigo Botafogo Maia, o Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Gilmar Mendes.

A ideia de esquerda e direita parece embutida nesse conceito, mas dissidentes argumentam que há coxinha pobre por ai; e muito bacana que vota no PC do B.

Ninguém discorda porém que mudar de cardápio não converte bárbaros em filósofos, no máximo transforma político do baixo clero em comensal do palácio do Conde Bela Lugosi.

.

P.S. – Os pensamentos acima ocorrem após ler o editorial da Folha de S. Paulo e de outros jornais apoiando a privatização sem vaselina da Eletrobrás. A empresa é estratégica para o desenvolvimento. Detém 32% da capacidade de geração de energia do país e mais de 70 mil quilômetros de linhas de transmissão. Opera seis distribuidoras no Norte e Nordeste do Brasil.

No Forum do Estadão, Rodrigo Maia disse que “ninguém aguenta mais o gigantismo do Estado, que só tira recursos da sociedade”.

O Globo deu destaque à declaração do ministro do Planejamento Dyogo Oliveira: “Só nos resta vender os bens que temos”.

Vendam. O faturamento da Eletrobrás paga milhares de crêpes Suzettes.

Posted on 24th agosto 2017 in Sem categoria  •  No comments yet